O CORPO CAUSAL E O EGO  
Por  
Arthur E. Powell  

Uma publicação da Sociedade Teosófica  

| PARTE 1 DE 2 — i'éCSCOC#;C'@'!  

DEDICATÓRIA  

Este livro, como seus três predecessores, é dedicado com gratidão e apreço àqueles cujo laborioso trabalho e pesquisas forneceram os materiais a partir dos quais ele foi moldado.  

SUMÁRIO  

INTRODUÇÃO  
DESCRIÇÃO GERAL  
O CAMPO DA EVOLUÇÃO  
A EMANAÇÃO DAS MÔNADAS  
A FORMAÇÃO DOS CINCO PLANOS  
OS REINOS DA VIDA  
A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS: TRÍADE SUPERIOR  
A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS INFERIORES: TRÍADE INFERIOR  
AS HIERARQUIAS CRIATIVAS  
ALMAS-GRUPO  
ALMAS-GRUPO MINERAIS  
ALMAS-GRUPO VEGETAIS  
ALMAS-GRUPO ANIMAIS  
INDIVIDUALIZAÇÃO: MECANISMO E PROPÓSITO  
INDIVIDUALIZAÇÃO: MÉTODOS E GRAUS  
FUNÇÕES DO CORPO CAUSAL  
COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DO CORPO CAUSAL  
PENSAMENTO CAUSAL  
DESENVOLVIMENTO E FACULDADES DO CORPO CAUSAL  
VIDA APÓS A MORTE: O QUINTO CÉU  
O SEXTO CÉU  
O SÉTIMO CÉU  
TRISHNA: A CAUSA DA REENCARNAÇÃO  
ÁTOMOS PERMANENTES E O MECANISMO DA REENCARNAÇÃO  

Na seção II deste documento serão encontrados:  

O EGO E A REENCARNAÇÃO  
O EGO E SEU "INVESTIMENTO"  
O EGO E A PERSONALIDADE  
O EGO NA PERSONALIDADE  
O EGO E A PERSONALIDADE: AUXÍLIOS SACRAMENTAIS  
MEMÓRIA DE VIDAS PASSADAS  
O EGO EM SEU PRÓPRIO PLANO  
INICIAÇÃO  
CONSCIÊNCIA BÚDICA  
O EGO E A MÔNADA  
AS SEGUNDAS E SUPERIORES INICIAÇÕES  
CONCLUSÃO  

INTRODUÇÃO  

Este livro constitui o quarto e último da série de compilações que tratam dos corpos do homem.  

Ao longo de toda a série, o mesmo plano foi adotado.  

Aproximadamente quarenta volumes — principalmente os escritos por Annie Besant e por C.W. Leadbeater — foram minuciosamente pesquisados; o material assim encontrado foi selecionado, organizado e classificado em seus departamentos apropriados, de modo a apresentar ao estudante da Teosofia moderna um relato coerente e sequencial dos corpos mais sutis do homem.  

Além disso, foi incorporada uma quantidade considerável de informações sobre os planos, ou mundos, associados a esses quatro corpos do homem.  

Portanto, é provavelmente próximo da verdade dizer que a essência de quase tudo o que foi publicado pelos dois principais pioneiros nos mistérios e complexidades da Sabedoria Antiga, com exceção de certas especialidades claramente demarcadas [como a Química Oculta, por exemplo], pode ser encontrada nestes quatro livros.

O compilador espera, assim, que o trabalho intensivo, que o ocupou por cerca de três anos e meio, sirva para tornar um pouco mais fácil o caminho daqueles que desejam obter uma compreensão abrangente do que pode ser denominado os aspectos técnicos da Teosofia moderna.

Tendo em vista que nosso conhecimento oculto, dos planos mais sutis que o físico, provavelmente será enormemente aumentado num futuro próximo, pareceu desejável empreender a tarefa não desprezível de organizar, em forma de livro-texto, os dados que já possuímos, antes que a massa total se torne demasiado volumosa para ser manuseada dessa maneira.

Além disso, por meio dessa organização ordenada de nossos materiais, construímos para nós mesmos um esboço, ou esqueleto, no qual informações adicionais podem ser incorporadas, à medida que se tornam disponíveis.

Como nos volumes anteriores, referências às fontes da informação foram dadas ao longo do texto na margem (ao usar o livro), para que qualquer estudante que assim o deseje possa verificar por si mesmo cada afirmação feita, em sua fonte original.

Nos poucos casos em que o compilador apresentou suas próprias opiniões sem apoio, as iniciais A.E.P. foram impressas na margem.

Cerca de dois terços dos diagramas são originais; o restante foi retirado, às vezes com ligeiras modificações, das obras de C.W. Leadbeater, e alguns de Um Estudo da Consciência, de Annie Besant.

Um outro departamento do conhecimento teosófico, em grande parte autossuficiente e, portanto, especializado, é o do Esquema de Evolução no qual o homem evolui: isso inclui Globos [como a Terra], Rondas, Cadeias, Raças, Sub-raças, e assim por diante.

O autor espera compilar um volume tratando desta seção da Teosofia técnica, num futuro próximo.

A.E. Powell

CAPÍTULO I

DESCRIÇÃO GERAL

Nos três volumes anteriores desta série, a saber, O Duplo Etérico, O Corpo Astral e O Corpo Mental, a história de vida de cada um dos três veículos inferiores do homem foi estudada.

Nesses estudos, tem sido suficiente para nós tomar cada um dos três veículos como o encontramos realmente existindo no homem, e examinar seus métodos de funcionamento, as leis de seu crescimento, sua morte, e então a formação, a partir do núcleo fornecido pelos átomos permanentes e pela unidade mental, de novos veículos do mesmo tipo, a fim de que a evolução do homem nos três planos inferiores possa ser continuada.

Quando passamos a estudar o corpo causal do homem, entramos em uma nova fase de nosso trabalho e devemos abranger um campo muito mais amplo em nossa visão da evolução humana.

A razão disso é que, enquanto os corpos etérico, astral e mental existem apenas por uma encarnação humana, ou seja, são distintamente mortais, o corpo causal persiste ao longo de toda a evolução do homem, através de muitas encarnações, sendo portanto relativamente imortal.

Dizemos relativamente imortal de propósito, porque, como se verá a seu tempo, há um ponto em que o homem, tendo completado sua evolução puramente normal, inicia sua evolução supernormal e, de fato, perde o corpo causal no qual viveu e evoluiu durante as eras passadas de seu crescimento.

Assim, ao tratar do corpo causal do homem, não estamos mais dentro da personalidade, observando qualquer veículo dessa personalidade e vendo, do ponto de vista dela, como ele está servindo à evolução do homem real que o utiliza; mas, em vez disso, devemos nos posicionar ao lado do próprio homem, olhando de cima para os veículos da personalidade, e considerando-os como tantos instrumentos temporários, moldados para o uso do próprio homem, e descartados, como se descarta uma ferramenta quebrada, quando já cumpriram seu propósito.

Além disso, para tornar nosso estudo abrangente e completá-lo de maneira que seja intelectualmente satisfatória, devemos descobrir e estudar a origem e o nascimento do corpo causal, isto é, como ele se formou em primeira instância.

Ao constatar que ele teve um começo, vemos de imediato não apenas que deve ter um fim, mas também que deve haver alguma outra forma de consciência que utiliza o corpo causal, assim como o ego no corpo causal utiliza os veículos da personalidade.

Essa outra forma de consciência é, naturalmente, a Mônada humana.

Portanto, para que possamos compreender plenamente o papel que o corpo causal desempenha na tremenda história da evolução humana, devemos estudar também a Mônada humana.

Voltando ao nascimento ou formação do corpo causal, somos imediatamente lançados na consideração do assunto um tanto intrincado das Almas-Grupo, com o qual teremos de lidar.

Rastreando a origem das Almas-Grupo, somos levados de volta, passo a passo, às Três Grandes Emanações da Vida Divina, das quais surgem todas as formas de vida manifestada.

Ao estudar as Três Emanações, devemos necessariamente considerar, até certo ponto, a formação do mundo material no qual as Emanações são projetadas.

Assim, para que nosso estudo do Corpo Causal seja abrangente, devemos descrever, ainda que apenas em linhas gerais, a formação do campo de evolução, o fluxo das grandes correntes de vida para esse campo, o surgimento das Mônadas, a construção dos muitos reinos de vida, e o mergulho das Mônadas, com a assistência dos átomos permanentes, no universo material, e o desenvolvimento gradual da vida nas Almas-Grupo até que, eventualmente, após éons de existência, o ponto de Individualização seja alcançado, quando o corpo causal aparece pela primeira vez.

A partir daí, nosso estudo seguirá linhas muito semelhantes às dos livros anteriores desta série.

Teremos de tratar, por sua vez, das funções do Corpo Causal: sua composição e estrutura; a natureza do pensamento causal; o desenvolvimento e as faculdades do corpo causal; a porção da vida após a morte passada no corpo causal nos mundos celestiais superiores.

Depois, devemos passar a um exame mais completo da entidade, a saber, o ego, que habita e utiliza o corpo causal, projetando dele personalidade após personalidade no ciclo de reencarnação.

Devemos examinar o que é conhecido como Trishna, a "sede", que é a verdadeira causa da reencarnação; os átomos permanentes e o mecanismo da reencarnação; a atitude que o ego assume em relação a todo o processo de reencarnação e às personalidades que ele projeta nos mundos inferiores.

A relação completa do ego com a personalidade, seu vínculo com ela, e a maneira como ele a utiliza, devem ser cuidadosamente examinados.

Um capítulo especial será dedicado a certos auxílios sacramentais para fortalecer e melhorar o vínculo entre o ego e a personalidade, e outro capítulo ao fundamento da memória de vidas passadas.

Depois, passamos a descrever, tanto quanto possível, a vida do ego em seu próprio plano.

Isso nos conduz à Iniciação na Grande Fraternidade Branca, quando o corpo causal desaparece por um tempo.

Alguma descrição da consciência búdica deve ser tentada, e um epítome sucinto de tais fatos como são conhecidos a respeito da Segunda e Superiores Iniciações.

Finalmente, concluímos nossa longa história com a relação do ego com seu "Pai no Céu", a Mônada.

O campo que este livro procura abranger é, portanto, como já foi dito, muito maior do que o coberto em qualquer um dos três volumes anteriores da série.

Espera-se que o livro capacite o estudante de Teosofia a obter uma compreensão ampla do maravilhoso panorama da evolução humana e a ver em perspectiva verdadeira o papel desempenhado por cada um dos quatro corpos sutis do homem – o etérico, o astral, o mental e o causal.

CAPÍTULO II – O CAMPO DA EVOLUÇÃO

Por "campo da evolução" entendemos o universo material no qual a Evolução deve ocorrer.

Estritamente falando, a vida ou Espírito e a matéria não são, na realidade, existências separadas e distintas, mas sim polos opostos de um único númeno; porém, para fins de análise e estudo intelectual, é conveniente considerar esses dois aspectos ou polos quase como se fossem separados e distintos, da mesma forma que um construtor, por exemplo, considera mais ou menos separadamente as plantas e os cortes de seus edifícios, embora essas plantas e cortes sejam meras abstrações da entidade única – o próprio edifício.

O campo da evolução em nosso sistema solar consiste em sete planos ou mundos; estes podem ser considerados como formando três grupos: [1] o campo da manifestação logoica apenas; [2] o campo da evolução supernormal; [3] o campo da evolução normal humana, animal, vegetal, mineral e elemental.

Esses fatos podem ser tabulados como mostrado na página 5.

Os planos Adi e Anupadaka podem ser concebidos como existindo antes de o sistema solar ser formado.

O plano Adi pode ser imaginado como consistindo de tanto da matéria do espaço, simbolizada por pontos, quanto o Logos delimita para formar a base material do sistema que Ele está prestes a produzir.

O plano Anupadaka, simbolizado por linhas, podemos imaginar como consistindo dessa mesma matéria, modificada ou colorida por Sua vida individual, Sua consciência que tudo anima, diferindo assim de alguma forma do plano correspondente em outro sistema solar.

Essas ideias podem ser grosseiramente simbolizadas assim:

Os Campos da Evolução (Diagrama -1-)
Número | Nome

1 | Campo de Evolução (a)
2 | Adi
3 | Anupadaka
4 | Atma (Espírito) – Evolução supernormal humana, i.e., "Iniciados".
5 | Buddhi (Intuição)
6 | Manas (Mente)
7 | Kama (Emoções) – Evolução normal humana, animal, vegetal, mineral e elemental.
8 | Sthula (Físico)

Notas:

(a) Não existe equivalente em inglês: Adi significa literalmente "primeiro" (b) Não existe equivalente em inglês: Anupadaka significa literalmente "sem vestimenta".

Primeiro, o Logos marca Seu Universo-Palco no plano Adi; o Logos modifica esta segunda matéria com Sua própria vida individual de estágio, no plano Anupadaka.

Este trabalho preparatório pode ser ilustrado de outra maneira por dois conjuntos de símbolos, um mostrando a manifestação tríplice da consciência do Logos, o outro a mudança tríplice na matéria correspondente à mudança tríplice na consciência.

Tomando primeiro a manifestação da consciência, tendo sido marcado o sítio do universo [Ver diagrama II]: [1] o próprio Logos aparece como um ponto dentro da esfera; [2] o Logos parte desse ponto em três direções até a circunferência dessa esfera ou círculo de matéria; [3] a consciência do Logos retorna sobre Si mesma,

Diagrama II

O SÍTIO É MARCADO | O LOGOS APARECE COMO UM PONTO | O LOGOS VAI PARA FORA EM TRÊS DIREÇÕES | A CONSCIÊNCIA RETORNA SOBRE SI MESMA | Manifestando em cada ponto de contato com o círculo um dos três aspectos fundamentais da consciência, conhecidos como Vontade, Sabedoria e Atividade, bem como por outros termos.

A união dos três aspectos, ou fases da manifestação, em seus pontos externos de contato com o círculo, dá o triângulo básico de contato com a matéria.

Esse triângulo, juntamente com os três triângulos formados pelas linhas traçadas pelo ponto, produz a "tetractys divina", às vezes chamada de Quaternário Cósmico.

Tomando agora as mudanças estabelecidas na matéria universal, correspondentes às manifestações da consciência, temos, na esfera da substância primordial, a matéria virgem do espaço [ver Diagrama III]

E: o Logos [1] um ponto irradiando a esfera de matéria; [2] o ponto vibrando entre o centro e a circunferência,

Diagrama III.—A Resposta da Matéria.

fazendo assim a linha que marca a separação entre espírito e matéria; [3] o ponto, com a linha girando com ele, vibrando em ângulos retos à vibração anterior, e formando a Cruz primordial dentro do Círculo.

Diz-se assim que a Cruz "procede" do Pai [o ponto] e do Filho [o diâmetro] e representa o terceiro Logos, a mente criativa, a atividade divina pronta para se manifestar como Criador.

CAPÍTULO II A EMANAÇÃO DAS MÔNADAS

Antes de considerar a atividade criativa do Terceiro Logos e a preparação detalhada do campo de evolução, devemos notar a origem dos Mônadas ou unidades de consciência, para cuja evolução na matéria o campo de um universo é preparado.

Retornaremos à sua consideração mais completa em um capítulo posterior.

As miríades dessas unidades, que devem ser desenvolvidas no universo vindouro, são geradas dentro da vida divina, antes que o campo para sua evolução seja formado.

Desse emanar foi escrito: "Aquilo quis: 'Eu me multiplicarei e nascerei'" [Chhandogya Upanishad VI.ii, 3]: assim, os Muitos surgem no Um por esse ato de vontade.

O ato de vontade é o do Primeiro Logos, o Senhor indiviso, o Pai.

Os Mônadas são descritos como centelhas do Fogo Supremo, como "fragmentos divinos". O Catecismo Oculto, citado na Doutrina Secreta, I, 145, diz: "Ergue a cabeça, ó Lanoo; vês uma ou inúmeras luzes acima de ti, queimando no céu da meia-noite?" 'Sinto uma Chama, ó

Gurudeva; vejo inúmeras centelhas inseparadas brilhando nela'." A Chama é Ishvara, em Sua manifestação, como o Primeiro Logos; as centelhas inseparadas são os Mônadas, humanos e outros.

A palavra "inseparadas" deve ser especialmente notada, como significando que os Mônadas são o próprio Logos.

Um Mônada pode, portanto, ser definido como um fragmento da vida divina, separado como uma entidade individual pela mais tênue película de matéria, matéria tão rara que, embora dê uma forma separada a cada um, não oferece obstáculo à livre intercomunicação de uma vida, assim revestida, com as vidas semelhantes circundantes.

Um Mônada não é, portanto, consciência pura, Self puro, samvit.

Isso é uma abstração.

No universo concreto, há sempre o Self e seus invólucros, por mais tênues que os invólucros possam ser, de modo que uma unidade de consciência é inseparável da matéria.

Portanto, um Mônada é consciência mais matéria.

O Mônada da Teosofia é o Jivatma da Filosofia Indiana, o Purusha do Samkhya, o Self particularizado do Vedanta.

Sendo a vida dos Mônadas assim do Primeiro Logos, eles podem ser descritos como Filhos do Pai, assim como o próprio Segundo Logos é o Filho do Pai; mas os Mônadas são apenas filhos mais jovens, sem nenhum de seus poderes divinos, capazes de atuar em matéria mais densa do que a de seu próprio plano — o Anupadaka; enquanto o Segundo Logos, com eras de evolução atrás de Si, está pronto para exercer Seus poderes divinos, "o primogênito" entre muitos irmãos.

Enquanto as raízes de sua vida estão no plano Adi, as próprias Mônadas habitam, no Plano Anupadaka, ainda sem veículos nos quais possam se expressar, aguardando o dia da "manifestação" dos Filhos de Deus. Ali permanecem, enquanto o Terceiro Logos inicia o trabalho externo de manifestação, moldando a matéria do universo objetivo.

Este trabalho será descrito no próximo capítulo.

O Diagrama IV indica as Mônadas, aguardando em seu próprio plano enquanto o mundo, no qual devem se desenvolver, está sendo forjado.

Essas unidades de Consciência, conhecidas como Mônadas, são descritas como os Filhos, que permanecem desde o início de uma era criativa no "seio do Pai", que ainda não foram — "aperfeiçoados pelo sofrimento". Cada uma delas é verdadeiramente "igual ao Pai quanto à sua divindade, mas inferior ao Pai quanto à sua humanidade" — nas palavras do Credo Atanasiano.

Cada uma delas deve sair para a matéria a fim de "sujeitar todas as coisas a si mesmo" [1 Coríntios xv. 28]. Deve ser "semeado em fraqueza" para que seja "ressuscitado em poder" [ibid. xv. 43]. De uma condição estática, desdobrando todas as potencialidades divinas, deve tornar-se dinâmico, desdobrando todos os poderes divinos.

Embora onisciente, onipresente, em seu próprio plano — o Anupadaka — seja inconsciente — "insensível" — em todos os outros; deve velar sua glória na matéria que o cega, a fim de que possa tornar-se onisciente, onipresente, em todos os planos, capaz de responder a todas as vibrações divinas no universo, em vez de apenas àquelas dos níveis mais elevados.

Como as Mônadas derivam seu ser do Primeiro Logos, Sua vontade de manifestar é também a vontade delas.

Portanto, todo o processo de evolução do "eu" individual é uma atividade escolhida pelas próprias Mônadas.

Estamos aqui nos mundos da matéria porque, como Mônadas, quisemos viver: somos automovidos, autodeterminados.

Esse impulso divino, esforçando-se sempre por uma manifestação mais plena da vida, é visto em toda parte na natureza e tem sido frequentemente denominado Vontade-de-viver.

Ele aparece na semente, que empurra seu ponto de crescimento para cima, em direção à luz, no broto que rompe sua prisão e se expande ao sol.

É o gênio criativo no pintor, no escultor, no poeta, no músico, no artesão.

O prazer mais sutil, o sabor mais agudo do deleite requintado deriva desse impulso, de dentro, de criar.

Todas as coisas sentem-se mais vivas ao se multiplicarem pela criação.

Expandir para aumentar resulta da Vontade-de-viver: a fruição é a Beatitude de viver, a alegria de estar vivo.

Os cinco planos inferiores são um

Diagrama IV.—A Emanação das Mônadas.

CAPÍTULO IV

A FORMAÇÃO DOS CINCO PLANOS

Continuando agora com o processo criativo, o Terceiro Logos, a Mente Universal, atua sobre a Matéria do espaço — Mulaprakriti, a Virgem Celestial Maria, lançando suas três qualidades de Tamas [Inércia], Rajas [Mobilidade] e Sattva [Ritmo] do equilíbrio estável para o instável e, portanto, em contínuo movimento em relação umas às outras.

O Terceiro Logos cria assim os átomos dos cinco planos inferiores — Atma, Budhi, Manas, Kama e Sthula: "Fohat eletriza para a vida e separa a substância primordial, ou matéria pré-genética, em átomos." Podemos notar, entre parênteses, que há três estágios na formação desses átomos:—

[1] a fixação do limite dentro do qual a vida do Logos vibrará, sendo isto conhecido como a "medida divina" ou "Tanmatra", literalmente "a medida d'Aquilo", "Aquilo" sendo o Espírito divino.

[2] A marcação dos eixos de crescimento do átomo, as linhas que determinam sua forma; estes correspondem aos eixos dos cristais.

[3] Da medida da vibração e da relação angular dos eixos entre si, a superfície ou parede do átomo é determinada.

Sob a atividade diretiva do Terceiro Logos, os átomos de cada plano são despertados para novos poderes e possibilidades de atração e repulsão, de modo que se agregam em moléculas, e moléculas mais simples em complexas, até que, em cada um dos cinco planos, seis sub-planos inferiores sejam formados, perfazendo, ao todo, sete sub-planos em cada plano.

A matéria dos sub-planos assim formados, contudo, não é a que existe agora: são as energias mais fortemente atrativas ou coesivas do Segundo Logos, o aspecto da Sabedoria ou Amor, que trazem as integrações posteriores nas formas de matéria com as quais estamos familiarizados.

Além disso, as correntes giratórias nos átomos, conhecidas como espirilas, não são feitas pelo Terceiro Logos, mas pelas Mônadas, com as quais trataremos em breve.

As espirilas são desenvolvidas em plena atividade no curso da evolução, normalmente uma em cada Ronda.

Muitas das práticas de Yoga são direcionadas para provocar o desenvolvimento mais rápido das espirilas.

ADI HiLLT EL LEE L THIRD 7) Locos

ver EM ATIVIDADE ANPADAKA i MONTACD | __/SEUS PLANOS

ne—

BUDDHI |

MANAS | = re

efeitos ce

DIAGRAMA V.—A Formação dos Cinco Planos Inferiores

Assim, em cada átomo estão envolvidas inúmeras possibilidades de resposta aos três aspectos da consciência, e essas possibilidades são desenvolvidas no átomo no curso da evolução.

Este trabalho do Terceiro Logos é geralmente chamado de Primeira Onda de Vida, ou Primeira Emanação.

O DIAGRAMA V ilustra este trabalho do Terceiro Logos ou Primeira Emanação.

Consideraremos a questão um pouco mais adiante, e a ascensão da Primeira Emanação, nos próximos capítulos, depois de tratarmos da Segunda Emanação.

CAPÍTULO V

OS REINOS DE VIDA

Na matéria vivificada pelo Terceiro Logos, a segunda grande onda da vida divina desce, vinda do Segundo Logos ou Segunda Pessoa da Trindade; isso é geralmente conhecido como a Segunda Emanação.

A Segunda Pessoa da Trindade assume assim forma, não da matéria "virgem" ou improdutiva apenas, mas da matéria que já está impregnada da vida da Terceira Pessoa, de modo que tanto a vida quanto a matéria O envolvem como uma vestimenta.

É assim uma afirmação precisa que Ele é "encarnado do Espírito Santo e da Virgem Maria", que é a verdadeira tradução de uma passagem proeminente do Credo Cristão.

Lenta e gradualmente, essa torrente irresistível de vida derrama através dos vários planos e reinos, permanecendo em cada um deles um período igual em duração a uma encarnação inteira de uma cadeia planetária, e cobrindo muitos milhões de anos.

[NOTA: Uma Cadeia Planetária consiste em sete globos de matéria, de vários graus, ao redor dos quais a corrente de vidas em evolução passa sete vezes completas.]

Em vários estágios de sua descida, a vida da Segunda Emanação é conhecida por vários nomes.

Como um todo, é frequentemente chamada de essência mônadica, embora esse termo seja melhor aplicado àquela porção dela que está vestida apenas na matéria atômica dos vários planos.

Esse nome foi originalmente dado a ela porque se tornou apta a fornecer átomos permanentes às Mônadas.

Quando ela anima a matéria dos subplanos inferiores de cada plano, ou seja, todos os subplanos abaixo do atômico, que consistem em matéria molecular, é conhecida como Essência Elemental.

Este nome é emprestado dos escritos dos ocultistas medievais, tendo sido por eles atribuído à matéria da qual os corpos dos espíritos da natureza eram compostos: pois falavam deles como "Elementais", dividindo-os em classes pertencentes aos elementos do Fogo, Ar, Água e Terra.

Quando a Emanação, ou onda da Vida Divina — que em algum éon anterior terminou sua evolução descendente através do plano búdico — derrama-se no nível mais elevado do plano mental, ela almas grandes massas de matéria mental atômica.

Nessa sua condição mais simples, ela não combina os átomos em moléculas para formar um corpo para si, mas simplesmente aplica, por sua atração, uma imensa força compressiva sobre eles.

Podemos imaginar a força, ao primeiro alcançar este plano em seu mergulho descendente, como inteiramente desacostumada às suas vibrações, e incapaz a princípio de responder a elas.

Durante o éon que passará neste nível, sua evolução consistirá em acostumar-se a vibrar em todas as taxas que ali são possíveis, de modo que a qualquer momento possa almar e usar qualquer combinação da matéria daquele plano.

Durante esse longo período de evolução, ela terá assumido sobre si todas as combinações possíveis da matéria dos três níveis arupa [sem forma] ou causais, mas ao final do tempo retorna ao nível atômico — não, é claro, como era antes, mas trazendo latentes dentro de si todos os poderes que adquiriu.

A Onda de Vida, então, tendo reunido a matéria do Plano Causal, combina-a no que, nesse nível, corresponde a substâncias, e dessas substâncias constrói formas que habita.

Isso é chamado o Primeiro Reino Elemental.

Como aqui estamos lidando com a essência mônada em seu arco descendente, o progresso para ela significa descida para a matéria, em vez de, como conosco, ascensão para planos superiores.

Portanto, essa essência, mesmo no plano causal, é menos evoluída do que nós, não mais: mas talvez fosse mais preciso dizer que ela é menos in-volvida, pois sua e-volução, no sentido estrito do termo, ainda não começou.

Há sete subdivisões no Primeiro Reino Elemental: a mais elevada corresponde ao primeiro subplano; a segunda, terceira e quarta correspondem ao segundo subplano; a quinta, a sexta e a sétima correspondem ao terceiro subplano.

Depois de passar um período inteiro de cadeia evoluindo através de diferentes formas nesse nível, a onda de vida, que está o tempo todo pressionando constantemente para baixo, identifica-se tão plenamente com essas formas que, em vez de ocupá-las e retirar-se delas periodicamente, é capaz de mantê-las permanentemente e torná-las parte de si mesma. Quando esse estágio é alcançado, pode prosseguir para a ocupação temporária de formas em um nível ainda mais baixo.

Assim, assume formas nos níveis mental inferior, ou rupa [forma], do plano mental, e é conhecida então como o Segundo Reino Elemental.

O estudante deve notar que a vida animadora reside no nível mental superior, ou causal, enquanto os veículos através dos quais ela se manifesta estão no plano mental inferior.

O Segundo Reino Elemental é dividido em sete subdivisões: a subdivisão mais elevada corresponde ao quarto subplano; a segunda e a terceira divisões, ao quinto subplano; a quarta e a quinta subdivisões, ao sexto subplano; a sexta e a sétima divisões, ao sétimo subplano.

Para conveniência de referência, as subdivisões do Primeiro e do Segundo Reinos Elementais são tabuladas assim:---

Depois de passar um período inteiro de cadeia nesse estágio, a pressão contínua para baixo fez com que o processo se repetisse.

Mais uma vez, a vida identificou-se com suas formas e estabeleceu residência nos níveis mentais inferiores.

Então, assume para si formas de matéria astral e torna-se o Terceiro Reino Elemental.

Como vimos em O Corpo Astral e O Corpo Mental, tanto as essências elementais mentais quanto as astrais estão intimamente conectadas ao homem, entrando amplamente na composição de seus veículos.

Depois de passar um período inteiro de cadeia no Terceiro Reino Elemental, a vida novamente se identifica com essas formas e, assim, é capaz de animar a parte etérica do reino mineral, tornando-se a vida que vivifica esse reino.

No curso da evolução mineral, a pressão para baixo novamente faz com que a vida se identifique com as formas etéricas e, dessas formas, anime a matéria mais densa de tais minerais que são perceptíveis aos nossos sentidos.

O que conhecemos como reino mineral inclui, naturalmente, não apenas o que geralmente se chama de minerais, mas também líquidos, gases e muitas substâncias etéricas, ainda desconhecidas da ciência ocidental ortodoxa.

Quando no reino mineral, a vida é às vezes chamada de "mônada mineral", assim como em estágios posteriores foi denominada "mônada vegetal" e "mônada animal". Esses títulos, no entanto, são um tanto enganosos, pois parecem sugerir que uma grande mônada anima o reino inteiro, o que não é o caso, porque mesmo quando a essência mônadica aparece pela primeira vez diante de nós como o Primeiro Reino Elemental, ela já não é uma mônada única, mas muitas mônadas: não um grande fluxo de vida, mas muitos fluxos paralelos, cada um possuindo características próprias.

Quando a Emanação atingiu o ponto central do reino mineral, a pressão descendente cessa e é substituída por uma tendência ascendente.

A "expiração" cessou, e a "inspiração" ou recolhimento começou.

Notar-se-á que, se houvesse apenas uma Emanação de vida, que passasse de um reino ao seguinte, existiria em qualquer dado momento apenas um reino.

Isso, porém, como sabemos, não é o caso: a razão é que o Logos envia uma sucessão constante de ondas de vida, de modo que em qualquer momento encontramos várias delas em operação.

Assim, nós mesmos representamos uma dessas ondas; a onda que imediatamente seguiu a nossa agora anima o reino animal; a onda atrás dessa está agora no reino vegetal; uma quarta está no estágio mineral; enquanto uma quinta, sexta e sétima são representadas pelos Três Reinos Elementais.

Todas são ondulações sucessivas da mesma grande Emanação do Segundo Aspecto do Logos.

Todo o esquema tende cada vez mais à diferenciação, com as correntes, ao descerem de reino em reino, dividindo-se e subdividindo-se cada vez mais.

Pode ser que, antes de toda essa evolução ocorrer, haja um ponto em que possamos pensar na Grande Emanação como homogênea, mas disso nada se sabe.

O processo de subdivisão continua até que, ao final do primeiro grande estágio da evolução, ele seja finalmente dividido em individualidades, i.e., em homens, sendo cada homem uma alma separada e distinta,

embora no início, é claro, uma alma não desenvolvida.

Olhando para o trabalho da Segunda Onda de Vida, ou Segunda Emanação, como um todo, podemos razoavelmente considerar sua varredura descendente como concernente à feitura de tecidos primários, a partir dos quais, no devido tempo, corpos sutis e densos serão formados.

Em certas escrituras antigas, esse processo foi apropriadamente chamado de "tecelagem".

Os materiais que são preparados pelo Terceiro Logos são tecidos pelo Segundo Logos em fios e tecidos dos quais serão feitas futuras vestes — isto é, corpos.

O Terceiro Logos pode ser pensado como um Químico, trabalhando como em um laboratório; o Segundo Logos podemos considerar como o Tecelão, trabalhando como em uma manufatura. Por mais materialistas que sejam essas símiles, elas são úteis como muletas para o entendimento.

O Segundo Logos assim "tece" vários tipos de pano, isto é, de matéria, dos quais mais tarde serão feitos os corpos causal e mental dos homens; do pano da matéria astral, da substância do desejo, mais tarde serão feitos os corpos astrais dos homens.

Assim são moldados os materiais do mecanismo da consciência, sendo as características de cada classe de material determinadas pela natureza das agregações de partículas — textura, cor, densidade, e assim por diante.

Todo esse movimento descendente da onda de vida através dos planos, conferindo qualidades aos muitos graus de matéria, é uma preparação para a evolução e é frequentemente, e mais propriamente, chamado de involução.

Após o estágio mais baixo de imersão na matéria ser alcançado, tanto a primeira quanto a segunda emanação voltam-se para cima e iniciam sua longa ascensão através dos planos: isto é a evolução propriamente dita.

O DIAGRAMA VI é uma tentativa de ilustrar graficamente a Primeira Emanação do Terceiro Logos, formando a matéria dos cinco planos inferiores, e a Segunda Emanação que, tomando a matéria vivificada pelo Terceiro Logos, molda-a e a anima de modo a produzir os três Reinos Elementais, e o Reino Mineral, e em devida sucessão, os reinos vegetal e animal.

Indica-se também no diagrama a Terceira Emanação, do Primeiro Logos, a Emanação da qual resulta a formação de entidades individuais, ou seres humanos. Com isso, porém, trataremos mais plenamente em uma etapa posterior de nosso estudo.

O estudante deve tomar nota cuidadosa da posição exata das figuras no Diagrama VI, representando cada reino.

Assim, o mineral é mostrado em largura total na parte mais densa do plano físico, mostrando que a vida ali, tal como é, tem pleno controle sobre a matéria física densa.

Mas a faixa se estreita continuamente à medida que ascende através dos subplanos etéricos, indicando que o controle sobre a matéria etérica ainda não está perfeitamente desenvolvido.

O pequeno ponto que penetra no plano astral indica que um pouco de consciência atua através da matéria astral.

Esta consciência é o início do desejo, expresso no reino mineral como afinidade química, etc.

Referir-nos-emos a isto novamente quando chegarmos às Almas-Grupo Minerais.

A faixa que representa o reino vegetal tem largura total em todo o plano físico, tanto denso quanto etérico.

A porção que representa a consciência astral é, naturalmente, muito maior, porque o desejo é muito mais plenamente desenvolvido no reino vegetal do que no mineral.

Estudantes da vida vegetal saberão que muitos membros do

TERCEIRO LOGOS SEGUNDO LOGOS PRIMEIRO LOGOS

também um ouriowal [Tf vim |

hye

IWMI ONT

Y/ EAN J

vn Se SR

— ree reino vegetal Diagrama VI — Os Reinos da Vida exibem grande engenhosidade e sagacidade em

atingir seus fins, por mais limitados que esses fins nos pareçam, considerados do nosso ponto de vista.

Recomenda-se ao estudante, a este respeito, livros como The Sagacity, and Morality of Plants, de J.E. Taylor.

No reino animal, a faixa mostra que há pleno desenvolvimento no subplano astral mais inferior, evidenciando que o animal é capaz de experimentar, na mais plena extensão possível, os desejos inferiores; mas o estreitamento da faixa através dos subplanos superiores mostra que sua capacidade para os desejos superiores é muito mais limitada.

No entanto, essa capacidade existe, de modo que

acontece, em casos excepcionais, que ele possa manifestar uma qualidade extremamente elevada de afeição e devoção.

A faixa que representa o animal mostra também que já existe um desenvolvimento de inteligência, que necessita de matéria mental para sua expressão.

Atualmente é geralmente admitido que alguns animais, tanto domésticos quanto selvagens, exercem indubitavelmente o poder de raciocinar de causa para efeito, embora as linhas ao longo das quais sua razão pode operar sejam naturalmente poucas e limitadas, e a faculdade ainda não seja poderosa.

Como a faixa se destina a representar o animal médio, o ponto penetra apenas no subplano mais inferior do plano mental; com o animal doméstico altamente desenvolvido, o ponto poderia prontamente estender-se até mesmo ao mais elevado dos quatro níveis inferiores, embora, naturalmente, permanecesse apenas um ponto, e de modo algum a largura total da faixa.

Como estamos considerando aqui os graus relativos de consciência nos vários reinos, podemos muito bem antecipar um pouco e indicar o estágio ao qual o homem chegou.

A faixa que representa o reino humano é vista em toda a sua largura até o nível mais baixo do plano mental, indicando que até esse nível sua faculdade de raciocínio está plenamente desenvolvida.

Nas subdivisões superiores do plano mental inferior, a faculdade da razão ainda não está plenamente desenvolvida, como indica o estreitamento da faixa.

Um fator inteiramente novo, no entanto, é introduzido pelo ponto no plano mental superior ou causal, porque o homem possui um corpo causal e um ego reencarnante permanente.

No caso da grande maioria dos homens, a consciência não se eleva além do terceiro subplano mental.

Gradualmente, apenas, à medida que seu desenvolvimento prossegue, o ego é capaz de elevar sua consciência ao segundo ou ao primeiro dos subplanos mentais.

A faixa no extremo direito representa — um homem muito à frente do homem comum.

Aqui temos a consciência de um homem altamente espiritual, cuja consciência evoluiu para além da do corpo causal, de modo que ele pode funcionar livremente no plano búdico, e também tem consciência — ao menos quando fora do corpo — no plano átmico.

Notar-se-á que o centro de sua consciência, indicado pela parte mais larga da faixa, não está, como no caso da maioria dos homens, nos planos físico e astral, mas entre os planos mental superior e búdico.

O mental superior e o astral superior são muito mais desenvolvidos do que suas partes inferiores, e embora ele ainda retenha seu corpo físico, este é indicado meramente por um ponto, sendo a explicação que ele o mantém unicamente por conveniência de trabalhar nele, e não de modo algum porque seus pensamentos e desejos ali estejam fixados.

Tal homem transcendeu todo o karma que poderia prendê-lo à encarnação, de modo que ele assume os veículos inferiores unicamente para que, através deles, possa trabalhar para o bem da humanidade e derramar nesses níveis aquelas forças que, de outro modo, não poderiam descer tão longe.

Após essa necessária digressão, a fim de explicar os graus relativos de consciência alcançados por cada um dos reinos da natureza, é importante notar que o processo evolutivo, que conduz à expressão a consciência involuída, tem de começar pelos contatos recebidos por seu veículo mais externo, isto é, deve começar no plano físico.

A consciência só pode tornar-se cônscia do exterior por meio de impactos sobre seu próprio exterior.

Até então, ele sonha dentro de si mesmo, pois as tênues vibrações internas que sempre emanam da Mônada causam uma leve pressão no Jivatma [Atma-Buddhi-Manas], como uma nascente de água sob a terra, buscando uma saída.

Com esse processo de ascensão, e o Terceiro Derramamento, que resulta na formação do corpo causal do homem, trataremos nos capítulos seguintes, no devido tempo.

Voltando ao Segundo Derramamento, devemos notar que ele não apenas se divide em um grau quase infinito, mas também parece diferenciar-se, de modo que flui através de inúmeros, milhões de canais em todos os planos e subplanos.

Assim, no Plano Búdico ele aparece como o Princípio Crístico no homem; nos corpos mental e astral do homem, ele vivifica várias camadas de matéria, aparecendo na parte superior do astral como uma emoção nobre, na parte inferior como um mero fluxo de força vital energizando a matéria do corpo.

Em sua mais baixa encarnação, ele irrompe do corpo astral para os chakras etéricos ou centros de força, onde encontra a Kundalini que brota do interior do corpo humano.

Podemos também notar aqui, entre parênteses, que a Kundalini, ou o fogo da serpente, que brota do interior do corpo humano, pertence ao Primeiro Derramamento e existe em todos os planos dos quais temos algum conhecimento.

Essa força da Kundalini é, naturalmente, bastante distinta do Prana ou Vitalidade, que pertence ao Segundo Derramamento, e também do Fohat, isto é, de todas as formas de energia física, como eletricidade, luz, calor, etc. [ver O Duplo Etérico, O Corpo Astral e O Corpo Mental, passim].

A Kundalini no corpo humano provém daquele "laboratório do Espírito Santo" nas profundezas da terra, onde ainda estão sendo fabricados novos elementos químicos, mostrando crescente complexidade de forma e vida interna cada vez mais energética e ativa.

Mas a Kundalini não é aquela porção do Primeiro Derramamento envolvida no trabalho de construir elementos químicos: ela é mais da natureza de um desenvolvimento adicional da força que está no centro vivo de elementos como o rádio.

A Kundalini é parte do Primeiro Derramamento depois que este atingiu sua mais baixa imersão na matéria e está mais uma vez ascendendo em direção às alturas de onde veio.

Já foi mencionado que, falando de modo geral, a Onda de Vida que desce através dos mundos da matéria, em seu curso descendente, causa diferenciação cada vez maior; em seu retorno ascendente, porém, ela promove a reintegração na unidade.

CAPÍTULO VI

A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS: II. TRÍADE SUPERIOR

A Segunda Emanação não apenas, como vimos no capítulo anterior, flui para os cinco planos, dando assim origem aos reinos elemental e outros reinos de vida, mas também traz consigo, para atividade, as Mônadas, que, embora prontas para iniciar sua evolução, aguardavam no plano Anupadaka até que a matéria dos planos estivesse preparada para elas.

Dizer que as Mônadas "saem" seria um tanto impreciso.

É antes que elas brilham, enviando seus raios de vida.

Elas mesmas permanecem sempre "no seio do Pai", enquanto seus raios de vida fluem para o oceano de matéria, apropriando-se ali, como veremos em detalhe oportunamente, dos materiais necessários para sua evolução nos planos inferiores.

A irradiação das Mônadas foi descrita vividamente por H.P. Blavatsky, assim: "O triângulo primordial [isto é, a Mônada de três faces de Vontade, Sabedoria e Atividade], assim que se refletiu no 'Homem Celestial' [isto é, Atma, Buddhi, Manas], o mais elevado dos sete inferiores — desaparece, retornando ao 'Silêncio e às Trevas'."

As Mônadas, portanto, permanecem sempre além do universo quíntuplo e, nesse sentido, são espectadoras.

Elas habitam além dos cinco planos de matéria.

Elas são o Eu, permanecendo autoconscientes e autodeterminadas.

Elas reinam em paz imutável e vivem na eternidade.

Mas, como vimos, elas se apropriam de matéria, tomando para si átomos de vários planos.

Pe hid)

As Mônadas são de sete tipos ou "raios", assim como a matéria também é de sete tipos ou raios.

O processo pelo qual os sete tipos surgem é o seguinte: Os três aspectos da consciência do Logos ou Eu Universal são Vontade [Ichchha], Sabedoria [Jnanam] e Atividade [Kriya]. As três qualidades correspondentes na matéria (Qualidades da Matéria) são Inércia [Tamas], Mobilidade [Rajas] e Ritmo [Sattva].

Elas estão relacionadas da seguinte forma: O Aspecto da Vontade impõe à matéria a qualidade de Inércia ou Tamas, o poder de resistência, estabilidade, quietude.

O Aspecto de Atividade confere à matéria sua responsividade à ação, Mobilidade, ou Rajás.

O Aspecto de Sabedoria confere à matéria Ritmo ou Sattva, harmonia.

O DIAGRAMA VII mostra essas correspondências.

Agora, toda Mônada possui esses três aspectos de consciência, cujas proporções podem variar em diferentes Mônadas de sete maneiras, a saber:—

A sétima variedade é aquela em que os três aspectos são iguais.

Os sete tipos de matéria são formados de maneira semelhante, pelas proporções variáveis das três qualidades Tamas, Rajás e Sattva.

A corrente de vida conhecida como a Segunda Emanação, de fato, é composta de sete correntes, encontrando-se um dos sete tipos de combinações de matéria em cada uma das sete correntes.

O DIAGRAMA VIII é uma tentativa de mostrar os sete tipos de mônadas com os sete tipos correspondentes de matéria.

Outra maneira de expressar a mesma verdade, isto é, que cada Mônada pertence a um ou outro dos sete Raios, é dizer que ela surgiu originalmente através de um ou outro dos Sete Logos Planetários, que podem ser considerados como centros de força dentro do Logos Solar, canais através dos quais a força do Logos Solar é derramada.

No entanto, embora, como já foi dito, cada Mônada pertença fundamentalmente a um Raio, ela possui dentro de si algo de todos os Raios. Não há nela uma única onça de força, um único grão de matéria, que não seja realmente parte de um ou outro dos Sete Logos Planetários.

Ela é literalmente compactada da própria substância Deles, não de um, mas de todos, embora sempre um predomine.

Portanto, nenhum movimento mais leve de qualquer um desses grandes Anjos Estelares pode ocorrer sem afetar até certo ponto toda Mônada, porque elas são osso de Seu osso, carne de Sua carne, Espírito de Seu Espírito.

Esse fato é, naturalmente, a base real da astrologia.

Além disso, os corpos daquelas Mônadas que originalmente surgiram através de um dado Logos Planetário continuarão, ao longo de toda a sua evolução, a ter mais partículas desse Logos do que de qualquer outro, e dessa maneira os homens podem ser distinguidos como pertencendo primariamente a um ou outro dos sete Raios ou Logos.

Embora a regra comum seja que uma Mônada permaneça no mesmo Raio durante toda a sua evolução, de modo que eventualmente retorne através do mesmo Anjo Planetário pelo qual primeiro surgiu, há, contudo, exceções comparativamente raras.

Pois é possível que uma Mônada mude seu Raio, de modo que retorne através de um Anjo Planetário diferente daquele pelo qual primeiro emergiu.

Tais transferências são geralmente para o Primeiro e o Segundo Raios, havendo relativamente poucas pessoas nesses dois Raios nos níveis inferiores da evolução.

Antes de podermos prosseguir para descrever o método pelo qual os átomos são ligados às Mônadas, há ainda outro fator com o qual devemos primeiro lidar.

O Segundo Eflúvio, além de seu trabalho de formar os Reinos Elemental e outros, também traz consigo seres evoluídos, em vários estágios de desenvolvimento, que formam os habitantes normais e típicos dos Três Reinos Elementais.

Esses seres foram trazidos pelo Logos de uma evolução precedente.

Eles são agora enviados para habitar o plano para o qual seu desenvolvimento os capacita; cooperam com a obra do Logos e, mais tarde, com o homem, no esquema geral da evolução.

Deles, o homem deriva seus corpos perecíveis.

Eles são conhecidos em algumas religiões como Anjos, e pelos hindus como Devas — significando literalmente, Seres Resplandecentes.

Platão fala deles como "Deuses Menores". É a tradução da palavra "Deva" como "Deuses" que tem levado a muita incompreensão do pensamento oriental.

Os "trinta e três crores [milhões] de Deuses" não são Deuses no sentido ocidental do termo, mas são Devas ou Seres Resplandecentes.

Desses, há muitos graus, incluindo representantes em cada um dos cinco planos inferiores, ou seja, aqueles de Atma, Buddhi, Manas, Kama, e a parte etérica do plano físico.

Seus corpos são formados da Essência Elemental do Reino ao qual pertencem, e são cintilantes e multicoloridos, mudando de forma à vontade do próprio Ser.

Eles formam uma vasta hoste, sempre ativamente trabalhando, laborando sobre a Essência Elemental para melhorar sua qualidade, tomando-a para formar seus próprios corpos, lançando-a fora novamente e tomando outras porções, de modo a torná-la mais sensível.

No Primeiro Reino Elemental, no plano mental superior ou causal, eles preparam materiais prontos para vestir pensamentos abstratos.

No Segundo Reino Elemental, no plano mental inferior, eles preparam materiais prontos para vestir pensamentos concretos.

No Terceiro Reino Elemental, no plano astral, eles preparam materiais para o vestuário dos desejos.

No estágio que estamos considerando agora, esse trabalho de aperfeiçoar a Essência Elemental é o único trabalho que eles têm a fazer. Mais tarde, eles também estão constantemente ocupados na modelagem de formas, em auxiliar os egos humanos no caminho para a encarnação na construção de seus novos corpos, trazendo materiais do tipo necessário e ajudando em sua organização.

Quanto menos avançado o ego, maior o trabalho diretivo dos Devas.

Com os animais, eles fazem quase todo o trabalho, e praticamente tudo com os vegetais e minerais.

Eles são os agentes ativos do Logos, executando todos os detalhes de Seu plano mundial e auxiliando as inúmeras vidas em evolução a encontrar os materiais de que precisam para seu vestuário e uso.

Incluídos com eles estão os vastos números do reino das fadas, conhecidos como espíritos da natureza, trolls, gnomos e por inúmeros outros nomes.

Alguma descrição dessas hostes de seres é dada em O Corpo Astral e O Corpo Mental, de modo que não há necessidade de descrevê-los mais aqui.

Tudo com que estamos realmente preocupados no momento é sua origem e o papel que desempenham em ajudar as Mônadas a iniciar sua evolução nos planos inferiores.

O termo Deva, estritamente falando, não é amplo o suficiente para cobrir todas as agências vivas que são empregadas no trabalho relacionado às Mônadas e sua longa peregrinação através dos mundos inferiores.

Esse trabalho é realizado por nada menos que sete ordens de seres, conhecidas coletivamente como Hierarquias Criativas, sendo as próprias Mônadas, curiosamente, uma das sete.

Para nossos propósitos atuais, no entanto, a fim de não tornar a descrição complicada e envolvida demais, designaremos todas essas agências pelo termo único Devas.

Em um capítulo posterior e separado, percorreremos novamente o terreno com mais detalhes e daremos os nomes e funções [tanto quanto são conhecidos] das sete Hierarquias Criativas.

Assim, vemos que antes que qualquer consciência encarnada, exceto a do Logos e Suas Hierarquias Criativas, pudesse aparecer ou fazer qualquer coisa, um vasto trabalho preliminar teve que ser realizado, preparando o "lado da forma" do campo da evolução.

Temos agora os três fatores necessários para nos permitir considerar a ligação dos átomos às Mônadas: esses três são: [1] os átomos dos vários planos; [2] a prontidão das próprias Mônadas no plano Anupadaka;

[3] a assistência dos Devas, sem os quais as Mônadas, por si mesmas, seriam impotentes para realizar sua evolução.

Uma Mônada, como vimos, possui três aspectos de consciência, cada um dos quais, quando chega o momento de o processo evolutivo começar, estabelece o que pode ser denominado uma onda vibratória, fazendo assim vibrar a matéria atômica dos planos de Átma, Budhi e Manas, que a circunda.

Devas de um universo anterior, que já passaram por experiência semelhante antes, guiam a onda vibratória do aspecto Vontade da Mônada até um átomo de Átma, que assim se torna "ligado" à Mônada, sendo seu átomo permanente átmico, assim chamado porque permanece com a Mônada durante todo o processo de evolução.

Da mesma forma, a onda vibratória do aspecto Sabedoria da Mônada é guiada por Devas até um átomo de Budhi, que se torna o átomo permanente búdico.

Da mesma forma, também, a onda vibratória do aspecto Atividade da Mônada é guiada por Devas e ligada a um átomo de Manas, que se torna o terceiro átomo permanente.

Assim se forma Átma-Budhi-Manas, frequentemente chamado o Raio da Mônada.

O DIAGRAMA IX ilustra o processo ora descrito.

Uma descrição gráfica do processo é a seguinte: do oceano luminoso de Átma, um tênue fio de luz é separado do restante por uma película de matéria búdica, e dele pende uma centelha que se encerra em um invólucro ovoide de matéria pertencente aos níveis sem forma do plano mental.

"A centelha pende da chama pelo mais fino fio de Fohat". [O Livro de Dzyan, vii, 5.]

ÁTOMO MENTAL

B Cc DIAGRAMA 14.—Ligação dos Átomos Permanentes Átmico, Búdico e Mental.

Como dito, os átomos que são ligados às Mônadas tornam-se, e são chamados, "átomos permanentes"; H.P. Blavatsky referiu-se a eles como "átomos de vida" [A Doutrina Secreta, II, 709]. O restante dos átomos dos vários planos, que não são ligados às Mônadas, permanece e continua a ser chamado de Essência Mônadica de cada plano.

O termo é talvez um tanto enganoso, mas foi dado em primeira instância porque [como mencionado no capítulo V] a essência neste estágio é adequada para ser ligada às Mônadas como átomos permanentes, embora nem toda ela se torne efetivamente ligada.

Atma-Buddhi-Manas, o Raio da Mônada, é conhecido também por muitos outros nomes; tais como o Homem Celestial, a Tríade Espiritual ou Superior, o Eu Superior, o Eu separado, e assim por diante. O termo Jivatma também é às vezes aplicado a ele, embora Jivatma, que pode ser traduzido literalmente como Vida-Eu, seja, naturalmente, igualmente aplicável à Mônada.

É conhecido também como a "humanidade" do Filho Divino do Primeiro Logos, animado pela "Divindade", i.e., pela Mônada.

Pode ser considerado também como um vaso no qual a Mônada derrama Sua vida.

A DIVINDADE — O OBSERVADOR — O ESPECTADOR

O TRIÂNGULO PRIMORDIAL — O PAI CELESTIAL

O HOMEM CELESTIAL — O JIVATMA — O EU SUPERIOR — O PEREGRINO — MANAS, O FILHO DIVINO — A HUMANIDADE

DIAGRAMA X.—A Mônada e a Tríade Superior

suas "sombras", as vidas ou encarnações do eu inferior na terra.

O DIAGRAMA X ilustra a Mônada e sua Tríade Superior.

Aqui temos o mistério do Observador, do Espectador, do Atma sem ação, i.e., a Mônada, que permanece sempre em sua natureza mais elevada em seu próprio plano, e vive no mundo por meio de seu Raio [Atma-Buddhi-Manas], que, por sua vez, anima,

É importante lembrar que Atma-Buddhi-Manas, a Tríade Superior, é idêntico em natureza à Mônada, de fato é a Mônada, embora diminuído em força pelos véus de matéria ao seu redor. Essa diminuição de poder não deve nos cegar quanto à identidade de natureza, pois deve-se sempre ter em mente que a consciência humana é uma unidade, embora suas manifestações variem devido à predominância de um ou outro de seus aspectos e à densidade relativa dos materiais nos quais um aspecto está atuando em qualquer momento dado.

A Mônada, tendo assim apropriado para seu próprio uso esses três átomos, começou seu trabalho.

Ele mesmo, em sua própria natureza, não pode descer abaixo do plano Anupadaka; por isso se diz que está em "Silêncio e Escuridão", i.e., não manifestado.

Mas ele vive e trabalha nos átomos que apropriou e por meio deles.

Embora a Mônada em seu próprio plano, o Anupadaka, no que diz respeito à sua vida interna, seja forte, consciente, capaz, ainda assim nos planos inferiores, em suas limitações de tempo e espaço, ele é um mero germe, um embrião, impotente, insensível, desamparado.

Embora a princípio a matéria dos planos inferiores o escravize, ele lenta e seguramente a moldará para a autoexpressão.

Nisto, ele é vigiado e auxiliado pela vida que tudo sustenta e preserva do Segundo Logos, até que, eventualmente, possa viver nos mundos inferiores tão plenamente quanto vive acima, e tornar-se, por sua vez, um Logos criativo, e fazer surgir de si mesmo um universo.

Pois um Logos não cria a partir do nada: Ele evolui tudo a partir de Si mesmo.

A manifestação plena dos três aspectos da consciência expressos pela Mônada ocorre na mesma ordem que a manifestação do Logos Tríplice no universo.

O terceiro aspecto, Atividade, revelado como a mente criativa, como o coletor de conhecimento, é o primeiro a aperfeiçoar seus veículos.

O segundo aspecto, Sabedoria, revelado como a Razão Pura e Compassiva, ou Intuição, é o segundo a brilhar: este é o Krishna, o Cristo no homem.

O terceiro aspecto, Vontade, o Poder Divino do Eu, o Atma, é o último a se revelar.

CAPÍTULO VII

A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS

III. TRÍADE INFERIOR

A Tríade espiritual, Atma-Buddhi-Manas, tendo sido formada, o calor da corrente da vida Lógica desperta dentro dela fracos estremecimentos de vida responsiva.

Após longa preparação, um fio minúsculo, como uma pequena raiz, um fio de vida de cor dourada revestido de matéria búdica, procede da Tríade.

Este fio é às vezes chamado de Sutratma, literalmente o Eu-Fio, porque as partículas permanentes serão enfiadas nele como contas em um cordão.

O termo, no entanto, é usado de várias maneiras, mas sempre para denotar a ideia de um fio conectando partículas separadas.

Assim, é aplicado ao Ego reencarnante, como o fio no qual muitas vidas separadas são enfiadas: ao Segundo Logos, como o fio no qual os seres em Seu Universo são enfiados; e assim por diante. Denota, portanto, uma função, em vez de uma entidade especial ou classe de entidades.

De cada Tríade espiritual aparece um desses fios, que a princípio ondulam vagamente nas sete grandes correntes da vida.

Então, cada um deles é ancorado, assim como aconteceu no caso da Tríade Superior, pela agência dos Devas a uma molécula mental, ou unidade como é geralmente chamada, sendo esta uma partícula do quarto subplano mental, ou seja, o nível mais alto do plano mental.

Ao redor desta unidade mental, são reunidas agregações temporárias de essência elemental do Segundo Reino Elemental, dispersando-se e reagrupando-se, repetidamente.

As vibrações da essência gradualmente despertam a unidade mental em respostas débeis, que, por sua vez, vibram fracamente para cima, até a semente de consciência na Tríade, produzindo nela os mais vagos movimentos internos.

Não se pode dizer que a unidade mental tenha sempre ao seu redor uma forma própria, pois pode haver várias unidades mentais mergulhadas em uma dada agregação de essência, enquanto outras agregações de essência podem ter apenas uma unidade mental, ou nenhuma.

Assim, com lentidão inconcebível, as unidades mentais tornam-se possuidoras de certas qualidades: i. e., adquirem o poder de vibrar de certas maneiras, que estão conectadas com o pensamento e, em estágio posterior, tornarão os pensamentos possíveis.

Nisso, são ajudadas pelos Devas do Segundo Reino Elemental, que dirigem sobre elas as vibrações às quais gradualmente começam a responder, e as envolvem com a essência elemental que os próprios Devas emanam de seus corpos.

Além disso, cada um dos sete grupos típicos é separado dos outros por uma delicada parede de essência mônadica — matéria atômica animada pela vida do Segundo Logos — o início da parede da futura Alma-Grupo.

O Diagrama XI A ilustra o processo que acaba de ser descrito.

O processo inteiro é então repetido no nível imediatamente inferior [vide Diagrama XI B]. O fio de vida, revestido de matéria búdica, com a unidade mental anexada, projeta-se para fora, em direção ao plano astral, onde, por meios idênticos e semelhantes, um átomo astral é anexado.

Ao redor desse átomo permanente astral, reúnem-se agregações temporárias de essência elemental do Terceiro Reino Elemental, dispersando-se e reagrupando-se, como antes.

Resultados semelhantes se seguem, sendo os átomos astrais gradualmente despertados em respostas débeis, que são transmitidas para cima, até a semente de consciência, produzindo nela, mais uma vez, os mais vagos movimentos internos.

Assim, os átomos permanentes astrais adquirem o poder de vibrar de certas maneiras, conectadas com a sensação, que, em estágio posterior, tornarão a sensação possível.

Como antes, o trabalho é auxiliado pela ação dos Devas do Terceiro Reino Elemental.

A parede separadora de cada um dos sete grupos adquire agora uma segunda camada, formada de essência mônadica astral, aproximando-se assim de um estágio mais próximo da parede da futura Alma-Grupo.

Ainda uma vez mais o processo é repetido [vide Diagrama XI C], quando a grande onda de vida já passou adiante, em direção ao plano físico.

O fio da vida, revestido de matéria búdica, com sua unidade mental e átomo permanente astral anexados, projeta-se para fora e anexa um átomo permanente físico.

Ao redor desse átomo, a matéria etérica se agrega, como antes.

A matéria física mais densa, no entanto, é mais coesa do que a matéria sutil dos planos superiores e, consequentemente, observa-se um período de vida muito mais longo.

Diagrama X.—Anexação da Unidade Mental e dos Átomos Permanentes Astral e Físico

Então, à medida que os tipos etéricos dos proto-metais e, posteriormente, proto-metais, metais, não-metais e minerais são formados, os Devas dos subplanos etéricos submergem os átomos permanentes físicos em um ou outro dos sete tipos etéricos aos quais pertencem.

Assim se inicia a longa evolução física do átomo permanente.

Novamente, no subplano atômico do físico, uma terceira camada é adicionada à parede separadora que formará o envelope da futura Alma-Grupo.

Dessa forma, forma-se o que é frequentemente chamado de Tríade Inferior, consistindo de uma unidade mental, um átomo permanente astral e um átomo permanente físico.

O Diagrama XII mostra o estágio que agora alcançamos: a Mônada, com Seus três Aspectos, tendo sido provida de uma Tríade Superior de Atma-Buddhi-Manas, e a Tríade Superior, por sua vez, tendo sido dotada de uma Tríade Inferior de Manas Inferior-Kama-Sthula.

Diagrama XII.—A Mônada e Seus Átomos.

Lembrar-se-á que a matéria de cada plano é de sete tipos fundamentais, de acordo com a dominância de um ou outro dos três grandes atributos da matéria — Tamas, Rajas e Sattva.

Portanto, os átomos permanentes podem ser escolhidos de qualquer um desses tipos.

Parece, no entanto, que cada Mônada escolhe todos os seus átomos permanentes do mesmo tipo de matéria. A escolha é feita pela Mônada, embora, como vimos, a anexação real seja feita pelos Devas.

A Mônada em si pertence, é claro, a um dos sete tipos fundamentais de Mônadas, e esta é sua primeira grande característica determinante, sua "cor" fundamental, "nota-chave" ou "temperamento".

A Mônada pode escolher usar sua nova peregrinação para o fortalecimento e aumento dessa característica especial; nesse caso, os Devas anexarão ao seu Sutratma átomos permanentes pertencentes ao grupo ou tipo de matéria correspondente ao tipo da Mônada.

Tal escolha resultaria na cor secundária - a dos átomos permanentes - enfatizando e fortalecendo a primeira: na evolução posterior, os poderes e fraquezas desse temperamento duplicado se manifestariam com grande força.

Por outro lado, a Mônada pode escolher usar sua nova peregrinação para o desdobramento de outro aspecto de sua natureza.

Então os Devas ligarão ao seu Sutratma átomos pertencentes a outro grupo de matéria, no qual o aspecto que a Mônada deseja desenvolver é predominante.

Essa escolha resultaria na "nota-chave" ou "temperamento" secundário modificando o primeiro, com resultados correspondentes na evolução posterior.

Esta última escolha é obviamente de longe a mais frequente, e

tende a uma maior complexidade de caráter, especialmente nos estágios finais da evolução humana, quando a influência da Mônada se faz sentir mais fortemente.

Enquanto os átomos permanentes de ambas as Tríades, Superior e Inferior, pertencem ao mesmo tipo,

os corpos da Tríade Superior, sendo, uma vez formados, relativamente permanentes, reproduzem definitivamente

a nota-chave de seus átomos permanentes.

Mas no caso dos corpos da Tríade Inferior, várias outras causas operam na determinação da escolha dos materiais para esses corpos.

A Mônada não pode exercer ação direta sobre os átomos permanentes: nem poderia haver tal ação direta até que a Tríade Superior tenha alcançado um alto estágio de evolução.

Mas a Mônada pode e de fato afeta a Tríade Superior, e através desta exerce uma ação indireta e contínua sobre os átomos permanentes.

A Tríade Superior extrai a maior parte de sua energia, e toda a sua capacidade diretiva, do Segundo Logos.

Mas sua própria atividade especial não se ocupa do trabalho de modelagem e construção do Segundo Logos, sendo dirigida, antes, à evolução dos próprios átomos, em associação com o Terceiro Logos.

Essa energia da Tríade Superior confina-se aos subplanos atômicos, e até a Quarta Ronda parece gastar-se principalmente nos átomos permanentes.

O uso dos átomos permanentes é, naturalmente, preservar dentro de si mesmos, como poderes de vibração, os resultados de todas as experiências pelas quais passaram.

Podemos tomar o átomo físico permanente como ilustração desse processo.

Um impacto físico de qualquer tipo estabelecerá, no corpo físico que atinge, vibrações correspondentes às suas próprias.

Essas vibrações serão transmitidas, por concussão direta, se forem violentas, e em todos os casos pela teia de vida búdica ao átomo físico permanente.

Tal vibração, imposta ao átomo a partir do exterior, torna-se no átomo um poder vibratório, uma tendência a repetir a vibração.

Assim, por toda a vida do corpo físico, cada impacto deixa uma impressão no átomo físico permanente.

Ao fim da vida do corpo físico, o átomo físico permanente acumulou, dessa maneira, inúmeros poderes de vibração.

O mesmo processo ocorre no caso do átomo ou unidade permanente em cada um dos corpos do homem.

Além disso, o estudante já estará familiarizado com o fato de que os átomos permanentes — como seu nome implica — permanecem permanentemente com uma entidade humana ao longo de todas as suas muitas encarnações, sendo, de fato, as únicas porções de seus vários corpos que sobrevivem e permanecem permanentemente com o ego em evolução no corpo causal.

O vórtice, que é o átomo, é a vida do Terceiro Logos; a parede do átomo, gradualmente formada na superfície desse vórtice, é feita pela descida da vida do Segundo Logos.

Mas o Segundo Logos apenas traça levemente o contorno das espirilas, como canais diáfanos: Ele não as vivifica.

É a vida da Mônada que, fluindo para baixo, vivifica a primeira das espirilas, tornando-a uma parte ativa do átomo.

Isso ocorre na Primeira Ronda. Da mesma forma, em cada Ronda sucessiva, outra das espirilas é vivificada e trazida à atividade.

O primeiro conjunto de espirilas é usado pelo prana que afeta o corpo denso; o segundo conjunto com o prana usado pelo duplo etérico; o terceiro conjunto pelo prana que afeta o corpo astral, desenvolvendo assim o poder de sensação; o quarto conjunto é usado pelo prana de kama-manas, tornando-o apto a ser usado para a construção de um cérebro como instrumento do pensamento.

Como estamos agora na Quarta Ronda, o número normal de espirilas em atividade é quatro, tanto nos átomos permanentes quanto nos átomos comuns não ligados.

Mas, no caso de um homem altamente evoluído, o átomo permanente pode ter cinco espirilas em atividade, ou até seis.

O quinto conjunto de espirilas será, no curso normal, desenvolvido na Quinta Ronda; mas pessoas avançadas, como foi dito, podem, por certas práticas de yoga, evoluir mesmo agora tanto o quinto quanto o sexto conjuntos de espirilas.

Além dos próprios átomos permanentes, o Mônada também começa a trabalhar de maneira semelhante sobre outros átomos que são atraídos ao redor do átomo permanente.

Tal vivificação, contudo, é apenas temporária, pois, quando o corpo físico é desfeito, esses átomos retornam ao estoque geral da matéria atômica.

Eles podem então ser absorvidos e utilizados por outro Mônada, sendo, naturalmente, agora mais facilmente vivificados novamente, devido à sua experiência anterior.

Esse trabalho ocorre com todos os átomos permanentes do Mônada, tais átomos evoluindo assim mais rapidamente do que o fariam de outra forma, devido à sua associação com o mônada.

CAPÍTULO VIII
AS HIERARQUIAS CRIATIVAS

Conforme prometido no Capítulo VI, passamos agora a descrever mais detalhadamente as hierarquias de seres, de vários graus de poder e inteligência, que constroem o universo e ajudam os Mônadas a empreender sua vasta peregrinação através dos mundos da matéria.

A informação atualmente disponível é um tanto fragmentária e mal definida; embora reconhecendo que assim seja, devemos nos esforçar para aproveitar ao máximo os poucos fatos que temos à nossa disposição.

Já vimos que a Existência Una, o Supremo, de Quem procede toda vida manifestada, expressa-Se de maneira tríplice, como a Trimurti, a Trindade.

Isso, naturalmente, é reconhecido em praticamente todas as religiões, sob muitos nomes: por exemplo, Sat, Chit, Ananda; Brahma, Vishnu, Shiva; Ichchha, Jnana, Kriya; Cochma, Binah, Kepher; Pai, Filho e Espírito Santo; Poder, Sabedoria, Amor; Vontade, Sabedoria e Atividade, etc., etc.

Ao redor da Trindade primária, na luz que deles emana, encontramos Aqueles que são chamados os Sete.

O hindu fala dos sete filhos de Aditi; eles foram chamados os Sete Espíritos no Sol; no Egito, eram conhecidos como os sete Deuses Mistério; no Zoroastrismo, são nomeados os sete Amshaspends; no Judaísmo, são os sete Sephiroth; entre cristãos e muçulmanos, são os sete Arcanjos, os sete Espíritos diante do Trono.

Na Teosofia, eles são geralmente denominados os sete Logos Planetários, cada um administrando Seu próprio departamento do sistema solar.

Eles sempre foram identificados com os sete planetas sagrados, sendo os planetas seus corpos físicos.

Ao redor dos Sete, há um círculo mais amplo, vêm as Hierarquias Criativas, como são chamadas: as Doze Ordens Criativas do Universo.

Estes são encabeçados pelos Doze Grandes Deuses, que aparecem nas histórias antigas e que são simbolizados nos familiares Signos do Zodíaco.

Pois o Zodíaco é uma concepção simbólica muito antiga, na qual está escrito o plano do sistema solar.

Quando se diz que um planeta "rege" ou é Senhor de um dos Signos do Zodíaco, o significado é que o Espírito Planetário ou Logos tem domínio sobre uma das doze Hierarquias Criativas que, sob Seu controle e direção, constroem o Seu Reino e ajudam as Mônadas a evoluir.

As Doze Hierarquias Criativas estão, portanto, intimamente relacionadas com a construção do universo.

Estas Hierarquias de Inteligência, em kalpas ou universos passados, completaram sua própria evolução e, assim, tornaram-se colaboradoras da Vontade Única, de Ishvara, na formação de um novo universo, ou Brahmanda.

Elas são os Arquitetos, os Construtores dos sistemas solares.

Elas preenchem nosso sistema solar, e a elas nós, seres humanos, devemos nossa evolução espiritual, intelectual e física.

São elas que despertam a consciência da Mônada e de seu Raio para o "vago sentido dos outros" e do "eu", e, com isso, um frêmito de anseio por um sentido mais claramente definido do "eu" e dos "outros", sendo este a "vontade individual de viver", que as conduz aos mundos mais densos, nos quais somente tal definição mais nítida é possível.

No estágio atual da evolução, das Doze Hierarquias Criativas, quatro já passaram adiante para a liberação, e uma está tocando o limiar da liberação.

Assim, cinco já se afastaram do alcance do conhecimento até mesmo dos maiores e mais desenvolvidos Mestres de nosso mundo.

Resta, portanto, apenas sete, com as quais temos de lidar.

Parte do trabalho que algumas delas realizam, isto é, a fixação dos átomos permanentes, já foi descrita nos Capítulos VI e VII.

Isto será agora repetido por uma questão de completude, com os poucos detalhes adicionais disponíveis, sendo todo o trabalho classificado nos departamentos pelos quais cada uma das sete Hierarquias restantes é responsável.

A – AS ORDENS CRIATIVAS ARUPA

1. A Primeira das Ordens Criativas Arupa, ou Sem Forma, é descrita por palavras relacionadas ao fogo.

Elas são conhecidas como Sopros Ígneos Sem Forma, Senhores do Fogo, Chamas Divinas, Fogos Divinos, Leões Ígneos, Leões da Vida.

Elas também são descritas como a Vida e o Coração do universo, o Atma, a Vontade Cósmica.

Através delas vem o Raio divino de Paramatma, que desperta o Atma nas Mônadas.

2. A Segunda Ordem é dupla em sua natureza e é conhecida como as "unidades duplas", representando Fogo e Éter.

Elas representam o Buddhi Cósmico, a Sabedoria do sistema, a Razão manifestada.

Sua função é despertar o Buddhi nas Mônadas.

3. A Terceira Ordem é conhecida como "as Tríades", representando Fogo, Éter e Água.

Elas representam Mahat, o Manas Cósmico ou Atividade.

Sua função é despertar o Manas nas Mônadas.

B - AS ORDENS CRIATIVAS RUPA

4. A Quarta Hierarquia Criativa consiste nas próprias Mônadas.

À primeira vista, pode parecer curioso que as próprias Mônadas sejam classificadas com as outras Ordens, mas um pouco de reflexão mostrará que a classificação é apropriada, pois as Mônadas claramente têm muito a ver com sua própria evolução.

Não são apenas agências externas que determinam sua involução e evolução.

Recapitulemos brevemente alguns dos fatores devidos às próprias Mônadas.

[1] Sendo do Primeiro Logos, Sua vontade de manifestar é também a vontade delas: elas são automovidas.

[2] São as Mônadas que "brilham", enviando sua vida, que constrói o Raio ou Tríade Superior, e atua através dele.

[3] São as Mônadas que escolhem o tipo de átomos permanentes que devem ser ligados a elas.

[4] O Terceiro Derramamento, do qual resulta a formação do Corpo Causal, vem através das próprias Mônadas.

[5] As próprias Mônadas derramam sua vida nas espirilas dos átomos, tanto permanentes quanto outros, e as vivificam.

[6] As Mônadas, à medida que a evolução prossegue, derramam constantemente mais e mais de sua vida, gradualmente entrando em contato mais íntimo com seus Raios — a Individualidade — e também, através da Individualidade, com a personalidade.

5. A Quinta Hierarquia Criativa é denominada de Makara e tem como símbolo o pentágono.

Nelas aparecem os aspectos duplos espiritual e duplos físicos da natureza, o positivo e o negativo, em guerra um com o outro.

Elas são os "rebeldes" de muitos mitos e lendas.

Algumas delas são conhecidas como Asuras e foram os frutos da Primeira Cadeia.

São seres de grande poder espiritual e conhecimento.

No íntimo de si mesmas, escondem o germe de Ahamkara, a faculdade de fazer o "eu", que é necessária para a evolução humana.

A Quinta Hierarquia guia a onda vibratória do aspecto de Atma da Mônada até um átomo de Atma, que ela fixa como átomo permanente.

6. A Sexta Hierarquia Criativa contém alguns que são conhecidos como Agnishvattas, e também como os "Dhyanis sêxtuplos". Eles são o fruto da Segunda Cadeia Planetária.

Esta Hierarquia inclui também grandes hostes de Devas.

Eles guiam a onda vibratória do aspecto Sabedoria da Mônada ao átomo permanente búdico.

Além disso, dão ao homem tudo, exceto o Atma e o corpo físico, e por isso são chamados os "doadores dos cinco princípios intermediários". Eles guiam a Mônada na obtenção dos átomos permanentes [incluindo, naturalmente, a unidade mental] ligados a esses princípios, ou seja, Buddhi, Manas, Manas inferior, Kama e o Duplo Etérico.

Eles têm especialmente a ver com a evolução intelectual do homem.

7. A Sétima Hierarquia Criativa contém aqueles conhecidos como Pitris Lunares, ou Pitris Barhishad; estes são o fruto da Terceira Cadeia.

Eles têm a ver com a evolução física do homem.

Também pertencentes à Sétima Hierarquia estão vastas hostes de Devas, os Espíritos da Natureza inferiores, que têm a ver com a construção efetiva do corpo do homem.

Para conveniência do estudante, uma declaração tabular das Hierarquias Criativas é anexada.

Classe Nº. Nome Função da evolução

| ARUPA | Dois Fogos Fiéis [Despertam Atma] |
| Dois Unidades Duplas [Despertam Buddhi] |
| Três Tríades [Despertam Manas] |

Vontade de Manifestar.
Brilham e constroem o Raio.
Escolhem o tipo de átomos permanentes.
Canais para o Terceiro Derramamento.
Vivificam as espirilas dos átomos.
Influenciam a Individualidade e a Personalidade.

| RUPA | Quatro Makara (incluindo Asuras) | Ligam o átomo de Atma. Fruto da Primeira Cadeia. |
| Cinco Dão os 5 "princípios intermediários". Ligam 4 átomos permanentes. Fruto da Segunda Cadeia. |
| Seis (Agnishvattas e unidade mental) | Preocupam-se com a evolução intelectual do homem. |
| Sete Barhishads | Preocupam-se com a evolução física do homem. |

Mônadas

CAPÍTULO IX
ALMAS DE GRUPO

Chegamos agora ao estágio em que cada Mônada é provida de uma Tríade Superior, consistindo de um átomo permanente dos planos de Atma, Buddhi e Manas, e uma Tríade Inferior consistindo de uma unidade mental, um átomo permanente astral e um físico.

Essas partículas de matéria são, naturalmente, meros núcleos que permitem à Mônada, através de seu "raio", entrar em contato com os vários planos e construir corpos ou veículos através dos quais ela possa colher experiências e aprender a se expressar nesses planos de existência.

A fim de compreender o mecanismo pelo qual esses resultados são alcançados, devemos em seguida estudar os fenômenos conhecidos como Almas de Grupo.

Já vimos que, à medida que os átomos da Tríade Inferior se ligam ao Sutratma, ou fio de vida, surgem finas películas de matéria, separando os sete tipos principais de tríades uns dos outros.

Assim se formam os sete grupos primários ou "raios" de tríades que, por repetida divisão e subdivisão, darão origem a grandes números de Almas-Grupo nos diversos reinos da vida.

Esses sete grandes tipos ou "raios" de Almas-Grupo permanecem separados e distintos ao longo de todas as vicissitudes de sua evolução: ou seja, os sete tipos evoluem em correntes paralelas, jamais se unindo ou se fundindo uns com os outros.

Os sete tipos são claramente distinguíveis em todos os reinos, as formas sucessivas assumidas por qualquer um deles formando uma série conectada de elementais, minerais, vegetais ou animais, conforme o caso.

Essas sete Almas-Grupo primárias aparecem como formas vagas e diáfanas, flutuando no grande oceano de matéria como balões poderiam flutuar no mar.

Elas são vistas primeiramente no plano mental, tornando-se mais claramente delineadas no plano astral, e ainda mais no plano físico.

Elas flutuam, uma em cada uma das sete correntes principais da Segunda Onda de Vida.

Dentro de cada Alma-Grupo Primária há, naturalmente, inúmeras Tríades Inferiores, cada uma conectada pelo radiante fio dourado à sua Tríade Superior, estas, por sua vez, dependentes da Mônada que as sobrepaira.

Ainda não aparece nenhuma teia de vida dourada ao redor das Tríades; isso só virá a existir quando o reino mineral for alcançado.

O DIAGRAMA XIII ilustra aproximadamente o estágio agora alcançado.

O número muito pequeno de Tríades, que as limitações de espaço tornam possível mostrar nos sete Grupos-Alma, deve ser considerado como representando números vastamente maiores, com, naturalmente, suas Tríades Superiores e Mônadas conectadas.

Diagrama XIII.—As Sete Almas-Grupo Primárias.

O estágio mostrado no diagrama é aquele em que a fina película ou véu que separa as sete Almas-Grupo Primárias recebeu suas três camadas: estas consistem de essência mental, essência mônadica astral e matéria atômica do plano físico.

Como já foi dito, essas películas ou véus formarão eventualmente as paredes ou invólucros contenedores das próprias Almas-Grupo.

Deve-se notar que esses invólucros são formados de matéria do mesmo Grupo de Matéria ao qual as próprias Tríades pertencem.

O plano geral do processo evolutivo — mais estritamente, do processo involutivo — é, como vimos, uma gradual diferenciação da grande corrente da vida divina, até que, após repetidas divisões e subdivisões, se atinja a individualização definitiva como ser humano, após a qual nenhuma subdivisão adicional é possível, sendo uma entidade humana uma unidade indivisível ou "alma".

As Almas-Grupo, que existem nos reinos mineral, vegetal e animal, representam assim estágios intermediários que conduzem à completa diferenciação em entidades humanas ou unidades separadas.

Por conseguinte, nos três reinos mencionados, não encontramos uma alma em um bloco de mineral, ou em uma planta, ou em um animal.

Em vez disso, encontramos um bloco de vida — se é que podemos usar tal termo — animando uma vasta quantidade de substância mineral, um grande número de plantas ou árvores, ou uma quantidade de animais.

Nos detalhes desses aspectos entraremos mais adiante, limitando-nos por ora à consideração da função geral e do propósito das Almas-Grupo.

A melhor analogia física de uma Alma-Grupo é talvez a oriental, da água em um balde.

Se um copo de água for retirado do balde, ele representa a alma — ou porção da alma — de, digamos, uma única planta ou animal.

Durante o tempo em que permanece no copo, a água nele contida está bastante separada daquela do balde e, além disso, assume a forma do copo que a contém.

Assim, uma porção de uma Alma-Grupo pode ocupar e vivificar uma forma vegetal ou animal.

Um animal, durante sua vida no plano físico, e por algum tempo depois disso no mundo astral, possui uma alma tão separada quanto a de um homem; mas, quando o animal chega ao fim de sua vida astral, essa alma não reencarna em um único corpo, mas retorna à Alma-Grupo, que é uma espécie de reservatório de matéria anímica.

A morte do animal seria assim, em nossa analogia, representada pelo despejo da água do copo de volta ao balde.

Assim como a água do copo se mistura e se une completamente à água do balde, assim a porção da alma do animal particular se mistura e se incorpora à alma total na Alma-Grupo.

E assim como não seria possível retirar novamente do balde outro copo cheio consistindo das mesmas moléculas de água, tampouco é possível que a mesma porção da alma total na Alma-Grupo habite outra forma animal particular.

Continuando a analogia, é claro que poderíamos encher muitos copos com água do balde ao mesmo tempo: igualmente, é possível que muitas formas animais sejam animadas e vivificadas pela mesma Alma-Grupo.

Além disso, se supusermos que um determinado copo de água se torne colorido com um matiz distinto, então, quando a água for derramada de volta no balde, essa matéria corante será distribuída por toda a água do balde, sendo a cor de toda a água do balde, assim, modificada em certa medida.

Se considerarmos a matéria corante como representando experiências ou qualidades adquiridas por um animal específico, então, quando a porção de alma que vivifica esse animal retorna à sua Alma-Grupo parental, essas experiências ou qualidades se tornarão parte do estoque geral de toda a Alma-Grupo e serão compartilhadas por todas as outras partes igualmente, embora em menor grau do que aquele em que a experiência existia no animal específico a quem ocorreu; isto é, podemos dizer que as experiências concentradas em um animal específico são espalhadas, de forma diluída, por toda a Alma-Grupo à qual o animal está vinculado.

Há uma semelhança exata entre a Alma-Grupo nos Reinos Mineral, Vegetal e Animal, e uma criança humana em sua vida pré-natal.

Assim como a criança humana é nutrida pela corrente de vida da mãe, também o envelope protetor da Alma-Grupo nutre as vidas dentro dele, recebendo e distribuindo as experiências nele reunidas.

A vida circulante é a do progenitor: as plantas ou animais jovens ainda não estão prontos para a vida individual, mas devem depender do progenitor para nutrição.

Assim, as vidas germinantes do mineral, vegetal e animal são nutridas pelo envelope de essência elemental e mônadica, vibrando com a vida do Logos.

A evolução das vidas nesses estágios iniciais na Alma-Grupo depende de três fatores:

[a] primeiro, e principalmente, a vida nutridora do Logos; [b] a orientação cooperativa dos Devas; [c] sua própria pressão cega contra os limites da forma que os envolve.

O mecanismo geral do processo pelo qual, através desses três agentes, os poderes vibratórios dos átomos nas tríades inferiores são despertados, é o seguinte:

O Segundo Logos, agindo no envelope da Alma-Grupo, energiza os átomos permanentes físicos.

Esses são mergulhados, pela ação dos devas, nas diversas condições oferecidas pelo reino mineral, onde cada átomo é ligado a muitas partículas minerais.

As experiências — consistindo em calor, frio, golpes, pressão, vibrações, etc. — pelas quais as substâncias minerais passam, são transmitidas aos átomos físicos permanentes ligados, despertando assim vagas respostas de vibração simpática da consciência profundamente adormecida em seu interior.

Quando qualquer átomo permanente atingiu uma certa capacidade de resposta, ou quando uma forma mineral, i.e., as partículas às quais o átomo permanente está ligado, é desintegrada, a Alma-Grupo retira esse átomo para dentro de si mesma.

As experiências adquiridas por esse átomo — i.e., as vibrações que ele foi forçado a executar — permanecem nele como poderes de vibrar de maneiras particulares, como poderes vibratórios, em suma.

Então o átomo permanente, tendo perdido sua corporificação na forma mineral, permanece, como poderíamos dizer, nu em sua Alma-Grupo: ali ele continua a repetir as vibrações que aprendeu, repetindo suas experiências de vida, e assim estabelecendo pulsações que percorrem o envoltório da Alma-Grupo, e são por meio deste transmitidas aos outros átomos permanentes contidos nessa Alma-Grupo.

Assim, cada átomo permanente afeta e ajuda todos os outros.

Agora surge outro fenômeno importante.

É claro que aqueles átomos permanentes que tiveram experiências de caráter semelhante serão afetados mais fortemente uns pelos outros do que aqueles cujas experiências foram diferentes. Assim, uma certa segregação ocorrerá dentro da Alma-Grupo, e em pouco tempo uma parede separadora, semelhante a uma película, crescerá para dentro a partir do envoltório, dividindo esses grupos segregados uns dos outros.

Voltando à analogia da água no balde, podemos conceber uma película quase imperceptível formando-se através do balde.

A princípio, a água filtra através dessa barreira até certo ponto: mas, no entanto, os copos de água retirados de um lado dessa barreira são sempre devolvidos ao mesmo lado, de modo que gradualmente a água de um lado se diferencia da água do outro lado.

Então a barreira gradualmente se densifica e se torna impenetrável, de modo que eventualmente há duas porções distintas de água em vez de uma.

De maneira semelhante, a Alma-Grupo, após um tempo, divide-se por fissão e forma duas Almas-Grupo.

O processo é repetido uma e outra vez, produzindo um número cada vez maior de Almas-Grupo, com conteúdos que mostram uma distinção de consciência correspondentemente crescente, embora, naturalmente, ainda compartilhando certas características fundamentais.

As leis segundo as quais os átomos permanentes em uma Alma-Grupo são imersos nos reinos da natureza ainda não estão de forma alguma claras.

Há indicações de que a evolução dos reinos mineral, vegetal e da parte mais inferior do reino animal pertence antes à evolução da própria Terra do que à das Tríades, representando as Mônadas, que estão evoluindo no sistema solar e que vêm, no devido tempo, à Terra para prosseguir sua evolução utilizando as condições que ela oferece.

Assim, a grama e as pequenas plantas de todos os tipos parecem estar relacionadas à própria Terra assim como os cabelos do homem estão relacionados ao seu corpo, e não parecem estar conectadas às Mônadas e suas Tríades.

A vida na grama, etc., parece ser a do Segundo Logos, que as mantém unidas como formas, enquanto a vida nos átomos e moléculas que as compõem é, naturalmente, a do Terceiro Logos, modificada não apenas pelo Logos Planetário do nosso sistema de Cadeias, mas também por uma entidade algo obscura conhecida como o Espírito da Terra.

Assim, esses reinos, embora ofereçam um campo para a evolução das Mônadas e suas Tríades, não parecem existir de modo algum somente para esse propósito.

Por isso encontramos átomos permanentes espalhados pelos reinos vegetal e mineral, embora ainda não compreendamos as razões que governam sua distribuição.

Um átomo permanente, por exemplo, pode ser encontrado em uma pérola, um rubi ou um diamante; muitos serão encontrados espalhados por veios de minério e assim por diante. Mas, por outro lado, muita substância mineral não parece conter quaisquer átomos permanentes.

Da mesma forma, com plantas de vida curta.

Mas em plantas de longa duração, como árvores, átomos permanentes são constantemente encontrados.

Mas aqui também, a vida da árvore parece estar mais intimamente relacionada à evolução dévica do que à evolução da consciência à qual o átomo permanente está ligado.

É, portanto, antes como se se tirasse vantagem da evolução da vida e da consciência na árvore em benefício do átomo permanente.

O átomo permanente pode, assim, ser considerado como estando ali mais como um parasita, lucrando com a vida mais altamente evoluída na qual está imerso.

O estudante deve reconhecer que, no momento, nosso conhecimento sobre esses assuntos é extremamente fragmentário.

Tendo agora estudado a natureza e as funções gerais das Almas-Grupo, podemos passar a considerar mais detalhadamente as Almas-Grupo Mineral, Vegetal e Animal, começando pela Alma-Grupo Mineral.

CAPÍTULO X

ALMAS-GRUPO MINERAIS

O DIAGRAMA XIV é uma tentativa de ilustrar uma Alma-Grupo Mineral.

Ver-se-á que a parede ou envelope da Alma-Grupo possui três camadas: a mais externa é composta de matéria atômica física; a central, de essência mônada astral; a mais interna, de essência elemental mental, i.e., matéria do quarto subplano mental.

Uma Alma-Grupo Mineral pode, portanto, ser definida como uma coleção de Tríades, encerradas em um envelope triplo consistindo de essência elemental mental, essência mônada astral e matéria atômica física.

Dentro da Alma-Grupo são mostradas algumas Tríades inferiores, ligadas, é claro, às suas respectivas Tríades superiores, estando estas, por sua vez, vinculadas às suas Mônadas que as sobrepairão.

Essas Tríades dentro da Alma-Grupo não estão, no momento, imersas em qualquer substância mineral.

Abaixo da Alma-Grupo são mostradas uma série de formas irregulares, que se destinam a representar grupos ou blocos de substâncias minerais.

Dentro de alguns desses blocos podem ser vistas algumas Tríades inferiores, cujas linhas ascendentes indicam que pertencem à sua Alma-Grupo parental que paira sobre elas.

No extremo direito do diagrama é mostrado um bloco de substância mineral que se supõe ter sido de alguma forma estilhaçado, de modo que se encontra quebrado em fragmentos. A Tríade inferior, que anteriormente estava imersa nele, é mostrada em ato de retirada em direção à sua Alma-Grupo parental, [como descrito na página 49 do livro].

O habitat da Alma-Grupo Mineral pode ser dito ser o de seu envelope mais denso, i.e., o físico; em outras palavras, o trabalho mais ativo da Alma-Grupo Mineral se dá no plano físico.

Toda Tríade inferior tem de passar pelo reino mineral, sendo este o lugar onde a matéria atinge sua forma mais grosseira, e onde a grande Onda de Vida alcança o limite de sua descida, e se volta para começar sua ascensão.

Além disso, é a consciência física que é a primeira a ser despertada: é no plano físico que a vida deve definitivamente voltar-se para fora e estabelecer contatos reconhecidos com o mundo externo.

A consciência gradualmente aprende a reconhecer os impactos superiores vindos de fora, a referi-los ao mundo exterior, e a perceber como suas as mudanças pelas quais passa em consequência desses impactos.

Em outras palavras, é no plano físico que a consciência se torna primeiramente autoconsciência.

Por experiências prolongadas, a consciência sente o prazer ou a dor que surgem dos impactos, identifica-se com esse prazer ou dor, e começa a considerar como não sendo ela mesma aquilo que toca sua superfície externa.

Assim se forma a primeira distinção grosseira entre "Não-Eu" e "Eu".

À medida que as experiências se acumulam, o "Eu" recuará para dentro, ao longo de toda a sua evolução futura, sendo um véu de matéria após outro relegado para fora como pertencente ao "Não-Eu". Mas, enquanto suas conotações mudam constantemente, a distinção fundamental entre sujeito e objeto permanece sempre.

"Eu" é a consciência que quer, pensa, sente, age; "Não-Eu" é aquilo sobre o qual a consciência quer, pensa, sente ou age.

A consciência assim desperta no plano físico, como dissemos, e sua expressão se dá através do átomo permanente físico.

Nesse átomo jaz adormecida: "Ela dorme no mineral", segundo um conhecido aforismo; e nele algum grau de despertar deve ocorrer, para que ela seja despertada desse sono sem sonhos e se torne suficientemente ativa para passar ao próximo estágio — o do reino vegetal, onde está destinada a "sonhar".

As respostas da consciência aos estímulos externos no reino mineral são muito maiores do que muitos podem perceber, indicando algumas dessas respostas que há mesmo um despertar da consciência no átomo permanente astral.

Assim, os elementos químicos exibem distintas atrações mútuas, e os compostos químicos são continuamente desfeitos, quando outro elemento se intromete.

Dois elementos, formando um sal de prata, por exemplo, separar-se-ão subitamente um do outro, na presença de ácido clorídrico, unindo-se a prata ao cloro do ácido, deixando o hidrogênio do ácido para formar uma nova parceria ou composto com o elemento descartado, que anteriormente estava unido à prata.

Quando tais intercâmbios ativos ocorrem, há uma ligeira agitação no átomo astral, em consequência das violentas vibrações físicas suscitadas pela formação e pelo rompimento de laços íntimos.

Assim, a consciência astral é lentamente despertada a partir do físico, uma pequena nuvem de matéria astral sendo atraída ao redor do átomo permanente astral por essas leves vibrações.

Essa matéria astral, no entanto, é mantida de forma muito frouxa e parece ser bastante desorganizada.

Nesta fase, não parece haver qualquer vibração na unidade mental.

Nenhuma lista detalhada foi ainda feita de minerais, plantas ou animais, dos Sete Raios ou tipos; mas a seguinte lista de joias e minerais é um começo da classificação que, sem dúvida, um dia será feita.

CAPÍTULO XI

ALMAS-GRUPO VEGETAIS

Uma Alma-Grupo Vegetal é ilustrada no DIAGRAMA XV. Observar-se-á que a parede da Alma-Grupo tem agora apenas duas camadas; a externa é composta de essência mônica astral, i.e., de matéria atômica astral; a interna, de essência elemental mental, de matéria do quarto subplano mental.

A camada física, que o envoltório da Alma-Grupo Mineral possuía, desapareceu assim, como que absorvida pelo conteúdo da Alma-Grupo, para o fortalecimento de seus próprios corpos etéricos.

Dentro da Alma-Grupo são mostradas algumas Tríades Inferiores, ligadas às suas respectivas Tríades Superiores, estando estas, por sua vez, vinculadas às suas Mônadas sobrepairantes.

As Tríades Inferiores dentro da Alma-Grupo não estão, no momento, diretamente associadas a qualquer vida vegetal.

Abaixo da Alma-Grupo são mostradas várias formas que se destinam a indicar grupos de plantas ou vidas vegetais.

Dentro de algumas delas encontram-se algumas Tríades Inferiores, indicando as linhas entre estas e a Alma-Grupo que pertencem à Alma-Grupo parental que paira sobre elas.

Como no caso da Alma-Grupo Mineral, em A, à extrema direita do diagrama, mostra-se uma forma vegetal que se supõe ter sido destruída como organismo; a Tríade inferior, que nela estava embutida, é liberada, na destruição da forma, retirando-a então a Alma-Grupo de volta para si, como indicado pela seta no diagrama.

A atividade da Alma-Grupo é agora transferida do plano físico para o astral, sendo seu trabalho o nutrimento dos corpos astrais das vidas que contém.

Precisamente como no caso das Almas-Grupo Minerais, podemos repetir que não se deve supor que cada folha de grama, cada planta, cada árvore tenha um átomo permanente dentro de si, evoluindo para a humanidade durante a vida do nosso sistema.

É antes que o reino vegetal, que existe por conta própria e para outros propósitos, também oferece o campo de evolução para esses átomos permanentes, guiando os Devas os átomos permanentes de uma forma vegetal a outra, para que possam experimentar as vibrações que afetam o mundo vegetal e novamente armazená-las como poderes vibratórios em si mesmos, como fizeram enquanto estavam embutidos no reino mineral.

O método de intercâmbio de vibrações, e consequentemente de segregação, continua como antes.

As Almas-Grupo, portanto, constantemente se dividem e subdividem, tornando-se assim não apenas mais numerosas, mas também mais diferentes umas das outras em suas características principais.

Durante o tempo que se passa no reino vegetal, há mais atividade, perceptível no átomo permanente astral, do que ocorria durante o período passado no reino mineral.

Em consequência, o átomo permanente astral atrai ao redor de si matéria astral, que é disposta pelos Devas de uma maneira um tanto mais definida.

Na longa vida de uma árvore florestal, a crescente agregação de matéria astral se desenvolve em todas as direções como a forma astral da árvore.

Essa forma astral experimenta vibrações, que causam prazer ou desconforto "massivos", suscitados na árvore física pelo sol e pela tempestade, vento e chuva, calor e frio, etc., sendo essas experiências transmitidas, até certo ponto, ao átomo permanente embutido naquela árvore em particular. Como afirmado anteriormente,

Quando a forma-árvore perece como árvore, o átomo permanente do Reino Vegetal retira-se para dentro da Alma-Grupo, levando consigo seu rico acervo de experiências, que compartilha, da maneira anteriormente descrita, com as outras Tríades na Alma-Grupo.

Além disso, à medida que a consciência se torna mais responsiva no astral, ela envia pequenas vibrações para baixo, até o plano físico; estas dão origem a sentimentos que, embora realmente derivados do astral, são sentidos como se estivessem no físico.

Quando há uma longa vida separada, como, por exemplo, em uma árvore, haverá um leve despertar da unidade mental, que reunirá ao seu redor uma pequena nuvem de matéria mental; sobre esta, a recorrência das estações, etc., imprimir-se-á lentamente como uma memória tênue, que se torna uma vaga antecipação.

Como regra geral, de fato, parece que cada Tríade inferior, durante os estágios finais de sua evolução no mundo vegetal, terá uma experiência prolongada, em uma única forma, a fim de que algumas vibrações de vida mental possam ser experimentadas, e a Tríade inferior seja assim preparada para se beneficiar, no devido tempo, da vida errante de um animal.

A regra, no entanto, não é universal, pois também parece que, em alguns casos, a passagem para o reino animal é feita em um estágio anterior, de modo que a primeira vibração na unidade mental ocorre em algumas formas estacionárias de vida animal, e em organismos animais muito inferiores.

Pois condições semelhantes às descritas como existentes nos reinos mineral e vegetal parecem prevalecer também nos tipos mais baixos de animais. Em outras palavras, os reinos parecem se sobrepor até certo ponto.

CAPÍTULO XIII

ALMAS-GRUPO ANIMAIS

Uma Alma-Grupo animal é ilustrada no DIAGRAMA XVI. Como se verá no diagrama, o invólucro da Alma-Grupo agora possui apenas uma única camada, consistindo de essência elemental do quarto subplano mental. A camada astral, que a Alma-Grupo vegetal possuía, foi absorvida para o fortalecimento dos vagos corpos astrais das Tríades dentro da Alma-Grupo.

A atividade da Alma-Grupo é agora transferida para um plano mais elevado, o plano mental inferior, e ela nutre os incipientes corpos mentais das Tríades contidas, fortalecendo-os assim gradualmente até contornos menos vagos.

H | |G/H/JE/R R) O DIAGRAMA XVI segue linhas exatamente semelhantes às dos DIAGRAMAS XIV e XV. Em "A" há um animal pleno de forma que, como forma, foi destruído.

. X grupoAlma Consequentemente, a Tríade Inferior dele está sendo retirada para a Alma-Grupo, como indicado pela seta no diagrama.

  ye : ws Assim como nos reinos anteriores, os Devas guiam as Tríades para as formas animais.

Também, como nos

iif : reinos mineral e vegetal, as formas inferiores da vida animal, tais como micróbios, amebas, hidras, etc., mostram um átomo permanente apenas como um

“  ~  “All |¥  HTP  id

Grupos de formas Dinuiel visitante, de vez em quando, e obviamente de modo algum DIAGRAMA XVI.

SAn Uma Alma-Grupo Animal dependem dele para sua própria vida e crescimento, nem

o u l

se desfazem quando o átomo permanente é retirado.

Essas formas animais são, portanto, meramente hospedeiras, que de tempos em tempos recebem átomos permanentes como hóspedes passageiros: de modo algum são corpos formados ao redor de um átomo permanente.

ny  p @ 0)

ica XVII.—Fissão de uma Alma-Grupo Animal.

Serve.

Na verdade, antes que os Devas, em um estágio muito posterior, construam formas ao redor desses átomos permanentes, os átomos no reino animal devem ter recebido e armazenado muitas experiências.

Além disso, é digno de nota neste estágio, que a teia de vida dourada de modo algum representa a organização do corpo do hospedeiro.

A teia de vida parece antes agir como raízes agem no solo, fixando-se a partículas de solo e sugando delas a nutrição de que necessitam para o organismo que

Desnecessário dizer que, no reino animal, os átomos permanentes recebem vibrações muito mais variadas do que nos reinos inferiores: consequentemente, eles se diferenciam mais rapidamente.

À medida que essa diferenciação prossegue, a multiplicação de Almas-Grupo continua com rapidez crescente, o número de Tríades Inferiores em qualquer Alma-Grupo diminuindo naturalmente de forma constante.

O DIAGRAMA XVII ilustra a fissão de uma Alma-Grupo animal.

Almas-Grupo minerais e vegetais, como já descrito, também se dividem por um processo semelhante de fissão.

Repetidamente a Alma-Grupo se divide, até que eventualmente cada Tríade Inferior possua seu próprio envoltório separado.

A Tríade ainda está dentro do invólucro de essência elemental, que a protege e a nutre. Ela está se aproximando da "Individualização", e o termo Alma-Grupo não é mais estritamente aplicável a ela, porque uma Tríade inferior claramente não é um "grupo". É uma Tríade inferior única que se separou do "grupo" ao qual pertencia anteriormente.

O DIAGRAMA XVIIIA mostra o estágio que agora foi alcançado: no invólucro da Alma-Grupo há apenas uma Tríade inferior; mas ainda há várias formas animais ligadas à Alma-Grupo.

O próximo estágio é alcançado quando há apenas uma forma animal ligada à Alma-Grupo.

Isso é indicado no Diagrama XVIII-B. Um grande número dos animais domésticos superiores

DIAGRAMA XVIII.—Alma-Grupo Animal contendo uma Tríade inferior—

(A) Ligada a um grupo de animais.

(B) Ligada a um único animal.

animais alcançaram este estágio, e realmente se tornaram entidades separadas,

encarnando em uma sucessão de corpos animais; embora ainda não tenham, é claro, alcançado a posse de um corpo causal - a verdadeira marca da individualização.

Antes de passar a descrever o processo muito interessante da individualização, podemos aqui notar uma analogia entre o animal, quando está se aproximando da individualização, e a vida pré-natal humana.

O animal neste estágio corresponde aos últimos dois meses do feto humano.

Agora, sabe-se que uma criança de sete meses pode nascer e sobreviver, mas será mais forte, mais saudável, mais vigorosa, se aproveitar mais dois meses da vida protetora e nutritiva de sua mãe.

Assim também é melhor, para o desenvolvimento normal do ego, que ele não rompa cedo demais o invólucro da Alma-Grupo, mas permaneça dentro dele, ainda absorvendo vida através dele, e fortalecendo a partir de seus constituintes a parte mais refinada de seu próprio corpo mental.

Quando esse corpo mental tiver alcançado o limite de crescimento possível, sob essas condições protegidas, então o tempo está maduro para que a individualização ocorra.

O conhecimento desses fatos às vezes levou os ocultistas a alertarem pessoas, que são muito afeiçoadas aos animais, para não serem exageradas em sua afeição, ou para não a demonstrarem de maneiras imprudentes.

Pois é possível que o crescimento do animal seja forçado de maneira não saudável—assim como sabemos que o desenvolvimento de uma criança pode ser forçado de maneira não saudável—e a individualização do animal seja assim apressada fora do tempo devido.

É obviamente muito melhor deixar um animal desenvolver-se naturalmente, até que esteja completamente pronto para a individualização, do que forçá-lo artificialmente e fazê-lo tornar-se um indivíduo antes de estar realmente pronto para se sustentar por si mesmo e viver no mundo como uma entidade humana separada.

Deve-se lembrar que estamos atualmente um pouco além da metade da Quarta Ronda da Quarta Cadeia, ou seja, um pouco além da metade da evolução desta Cadeia de mundos, e que é somente no final desta evolução que se espera que o reino animal alcance a humanidade.

Portanto, qualquer animal que esteja agora alcançando, ou mesmo se aproximando da individualização, deve estar muito notavelmente adiantado em relação aos outros, e o número de tais casos é consequentemente muito pequeno.

No entanto, eles ocorrem ocasionalmente.

A associação íntima com o homem é necessária para produzir esse resultado.

Podemos notar dois fatores em ação:

1] as emoções e pensamentos do homem agem constantemente sobre os do animal e tendem a elevá-lo a um nível mais alto, tanto emocional quanto intelectualmente;

2] o animal, se tratado com bondade, desenvolve afeição devotada por seu amigo humano e também desdobra seus poderes intelectuais ao tentar compreender esse amigo e antecipar seus desejos.

Verificou-se que a individualização, que eleva uma entidade definitivamente do reino animal para o humano, só pode ocorrer para certos tipos de animais — um para cada um dos sete grandes tipos ou "raios". De fato, é somente entre criaturas domesticadas, e de modo algum entre todas as classes, mesmo dessas, que a individualização ocorre.

Dessas classes, já conhecemos com certeza o elefante, o macaco, o cão e o gato.

O cavalo é possivelmente um quinto.

Até cada uma dessas cabeças de tipos conduz uma longa linhagem de animais selvagens, que não foi totalmente investigada.

Sabe-se, no entanto, que lobos, raposas, chacais e todas essas criaturas culminam no cão; leões, tigres, leopardos, onças e jaguatiricas culminam no gato doméstico.

Deve-se notar também que um animal de qualquer tipo dado, que se individualiza em um ser humano, tornar-se-á um homem desse mesmo tipo, e de nenhum outro.

Tanto as abelhas quanto as formigas [que, juntamente com o trigo, foram trazidas de Vênus pelos Senhores da Chama] vivem de maneira bastante diferente das criaturas puramente terrestres, pois com elas uma Alma-Grupo anima toda a comunidade de formigas ou abelhas, de modo que a comunidade age com uma vontade única, e suas diferentes unidades são, na verdade, membros de um só corpo, no sentido em que mãos e pés são membros do corpo humano.

Poder-se-ia mesmo dizer delas que possuem não apenas uma Alma-Grupo, mas também um corpo-grupo.

As investigações de M. Maeterlinck parecem confirmar plenamente o acima exposto.

Ele escreve:---

"A população da colmeia, do formigueiro e do cupinzeiro parece ser um único indivíduo, uma única criatura viva, cujos órgãos, compostos de inúmeras células, estão disseminados apenas na aparência, mas permanecem sempre sujeitos à mesma energia ou personalidade vital, à mesma lei central.

Em virtude dessa imortalidade coletiva, a morte de centenas de cupins, imediatamente sucedidos por outros, não afeta nem toca o ser central.

Por milhões de anos, o mesmo inseto continuou vivendo, com o resultado de que nenhuma de suas experiências se perdeu.

Não houve interrupção de sua existência, nem desaparecimento de suas memórias; uma memória individual permaneceu, e esta nunca cessou de funcionar ou de centralizar cada aquisição da alma coletiva.

Eles se banham no mesmo fluido vital que as células do nosso próprio ser; mas, no caso deles, esse fluido pareceria ser muito mais difuso, mais elástico, mais sutil, mais psíquico ou mais etéreo do que o do nosso corpo.

E essa unidade central está, sem dúvida, ligada à alma universal da abelha, e provavelmente ao que é, na verdade, a alma universal". [Da "Vida do Cupim", de Maurice Maeterlinck, páginas 199-207]

Com relação ao número de criaturas separadas ligadas a uma Alma-Grupo, pode haver quadrilhões de moscas e mosquitos; centenas e milhares de coelhos ou pardais; alguns milhares de animais como leões e tigres, leopardos, veados, lobos ou javalis.

Entre os animais domesticados, como ovelhas e bois, o número é ainda menor.

No caso dos sete animais dos quais a individualização é possível, geralmente há apenas algumas centenas ligadas a cada Alma-Grupo, e, à medida que seu desenvolvimento continua, eles se dividem rapidamente.

Embora possa haver mil cães vadios ligados a uma única Alma-Grupo, no caso de um cão ou gato de estimação verdadeiramente inteligente pode não haver mais do que dez ou doze corpos sobre os quais a Alma-Grupo paira.

As Almas-Grupo animais são grandemente afetadas e auxiliadas pelas influências que os Mestres de Sabedoria continuamente derramam, afetando até certo ponto tudo dentro de um amplo raio.

CAPÍTULO XIII
INDIVIDUALIZAÇÃO: SEU MECANISMO E PROPÓSITO

Chegamos agora ao estágio em que uma mudança de vasta importância para a vida em evolução está prestes a ocorrer—isto é, a individualização do animal, a formação do corpo causal, a entrada no reino humano.

A fim de compreender todo o fenômeno e reconhecer seu pleno significado, recapitulemos brevemente os estágios já percorridos.

Vimos primeiro que as Mônadas, que derivam seu ser do Primeiro Logos, emergem e habitam o Plano Anupadaka durante todas as eras sobre as quais lançamos um olhar.

Com a ajuda dos Devas, cada Mônada apropriou-se dos três átomos permanentes que a representam como um Jivatma nos planos de Atma, Budhi e Manas, formando estes três a Tríade Superior.

Além disso, a cada Tríade Superior foi também anexada uma Tríade Inferior, consistindo de uma Unidade Mental e de um Átomo Permanente Astral e um Físico.

A Tríade Inferior foi mergulhada sucessivamente nos reinos anteriores da vida, protegida e nutrida por sua Alma-Grupo.

Por repetidas subdivisões, ocasionadas pela diferenciação da experiência, cada Tríade Inferior tornou-se agora possuidora de um invólucro ou saco próprio, derivado da Alma-Grupo original.

Após uma sucessão de experiências em uma série de formas animais individuais, a Tríade Inferior está finalmente suficientemente despertada para justificar um passo adiante no esquema evolutivo, um passo que lhe trará uma parcela adicional, se assim podemos usar tal expressão, ou aspecto, da Vida Divina.

Assim como o feto humano é nutrido pela mãe em seu ventre até que a criança esteja forte o bastante para viver sua própria existência independente no mundo exterior, assim também a Tríade, protegida e nutrida pela Alma-Grupo, é o meio pelo qual o Segundo Logos protege e nutre Seus filhos infantes, até que a Tríade esteja forte o bastante para ser lançada no mundo exterior como uma unidade de vida autossuficiente, seguindo sua própria evolução independente.

Assim se atinge o termo da vida pré-natal do Jivatma [a Tríade Superior de Atma, Budhi, Manas], que encerra a vida do Mônada, sendo agora o tempo maduro para o seu nascimento no mundo inferior.

A vida-materna do Segundo Logos construiu para ele os corpos nos quais ele pode viver como entidade separada no mundo das formas, e ele tem de entrar em posse direta desses corpos e assumir a sua evolução humana.

ÁTOMO ÁTMICO

DIAGRAMA XIX.—Individualização

Até este ponto, toda comunicação do Mônada com os planos inferiores tem sido feita através do Sutratma ou eu-fio, no qual os átomos permanentes estão enfiados [ver DIAGRAMA XIX-A]. Mas agora chegou o tempo para uma comunicação mais plena do que aquela representada por este delicado fio em sua forma original.

O Sutratma, consequentemente, alarga-se [ver DIAGRAMA XIX-B]; o Raio do Mônada brilha e aumenta, assumindo mais a forma de um funil: "o fio entre o Vigia Silencioso --- e a sua sombra torna-se mais forte e radiante" [A Doutrina Secreta, Volume I, página 285].

Este fluxo descendente da vida monádica é acompanhado por um fluxo muito aumentado entre os átomos permanentes búdico e mânasico [ver DIAGRAMA XIX-C].

O átomo permanente mânasico desperta, emitindo vibrações em todas as direções.

Outros átomos e moléculas mânasicas reúnem-se ao seu redor [ver DIAGRAMA XIX-D], e um vórtice giratório é formado nos três subplanos superiores do plano mental.

Um movimento giratório semelhante ocorre na massa nebulosa que circunda a unidade mental que, como vimos, está envolta na Alma-Grupo.

A parede da Alma-Grupo é então rasgada e capturada pelo vórtice, acima [ver DIAGRAMA XX-A]. Aqui ela é desintegrada, sendo resolvida em matéria do terceiro subplano mental, e, à medida que o redemoinho assenta, é formada em um delicado invólucro diáfano, sendo este o corpo causal [ver DIAGRAMA XX-B].

Ao descrever este processo, a ilustração geralmente dada no Oriente é a de uma tromba d'água.

Ali temos uma grande nuvem pairando sobre o mar, na superfície do qual ondas estão constantemente se formando e se movendo.

Em seguida, da nuvem é estendido um cone invertido de vapor violentamente giratório, como um grande dedo.

Por baixo deste, um vórtice é rapidamente formado no oceano; mas, em vez de ser uma depressão em sua superfície, como num redemoinho comum, é um cone giratório que se eleva acima dessa superfície.

Constantemente, os dois se aproximam cada vez mais, até chegarem tão perto que o poder de atração é forte o bastante para transpor o espaço intermediário, e de repente uma grande coluna de água e vapor misturados se forma onde nada disso existia antes.

Da mesma forma, as Almas-Grupo animais estão constantemente lançando partes de si mesmas na encarnação, como as ondas temporárias na superfície do mar.

Por fim, após o processo de diferenciação ter continuado até o máximo possível, chega um tempo em que uma das ondas se eleva o suficiente para permitir que a nuvem pairante efetue a junção com ela. Então ela é elevada a uma nova existência, nem na nuvem nem no mar, mas entre os dois, participando da natureza de ambos.

Assim, ela é separada da Alma-Grupo, da qual até então fazia parte, e não mais cai de volta no mar.

Em termos técnicos, a vida do animal, atuando na matéria mental inferior, é elevada em turbilhão para encontrar a vida descendente da Mônada, expressa através da matéria mental superior ou causal.

Podemos pensar na Mônada como aguardando em seu próprio plano, enquanto os corpos inferiores estão sendo formados em torno dos átomos ligados a ela, pairando sobre eles através de longas eras de lenta evolução.

Quando eles estão suficientemente evoluídos, ela irradia para baixo e toma posse deles, para usá-los em sua própria evolução.

Ao encontrar a matéria mental em crescimento ascendente e desdobramento, ela entra em união com ela, fertilizando-a, e no ponto de união forma o corpo causal, o veículo do indivíduo.

O fluxo descendente de vida, resultando na formação do corpo causal, é conhecido como a Terceira Onda de Vida, ou Terceira Emanação, e deriva do Primeiro Logos, o eterno Pai todo-amoroso —

de Quem também vieram, como vimos, as próprias Mônadas em primeira instância.

PRIMEIRO ASPECTO

DIAGRAMA XXI.—As Três Emanações.

A ação das três Emanações na produção de um ser humano individual é representada graficamente no conhecido diagrama oposto à página 38 em O Homem Visível e Invisível, e na página 16 de Os Chakras.

Este diagrama ousamos modificar ligeiramente [ver DIAGRAMA XxXI] de acordo com as informações adicionais fornecidas em Os Chakras e em Os Mestres e o Caminho.

A explicação do DIAGRAMA XxXtI é a seguinte:--

A Primeira Onda de Vida, ou Emanação, do Terceiro Logos, ou Aspecto, mergulha diretamente na matéria, a linha no desenho, indicando isso, tornando-se mais pesada e escura à medida que desce, mostrando como o Espírito Santo vivifica a matéria dos vários planos, primeiro construindo os átomos, e então agregando os átomos em elementos [como descrito no Capítulo V].

Nessa matéria assim vivificada, a Segunda Onda de Vida, ou Emanação, do Segundo Logos, ou Aspecto, Deus Filho, desce através dos Primeiro, Segundo e Terceiro Reinos Elementais, até o reino mineral; então ascende através dos reinos vegetal e animal até o reino humano, onde encontra o poder do Primeiro Logos, que se estende para baixo — a Terceira Emanação, do Primeiro Logos, ou Aspecto.

Enquanto isso, a força do Terceiro Logos, a Primeira Emanação, do Terceiro Aspecto, após tocar seu ponto mais baixo, também se eleva novamente.

Nesse caminho de retorno, ou ascensão, ela é Kundalini, e atua nos corpos das criaturas em evolução, em contato íntimo com a Força Primária ou Vital, as duas agindo juntas, para levar a criatura ao ponto em que possa receber a Emanação do Primeiro Logos, e tornar-se um ego, um ser humano, e ainda assim continuar a manter os veículos mesmo depois disso.

Assim, podemos dizer que extraímos o poderoso poder de Deus da terra abaixo, bem como do céu acima, e somos filhos da terra tanto quanto do sol.

As duas forças encontram-se em nós, e trabalham juntas para a nossa evolução.

Não podemos ter uma sem a outra, mas se uma estiver em grande excesso, há sérios perigos.

Daí, incidentalmente, o risco de qualquer desenvolvimento das camadas mais profundas de Kundalini antes que a vida no homem seja pura e refinada.

Embora todas as três Emanações sejam verdadeiramente a própria Vida de Deus, há, contudo, uma distinção vital e importante entre a Primeira e a Segunda Emanações, por um lado, e a Terceira Emanação, por outro.

Pois a Primeira e a Segunda Emanações desceram lenta e gradualmente através de todos os sub-planos, envolvendo-se na matéria de cada um deles, e enredando-se nela tão completamente que é quase impossível discerni-las pelo que são, reconhecê-las como Vida Divina de modo algum.

Mas a Terceira Emanação lampeja diretamente de sua fonte, sem envolver-se de nenhuma maneira na matéria intermediária.

É a luz branca pura, não contaminada por nada através do qual tenha passado.

Além disso, embora no diagrama, como originalmente publicado, o Terceiro Efluxo fosse mostrado como emanando diretamente do Logos, na verdade [como vimos no Capítulo IV] ele emanou d'Ele há muito tempo, e está pairando em um ponto intermediário, ou seja, no segundo plano, ou plano Anupadaka, onde o conhecemos como Mônada.

Portanto, ousamos modificar o diagrama original, inserindo o triângulo, representativo da Mônada, em seu lugar apropriado na corrente do Terceiro Efluxo.

Este — "influxo mônadico" — resultando na evolução da Mônada do reino animal para o humano, continuou até meados da Quarta Raça [a Atlante], recebendo assim a população humana continuamente novos recrutas.

Este ponto representa o meio do esquema de evolução em nossa Cadeia Planetária, e depois que ele é ultrapassado, pouquíssimos animais alcançam a individualização.

Um animal que consegue se individualizar está tão à frente de seus semelhantes quanto o ser humano que atinge o Adeptado está à frente do homem comum.

Ambos estão fazendo, no ponto médio da evolução, o que se espera que sejam capazes de fazer apenas no final dela. Aqueles que alcançam apenas no tempo normal, no final da Sétima Ronda, aproximar-se-ão de sua meta tão gradualmente que haverá pouca ou nenhuma luta.

A Doutrina Secreta, Volume I, página 205, refere-se a este assunto quando afirma que após o "ponto central de virada" do ciclo de evolução, "nenhuma Mônada pode mais entrar no reino humano.

A porta está fechada para este ciclo".

O estudante observará que o Terceiro Efluxo difere dos outros em outro aspecto importante, pois enquanto o Primeiro e o Segundo Efluxos afetam milhares ou milhões simultaneamente, o Terceiro Efluxo chega a cada um individualmente, somente quando esse alguém está pronto para recebê-lo.

O Terceiro Efluxo, como vimos, já desceu até o mundo búdico,

mas não vai mais adiante até que o salto ascendente seja dado pela alma do animal, vinda de baixo.

Então os dois se fundem, e formam o ego como uma individualidade permanente, da maneira descrita.

Embora falemos da individualidade do homem como sendo permanente, deve-se entender que tal permanência é apenas relativa, pois em uma fase muito posterior da evolução o homem a transcende, e retorna à unidade divina da qual veio.

Este assunto será tratado em um capítulo posterior.

Recapitulando brevemente, vemos que o Logos emite três poderosas ondas de Sua Vida, através de Seus três Aspectos em sucessão: a primeira molda e anima a matéria; a segunda confere qualidades e constrói formas; a terceira conduz a Mônada humana para unir-se às formas preparadas pela segunda.

O estudante deve notar que, antes da individualização, o fragmento da Alma-Grupo desempenhou o papel de força animadora.

Após a individualização, contudo, aquilo que era a Alma-Grupo é convertido no corpo causal, tornando-se assim o veículo que é animado pela Centelha Divina que nele desceu do mundo superior.

Assim, aquilo que até então fora a vida animadora torna-se, por sua vez, o animado, pois constrói-se em uma forma, simbolizada na mitologia antiga pela ideia grega da Cratera ou Taça, e pela história medieval do Santo Graal.

Pois o Graal ou Taça é o resultado aperfeiçoado de toda aquela evolução inferior, no qual é derramado o vinho da Vida Divina, para que a alma do homem possa nascer.

Assim, como foi dito, aquilo que anteriormente fora a alma animal torna-se, no caso do homem, o corpo causal, ocupado pelo ego ou alma humana.

Tudo o que foi aprendido em sua evolução é assim transferido para este novo centro de vida.

Agora que o corpo causal foi formado, a Tríade Superior ou Espiritual possui um veículo permanente para sua evolução ulterior.

Quando a consciência, no devido tempo, tornar-se capaz de funcionar livremente neste veículo, a Tríade Superior poderá controlar e dirigir, muito mais eficazmente do que antes, a evolução dos veículos inferiores.

Os primeiros esforços de controle não são, naturalmente, de natureza muito inteligente, assim como os primeiros movimentos de um infante não são inteligentes; embora saibamos que há uma inteligência ligada a eles.

A Mônada agora nasce, literalmente, no plano físico; mas deve ser considerada ali como um bebê, uma verdadeira Individualidade, porém um ego infantil, e terá de passar por um imenso período de tempo antes que seu poder sobre o corpo físico deixe de ser infantil.

A Alma ou Ego podemos considerar como aquilo que individualiza o Universal, o Espírito, que focaliza a Luz Universal em um único ponto; que é, por assim dizer, um receptáculo no qual o Espírito é derramado; de modo que aquilo que em Si mesmo é universal, derramado neste receptáculo, aparece como separado: sempre idêntico em sua essência, mas separado em sua manifestação.

O propósito dessa separação é, como vimos, que um indivíduo possa se desenvolver e crescer; que possa haver uma vida individualizada potente em todos os planos do Universo; que ele possa conhecer nos planos físico e outros assim como conhece nos planos espirituais, e não tenha interrupção na consciência; que possa criar para si os veículos de que necessita para adquirir consciência além de seu próprio plano, e então possa gradualmente purificá-los um a um até que não atuem mais como obstáculos ou impedimentos, mas como meios puros e translúcidos através dos quais todo conhecimento em cada plano possa chegar.

O processo de individualização, no entanto, não deve ser concebido meramente como a criação de uma forma ou receptáculo, e então derramar algo nele, de modo que o que é derramado assuma imediatamente o contorno e a forma definidos do vaso.

O fenômeno real é mais análogo à construção de um sistema solar a partir de uma nebulosa.

Da matéria primordial do espaço, uma leve névoa aparece, delicada demais para ser chamada sequer de névoa: a névoa torna-se gradualmente mais densa à medida que as partículas se agregam mais estreitamente; eventualmente, formas se formam dentro da névoa, que, com o passar do tempo, tornam-se mais definidas, até que um sistema se forme, com um sol central e planetas ao redor.

Assim é a vinda do Espírito à individualização.

É como o aparecimento tênue de uma sombra no vazio universal; a sombra torna-se uma névoa, que se torna mais clara e definida, até que eventualmente um indivíduo venha a existir.

A Alma, ou indivíduo, não é, portanto, uma coisa completa no início, mergulhando como um mergulhador no oceano da matéria: antes, é lentamente densificada e construída, até que, a partir do Universal, torne-se o indivíduo, que sempre cresce à medida que sua evolução prossegue.

Assim, a Terceira Emanação faz dentro de cada homem aquele distinto "espírito do homem que sobe para cima", em contraposição ao "espírito do animal que desce para baixo" — o que, interpretado, significa que, enquanto a alma do animal, após a morte do corpo, reflui para a Alma-Grupo à qual pertence, o espírito divino no homem não pode assim cair novamente, mas ascende sempre, para frente e para cima, em direção à Divindade de onde veio.

Como já foi dito, a vida divina representada pela Terceira Onda de Vida parece ser incapaz, por si mesma, de descer abaixo do plano búdico, onde paira como uma nuvem poderosa, aguardando uma oportunidade de efetuar uma junção com a vida da Segunda Emanação, que se eleva para encontrá-la.

Ora, embora essa nuvem pareça exercer uma atração constante sobre a essência abaixo dela, o esforço que torna possível a união deve ser feito de baixo.

Com a natureza desse esforço trataremos no próximo capítulo.

A junção da Terceira com a Primeira e a Segunda Emanações é o começo da evolução intelectual, a vinda do Ego para tomar posse de seu tabernáculo físico, e para ligar a esse tabernáculo o Espírito que sobre ele pairou, que por sua sutil influência o moldou e o formou.

Sobre isso, H.P. Blavatsky diz: "Existe na natureza um esquema evolutivo triplo, para a formação dos três Upadhis periódicos; ou antes três esquemas separados de evolução, que em nosso sistema estão inextricavelmente e interligados em todos os pontos——

I. O Mônadico, como o nome implica, concerne ao crescimento e desenvolvimento, em fases ainda mais elevadas de atividade, dos Mônadas, em conjunção com;

II. O Intelectual, representado pelos Manasa-Dhyanis [os Devas Solares, ou os Pitris Agnishvatta], os 'doadores de inteligência e consciência' ao homem; e:

III. O Físico, representado pelos Chhayas dos Pitris Lunares, em torno dos quais a Natureza concretizou o presente corpo físico....... É a união dessas três correntes nele que o torna o ser complexo que ele agora é" [A Doutrina Secreta, Volume I, páginas 203-204.]

"Homem" foi bem definido no Ocultismo como aquele ser no universo, em qualquer parte do universo em que esteja, no qual o mais alto Espírito e a mais baixa Matéria são unidos pela inteligência, tornando assim, em última análise, um Deus manifestado, que sairá para conquistar através do futuro ilimitado que se estende diante dele.

O próprio homem, o ego reencarnante, deve preferencialmente ser considerado como o Pensador, e não como a Mente; pois a palavra Pensador sugere uma Entidade individual, enquanto a palavra Mente sugere antes uma generalidade vaga e difusa.

Se considerarmos as fases de involução e evolução em linhas gerais, podemos pensá-las como consistindo em sete estágios.

Durante três, o Espírito desce.

Ao descer, ele incuba sobre a Matéria, transmitindo qualidades, poderes e atributos.

O quarto estágio se destaca, pois nele a Matéria, agora imbuída de vários poderes e atributos, entra em inúmeras relações com o Espírito informante, que agora nela adentra. Esta é a grande batalha do universo, o conflito entre Espírito e Matéria, a batalha de Kurukshetra, das vastas hostes dos exércitos opostos.

Nesta parte do campo está o ponto de equilíbrio.

O Espírito, entrando em inúmeras relações com a Matéria, é a princípio dominado; então vem o ponto de equilíbrio, quando nenhum tem vantagem sobre o outro; então lentamente o Espírito começa a triunfar sobre a Matéria, de modo que, quando o quarto estágio termina, o Espírito é senhor da Matéria, e está pronto para sua ascensão através dos três estágios que completam os sete.

Nestes, o Espírito organiza a Matéria que dominou e animou, volta-a para seus próprios propósitos, molda-a para sua própria expressão, para que a Matéria possa se tornar o meio pelo qual todos os poderes do Espírito serão manifestados e ativos.

Os últimos três estágios são assim ocupados pela ascensão espiritual.

Em forma tabular, os sete estágios podem ser indicados assim:

A.

FONTE [

/

DIACRAMA SM XIT.—Os sete Estágios de Involução e Evolução.

DIAGRAMA XxXIl é uma tentativa de ilustrar as mesmas ideias em forma gráfica.

O princípio do qual este é um exemplo particular é um que se repete repetidamente ao longo do processo da natureza: por exemplo, no ciclo da reencarnação humana.

Recomenda-se, portanto, que o estudante compreenda claramente o princípio, pois isso deve ajudá-lo em sua compreensão de muitas outras porções da "Sabedoria Antiga".

Todo o curso do movimento descendente em direção à matéria é chamado na Índia de pravritti marga, ou o caminho de saída.

Quando o ponto mais baixo necessário é alcançado, o homem entra no nivritti marga, ou o caminho de retorno.

O homem retorna de seu dia de trabalho na colheita, trazendo consigo seus feixes, na forma da consciência plenamente despertada, que o torna capaz de ser muito mais útil do que poderia ter sido antes de sua descida à matéria.

No curso do desenvolvimento do homem, a evolução intelectual deve, por um tempo, obscurecer a evolução espiritual.

O espiritual tem de ceder diante do ímpeto da inteligência e retirar-se para o segundo plano por um tempo, deixando que a inteligência assuma as rédeas e guie as próximas etapas da evolução.

A Mônada começará, silenciosa e sutilmente, a informar a inteligência, operando através dela indiretamente, estimulando-a com suas energias, evoluindo-a por um fluxo incessante de influência vinda de dentro, enquanto a inteligência lida com os veículos inferiores, para ser a princípio conquistada e escravizada, mas eventualmente para dominá-los e governá-los.

Assim, por um tempo, o espírito é obscurecido, amadurecendo em silêncio, enquanto o intelecto guerreiro trava a luta: chegará o momento em que o intelecto deporá seus despojos aos pés do espírito, e o homem, tornando-se divino, reinará na ‘terra’, i.e., nos planos inferiores, como seu senhor, não mais seu escravo.

O intelecto é essencialmente o princípio separatista no homem, que delimita o "eu" do "não-eu", que é consciente de si mesmo e vê tudo o mais como exterior a si e alheio.

É o princípio combativo, lutador, autoafirmativo, e do plano do intelecto para baixo, o mundo apresenta uma cena de conflito, tanto mais amargo quanto mais o intelecto nele se imiscui. Mesmo a natureza passional é espontaneamente combativa apenas quando é agitada pelo sentimento de desejo e encontra algo que se interpõe entre si e o objeto de seu desejo.

Torna-se cada vez mais agressiva à medida que a mente inspira sua atividade, pois então busca prover a gratificação de desejos futuros e tenta apropriar-se cada vez mais dos estoques da natureza.

Mas o intelecto parece ser espontaneamente combativo, sendo sua própria natureza afirmar-se como diferente dos outros.

Daí encontramos no intelecto a raiz da separatividade, a fonte sempre jorrando das divisões entre os homens.

A unidade, por outro lado, é sentida de imediato quando se atinge o plano búdico.

Mas com isso trataremos em um capítulo muito posterior.

O estudante, contudo, não deve formar a ideia de que o homem é apenas aquilo que funciona como mente ou intelecto em seu corpo causal.

Em essência, como vimos, o homem é uma Centelha do Fogo Divino, i.e., a Mônada, e essa Mônada manifesta seus três aspectos como Espírito no mundo de Atma, como Intuição no mundo de Buddhi, e como Inteligência no mundo de Manas.

São esses três aspectos, tomados em conjunto, que constituem o ego que habita o corpo causal, o qual foi construído a partir do fragmento da Alma-Grupo.

Assim, o homem, como o conhecemos, embora na realidade seja uma Mônada residente no mundo monádico, mostra-se como um ego no mundo mental superior, manifestando os três aspectos de si mesmo, que designamos como Espírito, Intuição e Inteligência.

O ego é o homem durante o estágio humano da evolução; ele é a correspondência mais próxima, de fato, da concepção comum e um tanto anticientífica da alma.

Ele vive inalterado

[exceto por seu crescimento] desde o momento da individualização até que a humanidade seja transcendida e fundida na divindade.

Ele não é de modo algum afetado pelo que chamamos de nascimento e morte, pois o que comumente consideramos como sua vida é, naturalmente, apenas um dia em sua vida real.

Os corpos inferiores, que nascem e morrem, são meramente vestimentas, que ele veste para os propósitos de certa parte de sua evolução.

Uma maneira concisa de expor o caso é dizer que o homem é uma individualidade imortal, que possui uma personalidade mortal.

Em toda a existência do homem, há três mudanças definidas que superam todas as outras em importância e significado.

[1] A primeira delas é quando ele se individualiza e entra no reino humano, emergindo do animal, e começando sua carreira como um ego.

[2] A segunda é a passagem da Primeira das grandes iniciações.

[3] A terceira é a obtenção do Adeptado.

Com [2] e [3] trataremos em capítulos posteriores: aqui estamos preocupados apenas com [1] — a obtenção da individualização.

Ganhar essa individualidade é o objetivo da evolução animal, e seu desenvolvimento serve a um propósito definido.

Esse propósito é fazer um forte centro individual através do qual, eventualmente, a força do Logos possa ser derramada.

Quando tal centro é primeiramente formado, ele é, naturalmente, meramente um ego bebê, fraco e incerto.

Para que ele se torne forte e definido, ele tem de ser cercado por — egoísmo — o intenso egoísmo do selvagem.

Por muitas vidas, uma forte muralha desse egoísmo tem de ser mantida, para que, dentro dela, o centro possa crescer cada vez mais definido.

O egoísmo pode, portanto, ser considerado como uma espécie de andaime, que é absolutamente necessário para a ereção de um edifício, mas que deve ser destruído assim que o edifício esteja concluído, a fim de que o edifício possa servir ao propósito para o qual foi erguido.

O andaime é feio e, se não fosse removido, o edifício seria inabitável; contudo, sem o andaime, não haveria edifício algum.

O objetivo da criação do centro sendo que, através dele, a força do Logos irradiasse sobre o mundo, tal irradiação seria totalmente impossível se o egoísmo persistisse; no entanto, sem o egoísmo nos estágios iniciais, um centro forte jamais poderia ter sido estabelecido.

Portanto, à luz dessa analogia, vemos que mesmo a mais desagradável das qualidades tem seu lugar no esquema da evolução — no momento certo.

Para muitos homens, contudo, sua obra já terminou, e eles deveriam livrar-se completamente do egoísmo.

É inútil e tolo ficar zangado com homens egoístas, pois sua conduta implica que o que era no selvagem uma virtude necessária ainda persiste na condição civilizada.

Uma atitude mais sábia a adotar em relação aos egoístas é considerá-los anacronismos — sobrevivências da selvageria pré-histórica, homens atrasados em relação ao seu tempo.

DIAGRAMA XXI — Da Mineral ao Homem

O Diagrama XXIII resume os resultados dos últimos quatro capítulos, mostrando as posições relativas no esquema evolutivo dos estágios que conhecemos como Alma-Grupo Mineral, Alma-Grupo Vegetal, Alma-Grupo Animal, o Animal Pronto para Individualizar-se e o Ser Humano em seu Corpo Causal.

CAPÍTULO XIV — MÉTODOS E GRAUS DE INDIVIDUALIZAÇÃO

Foi dito no capítulo precedente que o esforço do qual resulta a individualização deve ser feito de baixo, isto é, pelo animal.

Esse esforço pode ocorrer de uma de três maneiras distintas e, assim, exercer um efeito de vasto alcance sobre toda a vida futura da entidade em questão.

Quando um ego é formado, os três aspectos da Tríade Superior, isto é, Atma, Budhi e Manas, devem ser todos despertados; a primeira conexão, contudo, pode ser feita através de qualquer um dos três, como se segue:

[1] Entre a mente inferior e a superior  
[2] Entre o corpo astral e o Budhi  
[3] Entre o corpo físico e o Atma

O animal individualizar-se-á, assim, no primeiro caso, por meio do intelecto; no segundo caso, por meio das emoções; e, no terceiro caso, por meio da vontade.

Consideraremos agora, brevemente, cada um desses três métodos.

[ | ] Individualização pelo Intelecto — Se um animal está associado a um ser humano que não é predominantemente emocional, mas cujas atividades principais são de natureza mental, então o corpo mental incipiente do animal será estimulado pela associação próxima, e as probabilidades são de que a individualização ocorra por meio da mente, como resultado dos esforços mentais feitos pelo animal para compreender seu mestre.

[ Il ] Individualização pela Emoção — Se, por outro lado, o mestre for um homem emocional, repleto de fortes afetos, a probabilidade é de que o animal se desenvolva principalmente por meio de seu corpo astral, e de que a ruptura final do vínculo com a alma-grupo se deva a alguma irrupção súbita de intensa afeição, que alcançará o aspecto búdico da Mônada flutuante que lhe pertence, e assim causará a formação do ego.

[ Ill ] Individualização pela Vontade — Num terceiro caso, se o mestre for um homem de grande espiritualidade, ou de vontade intensamente forte, embora o animal desenvolva grande afeição e admiração por ele, será ainda a vontade dentro do animal que será principalmente estimulada.

Isso se manifestará no corpo físico por intensa atividade e resolução indomável de realizar o que quer que a criatura tente, especialmente no serviço a seu mestre.

Vemos, assim, que o caráter e o tipo do mestre exercerão grande influência sobre o destino do animal.

A maior parte do trabalho é, naturalmente, realizada sem volição direta de nenhum dos lados, simplesmente pela ação incessante e inevitável devida à proximidade das duas entidades envolvidas.

As vibrações astrais e mentais do homem são muito mais fortes e complexas do que as do animal e, consequentemente, exercem uma pressão incessante sobre este.

O estudante deve evitar o erro de pensar que a "distância" entre o Atma e o corpo físico é maior do que aquela entre a mente inferior e a mente superior, ou entre os princípios astral e búdico.

Não é uma questão de distância no espaço, mas sim de transmissão de uma vibração simpática do reflexo ao original.

Vendo a questão por esse ângulo, fica claro que cada reflexo deve estar em conexão direta com seu original, seja qual for a "distância" entre eles — em conexão mais estreita do que com qualquer objeto que esteja fora da linha direta, por mais próximo no espaço que este último objeto possa estar.

O desejo do animal de ascender constitui uma pressão constante para cima ao longo de todas as linhas mencionadas, e o ponto em que essa pressão finalmente rompe as restrições e forma o elo necessário entre a Mônada e a personalidade determina certas características do novo ego que assim vem a existir.

A formação efetiva do elo é geralmente instantânea, no caso de individualização por afeto ou vontade; é mais gradual quando ocorre por meio do intelecto.

Isso também faz uma diferença considerável na corrente da evolução futura da entidade.

Da grande massa de pessoas que foram individualizadas em certo ponto da Cadeia Lunar, aqueles que alcançaram a individualização gradualmente, por desenvolvimento intelectual, entraram em encarnação na Terra há cerca de um milhão de anos; desde então, tiveram um intervalo médio entre vidas de aproximadamente 1.200 anos.

Os do grupo que alcançaram a individualização por meio de um impulso súbito e instantâneo de afeto, ou de vontade, entraram em encarnação terrestre há cerca de 600.000 anos; tiveram um intervalo médio entre encarnações de aproximadamente 700 anos.

A condição de ambos os grupos no presente, no entanto, é aproximadamente a mesma.

Parece que aqueles que se individualizaram por afeto são capazes de gerar, se tanto, ligeiramente mais força do que aqueles que se individualizaram por intelecto.

Mas uma descrição melhor da diferença entre as duas classes é dizer que elas produzem um tipo diferente de força.

O intervalo mais curto entre vidas se deve ao fato de que esse grupo experimenta sua bem-aventurança de forma muito mais concentrada e, portanto, elabora o resultado de um gasto igual de força em muito menos tempo.

De fato, parece provável que o período das respectivas entradas desses dois grupos na vida terrestre tenha sido especialmente arranjado para que, após percorrer aproximadamente o mesmo número de encarnações, eles pudessem chegar ao mesmo ponto e ser capazes de trabalhar juntos.

A necessidade de trazer grupos de pessoas à encarnação juntamente, não apenas para que possam resolver suas inter-relações cármicas mútuas, mas também para que todas aprendam a trabalhar em conjunto rumo a um grande objetivo, é evidentemente um fator dominante na regulação da taxa de dispêndio de força.

Além das diferenças no método de individualização, há também diferenças no *grau* de individualização, devido ao estágio em que ela ocorre.

Pois faz uma grande diferença em que estágio de desenvolvimento do animal a individualização ocorre.

Assim, por exemplo, se um cão vira-lata se individualizasse — como é presumivelmente possível — só poderia ser um tipo muito inferior de individualização.

Provavelmente não seria, no máximo, nada mais do que um fragmento separado da alma-grupo, com uma Mônada pairando sobre ele, conectada talvez por uma ou duas linhas de matéria espiritual.

Um caso desse tipo corresponderia aos "homens-animais lunares" — aqueles egos que se individualizaram desde o estágio mais primitivo do reino animal, no qual a individualização era possível.

Eles começaram sua vida humana sem nada que pudesse propriamente ser chamado de corpo causal, mas com a Mônada flutuando acima de uma personalidade, à qual estava ligada apenas por certos fios de matéria nirvânica.

Foram eles que, na primeira ronda do período terrestre, preencheram as formas feitas pelos Senhores da Lua, realizando assim trabalho pioneiro para todos os reinos.

Um cão ou gato de estimação realmente inteligente e afetuoso, por outro lado, cujo dono cuida dele adequadamente e faz dele um amigo, certamente, ao se individualizar, obteria um corpo causal pelo menos equivalente ao da Primeira Ordem dos Homens da Lua.

Vários tipos intermediários de animais domésticos produziriam o corpo causal "de cestaria", como o obtido pelos Homens da Lua da Segunda Ordem.

A última classe de egos mencionada ainda não havia desenvolvido plenamente um corpo causal, mas possuía o que poderia ser descrito como o esqueleto de tal veículo — uma série de correntes de força entrelaçadas, que indicavam o contorno do ovoide que ainda estava por vir.

Consequentemente, tinham uma aparência um tanto curiosa, quase como se estivessem encerrados em uma espécie de cestaria da matéria mental superior.

A causa determinante desses diferentes corpos causais reside no estágio em que a individualização ocorre.

Se o animal, um cão, por exemplo, esteve por muito tempo em contato com o homem, e é um de um pequeno grupo de 10 ou 20, então, ao se individualizar, um corpo causal completo é formado.

Se há cerca de 100 no grupo — o estágio do cão pastor — um corpo causal trançado é formado.

Se há várias centenas — o estágio do cão pária — forma-se a indicação de um corpo causal feito por linhas de conexão.

A quantidade de trabalho realizado na conquista de qualquer nível dado na evolução é, praticamente, sempre a mesma, mas em alguns casos mais é feito em um reino e menos em outro.

Pois os vários reinos da natureza se sobrepõem consideravelmente, de modo que um animal que atingisse o cume da inteligência e afeição possíveis no reino animal saltaria as condições absolutamente primitivas da humanidade e se mostraria como uma individualidade de primeira classe desde o início de sua carreira humana.

Por outro lado, aquele que deixa o reino animal em um nível mais baixo terá de começar correspondentemente mais abaixo na escala da humanidade.

Esta é a explicação de uma observação feita certa vez por um Mestre, ao se referir à crueldade e à superstição demonstradas pela grande massa da humanidade: "Eles se individualizaram cedo demais; ainda não são dignos da forma humana."

Os três métodos de individualização — através do intelecto, da afeição e da vontade — são os métodos normais.

Ocasionalmente, porém, a individualização é alcançada por outros meios, que podemos chamar de maneiras anormais ou irregulares.

Por exemplo, no início da Cadeia Lunar, um certo grupo de seres estava no ponto de individualização e foi atraído para ela por sua associação com alguns dos habitantes aperfeiçoados, a quem chamamos de Senhores da Lua.

Uma torção infeliz, no entanto, entrou em seu desenvolvimento, e eles começaram a ter tanto orgulho de seu avanço intelectual que isso se tornou a característica proeminente de seu caráter.

Eles trabalhavam, não tanto para obter a aprovação ou afeição de seus mestres, mas para mostrar sua vantagem sobre seus companheiros animais e despertar sua inveja.

Este último motivo os impeliu a fazer os esforços que resultaram na individualização, e assim os corpos causais que foram formados não mostraram quase nenhuma cor além do laranja.

Eles foram autorizados a se individualizar, aparentemente porque, se tivessem continuado no reino animal por mais tempo, teriam se tornado piores em vez de melhores.

Este destacamento - ou "carregamento", como às vezes é chamado - contava com cerca de dois milhões.

Eles se individualizaram pelo orgulho e, embora fossem inteligentes o suficiente à sua maneira, possuíam pouca de qualquer outra qualidade.

Os membros desse carregamento laranja, do Planeta A da Cadeia Lunar, recusaram-se a entrar nos veículos que lhes foram fornecidos na Cadeia Terrestre, enquanto os egos de cor dourada do Globo B e os egos de cor rosa do Globo C aceitaram as condições, entraram nos veículos e cumpriram seu destino.

Ao longo de sua história, esses egos laranja causaram problemas a si mesmos e aos outros, devido à sua arrogância e indisciplina.

Eles foram descritos como turbulentos e agressivos, independentes e separatistas, propensos ao descontentamento e ansiosos por mudanças.

Alguns dos mais inteligentes deles tornaram-se os notórios "Senhores da Face Sombria", na Atlântida, e mais tarde conquistadores devastadores do mundo, não se importando com os milhares que foram mortos ou passaram fome no curso da gratificação de sua ambição louca, ou, ainda mais tarde, milionários inescrupulosos, apropriadamente chamados de "Napoleões das finanças".

Outro método anormal de individualização é através do medo.

Em alguns casos, animais que foram cruelmente tratados pelo homem desenvolveram astúcia por seus esforços vigorosos para entender e evitar a crueldade, de modo que se separaram da Alma-Grupo e produziram um ego possuindo apenas um tipo muito baixo de intelectualidade.

Uma variante dessa classe é o tipo de ego no qual a crueldade produziu ódio em vez de medo.

Esta é a explicação dos selvagens diabolicamente cruéis e sanguinários, de quem às vezes ouvimos, dos inquisidores da Idade Média e dos torturadores de crianças nos dias atuais.

Ainda outra variante é a entidade que se individualiza por um intenso desejo de poder sobre os outros, como às vezes é demonstrado pelo touro principal de um rebanho.

Um ego desenvolvido dessa maneira frequentemente manifesta grande crueldade e parece sentir prazer nisso, provavelmente porque torturar os outros é uma manifestação de seu poder sobre eles.

Por outro lado, aqueles que se individualizaram em um nível comparativamente baixo ao longo de uma das linhas regulares - como por afeição, por exemplo - fornecem-nos um tipo de selvagens igualmente primitivos, mas alegres e de boa índole.

Tais selvagens são assim apenas no nome, pois são bondosos, como são muitas das tribos em algumas das ilhas dos Mares do Sul.

CAPÍTULO XV

FUNÇÕES DO CORPO CAUSAL

O corpo causal deve seu nome ao fato de que nele residem as causas que se manifestam como efeitos nos planos inferiores.

Pois são as experiências de vidas passadas, armazenadas no corpo causal, que são a causa da atitude geral assumida perante a vida e das ações empreendidas.

Em sânscrito, o corpo causal é conhecido como Karana Sharira, significando Karana, causa.

Resumidamente, podemos dizer que o corpo causal tem duas funções principais:

[1] Atuar como veículo para o Ego: o corpo causal é o "corpo de Manas", o aspecto-forma do indivíduo, o homem verdadeiro, o Pensador.

[2] Atuar como receptáculo ou depósito para a essência das experiências do homem em suas várias encarnações.

O corpo causal é aquilo no qual é tecido tudo o que pode perdurar, e no qual são armazenados os germes das qualidades, a serem levados para a próxima encarnação.

Portanto, vê-se que a manifestação inferior do homem, i.e., sua expressão em seus corpos mental, astral e físico, depende em última instância do crescimento e desenvolvimento do homem real em si, aquele "para quem a hora nunca soa".

Como vimos no Capítulo XIII, não há homem, nenhum ser humano real, até que o corpo causal venha a existir.

Todo ser individual deve necessariamente ter um corpo causal: é, de fato, a posse de um corpo causal que constitui a individualidade.

A imensa quantidade de trabalho realizado, nos longos éons que precedem o nascimento do corpo causal, é dedicada a desenvolver e construir a matéria dos planos físico, astral e mental inferior, até que se torne uma habitação adequada para o espírito divino habitar como homem.

Em seu início, o corpo causal, ou aspecto-forma do homem verdadeiro, é descrito como uma delicada película da mais sutil matéria, apenas visível, marcando onde o indivíduo começa sua vida separada.

Essa delicada película, quase incolor, da mais sutil matéria, é o corpo que perdurará por toda a evolução humana: sobre esta, como sobre um fio — o fio-do-eu, ou Sutratma, como às vezes é chamado — todas as futuras encarnações serão enfiadas.

O corpo causal, como dito, é o receptáculo de tudo o que é duradouro — i.e., somente aquilo que é nobre e harmonioso, e em conformidade com a lei do espírito; pois cada grande e nobre pensamento, cada emoção pura e elevada, é elevado, e sua essência é trabalhada na substância do corpo causal.

Portanto, a condição do corpo causal é um registro verdadeiro — o único registro verdadeiro — do crescimento do homem, do estágio de evolução que ele alcançou.

Todos os diversos corpos do homem devem ser considerados como invólucros ou veículos, permitindo que o Self funcione em alguma região definida do universo.

Assim como um homem pode usar uma carruagem em terra, um navio no mar, um balão no ar, para viajar de um lugar a outro, e ainda assim permanecer ele mesmo em todos os lugares, da mesma forma o Self, o homem real, utiliza seus diversos corpos, cada um para seus propósitos apropriados, e permanece o tempo todo ele mesmo, não importa em qual veículo esteja funcionando em um dado momento.

Relativamente ao homem, todos esses corpos são transitórios; são seus instrumentos ou servos; eles se desgastam e são renovados, repetidas vezes, e adaptados às suas necessidades variáveis e aos seus poderes sempre crescentes.

Mais especificamente, porque a mente é fundamentalmente dual em seu funcionamento, o homem necessita, e é provido, de dois corpos mentais.

Como vimos em O Corpo Mental, o corpo mental serve para a mente concreta, que lida com pensamentos concretos; o corpo causal, similarmente, é o órgão para o pensamento abstrato.

No Pensador, residente no corpo causal, estão todos os poderes que classificamos como Mente — i.e., memória, intuição, vontade.

O Pensador reúne todas as experiências das vidas terrenas, pelas quais passa, para serem transmutadas dentro de si mesmo, por sua própria alquimia divina, nessa essência de experiência e conhecimento que é a Sabedoria.

Mesmo em uma breve vida terrena distinguimos entre o conhecimento que adquirimos e a sabedoria que gradualmente — muitas vezes raramente — destilamos desse conhecimento.

A sabedoria é o fruto da experiência de uma vida, a possessão culminante dos idosos.

Em um sentido muito mais pleno e rico, a Sabedoria é o fruto de muitas encarnações, o produto de muita experiência e conhecimento.

No Pensador, assim, está o tesouro de experiências, colhidas em nossas vidas passadas, ceifadas através de muitos renascimentos.

Na classificação dos corpos do homem como "bainhas", o corpo causal é conhecido como a bainha discriminativa, como na tabela a seguir:—

Princípio no Homem | Kosha ou Bainha — Sânscrito | Inglês

Búdhi | Anandamayakosha | Bainha de Bem-aventurança
Manas Superior | Vijnanamayakosha | Bainha Discriminativa
Manas Inferior | Manomayakosha | Bainha de Sentimento
Prana | Pranamayakosha | Sopro Vital
Sthula | Annamayakosha | Bainha Alimentar

Na palavra Vijnanamayakosha, a partícula "Vi" implica o discernimento, a separação e a organização das coisas, pois essa é a função peculiar deste envoltório.

No Vijnanamayakosha, ou corpo causal, as experiências do Manomayakosha são refletidas como conceitos ideais.

O Manomayakosha coleta e elabora; o Vijnanamayakosha organiza e discrimina.

Os corpos inferiores recebem e lidam com sensações, percepções, a formação e elaboração de ideias, mas é trabalho do corpo causal organizá-las, discernir entre elas e realizar a obra do raciocínio abstrato a partir delas, lidando com ideias puras, separadas das apresentações concretas.

No corpo causal temos, portanto, o abstrato, não o concreto, o puro funcionamento interno, não mais confundido pelos sentidos, nem de qualquer forma interferido pelo mundo exterior.

Aqui há inteligência pura, visão clara, inteligência imperturbada pelos sentidos, inteligência tranquila, forte, serena.

No corpo causal reside também o poder criativo da meditação, as energias que brotam da contemplação unidirecionada.

Este é o envoltório criativo do homem, pois Manas no homem corresponde, no Cosmos, a Mahat, a Mente Universal, a Ideação Divina, a força modeladora e diretriz que é o poder criativo, do qual tudo emana.

Neste envoltório do homem existem todas as formas que podem surgir, às quais a realidade objetiva pode ser dada por esse poder criativo.

A Doutrina Secreta [| , 312] diz: "Kriyashakti: o misterioso poder do pensamento que o capacita a produzir resultados externos, perceptíveis, fenomênicos, por sua própria energia inerente.

Os antigos sustentavam que qualquer ideia se manifestará externamente se a atenção estiver profundamente concentrada nela. Da mesma forma, uma volição intensa será seguida pelos resultados desejados". Isso, naturalmente, é o segredo de toda "magia" verdadeira.

A inteligência no homem é, assim, como dito, o reflexo de Brahma, da Mente Universal, a energia criativa.

A faculdade criativa da imaginação no homem, que atualmente opera na matéria sutil, quando o homem se tornar perfeito, operará também na matéria mais grosseira, porque, como dito, o poder imaginativo no homem é o reflexo do poder que criou o universo.

Brahma meditou, e todas as formas surgiram: assim, no poder criativo da mente reside toda possibilidade de forma.

Por isso H.P. Blavatsky às vezes chama Manas de ego-deva, ou o divino, em distinção ao eu pessoal.

O Manas Superior é divino porque possui pensamento positivo, que é Kriyashakti, o poder de realizar coisas.

Manas, a mente, é, portanto, por sua própria natureza, atividade.

Todo trabalho é realmente feito pelo poder do pensamento; a mão do escultor não faz o trabalho, mas o poder do pensamento que dirige essa mão o faz. Pois é um truísmo dizer que o pensamento precede a ação.

Embora haja ocasiões em que um homem age, como dizemos, sem pensar, mesmo assim sua ação é o resultado de pensamento anterior; ele estabeleceu um hábito de pensamento ao longo de certa linha e age instintivamente em concordância com essa linha de pensamento.

O Manas Superior é divino porque, como foi dito, é um pensador positivo, usando a qualidade de sua própria vida, que brilha de dentro.

Isso é o que se entende pela palavra divino, de div, brilhar.

A energia emanante de Atma, trabalhando no corpo causal, é a força que domina e molda tudo o que lhe é externo. A energia emanante de Atma, trabalhando no Manomayakosha, por outro lado, é Desejo, e sua característica é que ela é atraída por objetos externos e sua direção é governada de fora.

Mas Atma, trabalhando no corpo causal, é Vontade, lidando não mais com a escolha dirigida de fora, mas com a escolha iniciada de dentro, moldada sobre as imagens internas por um processo de reflexão discriminativa.

Assim, a energia emanante é, no corpo causal, guiada de dentro em sua direção, enquanto nos corpos inferiores ela é atraída de fora.

Esta é a diferença essencial entre Vontade e Desejo.

A vontade, além disso, é essencialmente uma qualidade do ego, não da personalidade.

O Chit, ou aspecto de inteligência do homem, é o primeiro a ser evoluído: esta é a faculdade analisadora que percebe a multiplicidade e as diferenças; depois vem Ananda, a sabedoria que realiza a unidade das coisas e que realiza a união, encontrando assim a alegria ou bem-aventurança que está no coração da vida; por último, vem o terceiro ou mais elevado aspecto, Sat, auto-existência, a Unidade que está além até mesmo da união.

No ciclo das Raças, a Quinta Raça está desenvolvendo o Chit, ou aspecto de Inteligência; a Sexta desenvolverá o Ananda, o aspecto de união ou bem-aventurança, o "Reino da Felicidade"; a Sétima desenvolverá o Sat, ou aspecto de Auto-existência.

CAPÍTULO XVI

COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA

O corpo causal consiste em matéria dos primeiro, segundo e terceiro subplanos do plano mental.

O estudante recordará que um átomo de matéria mental contém 49 elevado à 4ª potência, ou 5.764.801 — aproximadamente, digamos, 5,76 milhões — de "bolhas no koilon".

Em pessoas comuns, o corpo causal ainda não está totalmente ativo e, consequentemente, apenas aquela matéria que pertence ao terceiro subplano é vitalizada.

À medida que o ego, durante o longo curso de sua evolução, desdobra suas possibilidades latentes, a matéria superior é gradualmente trazida à atividade; mas é somente nos homens aperfeiçoados que chamamos de Adeptos, ou Mestres, que ela se desenvolve em sua mais plena extensão.

É difícil descrever um corpo causal completamente, porque os sentidos pertencentes ao mundo causal são totalmente diferentes e mais elevados do que aqueles que empregamos no nível físico.

Tal memória da aparência de um corpo causal, quanto é possível a um clarividente trazer para seu cérebro físico, representa-o como ovoide, sendo essa, de fato, a forma de todos os corpos superiores, e como envolvendo o corpo físico do homem, estendendo-se a uma distância de cerca de 18 polegadas da superfície do corpo físico.

Um ser humano que acabou de se individualizar a partir do reino animal tem um corpo causal de tamanho mínimo.

No caso do homem primitivo, o corpo causal assemelha-se a uma bolha e dá a impressão de estar vazio.

É um mero filme incolor, apenas suficiente, aparentemente, para manter-se coeso e constituir uma entidade reencarnante, mas nada mais.

Embora esteja preenchido com matéria mental superior, esta ainda não foi trazida à atividade, e assim permanece incolor e transparente.

À medida que o homem se desenvolve, essa matéria é gradualmente despertada para a vigilância por vibrações que a alcançam a partir dos corpos inferiores.

Isso ocorre lentamente, porque as atividades do homem nos estágios iniciais de sua evolução não são de caráter a obter expressão em matéria tão sutil quanto a do corpo causal.

Mas, quando um homem atinge o estágio em que é capaz de pensamento abstrato ou de emoção altruísta, a matéria do corpo causal é despertada em resposta.

As vibrações assim despertadas manifestam-se no corpo causal como cores, de modo que, em vez de ser uma mera bolha transparente, ele gradualmente se torna uma esfera preenchida com matéria dos mais adoráveis e delicados matizes, um objeto belo além de toda concepção.

O estudante estará familiarizado com o significado das várias cores, a partir de seu estudo do mesmo fenômeno nos corpos astral e mental.

Assim, o rosa pálido expressa afeição altruísta; o amarelo indica elevado poder intelectual; o azul denota devoção; a simpatia é expressa pelo verde, e o azul-lilás luminoso tipifica a espiritualidade superior.

Essas mesmas cores nos corpos mais densos são, naturalmente, muito menos delicadas e também menos vivas.

Embora, no curso de sua evolução nos mundos inferiores, o homem frequentemente introduza em seus veículos qualidades indesejáveis e totalmente inadequadas para sua vida como ego — tais como, por exemplo, orgulho, irritabilidade, sensualidade —, nenhuma delas pode ser expressa no corpo causal.

O Diagrama XXIV pode ajudar a esclarecer a razão desse importante fenômeno.

Cada seção do corpo astral atua fortemente sobre a matéria do sub-plano mental correspondente.

Portanto, como as vibrações mais grosseiras do corpo astral são expressas apenas nos sub-planos inferiores do mundo astral, elas afetarão apenas o corpo mental, não o corpo causal.

O corpo causal, portanto, é afetado apenas pelas três porções superiores do corpo astral, e as vibrações nessas porções representam apenas boas qualidades.

O efeito prático disso é que o homem pode construir em seu ego apenas boas qualidades. As más qualidades que ele desenvolve são, do ponto de vista do ego, apenas transitórias e devem ser descartadas à medida que o homem avança, porque ele não possui mais dentro de si matéria que possa expressá-las.

DIAGRAMA XXIV — Efeito do Astral sobre os Corpos Mental e Causal

ASTRAL MENTAL — Os sub-planos dos planos astral e mental são aqui mostrados em tamanho decrescente, a fim de ilustrar o fato de sua crescente sutileza à medida que ascendemos dos níveis inferiores aos superiores.

Aberturas entre sub-planos adjacentes de cada plano indicam que certas "vibrações" de um dado sub-plano podem ser transmitidas ao sub-plano imediatamente acima.

Essas aberturas ou portais tornam-se cada vez mais estreitos, indicando que apenas as vibrações mais sutis podem passar adiante para os níveis superiores.

Aberturas entre cada sub-plano do plano astral e o sub-plano correspondente do plano mental indicam que também há a possibilidade de uma vibração astral ser comunicada, em uma oitava superior, ao sub-plano mental correspondente.

O diagrama ilustra ainda que o corpo mental é mais diretamente afetado pelos nossos níveis inferiores do plano astral, enquanto o corpo causal é afetado por apenas três níveis superiores da matéria astral.

Para ilustrações coloridas de corpos causais em vários graus de desenvolvimento, o estudante é remetido a *Man Visible and Invisible*, de C.W. Leadbeater, como se segue:

Corpo causal de um selvagem [Prancha V, página 66]

Corpo causal do homem médio [Prancha VIII, página 91]
Corpo causal do homem desenvolvido [Prancha XXI, página 118]
Corpo causal do Arhat [Prancha XXVI, página 138]

Como já foi dito, o corpo causal de um selvagem não desenvolvido é como uma gigantesca bolha de sabão, transparente e ainda assim iridescente.

É quase vazio em aparência; o pouco que há dentro dele representa certas qualidades que já podem ter sido evoluídas dentro da Alma-Grupo, da qual anteriormente fazia parte.

As indicações tênues dessas taxas de vibração são observáveis dentro do jovem corpo causal como vislumbres nascentes de cor.

Poder-se-ia talvez pensar que o corpo causal de um homem primitivo seria muito pequeno no início; mas não é o caso; seu corpo causal é do mesmo tamanho que qualquer outro; ele aumenta de tamanho em um estágio posterior, mas não até que tenha sido primeiro vivificado e preenchido com matéria ativa.

No caso de um homem médio, há um aumento distinto no conteúdo do grande filme ovoide.

Uma certa quantidade de cor extremamente delicada e etérea agora existe dentro dele, embora ainda esteja menos da metade preenchido.

Algo do intelecto superior é visível, e algo do poder de devoção e amor desinteressado.

Há também um matiz tênue daquele violeta extremamente delicado que indica a capacidade de amor e devoção voltados para o ideal mais elevado, e também uma sugestão tênue do verde claro da simpatia e compaixão.

Assim que o homem começa a se desenvolver em espiritualidade, ou mesmo em intelecto superior, uma mudança ocorre.

O verdadeiro indivíduo então começa a ter um caráter persistente próprio, à parte daquele moldado em cada uma de suas personalidades, por sua vez, pelo treinamento e pelas circunstâncias circundantes.

Esse caráter se mostra no tamanho, na cor, na luminosidade e na definição do corpo causal, assim como o da personalidade se mostra no corpo mental, exceto que o veículo superior é naturalmente mais sutil e mais belo.

No caso do homem espiritualmente desenvolvido, uma mudança enorme é notada.

A gloriosa película iridescente está agora completamente preenchida com as mais adoráveis cores, tipificando as formas superiores de amor, devoção e simpatia, auxiliadas por um intelecto refinado e espiritualizado, e por aspirações que alcançam sempre o divino.

Algumas dessas cores não têm lugar no espectro do plano físico.

A matéria inconcebivelmente sutil e delicada de tal corpo causal é intensamente viva e pulsante com fogo vivo, formando um globo radiante de cores cintilantes, suas altas vibrações enviando ondulações de matizes cambiantes sobre sua superfície — matizes que a Terra desconhece — brilhantes, suaves e luminosos além do poder da linguagem para descrever.

Tal corpo causal é preenchido com fogo vivo, extraído de um plano ainda mais elevado, com o qual parece estar conectado por um fio trêmulo de luz intensa — o Sutratma — evocando vividamente as estâncias de Dzyan: "A centelha pende da chama pelo mais fino fio de Fohat." À medida que a alma cresce e é capaz de receber cada vez mais do oceano inesgotável do Espírito Divino, que flui através do fio como um canal, o canal se expande e dá passagem mais ampla à torrente, até que, no próximo subplano, possa ser imaginado como uma tromba d'água conectando terra e céu, e mais acima ainda como um globo, através do qual jorra a fonte viva, até que o corpo causal pareça derreter-se na luz que afluí.

Como diz a estância: "O fio entre o observador e sua sombra torna-se mais forte e radiante a cada mudança. A luz da manhã transformou-se na glória do meio-dia. Esta é tua roda atual, disse a chama à centelha. Tu és eu mesmo, minha imagem e minha sombra. Eu me vesti de ti, e tu és meu vahan — até o dia 'Sede-Conosco', quando tu te tornarás novamente eu mesmo e outros, tu mesmo e eu."

Foi dito que no homem não desenvolvido o corpo causal é a princípio quase vazio, e à medida que o homem se desenvolve, o ovoide gradualmente se preenche. Quando está completamente preenchido, não apenas começará a crescer em tamanho, mas, além disso, correntes de força fluirão em várias direções. Esta é, de fato, uma das maiores características do homem desenvolvido — sua capacidade de servir como canal para forças superiores. Pois sua atitude de prestatividade e prontidão para dar tornam possível que a força divina desça sobre ele em um fluxo constante e, através dele, alcance muitos que ainda não são fortes o suficiente para recebê-la diretamente.

Além disso, da parte superior do corpo causal ascende uma coroa de centelhas brilhantes, indicando a atividade da aspiração espiritual e, naturalmente, acrescentando enormemente à beleza e à dignidade da aparência do homem.

Não importa como o homem inferior possa estar ocupado no plano físico, essa corrente de centelhas ascende constantemente.

A razão disso é que, uma vez que a alma ou ego do homem é despertada em seu próprio nível e começa a compreender algo de si mesma e de sua relação com o Divino, ela olha sempre para cima, em direção à fonte da qual veio, independentemente de quaisquer atividades que possa estar inspirando nos planos inferiores.

Deve-se lembrar que mesmo a mais nobre personalidade é apenas uma expressão muito pequena e parcial do verdadeiro eu superior; de modo que, assim que o eu superior começa a olhar ao seu redor, encontra possibilidades quase ilimitadas abrindo-se diante de si, das quais, nesta vida física limitada, não podemos formar ideia alguma.

Essa própria ascensão impetuosa da aspiração espiritual, que forma uma coroa tão gloriosa para o homem desenvolvido, é em si o canal através do qual o poder divino desce: de modo que, quanto mais plenas e fortes se tornam suas aspirações, maior é a medida da graça que desce do alto.

No caso do corpo causal de um Arhat, i.e., de alguém que passou pela Quarta das grandes Iniciações — as cores apresentam duas características que são irreconciliáveis no plano físico.

Elas são mais delicadas e etéreas do que quaisquer outras anteriormente descritas, e ao mesmo tempo são mais plenas, mais brilhantes e mais luminosas.

O tamanho do corpo causal é muitas vezes maior que o do corpo físico, e ali se manifesta um magnífico desenvolvimento dos mais elevados tipos de intelecto, amor e devoção, grande riqueza de simpatia e a mais alta espiritualidade.

As faixas de cores estão agora dispostas em anéis concêntricos, enquanto através delas, e estendendo-se para além delas, há correntes de luz branca irradiando para fora a partir do centro.

A irrupção da influência divina é assim enormemente intensificada, pois o homem se tornou um canal quase perfeito para a vida e o poder do Logos.

Não apenas a glória irradia dele em luz branca, mas todas as cores do arco-íris brilham ao seu redor, em cintilações sempre mutáveis, como madrepérola.

Portanto, há algo nessa radiação que fortalece as mais elevadas qualidades em toda pessoa que se aproxima dele, sejam quais forem essas qualidades. Ninguém pode entrar no raio de sua influência sem se tornar melhor por isso; ele brilha sobre todos ao seu redor como o sol, pois, como esse astro, ele se tornou uma manifestação do Logos.

O corpo causal do Adepto ou Mestre aumentou enormemente de tamanho e brilha com um esplendor semelhante ao sol, muito além de toda imaginação em sua gloriosa beleza.

Da beleza, forma e cor aqui, como afirma C.W. Leadbeater, nenhuma palavra pode falar, pois a linguagem mortal não tem termos nos quais essas esferas radiantes possam ser descritas.

Tal veículo seria um estudo separado em si mesmo, mas um que está além das capacidades de qualquer um, exceto daqueles que já estão muito avançados no Caminho.

Como no caso do corpo causal de um Arhat, as cores não se movem mais em nuvens giratórias, mas estão dispostas em grandes cascas concêntricas, ainda assim penetradas por toda parte por radiações de luz viva, sempre emanando d'Ele como centro.

A ordem das cores varia de acordo com o tipo ao qual o Adepto pertence, de modo que há várias variedades bem marcadas em meio à sua glória.

Uma tradição perfeitamente exata desse fato foi preservada em muitas das imagens grosseiramente desenhadas do Senhor Buda, que podem ser vistas nas paredes dos templos no Ceilão.

O Grande Mestre é geralmente representado ali cercado por uma aura; e, embora a coloração e a disposição geral desses arredores fossem muito imprecisas, e até impossíveis, se destinadas à aura de um homem comum, ou mesmo à de alguém que esteja no grau de Mestre, ainda assim é uma representação grosseira e material do veículo superior real do Adepto daquele tipo particular, ao qual este Grande Ser pertence.

O corpo causal é às vezes chamado de "ovo áurico". Mas, quando H.P. Blavatsky falou do sagrado ovo áurico, parece provável que ela se referisse aos quatro átomos permanentes — mais precisamente, os átomos permanentes físico e astral, a unidade mental e o átomo permanente mental — dentro de um envelope de matéria do plano átmico ou nirvânico.

O Corpo Causal é conhecido também como Augoeides, o homem glorificado; não é uma imagem de qualquer um de seus veículos passados, mas contém dentro de si a essência de tudo o que havia de melhor em cada um deles.

Indica assim, mais ou menos perfeitamente, à medida que cresce através da experiência, o que a Divindade significa que o homem deve ser. Pois, como vimos, pela observação do veículo causal é possível ver o estágio de evolução que o homem alcançou.

Não apenas sua história passada pode ser vista, mas também, em considerável extensão, o futuro que se lhe apresenta.

A forma glorificada dentro do corpo causal é uma aproximação do arquétipo e se aproxima mais dele à medida que o homem se desenvolve.

A forma humana parece ser o modelo para a mais alta evolução neste sistema particular.

Ela varia ligeiramente em diferentes planetas, mas é, de modo geral, a mesma em seu contorno geral.

Em outros sistemas solares, as formas podem possivelmente ser bem diferentes dela: sobre esse ponto não temos informação.

Prana, ou Vitalidade, existe em todos os planos e, portanto, deve desempenhar algum papel no corpo causal, mas sobre isso nenhuma informação está disponível no momento.

Podemos notar, no entanto, que após a formação do corpo causal, a complexidade do prana que circula no sistema nervoso do corpo físico aumenta muito, e parece tornar-se ainda mais enriquecido no progresso da evolução humana.

Pois, à medida que a consciência se torna ativa no plano mental, o prana desse plano se mistura com o inferior, à medida que a atividade da consciência é conduzida em regiões superiores.

No corpo causal também, como em cada um dos outros veículos, há Chacras ou Centros de Força, que, além de outras funções, servem como pontos de conexão nos quais a força flui de um veículo para outro.

No momento, porém, nenhuma informação está disponível sobre os Chacras do corpo causal.

CAPÍTULO XVII

PENSAMENTO CAUSAL

O plano mental, como sabemos, é a esfera de ação do que chamamos mente ou manas, no homem.

Como já vimos, o plano é dividido em duas partes: a superior, consistindo nos três sub-planos superiores, e a inferior, consistindo nos quatro sub-planos inferiores.

As duas divisões são conhecidas como arupa, ou sem forma, e rupa, tendo forma.

No homem, o Intelecto tem, como seu veículo, o corpo causal, com o pensamento abstrato como sua função, enquanto a Mente tem, como seu veículo, o corpo mental, com a função do pensamento concreto.

A Mente adquire conhecimento utilizando os sentidos para observações: ela trabalha sobre suas percepções e as constrói em conceitos.

Seus poderes são atenção, memória, raciocínio por indução e dedução, imaginação e afins.

Os nomes arupa e rupa são dados para indicar uma certa qualidade da matéria do plano mental.

Na parte inferior dele, a matéria é muito facilmente moldada pela ação do pensamento humano em formas definidas; na divisão superior, isso não ocorre, o pensamento mais abstrato desse nível expressando-se ao olho do clarividente em lampejos ou correntes.

Nos níveis arupa, a diferença no efeito do pensamento é muito marcante, especialmente no que diz respeito à essência elemental.

A perturbação gerada na mera matéria do plano é semelhante, embora grandemente intensificada nessa forma de matéria muito mais refinada.

Mas na essência elemental, nenhuma forma é agora criada, e o método de ação é inteiramente mudado.

Nos subplanos inferiores, um elemental ou forma-pensamento, que ali é criado, paira ao redor da pessoa pensada e aguarda uma oportunidade favorável para expandir sua energia, seja

sobre seu corpo mental, seu corpo astral, ou mesmo seu corpo físico.

Mas nos três subplanos superiores, o resultado é uma espécie de relâmpago da essência, do corpo causal do pensador, direto ao corpo causal do objeto de seu pensamento.

De modo que, enquanto nos subplanos inferiores o pensamento é sempre dirigido à mera personalidade, nos subplanos superiores influenciamos o ego reencarnante, o homem real em si.

Se a mensagem tem qualquer referência à personalidade, ela alcançará essa personalidade apenas de cima, através do instrumento do corpo causal.

Diz-se ser um espetáculo impressionante observar a mudança de uma ideia abstrata ou arupa para um pensamento concreto ou rupa, à medida que a ideia se reveste da matéria dos quatro subplanos inferiores.

O exemplo padrão e típico é o de um triângulo.

Por mais difícil que seja descrever em palavras, que pertencem aos planos da forma, a ideia abstrata de um triângulo é uma realidade nos níveis arupa.

Significa uma não-figura, que é, contudo, uma figura.

A figura — que é, contudo, nenhuma figura particular, é circunscrita por três linhas, mas não por quaisquer linhas particulares: seus três ângulos possuem a propriedade de fazer coletivamente dois ângulos retos; contudo, não são ângulos particulares.

Nos níveis arupa, essa ideia abstrata de um triângulo tem existência real.

Com o sentido do corpo causal, ela é vista, ou apreendida.

É um fato de consciência, externo ao observador, mesmo que não seja o que usualmente chamamos de forma.

Se um triângulo abstrato desse tipo for lançado em contato com a matéria dos subplanos rúpicos, instantaneamente ele se torna um número indefinido de triângulos, cada um dos quais possui uma forma definida.

Haverá triângulos de todas as formas conhecidas — equiláteros, isósceles, escalenos, retângulos, acutângulos, obtusângulos — todos surgindo em existência visível.

Se a ideia abstrata for trazida para dentro do corpo causal, o observador se torna uma fonte de triângulos, que se espalham em todas as direções, muito parecido com um jato de água que jorra como uma massa mais ou menos coerente, desce como uma fonte, separando-se em inúmeras gotículas de spray.

Essa é talvez a melhor analogia física do processo que pode ser dada.

Como foi plenamente explicado em *O Corpo Mental*, o pensamento concreto naturalmente assume a forma dos objetos sobre os quais pensamos: ideias abstratas, quando lançadas nos níveis rúpicos, geralmente se representam por todos os tipos de figuras geométricas perfeitas e belíssimas.

Deve-se, no entanto, lembrar que muitos pensamentos que descem até aqui são pouco mais do que meras abstrações, tornando-se fatos concretos no plano mental.

A consciência causal lida, assim, com a essência de uma coisa, enquanto a mente inferior estuda seus detalhes.

Com a mente, discorremos sobre um assunto, ou nos esforçamos para explicá-lo: com a consciência causal, captamos a essência da ideia do assunto e a movemos como um todo, assim como se move uma peça ao jogar xadrez.

O plano causal é um mundo de realidades: não lidamos mais com emoções, ideias ou concepções, mas com a coisa em si.

Pode ser útil descrever com um pouco mais de detalhe o processo de chegar ao pensamento causal.

Enquanto a mente inferior se detém inteiramente em imagens mentais, obtidas das sensações, raciocina sobre objetos puramente concretos e se ocupa dos atributos que diferenciam um objeto de outro, o ego, usando a consciência causal, tendo aprendido a discriminar claramente entre objetos, ao se deter sobre suas — dessemelhanças — agora começa a agrupá-los por algum atributo que aparece em vários objetos, de outra forma dessemelhantes, e cria um vínculo entre eles.

Ele extrai, abstrai, esse atributo comum e separa todos os objetos que o possuem dos demais que não o possuem. Dessa forma, ele desenvolve o poder de reconhecer a identidade em meio à diversidade, um passo em direção ao reconhecimento muito posterior do Uno subjacente aos muitos.

Ele assim classifica tudo o que o cerca, desenvolvendo a faculdade sintética e aprendendo a construir tanto quanto a analisar.

Em seguida, dá mais um passo e concebe a propriedade comum como uma ideia, à parte de todos os objetos nos quais ela aparece, e assim constrói uma espécie de imagem mental superior, mais elevada que a imagem de um objeto concreto — a imagem de uma ideia que não tem existência fenomênica no mundo das formas, mas que existe nos níveis superiores do plano mental, e fornece material sobre o qual o ego, o próprio Pensador, pode trabalhar.

A mente inferior alcança a ideia abstrata pela razão e, ao fazê-lo, realiza seu voo mais elevado, tocando o limiar do mundo sem forma e vislumbrando vagamente o que está além.

O Pensador, com sua consciência causal, vê essas ideias e vive entre elas habitualmente.

À medida que exercita e desenvolve o poder do raciocínio abstrato, torna-se efetivo em seu próprio mundo e inicia sua vida de funcionamento ativo em sua própria esfera.

Tal homem pouco se importaria com a vida dos sentidos, ou com a observação externa, ou com a aplicação mental às imagens dos objetos externos.

Suas forças estão voltadas para dentro, não mais se lançando para fora em busca de satisfação.

Ele habita calmamente dentro de si mesmo, absorto nos problemas da Filosofia, nos aspectos mais profundos da vida e do pensamento, buscando compreender as causas, em vez de se preocupar com os efeitos, e aproximando-se cada vez mais do reconhecimento do Uno que subjaz a todas as diversidades da natureza externa.

O método de passar da consciência mental inferior para a causal, por meio de um processo ordenado de concentração, meditação e contemplação, é descrito em detalhe em O Corpo Mental, e portanto não precisa ser repetido aqui.

Nos níveis superiores do plano mental, os pensamentos atuam com força muito maior do que nos níveis inferiores: uma razão para isso é que, como comparativamente poucos ainda são capazes de pensar nesses níveis superiores, quaisquer pensamentos ali gerados têm o campo praticamente para si:

isto é, não há muitos outros pensamentos nesse reino, com os quais precisem contender.

A maioria dos pensamentos do homem comum começa no corpo mental, nos níveis mentais inferiores, e se reveste, ao descer, da apropriada essência elemental astral.

Mas, quando um homem está ativo nos níveis causais, seu pensamento ali se origina e se reveste primeiro da essência elemental dos níveis inferiores do plano mental, sendo, consequentemente, infinitamente mais sutil, mais penetrante e, em todos os sentidos, mais eficaz.

Se o pensamento for dirigido exclusivamente a objetos superiores, suas vibrações podem ser de caráter fino demais para encontrar expressão no plano astral.

Mas, se afetarem tal matéria inferior, o farão com efeito muito mais abrangente do que aqueles gerados tão mais próximos do nível dessa matéria inferior.

Seguindo esse princípio um estágio adiante, é claro que o pensamento do Iniciado, originando-se no Plano Búdico, acima do mundo mental por completo, se revestirá da essência elemental dos subplanos causais.

Da mesma forma, o pensamento do Adepto se derramará do plano de Átma, exercendo os poderes tremendos e totalmente incalculáveis de regiões além do alcance da humanidade comum.

Daí a verdade do ditado de que o trabalho de um dia, em níveis como esses, pode muito bem superar em eficiência o labor de mil anos no plano físico.

Estudantes que não estão acostumados ao pensamento causal, a pensar em princípios, devem ter cuidado para que, em seus esforços de pensar abstratamente, não causem inicialmente dores de cabeça, o que significa, naturalmente, nesse caso, que o mecanismo do cérebro está sendo sobrecarregado.

A meditação, praticada regularmente por vários anos, deve estabelecer uma certa tendência da consciência causal a ser afetada pela consciência no corpo mental.

Quando isso for estabelecido, o pensamento abstrato nos níveis causais deve ser possível sem o risco de sobrecarregar o mecanismo do pensamento.

Quando o esforço para formar uma concepção abstrata, digamos, de um triângulo, tiver sido bem-sucedido, o estudante pode, a princípio, sentir-se um pouco atordoado na tentativa de apreender a ideia abstrata; mais tarde, a consciência mudará subitamente e se tornará clara.

Isso significa que o centro de consciência foi transferido do corpo mental para o corpo causal, e o estudante se torna consciente, em seu corpo causal, de uma existência distinta fora de si mesmo.

Essa é a "intuição" do corpo causal, que reconhece o "exterior". A "intuição" de Buddhi, como veremos em um capítulo posterior, reconhece o interior, permitindo ver as coisas de dentro.

Com a intuição intelectual, percebe-se uma coisa que está fora de si mesmo.

Novamente o estudante pode ser lembrado de que, apesar das diferenças externas de funcionamento entre a mente superior e a inferior, no entanto Manas, o Pensador, é uno, o Self no corpo causal.

É a fonte de inúmeras energias de vibrações de inumeráveis espécies.

Estas ele envia, irradiando para fora de si mesmo.

As mais sutis e refinadas destas são expressas na matéria do corpo causal, que é a única suficientemente sutil para responder a elas.

Elas formam o que às vezes é chamado de Razão Pura, cujos pensamentos são abstratos, cujo método de obter conhecimento é a intuição.

Sua própria "natureza é conhecimento", e reconhece a verdade à primeira vista como congruente consigo mesma.

As vibrações menos sutis passam para fora do único Pensador, atraindo a matéria do mundo mental inferior, e tornando-se as atividades da mente inferior, como já foi descrito.

É, talvez, um tanto infeliz que Buddhi também seja às vezes chamada de Razão Pura, e sua faculdade seja descrita como sendo a da intuição.

À medida que a psicologia progride, sem dúvida termos apropriados serão selecionados e aplicados, específica e exclusivamente, às funções distintas da consciência causal, e às faculdades búdicas.

Foi dito acima, sobre Manas, que sua própria "natureza é Conhecimento". Assim é, porque Manas é o reflexo, na matéria atômica do plano mental, do aspecto cognicional do Self — do Self como Conhecedor.

É portanto possível desenvolver um poder de conhecer a verdade à primeira vista.

Isso se mostra apenas quando a mente inferior, com seu lento processo de raciocínio, é transcendida.

Pois sempre que o "Eu" — a expressão do Self cuja "natureza é conhecimento" — entra em contato com uma verdade, ele encontra suas vibrações regulares e, portanto, capazes de produzir uma imagem coerente em si mesmo: enquanto a falsidade causa uma imagem distorcida, desproporcional, anunciando sua natureza por seu próprio reflexo.

À medida que a mente inferior assume uma posição cada vez mais subordinada, esses poderes do ego afirmam sua própria predominância, e a intuição — que é análoga à visão direta do plano físico — toma o lugar do raciocínio, que pode ser apropriadamente comparado ao sentido do tato do plano físico.

Assim, a intuição se desenvolve a partir do raciocínio da mesma maneira ininterrupta, e sem mudança de natureza essencial, como o olho se desenvolve a partir do tato.

A mudança de "maneira" não deve nos cegar para a evolução ordenada e sequencial da faculdade.

O estudante, naturalmente, terá o cuidado de distinguir a intuição genuína daquela pseudo-intuição dos não inteligentes, que é meramente impulso, nascido do desejo, e não é superior, mas inferior ao raciocínio.

O ato de pensar desenvolve as espirilas nos átomos físicos: portanto, aqueles que estão definida e cuidadosamente pensando dia após dia não estão apenas melhorando suas próprias faculdades de pensamento, mas também melhorando para os outros a quantidade de material disponível de uma espécie superior, facilitando assim o pensamento elevado.

No corpo etérico do homem, o chakram frontal, ou centro de força, que utiliza o prana azul-escuro, está associado ao princípio do manas superior.

CAPÍTULO XVIII

DESENVOLVIMENTO E FACULDADES DO CORPO CAUSAL

No capítulo XV, vimos que apenas os bons elementos são armazenados no corpo causal, não encontrando o mal, nesse corpo, nenhum meio de expressão.

Podemos agora considerar este assunto um pouco mais adiante e estudar os efeitos que são produzidos, mais ou menos indiretamente, sobre o corpo causal pela prática do mal.

Num homem primitivo, o crescimento do corpo causal é necessariamente excessivamente lento.

Como vimos, é pelo método de excitar a vibração simpática que as qualidades superiores, desenvolvidas pela vida nos planos inferiores, são gradualmente construídas no corpo causal: mas na vida de um homem não desenvolvido haverá muito poucos sentimentos ou pensamentos, pertencentes ao mundo superior, que possam servir de alimento para o crescimento do homem real.

Portanto, o crescimento é lento, pois todo o resto da vida não o auxilia.

Mas mesmo o pior dos homens pode comumente mostrar-se no plano causal, embora como uma entidade inteiramente não desenvolvida.

Seus vícios, mesmo que continuados através de vida após vida, não podem macular o corpo causal.

Eles podem, no entanto, tornar cada vez mais difícil o desenvolvimento das virtudes opostas.

Em todo caso, a existência de uma qualidade má na personalidade significa uma falta da qualidade boa correspondente no corpo causal.

Pois um ego não pode ser mau, embora possa ser imperfeito.

As qualidades que o ego desenvolve não podem ser outras senão boas qualidades e, quando bem definidas, mostram-se em cada uma de suas numerosas personalidades: consequentemente, essas personalidades nunca podem ser culpadas dos vícios opostos a essas boas qualidades.

Uma boa qualidade que falta pode, no entanto, dizer-se que existe no ego, embora ainda não tenha sido chamada à atividade.

Assim que é chamada à atividade, suas intensas vibrações atuarão sobre os veículos inferiores, e será impossível, como foi dito, que o mal oposto volte a encontrar lugar neles.

Onde há uma lacuna no ego, indicando que há uma qualidade não desenvolvida, não precisa necessariamente haver um vício definido na personalidade; mas também não há nada de positivo na personalidade que impeça o crescimento do vício em questão.

Portanto, como é muito provável que muitas outras pessoas ao seu redor já possuam esse vício, e como o homem é um animal imitativo, é mais do que provável que ele desenvolva esse vício.

O vício, no entanto, como vimos, pertence apenas aos veículos inferiores, e não ao homem real no corpo causal.

Nesses veículos inferiores, sua repetição pode estabelecer um momentum difícil de conquistar; mas, se o ego se agitar para criar em si mesmo a virtude oposta, o vício é cortado pela raiz e não pode mais existir,

nem nesta vida nem em todas as vidas que virão.

Assim, o caminho mais curto para livrar-se do mal e impedir seu reaparecimento é preencher a lacuna no ego, de modo que a boa qualidade assim desenvolvida se mostre como parte integrante do caráter do homem através de todas as suas vidas futuras.

Embora o mal não possa ser definitivamente armazenado no corpo causal, a prática do mal pode afetar o corpo causal; pois cada intensificação do vício nos veículos inferiores, cada indulgência nele nos mundos inferiores, tende a obscurecer um pouco a luminosidade das virtudes opostas no corpo causal.

O "|" não pode assimilar nada que seja mau, pois não pode tocar o nível de consciência do "|".

O ego não é consciente do mal; ele nada sabe sobre ele, de modo que isso não lhe causa impressão alguma.

O resultado máximo produzido no corpo causal por vidas muito, muito longas e contínuas de um tipo inferior é o que pode ser chamado de incapacidade de receber a impressão boa oposta por um período considerável de tempo depois, uma espécie de entorpecimento ou paralisia da matéria do corpo causal.

Isso não é tanto consciência quanto inconsciência; uma inconsciência que resiste às impressões do bem do tipo oposto.

Esse é o limite do dano que é feito.

Portanto, quando a vida de maldade foi muito prolongada, serão necessárias muitas mais vidas para que surja a primeira resposta ao lado bom da atividade.

Esse resultado foi observado quando, ao estudar vidas passadas, fez-se um esforço para compreender como o corpo causal não foi lesado através de numerosas vidas selvagens.

Em casos muito prolongados, onde houve um número anormal de tais vidas, notou-se esse efeito de entorpecimento, causado pelas repetidas investidas do mal sobre ele, durante um longo período de tempo.

Muitas vidas tiveram então de ser gastas para restaurar, por assim dizer, a vitalidade responsiva àquela porção do corpo causal.

Tais casos, contudo, são anormais.

Podemos prosseguir o estudo dos efeitos do mal ainda mais adiante.

Onde o mal é sutil e persistente, ele arrasta consigo, se a expressão for permitida, algo do próprio indivíduo.

Se o mal for continuamente seguido, o corpo mental torna-se tão entrelaçado com o corpo astral que, após a morte, não consegue libertar-se inteiramente: parte de sua própria substância é arrancada dele, e, quando o corpo astral, por sua vez, morre e se desintegra, a matéria do corpo mental, que foi arrancada, também retorna ao estoque geral de matéria mental, sendo assim perdida para o indivíduo.

Em casos comuns, o dano causado ao corpo causal não vai além disso.

Trataremos deste aspecto do nosso assunto com mais detalhes técnicos no Capítulo XXV.

Onde, contudo, o ego se tornou forte, tanto em intelecto quanto em vontade, sem ao mesmo tempo aumentar em altruísmo e amor, ele se contrai em torno do seu próprio centro separado, em vez de se expandir, à medida que cresce: assim, constrói ao seu redor um muro de egoísmo e usa seus poderes em desenvolvimento para si mesmo, em vez de para os outros.

Em tais casos, surge a possibilidade, aludida em tantas escrituras do mundo, de o ego se colocar conscientemente contra a "Boa Lei", de lutar deliberadamente contra a evolução.

Então o próprio corpo causal mostra os tons escuros, causados pela contração, e perde o esplendor deslumbrante que é sua propriedade característica.

Dano como este não pode ser causado por um ego pouco desenvolvido, nem por faltas passionais ou mentais comuns.

Para efetuar dano tão abrangente, o ego deve ser altamente evoluído e deve ter suas energias despertadas no plano mental.

É por essa razão que a ambição, o orgulho e os poderes do intelecto, usados para fins egoístas, são tão mais perigosos e mortais em seus efeitos do que as faltas mais palpáveis da natureza inferior.

De modo que o "fariseu" está muitas vezes mais longe do "reino de Deus" do que o "publicano e pecador". Ao longo dessa linha se desenvolve o "mago negro", o homem que conquista a paixão e o desejo, desenvolve a vontade e os poderes superiores da mente, não para oferecê-los como forças que ajudem a impulsionar a evolução do todo, mas para agarrar tudo o que puder para si mesmo como unidade, para reter, e não para compartilhar.

Tais homens se dispõem a manter a separação contra a unidade, esforçando-se para retardar, em vez de acelerar, a evolução.

Eles vibram em discordância com o todo, em vez de em harmonia, e correm o risco daquele dilaceramento do próprio ego, que significa a perda de todos os frutos da evolução.

Até agora falamos principalmente dos efeitos do mal no crescimento do homem: vejamos agora o outro lado do quadro.

Todos aqueles que começam a compreender algo do corpo causal podem fazer de sua evolução um objetivo definido na vida.

Eles podem se esforçar para pensar, sentir e agir de forma altruísta, e assim contribuir para seu crescimento e atividade.

Vida após vida, essa evolução do indivíduo prossegue, e, ao auxiliar seu crescimento por esforço consciente, trabalhamos em harmonia com a Vontade Divina, e cumprimos o propósito para o qual estamos aqui.

Nada de bom que seja uma vez tecido no corpo causal pode jamais ser perdido ou dissipado: pois este é o homem que vive, enquanto permanecer homem.

Assim vemos que, pela lei da evolução, tudo o que é mau, por mais forte que pareça, traz dentro de si o germe de sua própria destruição, enquanto tudo o que é bom contém em si a semente da imortalidade. O segredo disso reside no fato de que tudo o que é mau é inarmônico, porque se coloca contra a lei cósmica.

Mais cedo ou mais tarde, portanto, é desfeito por essa lei, despedaçado contra ela. Tudo o que é bom, por outro lado, estando em harmonia com a lei, é por ela acolhido e levado adiante: torna-se parte da corrente da evolução, daquele "não-nós que promove a retidão", e portanto jamais pode perecer ou ser destruído.

Podemos conceber toda a experiência de um homem como passando por um fino crivo ou peneira: somente o que é bom pode atravessar; o que é mau fica para trás, rejeitado.

Nisto, o próprio mecanismo pelo qual o corpo causal — o veículo do homem que perdura — é construído, reside não apenas a esperança do homem, mas a certeza de seu triunfo final.

Por mais lento que seja o crescimento, ele está ali: por mais longo que seja o caminho, ele tem seu fim.

O indivíduo, que é nosso Eu, está evoluindo e não pode ser totalmente destruído.

Ainda que, por nossa insensatez, possamos tornar o crescimento mais lento do que deveria ser, nem por isso tudo o que contribuímos para ele, por pouco que seja, perdura nele para sempre, e é nossa posse por todas as eras que se estendem à frente.

Enquanto nada de mau pode ser armazenado no corpo causal, ele é, no entanto, armazenado — se assim podemos usar o termo — nos veículos inferiores aos quais pertence.

Pois, sob a lei de justiça, todo homem deve receber os resultados de suas próprias ações, sejam elas boas ou más.

Mas o mal necessariamente se esgota nos planos inferiores, porque é somente na matéria desses planos que suas vibrações podem ser expressas, e ele não possui sequer harmônicos capazes de despertar uma resposta no corpo causal.

Sua força, portanto, é toda gasta em seu próprio nível, e reage em sua totalidade sobre seu criador em sua vida astral e física, seja nesta ou em futuras encarnações.

Mais precisamente, o resultado do mal é armazenado na unidade mental e nos átomos permanentes astral e físico: e assim o homem tem de enfrentá-lo repetidas vezes: mas isso, naturalmente, é uma questão muito diferente de levá-lo para o ego e torná-lo realmente parte de si mesmo.

Boas ações e pensamentos também, é claro, produzem resultados nos planos inferiores, mas, além disso, têm um efeito imensamente mais elevado e permanente sobre o corpo causal.

Assim, todos produzem igualmente efeitos nos planos inferiores e se manifestam nos veículos temporários inferiores, mas somente as boas qualidades são retidas no corpo causal como ganho definitivo para o homem real.

Dessa forma, a princípio lentamente, nos estágios posteriores com rapidez sempre crescente, o corpo causal de um homem é construído.

Em cada estágio de seu crescimento, um estudo das cores e estrias do corpo causal revela o progresso que o ego fez desde que o corpo causal foi primeiramente formado, quando a entidade emergiu do reino animal, e o estágio exato de evolução ao qual ele agora chegou.

Como vimos, nos estágios posteriores da evolução, tanto o corpo causal quanto o mental expandem-se enormemente, exibindo a mais deslumbrante radiação de luzes multicores, brilhando com intenso esplendor quando relativamente em repouso, e emitindo cintilações ofuscantes quando em alta atividade.

À medida que o corpo causal se torna capaz de expressar cada vez mais o ego, ele se estende cada vez mais para além do seu centro físico, até que um homem seja capaz de envolver centenas e até milhares de pessoas dentro de si, e assim exercer uma vasta influência para o bem.

O derramamento, no corpo causal, das faculdades adquiridas por uma personalidade é análogo ao derramamento, na Alma-Grupo, das experiências adquiridas pelas formas nas quais porções da Alma-Grupo encarnam.

Assim, por exemplo, supondo que a qualidade da exatidão seja desenvolvida em uma personalidade: quando essa qualidade retorna ao ego no corpo causal, a mesma quantidade tem de ser distribuída por todo o corpo causal.

A quantidade, que era bastante suficiente para tornar uma personalidade muito exata, quando entra no ego, é apenas uma fração das suas necessidades.

Ele pode, consequentemente, ter muitas vidas para desenvolver o suficiente da qualidade para torná-la proeminente na próxima vida, especialmente porque o ego não coloca na próxima personalidade a mesma parte de si mesmo, mas simplesmente uma parte de toda a massa de si mesmo.

O estudante deve, ao longo de todos os seus estudos, lembrar-se de que o corpo causal não é o ego, mas apenas aquela matéria do plano mental superior que foi vivificada, e que expressa as qualidades que o ego adquiriu.

O homem real em si mesmo — a tríade divina interior — podemos não ver: mas quanto mais a nossa visão e o nosso conhecimento aumentam, mais nos aproximamos daquilo que se velA em si mesmo nele.

Assim, podemos pensar no corpo causal como o mais próximo de uma concepção do verdadeiro homem que a nossa visão nos pode atualmente dar.

O estudante lembrar-se-á também de que é pelo tamanho e pela forma do corpo causal que são determinados o tamanho e a forma do corpo mental.

Na verdade, a aura de um homem, que tem um tamanho definido, é a mesma que a de uma seção do corpo causal, e, à medida que o corpo causal cresce, essa seção torna-se maior, e o homem tem uma aura maior.

Além disso, no caso de um homem desenvolvido, o corpo mental torna-se um reflexo do corpo causal, uma vez que o homem aprende a seguir unicamente os impulsos do eu superior, e a guiar a sua razão exclusivamente por eles.

No processo de meditação, [vide O Corpo Mental, página 160], à medida que o corpo mental é aquietado, a consciência escapa dele e passa para dentro e para fora do "centro laya", os pontos neutros de contato entre o corpo mental e o corpo causal.

A passagem é acompanhada por um desmaio momentâneo, ou perda de consciência — o resultado inevitável do desaparecimento dos objetos de consciência — seguido pela consciência no superior.

A eliminação dos objetos de consciência pertencentes aos mundos inferiores é, assim, seguida pelo aparecimento de objetos de consciência no mundo superior.

Então o ego pode moldar o corpo mental de acordo com seus próprios pensamentos elevados e permeá-lo com suas próprias vibrações.

Ele pode moldá-lo segundo as altas visões dos planos além do seu, das quais vislumbrou um lampejo em seus momentos mais sublimes, e pode assim transmitir para baixo e para fora ideias às quais o corpo mental, de outro modo, seria incapaz de responder.

Tais ideias são as inspirações do gênio, que relampejam na mente com luz ofuscante e iluminam um mundo.

Podemos aqui repetir utilmente a substância do que foi dito em O Corpo Mental, página 160, etc., dirigindo agora nossa atenção não tanto à consciência do cérebro inferior, mas àquela do ego atuando no corpo causal.

O gênio, que é do ego, vê em vez de argumentar.

A verdadeira intuição é uma de suas faculdades. O manas ou mente inferior, atuando no aparato cerebral, organiza os fatos reunidos pela observação, equilibra-os uns contra os outros e tira conclusões deles.

Por meio do processo de raciocínio ele opera, utilizando os métodos de indução e dedução.

A intuição, por outro lado, como a etimologia indica, é — visão interior, olhar para dentro — um processo tão direto e rápido quanto a visão física.

É o exercício dos olhos da inteligência, o reconhecimento infalível de uma verdade apresentada no plano mental.

A prova é desnecessária, porque está acima e além da razão.

Grande cuidado deve, naturalmente, ser tomado para distinguir o mero impulso câmic da verdadeira intuição.

É somente quando os desejos e apetites do eu câmic inferior são aquietados e repousam que a voz da mente superior pode se fazer ouvir na personalidade inferior.

Em Ísis sem Véu, páginas 305-306, H.P. Blavatsky explica o assunto com força e lucidez.

Aliada à metade física da natureza humana, diz ela, está a razão; aliada à sua parte espiritual está a sua consciência, que é aquela percepção instantânea entre o certo e o errado que pode ser exercida pelo espírito que, sendo uma porção da sabedoria e pureza divinas, é em si mesmo absolutamente puro e sábio.

Seus impulsos são independentes da razão e podem se manifestar claramente apenas quando não são obstruídos pelas atrações mais grosseiras da natureza inferior.

A razão, ela aponta, sendo totalmente dependente das evidências dos outros sentidos, não pode ser uma qualidade pertencente diretamente ao espírito divino.

Pois o espírito conhece — portanto, o raciocínio é inútil.

Daí os antigos Teurgistas sustentarem que a parte racional da alma [espírito] do homem nunca adentrava inteiramente o corpo humano, mas apenas o sobrepujava mais ou menos através da alma irracional ou astral, que serve como intermediária, agente ou médium entre o espírito e o corpo.

O homem que conquistou a matéria suficientemente para receber a luz direta de seu resplandecente Augoeides, [ver p. 101], sente a verdade intuitivamente.

Ele não poderia errar em seu julgamento, não obstante todos os sofismas sugeridos pela razão, pois está iluminado.

Portanto, profecia, vaticinação e a assim chamada inspiração divina são simplesmente os efeitos dessa iluminação do alto, por nosso próprio espírito imortal.

Assim como com uma chama podemos acender um pavio, e a cor da chama do pavio em combustão dependerá da natureza do pavio e do líquido no qual está embebido, assim em cada ser humano a chama de manas acende o cérebro e o pavio kâmico, e a cor da luz do pavio dependerá da natureza kâmica e do desenvolvimento do aparato cerebral.

Em seu artigo sobre "Gênio", H.P. Blavatsky explicou claramente essa questão: o que chamamos de manifestações de gênio em uma pessoa são apenas as tentativas mais ou menos bem-sucedidas do ego de se afirmar através de sua forma objetiva externa.

Os egos de um Newton, um Ésquilo, um Shakespeare são da mesma essência e substância que os egos de um caipira, um ignorante, um tolo; ou mesmo de um idiota.

A autoafirmação de seus gênios informadores depende da construção fisiológica e material do homem físico.

Nenhum ego difere de outro ego em sua essência e natureza primordial ou original.

Aquilo que faz de um mortal um grande homem e de outro uma pessoa vulgar e tola é, como foi dito, a qualidade e a constituição da casca ou invólucro, a adequação ou inadequação do cérebro e do corpo para transmitir e expressar a luz do verdadeiro homem interior — o ego.

Para usar uma símile familiar, o homem físico é o instrumento, o ego o artista executante.

A potencialidade da melodia perfeita reside no instrumento, e nenhuma habilidade do artista pode despertar harmonia impecável de um instrumento quebrado ou mal construído.

Essa harmonia depende da fidelidade da transmissão, por palavra e ato, ao plano objetivo, do pensamento divino inexprimível nas profundezas mesmas da natureza subjetiva ou interior do homem: em uma palavra, do seu ego.

A habilidade mental, a força intelectual, a perspicácia, a sutileza, são manifestações do manas inferior no homem: podem alcançar até o que H. P. Blavatsky chamou de "gênio artificial", o resultado da cultura e da perspicácia puramente intelectual.

Frequentemente, sua natureza é demonstrada pela presença de elementos kâmicos nela, i.e., de paixão, vaidade, arrogância.

No estágio atual da evolução humana, o manas superior raramente pode manifestar-se.

Lampejos ocasionais dele são o que chamamos de verdadeiro gênio.

"Contempla em toda manifestação de gênio, quando combinada com virtude, a presença inegável do exilado celestial, o ego divino cujo carcereiro tu és, ó homem de matéria." Tais manifestações dependem de uma acumulação de experiências antecedentes individuais do ego em sua vida ou vidas precedentes.

Pois, embora seja onisciente em sua essência e natureza, ainda assim requer experiência, através de suas personalidades, das coisas da terra, a fim de aplicar a elas a fruição de sua experiência abstrata.

E o cultivo de certas aptidões, através de uma longa série de encarnações, deve finalmente culminar, em alguma vida, como gênio, em uma direção ou outra.

Fica claro pelo exposto que, para a manifestação do verdadeiro gênio, a pureza de vida é essencial.

É importante reconhecer o papel que o ego no corpo causal desempenha na formação de nossas concepções dos objetos externos.

As vibrações das fibras nervosas apresentam ao cérebro meramente impressões: é trabalho do ego classificá-las, combiná-las e organizá-las.

A discriminação do ego, agindo através da mente, é aplicada a tudo o que os sentidos transmitem ao cérebro.

Além disso, essa discriminação não é um instinto inerente da mente, perfeito desde o início, mas é o resultado da comparação de uma série de experiências anteriores.

Antes de considerar a possibilidade de funcionar conscientemente no plano causal, podemos lembrar-nos de que, para um homem ainda ligado ao corpo físico mover-se em plena consciência no plano mental — isto é, seja no mental inferior ou superior — ele deve ser ou um Adepto ou um de Seus discípulos iniciados, pois até que um estudante tenha sido ensinado por seu Mestre a usar seu corpo mental, ele será incapaz de mover-se com liberdade mesmo nos níveis inferiores desse plano.

Funcionar conscientemente durante a vida física nos níveis superiores denota, naturalmente, um avanço ainda maior, pois significa a unificação do homem, de modo que, aqui embaixo, ele não é mais uma mera personalidade, mais ou menos influenciada pela individualidade acima, mas é ele próprio essa individualidade ou ego.

Ele está certamente ainda tolhido e confinado por um corpo, mas, não obstante, possui dentro de si o poder e o conhecimento de um ego altamente desenvolvido.

Atualmente, a maioria das pessoas não é mais do que apenas consciente no corpo causal: elas só podem trabalhar na matéria do terceiro subplano, isto é, a parte mais baixa do corpo causal, e, de fato, apenas a matéria mais inferior mesmo dessa parte está geralmente em operação.

Quando estão no Caminho, o segundo subplano se abre. O Adepto, naturalmente, usa todo o corpo causal, enquanto sua consciência está no plano físico.

Esses detalhes serão considerados plenamente em um capítulo posterior.

Passando agora aos poderes mais específicos e detalhados do corpo causal, recordar-se-á, como foi explicado nos dois volumes precedentes desta série, que não é possível a um homem passar para outro planeta de nossa cadeia, seja em seu corpo astral ou em seu corpo mental.

No corpo causal, contudo,

quando altamente desenvolvido, essa realização é possível, embora mesmo então de modo algum com a facilidade ou a rapidez com que pode ser feita no plano búdico, por aqueles que conseguiram elevar sua consciência a esse nível.

Parece, no entanto, que um corpo causal não seria normalmente capaz de se mover no espaço interestelar.

Nesse espaço, parece que os átomos se encontram separados e equidistantes, e essa é provavelmente sua condição normal quando não perturbados.

É isso que se quer dizer ao falar dos átomos como "livres". Dentro da atmosfera de um planeta, eles nunca são encontrados nesse estado, pois mesmo quando não estão agrupados em formas, estão, de qualquer modo, enormemente comprimidos pela força de atração.

No espaço interplanetário, as condições provavelmente não são exatamente as mesmas que no espaço interestelar, pois pode haver grande perturbação devido à matéria cometária e meteórica, e também a tremenda atração do sol produz uma considerável compressão dentro dos limites deste sistema.

Portanto, a matéria atômica do corpo causal de um homem é esmagada pela atração numa forma definida e bastante densa, mesmo que os átomos não sejam de modo algum alterados em si mesmos, e não estejam agrupados em moléculas. Embora tal corpo possa existir confortavelmente em seu próprio plano atômico, na vizinhança de um planeta, onde a matéria atômica é comprimida, ele não seria capaz de se mover ou funcionar no espaço distante onde os átomos são "livres" e não comprimidos.

O poder de ampliação pertence ao corpo causal e está associado ao chakram frontal, o centro de força entre as sobrancelhas.

Da porção central desse chakram, o que pode ser chamado de um minúsculo microscópio é projetado, tendo como lente apenas um átomo.

Dessa forma, produz-se um órgão, proporcional em tamanho aos minúsculos objetos a serem observados.

O átomo empregado pode ser físico, astral ou mental, mas, seja qual for, necessita de uma preparação especial.

Todas as suas espirilas devem ser abertas, de modo que fique exatamente como estará na sétima ronda de nossa cadeia de mundos.

Se um átomo de um nível inferior ao causal for usado como ocular, um sistema de contrapartes refletoras deve ser introduzido.

O átomo pode ser ajustado a qualquer subplano, de modo que qualquer grau necessário de ampliação possa ser aplicado, a fim de se adequar ao objeto que está sendo examinado.

Uma extensão adicional do mesmo poder permite ao operador focar sua própria consciência na lente através da qual está olhando e, então, projetá-la para pontos distantes.

O mesmo poder, por uma disposição diferente, pode ser usado para fins de diminuição, quando se deseja ver como um todo algo grande demais para ser abrangido de uma só vez pela visão comum.

A visão do corpo causal capacita alguém a prever o futuro até certo ponto.

Mesmo com os sentidos físicos, pode-se às vezes predizer certas coisas.

Assim, por exemplo, se vemos um homem levando uma vida de devassidão, podemos prever com segurança que, a menos que mude, ele em breve perderá a saúde e a fortuna.

O que não podemos dizer, por meios físicos, é se o homem mudará ou não.

Mas um homem que possui a visão do corpo causal poderia frequentemente dizer isso, porque para ele as forças de reserva do outro seriam visíveis.

Ele poderia ver o que o ego pensava de tudo aquilo e se era forte o suficiente para interferir.

Nenhuma predição meramente física é certa, porque muitas das causas que influenciam a vida não podem ser vistas neste plano inferior.

Mas, quando a consciência é elevada a planos superiores, podemos ver mais das causas e, assim, aproximar-nos mais do cálculo dos efeitos.

É, naturalmente, mais fácil prever o futuro de um homem não desenvolvido do que o de um mais avançado.

Pois o homem comum tem pouca força de vontade; o karma lhe atribui certas circunstâncias, e ele é a criatura dessas circunstâncias; ele aceita o destino que lhe foi traçado, porque não sabe que pode alterá-lo.

Um homem mais desenvolvido, no entanto, assume o controle de seu destino e o molda; ele faz do seu futuro o que deseja que ele seja, neutralizando o karma do passado ao colocar novas forças em movimento.

Por isso, seu futuro não é tão facilmente previsível. Mas, sem dúvida, mesmo nesse caso, um Adepto, que pudesse ver a vontade latente, também poderia calcular como ele a usaria.

Os estudantes de The Mental Body recordarão que ali é dada uma descrição dos Registros Akáshicos, ou a Memória da Natureza, como às vezes é chamada.

Ao ler esses Registros, o trabalho é feito através do corpo causal, vibrando o corpo mental apenas em resposta à atividade do corpo causal.

Por essa razão, nenhuma leitura satisfatória ou confiável dos Registros pode ser feita sem um desenvolvimento definido do corpo causal.

C.W. Leadbeater descreve um caso interessante e incomum em que, por meio de excesso de trabalho mental imprudente, um homem despertou tão intensamente as faculdades de seu corpo causal que foi capaz, espasmodicamente, de ler os Registros com grande clareza de detalhes.

Além disso, ele foi capaz de exercer o poder de ampliação, até certo ponto, particularmente em relação a perfumes.

O resultado, que é característico dessa faculdade, era um enrugamento do odor, perdendo o odor a sua suavidade e tornando-se, por assim dizer, como tecido de lã, ou uma bacia de areia.

A razão disso é que a faculdade de ampliação, que pertence ao corpo causal, faz com que minúsculas partículas físicas, que despertam em nós o sentido do olfato, tornem-se separadamente perceptíveis, como os grãos de uma lixa, e assim o sentido de aspereza é produzido.

Escusado será dizer que esse método de despertar os poderes do corpo causal pelo excesso de trabalho é fortemente de se reprovar, pois é muito mais provável que resulte em colapso do cérebro ou do sistema nervoso do que, como aconteceu nessa rara instância, em despertar as faculdades causais.

Se um homem eleva sua consciência à mais alta subdivisão de seu corpo causal e a focaliza exclusivamente na matéria atômica do plano mental, ele tem diante de si três possibilidades de mover sua consciência, que correspondem em certa medida às três dimensões do espaço.

Obviamente, [1] um caminho se lhe abre para movê-la para baixo, para o segundo subplano do mental, ou para cima, para o mais baixo subplano do búdico, desde que, naturalmente, ele tenha desenvolvido seu corpo búdico suficientemente para poder utilizá-lo como veículo.

[2] Uma segunda linha de movimento é o atalho da subdivisão atômica de um plano para a correspondente subdivisão atômica dos planos acima ou abaixo, sem tocar em nenhum dos subplanos intermediários.

[3] Uma terceira possibilidade não é tanto um movimento ao longo de outra linha, em ângulos retos com ambas as outras, mas antes uma possibilidade de olhar ao longo de tal linha, a linha que une o ego e a Mônada, muito como um homem no fundo de um poço poderia olhar para uma estrela no céu acima dele.

Pois há uma linha direta de comunicação entre o subplano atômico do mental neste mais baixo plano cósmico e o correspondente mental atômico no plano mental cósmico.

Embora estejamos ainda infinitamente longe de poder subir por essa linha, contudo C.W. Leadbeater afirma que ao menos uma vez veio a experiência de poder olhar ao longo dela por um momento.

O que se vê, diz ele, é inútil tentar descrever, pois nenhuma palavra humana pode dar a menor ideia disso. Mas ao menos isto emerge, com uma certeza que jamais pode ser abalada: que o que até agora supusemos ser nossa consciência, nosso intelecto, simplesmente não é nosso de forma alguma, mas d'Ele.

Nem mesmo um reflexo d'Ele, mas literal e verdadeiramente uma parte de Sua consciência, uma parte de Seu intelecto.

Alguma pequena ajuda para compreender isso pode ser derivada do conhecimento de que o próprio ego humano é uma manifestação do Terceiro Emanação, que provém do Seu Primeiro Aspecto, o Pai eterno e todo-amoroso.

O crescimento e o desenvolvimento do corpo causal são grandemente auxiliados pelo trabalho dos Mestres, pois eles lidam mais com os egos em seus corpos causais do que com os veículos inferiores dos homens.

Eles se dedicam a derramar influência espiritual sobre os homens, irradiando, assim como a luz do sol irradia sobre as flores, evocando deles tudo o que há de mais nobre e melhor, promovendo assim o seu crescimento.

Muitas pessoas às vezes têm consciência de influências úteis dessa natureza, mas são totalmente incapazes de rastrear sua origem.

Este trabalho será explicado um pouco mais detalhadamente em um capítulo posterior.

CAPÍTULO XIX

A VIDA APÓS A MORTE: O QUINTO CÉU

Em O Corpo Astral e O Corpo Mental, tratamos da vida de um homem após a morte no plano astral, e também no plano mental inferior, em seu corpo mental, nos Primeiro, Segundo, Terceiro e Quarto Mundos Celestiais, respectivamente no Sétimo, Sexto, Quinto e Quarto Subplanos.

Agora temos de descrever a vida após a morte no corpo causal, nos três níveis superiores do plano mental.

A distinção entre as duas grandes divisões do plano mental — a inferior ou rupa [forma] e a superior ou arupa [sem forma] — é muito marcante: tão diferentes, de fato, são os dois mundos, que diferentes veículos de consciência são necessários para funcionar neles.

Em O Corpo Mental, pp. 202-204, a justificativa geral e o propósito da vida no devachan já foram explicados, e portanto não precisam ser repetidos aqui.

Também foi explicado naquele livro por que o devachan é uma necessidade para a grande maioria das pessoas.

Em certos casos excepcionais, no entanto, vimos que um homem suficientemente avançado, com a permissão de uma autoridade muito elevada, pode "renunciar ao devachan" e passar por uma série de encarnações rápidas, sem intervalos apreciáveis entre elas.

No plano mental inferior, a matéria é dominante: é a primeira coisa que salta aos olhos; e a consciência brilha com dificuldade através das formas.

Mas nos planos superiores, a vida é a coisa mais proeminente, e as formas existem ali apenas para os seus propósitos.

A dificuldade nos planos inferiores é dar expressão à vida nas formas: nos superiores, é o oposto — conter e dar forma à torrente de vida.

É somente acima da linha divisória entre os planos mental inferior e superior que a luz da consciência não está sujeita a vento algum, e brilha com poder próprio.

O símbolo de um fogo espiritual é muito apropriado para a consciência nesses níveis, em contraste com os planos inferiores, onde o símbolo do fogo queimando combustível é mais adequado.

Nos níveis arupa, a matéria está subordinada à vida, alterando-se a cada momento.

Uma entidade muda de forma a cada mudança de pensamento.

A matéria é um instrumento de sua vida e não é expressão de si mesma.

A forma é feita momentaneamente, e muda a cada mudança de sua vida.

Isso é verdadeiro não apenas nos níveis arupa, de manas, mas também, de maneira sutil, no plano de Buddhi, e é verdadeiro também para o ego espiritual.

Gloriosa como tem sido a vida nos mundos celestiais do plano mental inferior, ela eventualmente chega ao fim.

O corpo mental, por sua vez, se desfaz, como fizeram os outros corpos, e a vida do homem em seu corpo causal começa.

Durante toda a vida celestial, a personalidade da última vida física é distintamente preservada, e é somente quando a consciência é finalmente retirada para o corpo causal que esse sentimento de personalidade se funde na individualidade, e o homem, pela primeira vez desde sua descida à encarnação, percebe-se como o ego verdadeiro e comparativamente permanente.

No corpo causal, o homem não precisa de "janelas" — que, como o estudante recordará, foram formadas por seus próprios pensamentos nos céus inferiores — pois este, o plano causal, é seu verdadeiro lar, e todas as suas paredes caíram.

A maioria dos homens tem ainda muito pouca consciência nessa altura; eles repousam sonhadoramente, desatentos e mal despertos.

Contudo, a visão que têm, por mais limitada que seja pela falta de desenvolvimento, é verdadeira.

A vida no mundo celestial superior desempenha um papel muito pequeno na vida do homem comum, pois, em seu caso, o ego não é suficientemente desenvolvido para estar desperto no corpo causal.

Egos atrasados, de fato, nunca alcançam conscientemente o mundo celestial, enquanto um número ainda maior obtém apenas um contato comparativamente leve com os subplanos inferiores.

Mas, no caso de um homem espiritualmente desenvolvido, sua vida, como ego em seu próprio mundo, é gloriosa e plenamente satisfatória.

No entanto, consciente ou inconscientemente, todo ser humano deve tocar os níveis superiores do plano mental antes que a reencarnação possa ocorrer.

À medida que sua evolução progride, esse contato, naturalmente, torna-se cada vez mais definido e real para ele.

Não apenas ele se torna mais consciente ali à medida que progride, mas o período que passa nesse mundo de realidade torna-se mais longo, pois sua consciência está lenta, porém firmemente, ascendendo através dos diferentes planos do sistema.

O tempo passado no mundo mental superior pode variar, de acordo com o estágio de desenvolvimento, de dois ou três dias de inconsciência, no caso de um homem comum não desenvolvido, a um longo período de anos de vida consciente e gloriosa, no caso de pessoas excepcionalmente avançadas.

A duração do tempo passado nos mundos celestiais entre encarnações depende de três fatores principais: [1] a classe à qual um ego pertence; [2] o modo pelo qual ele alcançou a individualização; e [3] a duração e a natureza de sua última vida.

Como este assunto foi tratado em detalhe em O Corpo Mental, Capítulo XXI, é desnecessário repetir aqui o que foi dito ali.

Mesmo quando compreendemos plenamente quão pequena parte de cada ciclo de vida é passada no plano físico, para estimar com justiça sua verdadeira proporção em relação ao todo, devemos também ter bem presente a realidade muito maior da vida nos mundos superiores.

Este é um ponto que é impossível enfatizar demasiadamente, pois a vasta maioria das pessoas ainda está tão inteiramente sob o domínio de seus sentidos físicos, que as irrealidades do mundo inferior lhes parecem a única realidade, enquanto quanto mais algo se aproxima da verdadeira realidade, mais irreal e incompreensível lhes parece.

Por razões que são suficientemente compreensíveis, o mundo astral tem sido chamado de mundo da ilusão: mas ele é, no entanto, pelo menos um passo mais próximo da realidade: por mais distante que esteja a visão astral da visão clara e abrangente do homem em seu próprio plano, ela é pelo menos mais aguçada e mais confiável do que o sentido físico. E assim como o astral está para o físico, assim está o mental para o astral, exceto que a proporção é elevada a uma potência superior.

Portanto, não apenas o tempo passado nesses planos superiores é muito mais longo do que a vida física, mas cada momento dele pode, se devidamente utilizado, ser enormemente mais frutífero do que a mesma quantidade de tempo no plano físico poderia possivelmente ser.

À medida que a evolução progride, o princípio que governa a vida após a morte é que a vida nos níveis inferiores, tanto do plano astral quanto do mental, gradualmente se encurta, enquanto a vida superior se torna

cada vez mais longos e mais plenos.

Finalmente chega o momento em que a consciência é unificada, ou seja, quando o eu superior e o eu inferior estão indissoluvelmente unidos, e o homem não é mais capaz de se envolver em sua própria nuvem de pensamento, confundindo o pouco que pode ver através dela com o todo do grande mundo celestial ao seu redor; então ele percebe as possibilidades de sua vida e, assim, pela primeira vez, verdadeiramente começa a viver.

Mas, quando ele atinge essas alturas, já terá entrado no Caminho e assumido definitivamente o controle de seu progresso futuro.

É somente quando a consciência se retirou dos corpos inferiores e está mais uma vez centrada no ego que o resultado final da encarnação recém-concluída é conhecido.

Então se vê quais novas qualidades ele adquiriu naquele pequeno ciclo particular de sua evolução.

Nesse momento também se obtém um vislumbre da vida como um todo; o ego tem, por um momento, um lampejo de consciência mais clara, no qual vê os resultados da vida recém-concluída e algo do que se seguirá dela em seu próximo nascimento.

Esse vislumbre dificilmente pode ser considerado um conhecimento da natureza da próxima encarnação, exceto no sentido mais vago e geral.

Sem dúvida, o objetivo principal da vida vindoura seria visto, e o progresso específico que ele deve fazer nela, mas a visão seria principalmente valiosa como uma lição sobre o resultado cármico de sua ação no passado.

Oferece-lhe uma oportunidade, da qual ele aproveita mais ou menos, de acordo com o estágio de desenvolvimento que alcançou.

No início, ele faz pouco uso dela, pois está apenas muito vagamente consciente e muito mal preparado para apreender os fatos e suas variadas inter-relações; mas gradualmente seu poder de apreciar o que vê aumenta, e mais tarde vem a capacidade de lembrar tais lampejos ao final de vidas anteriores, e de compará-los, e assim avaliar o progresso que está fazendo ao longo do caminho que precisa percorrer; além disso, dedicará algum tempo a seus planos para a vida que se apresenta diante dele.

Sua consciência aumenta gradualmente, até que ele passa a ter uma vida apreciável nos níveis superiores do plano mental, cada vez que os toca.

O QUINTO CÉU: O TERCEIRO SUB-PLANO

Este é, naturalmente, o mais inferior dos subplanos mentais arupa ou sem forma; é também o mais populoso de todas as regiões que conhecemos, porque aqui estão presentes quase todas as sessenta mil milhões de almas que se diz estarem engajadas na presente evolução humana — todas, de fato, exceto o número comparativamente pequeno que é capaz de funcionar no segundo e no primeiro subplanos.

Como já vimos, cada alma é representada por uma forma ovoide, que a princípio é uma mera película incolor, mas que depois, à medida que o ego se desenvolve, começa a mostrar uma iridescência cintilante como uma bolha de sabão, com cores brincando em sua superfície como os matizes cambiantes feitos pela luz do sol sobre o spray de uma cachoeira.

Aqueles que estão ligados a um corpo físico distinguem-se dos que se encontram no estado desencarnado por uma diferença nos tipos de vibrações que se estabelecem na superfície de seus corpos causais, e é portanto fácil, neste plano, ver num relance se um indivíduo está ou não em encarnação naquele momento.

A imensa maioria, esteja no corpo ou fora dele, está apenas sonhadoramente semiconsciente, embora poucos estejam agora na condição de meras películas incolores.

Aqueles que estão plenamente despertos são exceções marcantes e brilhantes, destacando-se em meio às multidões menos radiantes como estrelas de primeira grandeza.

Entre estes e os menos desenvolvidos estão dispostas todas as variedades de tamanho e beleza, representando cada uma assim o estágio exato de evolução a que chegou.

A maioria ainda não é suficientemente definida, mesmo na consciência que possui, para compreender o propósito das leis da evolução em que está engajada.

Eles buscam a encarnação em obediência ao impulso da Vontade Cósmica, e também a Tanha, a sede cega pela vida manifestada, o desejo de encontrar alguma região na qual possam sentir e estar conscientes de viver.

Nos estágios iniciais, tais entidades não podem sentir as vibrações intensamente rápidas e penetrantes da matéria altamente refinada de seu próprio plano; os movimentos fortes e grosseiros, mas comparativamente lentos, da matéria mais pesada do plano físico são os únicos que podem evocar qualquer resposta delas.

Daí que é somente no plano físico que elas se sentem vivas de algum modo, e isso explica seu forte anseio por renascer na vida terrena.

Assim, por um tempo, seu desejo concorda exatamente com a lei da evolução.

Eles só podem se desenvolver por meio daqueles impactos externos, aos quais são gradualmente despertados a responder, e nessa fase inicial só podem recebê-los na vida terrestre.

Aos poucos, seu poder de resposta aumenta e é despertado, primeiro para as vibrações físicas mais elevadas e mais sutis, e ainda mais lentamente para as do plano astral.

Em seguida, seus corpos astrais, que até agora foram meras pontes para transmitir sensações ao ego, gradualmente se tornam veículos definidos que eles podem usar, e sua consciência começa a se centrar antes em suas emoções do que na mera sensação física.

Em um estágio posterior, mas sempre pelo mesmo processo de aprender a responder aos impactos externos, os egos aprendem a centrar sua consciência no corpo mental, a viver em e de acordo com as imagens mentais que formaram para si mesmos, e assim a governar as emoções com sua mente.

Ainda mais adiante na longa estrada da evolução, o centro se move para o corpo causal, e os egos percebem sua verdadeira vida.

Quando esse estágio é alcançado, no entanto, eles serão encontrados em um sub-plano superior a este [o terceiro], e a existência terrestre inferior não será mais necessária para eles.

Mas, por enquanto, estamos lidando com a maioria menos evoluída, que ainda emite, como tentáculos tateantes e ondulantes no oceano da existência, as personalidades que estão elas mesmas nos planos inferiores da vida.

Mas eles ainda não estão de modo algum conscientes de que essas personalidades são os meios pelos quais devem ser nutridos e crescer.

Eles não veem nada de seu passado ou futuro, não sendo ainda conscientes em seu próprio plano.

No entanto, à medida que vão lentamente absorvendo experiência e assimilando-a, desenvolve-se um senso de que certas coisas são boas de fazer e outras más, e isso se expressa imperfeitamente na personalidade integrada como o início de uma consciência, um sentimento de certo e errado.

Gradualmente, à medida que evoluem, o senso se formula cada vez mais claramente na natureza inferior e torna-se um guia menos ineficiente para a conduta.

Por meio das oportunidades proporcionadas pelo lampejo de consciência, a que anteriormente nos referimos, os egos mais avançados deste sub-plano desenvolvem-se até um ponto em que se dedicam a estudar seu passado, traçando as causas postas em movimento nele, e aprendendo muito com a retroinspeção, de modo que os impulsos enviados para baixo se tornam mais claros e mais definidos, e se traduzem, na consciência inferior, como convicções firmes e intuições imperativas.

Desnecessário seria apontar que as imagens-pensamento dos níveis de rupa ou forma não são levadas para o mundo celestial superior.

Toda ilusão agora é passado, e cada ego conhece seus verdadeiros afins, vê-os, e é visto, em sua própria natureza régia, como o verdadeiro homem imortal que passa de vida em vida, com todos os laços que estão atados ao seu ser real intactos.

Neste terceiro sub-plano também se encontram os corpos causais dos comparativamente poucos membros do reino animal que são individualizados.

Estritamente falando, como vimos anteriormente, estes não são mais animais.

Eles são praticamente os únicos exemplos agora vistos do corpo causal bastante primitivo, subdesenvolvido em tamanho, e ainda colorido apenas muito fracamente pelas primeiras vibrações de qualidades recém-nascidas.

Quando o animal individualizado se retira para seu corpo causal, para aguardar a volta da roda da evolução, que lhe dará uma oportunidade de uma encarnação humana primitiva, ele parece perder quase toda a consciência das coisas exteriores, e passar o tempo em uma espécie de transe delicioso da mais profunda paz e contentamento.

Mesmo então, algum desenvolvimento interior de certo tipo está certamente ocorrendo, embora sua natureza seja difícil para nós compreendermos.

Em todo caso, ele está desfrutando da mais alta bem-aventurança da qual, em seu nível, é capaz.

CAPÍTULO XX

O SEXTO CÉU: SEGUNDO SUB-PLANO

Do densamente povoado Quinto Céu, passamos agora para o mundo mais escassamente habitado, como de uma grande cidade para um campo tranquilo.

Pois, no estágio atual da evolução humana, apenas uma pequena minoria de indivíduos ascendeu a este nível mais elevado, onde até o menos avançado é definitivamente autoconsciente, e também consciente de seus arredores.

Ele é capaz, ao menos em certa medida, de rever o passado pelo qual passou, e está ciente do propósito e do método da evolução.

Ele sabe que está engajado em um trabalho de auto-

desenvolvimento, e reconhece os estágios da vida física e pós-morte, pelos quais ele passa em seus veículos inferiores.

A personalidade, à qual está ligado, é por ele vista como parte de si mesmo, e ele se esforça para guiá-la, usando seu conhecimento do passado como um acervo de experiência do qual formula princípios de conduta, convicções claras e imutáveis do certo e do errado.

Estes ele envia para a mente inferior, supervisionando e dirigindo suas atividades.

No início de sua vida neste sub-plano, ele pode falhar continuamente em fazer a mente inferior compreender logicamente os fundamentos dos princípios que nela imprime: contudo, apesar disso, ele consegue fazer a impressão, de modo que ideias abstratas como verdade, justiça e honra tornam-se concepções incontestadas e dominantes na vida mental inferior.

Tão firmemente são tais princípios forjados nas próprias fibras de seu ser que, não importa qual seja a pressão das circunstâncias ou o tormento da tentação, agir contra eles torna-se uma impossibilidade.

Pois esses princípios são a vida do ego.

No entanto, embora ele assim consiga guiar seu veículo inferior, seu conhecimento desse veículo e de seus feitos é muitas vezes longe de ser preciso e claro.

Ele vê os planos inferiores apenas de forma obscura, compreendendo seus princípios antes que seus detalhes, e parte de sua evolução neste sub-plano consiste em entrar cada vez mais conscientemente em contato direto com a personalidade, que tão imperfeitamente o representa abaixo.

Apenas pessoas que deliberadamente visam o crescimento espiritual vivem neste sub-plano, e elas, em consequência, tornaram-se em grande parte receptivas às influências dos planos acima delas.

A comunicação cresce e se amplia, e uma torrente mais plena se derrama.

Sob essa influência, o pensamento assume uma qualidade singularmente clara e penetrante, mesmo nos menos desenvolvidos: o efeito se mostra na mente inferior como uma tendência ao pensamento filosófico e abstrato.

Nos mais altamente evoluídos, a visão é de longo alcance: percorre com perspicácia clara o passado, reconhecendo as causas estabelecidas, seu desdobramento, e o que resta de seus efeitos ainda não esgotados.

Egos que vivem neste plano têm amplas oportunidades de crescimento quando libertos do corpo físico, pois aqui podem receber instrução de entidades mais avançadas, entrando em contato direto com seus mestres.

Não mais por imagens-pensamento, mas por uma luminosidade fulgurante impossível de descrever, a própria essência da ideia voa como uma estrela de um ego para outro, suas correlações expressando-se como ondas de luz que jorram da estrela central, sem necessitar de enunciação separada.

Um pensamento aqui é como uma luz colocada num aposento: mostra todas as coisas ao redor, mas não requer palavras para descrevê-las.

Neste, o Sexto Céu, o homem vê também os vastos tesouros da Mente Divina em atividade criadora, e pode estudar os arquétipos de todas as formas que estão sendo gradualmente evolvidas nos mundos inferiores.

Ele pode deslindar os problemas relacionados com o desenvolvimento desses arquétipos, o bem parcial que parece mal à visão limitada dos homens encerrados na carne.

Na visão mais ampla deste nível, os fenômenos assumem suas devidas proporções relativas, e o homem vê a justificação das vias divinas, no que diz respeito à evolução dos mundos inferiores.

CAPÍTULO XXXI — O SÉTIMO CÉU: PRIMEIRO SUBPLANO

Este mais glorioso nível do mundo celeste tem ainda poucos habitantes de nossa humanidade, pois em suas alturas moram apenas os Mestres de Sabedoria e Compaixão, e Seus discípulos iniciados.

Numa das primeiras cartas recebidas de um Mestre, foi afirmado que compreender a condição do Primeiro e do Segundo Reinos Elementais — isto é, aqueles nos planos causal e mental inferior — era impossível exceto para um Iniciado; portanto, não podemos esperar êxito ao tentar descrevê-los no plano físico.

Da beleza de forma, cor e som no plano causal, nenhuma palavra pode falar, pois a linguagem mortal não tem termos nos quais esses esplendores radiantes possam encontrar expressão.

Ao tocar o sétimo céu, entramos em contato pela primeira vez com um plano que é cósmico em sua extensão: pois esta, a parte atômica de nosso plano mental, é o subplano mais baixo do corpo mental do Logos Planetário.

Neste nível, portanto, pode-se encontrar muitas entidades que a mera linguagem humana não tem palavras para retratar.

Para nossos propósitos atuais, contudo, será melhor pôr de lado inteiramente essas vastas hostes de seres cujo alcance é cósmico, e confinar-nos estritamente aos habitantes peculiares ao plano mental de nossa Cadeia de Mundos.

Aqueles que estão neste subplano realizaram a evolução mental, de modo que neles o superior brilha sempre através do inferior.

Dos seus olhos, o véu de ilusão da personalidade foi erguido, e eles sabem e percebem que não são a natureza inferior, mas apenas a utilizam como um veículo de experiência.

Nos menos evoluídos deles, ela ainda pode ter poder de acorrentar e dificultar, mas eles jamais podem cair no erro de confundir o veículo com o eu por trás dele. Disso estão salvos, porque carregam sua consciência não apenas de dia para dia, mas de uma encarnação para outra, de modo que as vidas passadas não são tanto relembradas, mas sempre presentes na consciência, sentindo o homem a elas como uma única vida, em vez de muitas vidas.

Neste sub-plano, o ego é consciente do mundo celestial inferior, bem como do seu próprio.

Se ali tiver quaisquer manifestações, como uma forma-pensamento, na vida celestial de seus amigos, ele pode fazer o uso mais pleno delas.

No terceiro sub-plano, e mesmo na parte inferior do segundo, sua consciência dos sub-planos abaixo dele ainda era obscura, e sua ação na forma-pensamento em grande parte instintiva e automática.

Mas assim que adentrou bem o segundo sub-plano, sua visão rapidamente se tornou mais clara, e ele reconheceu as formas-pensamento, com prazer, como veículos através dos quais era capaz de expressar mais de si mesmo, em certos aspectos, do que poderia fazer através de sua personalidade.

Agora que está funcionando no corpo causal, em meio à magnífica luz e esplendor do mais elevado céu, sua consciência é instantânea e perfeitamente ativa em qualquer ponto das divisões inferiores para o qual ele queira dirigi-la, e ele pode, portanto, projetar intencionalmente energia adicional em tal forma-pensamento, quando deseja usá-la para o propósito de ensinar.

Deste nível mais elevado do plano mental descem a maioria das influências, derramadas pelos Mestres de Sabedoria, enquanto Eles trabalham pela evolução da raça humana, agindo diretamente sobre as almas, ou egos, dos homens, vertendo sobre eles as energias inspiradoras que estimulam o crescimento espiritual, que iluminam o intelecto e purificam as emoções.

Daqui o gênio recebe sua iluminação: aqui todos os esforços ascendentes encontram sua orientação.

Assim como os raios do sol caem de um centro sobre todos, e cada corpo que os recebe os utiliza segundo sua natureza, assim dos Irmãos Mais Velhos da raça caem sobre todos os homens a luz e a vida que é Sua função distribuir.

Cada um usa o quanto pode assimilar, e com isso cresce e evolui.

Assim, como em toda parte, a mais alta glória do mundo celestial encontra-se na glória do serviço, e aqueles que realizaram a evolução mental são as fontes das quais flui a força para aqueles que ainda estão escalando.

Nos três níveis superiores do plano mental encontram-se as hostes dos devas arūpa ou sem forma, que não possuem corpo mais denso que o causal.

A natureza de sua vida parece ser tão essencialmente diferente da vida que levamos que torna impossível descrevê-la em palavras físicas.

Os devas arūpa estão ligados à orientação dos mundos, das raças, das nações.

Há também uma classe muito limitada de homens, conscientes nos níveis arūpa do plano mental, que foram "feiticeiros" no passado.

Neles o intelecto superior está desperto, e com ele o reconhecimento intelectual da unidade.

Eles agora percebem que estiveram no caminho errado, que não é possível conter o mundo e impedi-lo de escalar no arco ascendente.

Estando ainda amarrados pelo karma que criaram, têm de trabalhar no lado errado, isto é, no lado da desintegração.

Mas trabalham com um motivo modificado e se esforçam para voltar suas forças contra aqueles homens que necessitam ser fortalecidos por terem de lutar contra a resistência em sua vida espiritual.

Essa verdade parece ter sido percebida por Marie Corelli, que abordou esse ponto em seu livro Os Sofrimentos de Satanás.

O Satanás ali descrito fica sempre contente quando é derrotado: ele se esforça para se opor, mas se alegra quando um homem se mostra suficientemente espiritual para resistir.

Esse lado da vida também é reconhecido nos Puranas hindus.

Há casos em que um homem evoluiu a um ponto muito elevado de conhecimento e então encarna para expiar parte de seu karma passado, na forma de um oponente do bem, como Ravana.

Por seu karma passado, ele é compelido a reunir em si as forças malignas do mundo, a fim de que possam ser destruídas.

Outras religiões têm a mesma ideia em formas diferentes.

CAPÍTULO XXXII

TRISHNA: A CAUSA DA REENCARNAÇÃO

Agora concluímos praticamente nosso estudo da natureza, funções, crescimento e desenvolvimento do corpo causal.

Tendo assim estudado o que podemos chamar de aspecto-forma do ego, é agora necessário que nos esforcemos para obter uma compreensão mais aprofundada do próprio ego, como entidade consciente e funcionante.

No presente capítulo, iniciaremos o estudo do ego em sua relação com suas personalidades: isso praticamente equivale ao lado da vida da reencarnação.

A primeira parte de nosso assunto será Trishna — essa "sede" que é a razão primária pela qual o ego busca a reencarnação.

No próximo capítulo, trataremos mais especificamente do lado da forma da reencarnação, ou seja, seu mecanismo.

Depois, trataremos de outros aspectos da atitude do ego em relação à personalidade.

Em seguida, passaremos ao estudo da vida do ego em seu próprio plano.

Finalmente, devemos estudar, na medida em que nossos materiais permitirem, a relação do ego com a Mônada.

A razão primária e essencial da reencarnação é a Vontade Cósmica, que se imprime sobre o ego, aparecendo nele como um desejo de manifestação.

Em obediência a isso, o ego copia a ação do Logos, derramando-se nos planos inferiores.

Mais especificamente, esse desejo é conhecido em Sânscrito como Trishna, ou sede; em Páli, como Tanha — é a sede cega pela vida manifestada, o desejo de encontrar alguma região onde o ego possa [1] expressar-se e [2] receber aquelas impressões e impactos externos que, sozinhos, o capacitam a estar consciente de viver, a sentir-se vivo.

Isso não é desejo pela vida no sentido comum da palavra, mas sim por uma manifestação mais perfeita, um desejo de sentir-se mais plenamente vivo e ativo, um desejo por aquela consciência completa que envolve o poder de responder a todas as vibrações possíveis do ambiente em todos os planos, de modo que o ego possa alcançar a perfeição da simpatia, isto é, do sentir-com.

Como veremos mais plenamente adiante, o ego em seu próprio plano está longe de ser plenamente consciente, mas a consciência que ele tem lhe dá um sentimento de grande prazer e desperta uma espécie de fome por uma realização mais plena da vida.

É essa fome do ego, de fato, que está por trás do grande clamor do mundo por uma vida mais plena.

Não é uma pressão externa que impele o homem de volta à encarnação: ele vem porque quer vir.

Se o ego não quisesse voltar, ele não retornaria; mas enquanto permanecer qualquer desejo por algo que o mundo possa lhe dar, ele desejará voltar.

Assim, um ego não é impelido, contra sua vontade, de volta a este mundo de tribulações, mas sua própria fome intensa por ele o traz de volta.

Podemos tomar uma analogia do corpo físico.

Quando o alimento foi ingerido e completamente assimilado, o corpo quer mais alimento, fica com fome.

Ninguém precisa obrigar o homem a comer: ele obtém alimento e o come, porque o deseja. Da mesma forma, enquanto o homem for imperfeito, enquanto não tiver assimilado tudo o que este mundo pode dar, e não o tiver utilizado plenamente, de modo que não queira mais nada deste mundo, enquanto isso, ele retornará ao renascimento.

Trishna pode ser concebida como uma das muitas maneiras pelas quais a lei universal da periodicidade se manifesta.

Na Filosofia Esotérica, reconhece-se que esta lei se estende à emanação e reabsorção do universo, ao Dia e à Noite de Brahma, à expiração e à inspiração do Grande Sopro.

Por isso, os hindus representaram o Deus do Desejo como o impulso para a manifestação.

"Kama"...... é, no Rig Veda [x.129], a personificação daquele sentimento que conduz e impulsiona à criação.

Ele foi o primeiro Movimento que agitou o UNO, após a sua manifestação a partir do Princípio puramente abstrato, para criar.

"O Desejo surgiu primeiro n'Ele, que era o germe primordial da mente; e que os sábios, buscando com seu intelecto, descobriram ser o vínculo que liga a Entidade à Não-entidade." [A Doutrina Secreta, II. 185]. Kama [Desejo] é, essencialmente, o anseio pela existência ativa e senciente, pela existência de sensação vívida, pela turbulência agitada da vida passional.

Quando a Inteligência espiritual entra em contato com essa sede de sensação, sua primeira ação é intensificá-la. Como diz a Estância: "De sua própria essência eles preencheram [i.e., intensificaram] o Kama." [Ibid. 170]. Assim, Kama, para o indivíduo, como para o Cosmos, torna-se a causa primária da reencarnação, e, à medida que o Desejo se diferencia em desejos, estes acorrentam o Pensador à terra e o trazem de volta, repetidas vezes, ao renascimento.

As escrituras hindus e budistas estão, é claro, repletas dessa afirmação da verdade.

Até que a realização de Brahman seja alcançada, deve haver sempre Trishna.

Quando um homem assimilou tudo o que adquiriu e o tornou parte de si mesmo, então Trishna surgirá e o impelirá a buscar novas experiências.

A princípio, isso é uma sede de experiências externas, e é nesse sentido que Trishna é geralmente empregada.

Há, no entanto, outra sede mais aguda, bem expressa na frase: "Minha alma tem sede de Deus"; sim, até do Deus vivo. Essa é a sede da parte em encontrar o todo ao qual pertence.

Se pensarmos na parte que surge do todo, mas nunca perde o vínculo com ele, então há sempre uma certa força retrativa, tentando trazer a parte de volta.

O Espírito, que é divino, não pode encontrar satisfação permanente fora da divindade: é essa insatisfação, esse desejo de buscar, que é a raiz de Trishna, e que traz um homem para fora do Devachan, ou, na verdade, para fora de qualquer condição, até que o fim da busca seja alcançado.

É bem possível que um homem obtenha um certo tipo inferior de Moksha — uma liberação temporária do renascimento.

Assim, certos iogues menos desenvolvidos na Índia deliberadamente eliminam todos os desejos pertencentes a este mundo particular.

Percebendo que o mundo é transitório, que dificilmente vale a pena dar-se muito trabalho para permanecer nele, especialmente se houve muito sofrimento ou decepção, o homem alcança aquela forma de vairagya [desapego] que é tecnicamente chamada de "vairagya do campo de cremação"; isso não leva à Liberação plena, mas resulta em uma liberação parcial.

Como um dos Upanishads afirma, um homem nasce no mundo para o qual seus desejos o conduzem.

Portanto, tendo eliminado todo desejo por qualquer coisa neste mundo, o homem parte dele e não renasce nele. Ele então passará para um loka [mundo] que não é permanente, mas no qual pode permanecer por longas eras.

Há uma série de tais mundos, frequentemente ligados à adoração de uma forma Divina particular, ligados a tipos especiais de meditação, e assim por diante, e um homem pode passar para um deles e ali permanecer por um tempo bastante indefinido.

No caso daqueles que se dedicaram em grande parte à meditação, seu desejo é inteiramente voltado para os Objetos de meditação: consequentemente, eles permanecem no mundo mental, para onde seus próprios desejos os conduziram.

Embora tais pessoas tenham se retirado dos problemas deste mundo, elas acabarão por voltar a um mundo, seja este mundo, se ainda estiver em andamento, ou um mundo semelhante a este, onde poderão retomar sua evolução no ponto em que foi interrompida.

Portanto, os problemas são apenas adiados, e não parece, assim, valer a pena adotar o plano descrito.

É porque é possível "eliminar" o desejo que os mestres ocultistas prescrevem, em vez disso, a transmutação do desejo.

Aquilo que é eliminado ressurgirá: aquilo que é transmutado é mudado para sempre.

Uma pessoa, em condição muito imperfeita de evolução, que mata o desejo, mata ao mesmo tempo toda possibilidade da evolução superior, porque não tem nada para transmutar.

O desejo está morto para a vida presente, o que significa que toda a vida superior das emoções e da mente está temporariamente morta.

O falso vairagya é uma repulsão do inferior, provocada por desapontamento, problemas ou cansaço de algum tipo: a verdadeira indiferença às coisas inferiores resulta do desejo pela vida superior e produz um resultado bastante diferente.

Na Voz do Silêncio, diz-se que a alma quer "pontos que a atraiam para cima"; ao matar o desejo, o homem se livra do gosto pela vida apenas temporariamente: o gosto está latente e reviverá no devido tempo.

Se um homem, que matou o desejo da maneira descrita, é uma pessoa bastante comum, sem qualidades intelectuais ou morais especiais, permanecerá, como foi dito, afastado deste mundo, em uma condição na qual é bastante feliz, mas na qual não é de utilidade particular, nem para si mesmo nem para qualquer outra pessoa.

Se, por outro lado, o homem é alguém que percorreu um caminho considerável ao longo da Senda, pode ter alcançado um estágio de meditação no qual seus poderes mentais são de grande valor.

Ele pode ser capaz, mesmo inconscientemente, de influenciar o mundo e, assim, ajudar naquela grande corrente de energia mental e espiritual que é utilizada pelos Mestres para Sua obra no mundo.

Este é o reservatório que é preenchido com energia espiritual pelos Nirmanakayas [vide O Corpo Mental, página 193].

Um homem desse tipo, que está cheio do espírito de serviço, passaria para um mundo onde poderia trabalhar ao longo dessa linha particular.

Seria um mundo aproximadamente no nível do corpo causal.

Aqui ele viveria, literalmente por eras, derramando sua corrente de pensamento concentrado, para ajudar os outros, e assim ajudando a abastecer este reservatório de poder espiritual.

CAPÍTULO XXIII

OS ÁTOMOS PERMANENTES E O MECANISMO DA REENCARNAÇÃO

Neste capítulo trataremos do papel desempenhado pelos átomos permanentes no renascimento, e também de certos detalhes adicionais do mecanismo do renascimento.

Já foi explicado, nesta série de livros, que após a morte do corpo físico, o ego se retira gradualmente através de plano após plano, até que, eventualmente, está vestido apenas com seu veículo causal.

Na morte física, a teia de vida, juntamente com o prana, é retirada para o coração, em torno do átomo físico permanente.

O átomo físico permanente então ascende ao longo da Sushumna-nadi — um canal que vai do coração ao terceiro ventrículo — até a cabeça, ao terceiro ventrículo do cérebro.

Então, toda a teia de vida, reunida em torno do átomo permanente, eleva-se lentamente até o ponto de junção das suturas parietal e occipital, e deixa o corpo físico — agora morto.

À medida que o ego desocupa cada um de seus corpos, os átomos permanentes desses corpos passam a uma condição dormente e são retidos no corpo causal nesse estado de quiescência.

Enquanto o homem está apenas em seu corpo causal, ele possui, portanto, dentro desse corpo, o átomo físico permanente, o átomo astral permanente e a molécula mental permanente, ou unidade, como é mais comumente chamada.

Esses três, envoltos na teia de vida búdica, aparecem como uma partícula brilhante, semelhante a um núcleo, no corpo causal.

Eles são, naturalmente, tudo o que resta agora ao ego dos corpos físico, astral e mental de sua encarnação anterior.

Esses vários estágios são ilustrados pela porção esquerda do Diagrama XXV.

Enquanto o homem está de posse de todos os seus veículos, os átomos permanentes são mostrados com raios projetando-se deles, indicando que estão funcionando ativamente.

À medida que cada corpo morre e é deixado para trás, o átomo permanente correspondente torna-se dormente, como é mostrado pelo anel simples sem raios, e se retira para dentro do corpo causal.

À medida que os átomos permanentes assim "adormecem", o fluxo normal de vida nas espirilas é diminuído e, durante todo o período de repouso, o fluxo é pequeno e lento.

No diagrama, o corpo causal é mostrado, no nível causal, com as três partículas permanentes dentro dele, todas dormentes.

BENÇÃO MENTAL — FÍSICO E ASTRAL id

MENTAL| sus.

cont

Py

DIAGRAMA XXV.—O Ciclo de Re-nascimento.

O estudante deve perceber que é necessário para a evolução que esses átomos permanentes sejam transportados, sendo a razão que o homem desenvolvido deve ser mestre de todos os planos ou mundos, e os átomos permanentes formam o único canal direto, embora imperfeito, entre a tríade espiritual, ou ego, e as formas às quais ele está conectado.

Se fosse concebível que ele pudesse se desenvolver sem átomos permanentes, ele poderia possivelmente se tornar um glorioso,

arquanjo em planos superiores, mas seria totalmente inútil nestes mundos inferiores, tendo cortado de si mesmo o poder de sentir e pensar.

Não devemos, portanto, abandonar os átomos permanentes: nossa tarefa é purificá-los e desenvolvê-los.

Podemos notar aqui que os átomos permanentes são muito mais evoluídos do que outros átomos, estando no mais pleno desenvolvimento dos átomos da sétima ronda em homens que estão prestes a se tornar Adeptos.

Eles são, assim, tão altamente desenvolvidos quanto átomos podem possivelmente ser e, como vimos, estão carregados com todas as qualidades que trouxeram de nascimentos anteriores.

Quando uma pessoa atinge o nível de um Buda, é-lhe completamente impossível encontrar átomos que lhe sejam úteis, exceto aqueles que foram usados como átomos permanentes por seres humanos.

Todos os átomos permanentes de todos aqueles que, em conexão com este mundo, ou provavelmente mesmo com esta cadeia de mundos, alcançaram o Adeptado e os descartaram, foram reunidos e usados nos veículos do Senhor Gautama Buda.

Como não havia quantidade suficiente desses para compor o veículo inteiro, alguns dos melhores átomos comuns disponíveis também foram empregados, sendo galvanizados para atividade pelos outros.

Eles são substituídos por átomos permanentes, obtidos de cada novo Adepto que assume a vestimenta Sambhogakaya ou Dharmakaya [Ver página 322]. Este conjunto de corpos é único e não há material para fazer outro conjunto.

Eles foram usados por Gautama Buda e, posteriormente, preservados.

Os corpos causal, mental e astral do Buda foram usados também pelo Cristo, juntamente com o corpo físico de Jesus, e por Shankaracharya, e agora estão sendo novamente usados pelo Senhor Maitreya.

Voltando desta digressão sobre átomos permanentes, ao momento em que a vida nos subplanos mentais superiores chega ao fim, percebemos que Trishna, isto é, o desejo por experiência adicional, reafirma-se, e o ego mais uma vez volta sua atenção para fora, cruzando o limiar do devachan para o que tem sido chamado de plano da reencarnação, trazendo consigo os resultados, pequenos ou grandes, de seu trabalho devachânico.

Com sua atenção voltada para fora, como dito, o ego envia uma vibração de vida, que desperta a unidade mental.

O fluxo nas espirilas desta unidade, e nos outros átomos permanentes por sua vez, que durante o período de repouso tem sido pequeno e lento, agora é aumentado, e a unidade mental, assim estimulada, começa a vibrar fortemente.

Isto é mostrado no diagrama, no lado direito, pelo reaparecimento dos raios ao redor da unidade mental.

A teia de vida começa a se desdobrar novamente, e a unidade mental vibrante, agindo como um ímã, atrai ao seu redor matéria mental, com poderes vibratórios semelhantes ou concordantes com os seus próprios.

Os devas do Segundo Reino Elemental trazem esse material ao alcance da unidade mental e, nos estágios iniciais da evolução, também moldam a matéria em uma nuvem frouxa ao redor da unidade permanente; mas, à medida que a evolução prossegue, o próprio ego exerce uma influência cada vez maior sobre a modelagem do material.

Essa nuvem de matéria — que ainda não é, obviamente, um veículo, propriamente dito — é indicada no diagrama pelo contorno pontilhado.

Quando o corpo mental está parcialmente formado, a vibração de vida do ego desperta o átomo permanente astral, e um procedimento semelhante ocorre, sendo uma nuvem de matéria astral atraída ao redor do átomo permanente astral.

Em sua descida à encarnação, vemos assim que o ego não recebe corpos mental e astral prontos: em vez disso, ele recebe material a partir do qual esses corpos serão construídos, no curso da vida que se seguirá.

Além disso, a matéria que ele recebe é capaz de lhe fornecer corpos mental e astral, exatamente do mesmo tipo daqueles que ele tinha ao final de suas últimas vidas mental e astral, respectivamente.

O método pelo qual o ego obtém um novo corpo etérico, no qual, como em um molde, o novo corpo físico é construído, foi totalmente descrito em The Etheric Double, p.67, e portanto não precisa ser repetido aqui.

Podemos acrescentar, no entanto, que durante a vida pré-natal humana forma-se a prolongação do Sutratma, consistindo em um único fio, que tece uma rede, uma teia cintilante de finura inconcebível e beleza delicada, com malhas minúsculas, lembrando o casulo firmemente tecido do bicho-da-seda.

Dentro das malhas dessa teia, as partículas mais grosseiras dos corpos são construídas em conjunto.

Assim, se os corpos forem observados com visão búdica, todos eles desaparecem, e em seus lugares vê-se essa teia de vida, como é chamada, que sustenta e vivifica todos os corpos.

Durante a vida pré-natal, o fio cresce a partir do átomo permanente físico e se ramifica em todas as direções, continuando o crescimento até que o corpo físico esteja totalmente desenvolvido.

Durante a vida física, o prana, ou vitalidade, percorre os ramos e as malhas.

Parece que é geralmente a presença do átomo permanente que torna possível a fertilização do óvulo, do qual o novo corpo deve crescer.

No entanto, quando uma criança nasce morta, geralmente não houve ego por trás dela [e, presumivelmente, portanto, nenhum átomo permanente], e, naturalmente, nenhum elemental etérico [vide O Duplo Etérico, p.67]. Embora haja vastas hostes de egos buscando encarnação, muitos deles ainda em estágio tão inicial que quase qualquer ambiente comum lhes seria igualmente adequado, ainda assim às vezes acontece que, em um dado momento, não há ego capaz de aproveitar uma oportunidade particular; nesse caso, embora o corpo possa ser formado, até certo ponto, pelo pensamento da mãe, ainda assim, como não há ego, ele nunca está realmente vivo.

O ego comum, naturalmente, não está de modo algum em posição de escolher um corpo para si mesmo.

O lugar de seu nascimento é geralmente determinado pela ação combinada de três forças: estas são: [1] a lei da evolução, que faz com que um ego nasça sob condições que lhe darão a oportunidade de desenvolver exatamente aquelas qualidades de que ele mais necessita; [2] a lei do karma.

O ego pode não ter merecido a melhor oportunidade possível, e assim ele tem que se contentar com a segunda ou terceira melhor.

Ele pode nem sequer ter merecido grande oportunidade alguma, e assim uma vida tumultuada de pequeno progresso pode ser seu destino.

Voltaremos um pouco mais tarde a esta questão, do karma de um ego; [3] a força de quaisquer laços pessoais de amor ou ódio que o ego possa ter formado anteriormente.

Às vezes, um homem pode ser atraído para uma posição, que não se pode dizer que ele tenha merecido de outra forma senão pelo forte amor pessoal, que ele sentiu por alguém mais elevado na evolução do que ele mesmo.

Um homem mais avançado, que já está no Caminho, pode ser capaz de exercer uma certa quantidade de escolha quanto ao país e à família de seu nascimento.

Mas tal homem seria o primeiro a pôr de lado inteiramente qualquer desejo pessoal no assunto, e a se resignar completamente nas mãos da lei eterna, confiante de que o que quer que ela lhe traga deve ser muito melhor para ele do que qualquer seleção sua.

Os pais não podem escolher o ego que habitará o corpo ao qual dão à luz, mas, vivendo de modo a oferecer uma oportunidade extraordinariamente boa para o progresso de um ego avançado, podem tornar extremamente provável que tal ego venha até eles.

Vimos que, à medida que o ego desce para uma nova encarnação, ele tem de assumir o fardo de seu passado, grande parte do qual foi armazenado como tendências vibratórias em seus átomos permanentes.

Esses germes ou sementes são conhecidos pelos budistas como Skandhas, uma palavra conveniente para a qual parece ainda não haver equivalente exato em inglês.

Eles consistem em qualidades materiais, sensações, ideias abstratas, tendências da mente, poderes mentais, sendo o aroma puro de tudo isso construído no corpo causal, e o restante armazenado, como foi dito, nos átomos permanentes e na unidade mental.

H.P. Blavatsky, em sua linguagem vívida, vigorosa e inimitável, dá a seguinte descrição do ego que vem ao renascimento e é recebido por seus Skandhas: "O Karma, com seu braço de Skandhas, espera no limiar do Devachan, de onde o Ego reemerge para assumir uma nova encarnação.

É nesse momento que o destino futuro do Ego, agora descansado, pende na balança da justa retribuição, pois ele cai mais uma vez sob o domínio da Lei Kármica ativa.

É neste renascimento,

que está pronto para ele, um renascimento selecionado e preparado por essa misteriosa, inexorável, mas na equidade e sabedoria de seus decretos, infalível LEI, que os pecados da vida anterior do Ego são punidos.

Apenas não é em um inferno imaginário, com chamas teatrais e ridículos demônios de cauda e chifres, que o Ego é lançado, mas verdadeiramente nesta terra, o plano e a região de seus pecados, onde ele terá de expiar cada mau pensamento e ação.

Assim como semeou, assim colherá.

A reencarnação reunirá ao seu redor todos aqueles outros Egos que sofreram, seja direta ou indiretamente, pelas mãos, ou mesmo através da instrumentalidade inconsciente, da personalidade passada.

Eles serão lançados por Nêmesis no caminho do novo homem, ocultando o antigo Ego eterno... A nova personalidade não é melhor do que uma roupa nova com suas características específicas — cor, forma e qualidades: mas o homem real que a veste é o mesmo culpado de

outrora". [A Chave para a Teosofia, pp. 141-2].

Portanto, é a lei do Karma que guia o homem infalivelmente em direção à raça e nação onde se encontram as características gerais que produzirão um corpo e proporcionarão um ambiente social adequado para a manifestação do caráter geral, construído pelo Ego em vidas terrenas anteriores, e para a colheita da safra que ele semeou.

Karma assim traça a linha que forma o caminho do Ego para a nova encarnação, sendo este Karma a coletividade de causas postas em movimento pelo próprio Ego.

Ao considerar este jogo de forças kármicas, contudo, há um fator ao qual se deve dar a devida importância, a saber, a pronta aceitação pelo ego, em sua visão clarividente, de condições para sua personalidade diferentes daquelas que a personalidade poderia estar disposta a escolher para si mesma.

A escola da experiência nem sempre é agradável, e, para o conhecimento limitado da personalidade, deve haver muito da experiência terrena que pareça desnecessariamente dolorosa, injusta e inútil.

Mas o Ego, antes de mergulhar no "Letes do corpo", vê as causas que resultam nas condições da encarnação, na qual está prestes a entrar, e as oportunidades que serão proporcionadas para o crescimento; daí ser fácil perceber quão pouco pesarão na balança todas as dores e sofrimentos passageiros, triviais, para aquele olhar penetrante e de longo alcance, as alegrias e tristezas da Terra.

Pois o que é cada vida senão um passo no "perpétuo progresso para cada Ego encarnante, ou alma divina, numa evolução do exterior para o interior, do material para o Espiritual, chegando ao fim de cada estágio à unidade absoluta com o Princípio Divino. De força em força, da beleza e perfeição de um plano para a maior beleza e perfeição de outro, com acréscimos de nova glória, de novo conhecimento e poder em cada ciclo, tal é o destino de cada Ego". [Key To Theosophy, p. 155].

E como Annie Besant expressa de forma vívida, "com tal destino, o que importa o sofrimento passageiro de um momento, ou mesmo a angústia de uma vida obscurecida?"

Continuando com nosso breve exame da questão do karma de um ego, é possível ver a grande massa do karma acumulado — conhecido como sanchita ou karma empilhado — pairando sobre o ego.

Geralmente não é uma visão agradável, porque, pela natureza das coisas, contém mais mal do que bem.

A razão para isso é a seguinte.

Nos estágios iniciais de seu desenvolvimento, a maioria dos homens, por ignorância, fez muitas coisas que não deveriam ter feito e, consequentemente, acumulou para si mesma, como resultado físico, uma boa dose de sofrimento no plano físico. O homem civilizado médio, por outro lado, está tentando fazer o bem em vez do mal e, portanto, no geral, provavelmente está criando mais bom karma do que mau.

Mas de modo algum todo o bom karma entra na massa acumulada, e assim temos a impressão de que nessa massa há uma preponderância do mal sobre o bem.

Isso novamente precisa de explicação adicional.

O resultado natural de bons pensamentos ou boas ações é melhorar o próprio homem, melhorar a qualidade de seus veículos, desenvolver nele qualidades de coragem, afeto, devoção e assim por diante.

Esses efeitos se manifestam, portanto, no próprio homem

e em seus veículos, mas não na massa de karma acumulado que o aguarda.

Se, no entanto, ele realiza uma boa ação com o pensamento de sua recompensa em mente, então o bom karma dessa ação virá a ele e será armazenado, com o restante da acumulação, até que possa ser trazido à tona e materializado em atividade.

Esse bom karma naturalmente prende o homem à terra tão efetivamente quanto o karma maligno: consequentemente, o homem que visa ao progresso real aprende a realizar todas as ações inteiramente sem pensamento de si mesmo ou do resultado de sua ação.

Isso não quer dizer que qualquer homem possa evitar o resultado de suas ações, sejam elas boas ou más: mas ele pode mudar o caráter do resultado.

Se ele se esquece inteiramente de si mesmo e pratica boas ações pela plenitude de seu coração, então toda a força do resultado é gasta na construção de seu próprio caráter, e nada dela permanece para prendê-lo aos planos inferiores.

O fato é que, em cada caso, o homem obtém o que deseja: nas palavras de Jesus: "Em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa".

Um ego pode às vezes escolher se assumirá certo karma na vida presente, embora muitas vezes a consciência cerebral nada saiba dessa escolha: as circunstâncias extremamente adversas, das quais um homem se queixa, podem ser exatamente o que ele deliberadamente escolheu para si mesmo, a fim de promover sua evolução.

Um discípulo de um Mestre pode muitas vezes dominar e em grande parte modificar seu karma, colocando em movimento novas forças em muitas direções, que naturalmente modificam o desenrolar das antigas.

Todos nós temos mais ou menos karma maligno atrás de nós e, até que ele seja resolvido, será um obstáculo perpétuo para nós em nosso trabalho superior.

Portanto, um dos primeiros passos na direção do progresso sério é trabalhar para eliminar o que ainda resta desse mal em nós. Isso resulta em os Agentes do Karma nos darem a oportunidade de pagar mais dessa dívida, a fim de que o caminho seja desobstruído para nosso trabalho futuro; isso, naturalmente, pode, e frequentemente o faz, envolver um considerável aumento de sofrimento em várias direções.

A porção do karma selecionada para ser liquidada em uma vida particular é conhecida como karma "maduro", ou prarabda karma.

Com isso em vista, os corpos mental, astral e físico são construídos para uma duração específica de vida.

Essa é uma razão pela qual o suicídio é um erro tão grave: ele constitui uma recusa direta a trabalhar o karma selecionado para aquela encarnação particular, e meramente adia o problema, além de gerar novo karma de natureza desagradável.

Outra razão contra o suicídio é que cada encarnação custa ao ego um trabalho não desprezível em sua preparação, e também no período enfadonho da primeira infância, durante o qual ele gradualmente, e com muito esforço, adquire algum controle sobre seus novos veículos.

É obviamente, portanto, tanto seu dever quanto seu interesse tirar o máximo proveito de seus veículos e preservá-los tão cuidadosamente quanto possível.

Certamente ele não deve, de modo algum, abandoná-los até que a Grande Lei o obrigue a fazê-lo, exceto por ordem de algum dever superior e dominante vindo de fora, como o dever de um soldado para com seu país.

A seleção do karma "maduro" para uma encarnação particular é, naturalmente, um processo altamente complicado: ele tem, por exemplo, de ser suficientemente congruente para ser trabalhado em uma determinada época do mundo, em uma determinada família, em um determinado ambiente de pessoas e circunstâncias.

Como a vontade do homem é livre, pode acontecer que o karma selecionado para ele, para uma vida particular, seja trabalhado mais rapidamente do que os Administradores do Karma haviam esperado, se assim se pode dizer.

Nesse caso, Eles lhe dão mais, sendo essa a explicação para a afirmação, de outra forma desconcertante, de que "A quem o Senhor ama, Ele castiga".

O karma prarabda de um indivíduo divide-se em duas partes.

Aquela que deve se expressar no corpo físico é feita pelos Devarajas no elemental que constrói o corpo, como descrito no Duplo Etérico, Capítulo XV.

O outro bloco, muito maior, que deve indicar seu destino ao longo da vida, a boa ou má fortuna que lhe está reservada, é moldado em outra forma-pensamento que não desce.

Pairando sobre o embrião, permanece no plano mental.

Desse nível, ele cobre o homem com sua influência e aproveita ou cria oportunidades para descarregar-se por seções, enviando de si um clarão como um relâmpago para atingir, ou um dedo para tocar, às vezes bem abaixo no plano físico, às vezes uma espécie de extensão que alcança apenas o plano astral, e às vezes o que podemos chamar de um clarão horizontal ou dedo no plano mental.

Essa forma-pensamento continua a descarregar-se até ficar completamente vazia, e então retorna à matéria do plano.

O homem pode, naturalmente, modificar sua ação pelo novo karma que está constantemente criando.

O homem comum geralmente mal tem vontade suficiente para criar novas causas fortes, e assim o elemental esvazia-se de seu conteúdo de acordo com o que pode ser descrito como seu programa original, aproveitando-se de períodos astrológicos convenientes e circunstâncias ao redor, que tornam seu trabalho mais fácil ou mais eficaz.

E assim o horóscopo do homem pode se cumprir com considerável exatidão.

Mas se o homem for suficientemente desenvolvido para possuir uma vontade forte, a ação do elemental provavelmente será muito modificada, e a vida de modo algum seguirá as linhas traçadas no horóscopo.

Às vezes, as modificações introduzidas são tais que o elemental é incapaz de descarregar-se plenamente antes do momento da morte do homem.

Nesse caso, o que resta dele é novamente absorvido pela grande massa do sanchita, ou karma acumulado, e a partir dela outro elemental, mais ou menos semelhante, é moldado, pronto para a próxima vida física.

O tempo e o lugar do nascimento físico são determinados pelo "temperamento", às vezes chamado de "cor" ou "nota-chave" da pessoa, sendo isso, por sua vez, determinado, até certo ponto, pelo átomo permanente.

O corpo físico deve nascer no mundo, em uma época em que as influências planetárias físicas sejam adequadas ao "temperamento": por isso ele nasce "sob" sua "Estrela" astrológica. Escusado será dizer que não é a Estrela que impõe o temperamento, mas o temperamento que fixa a época do nascimento sob essa Estrela.

Daí surgem as correspondências.

Entre estrelas e caracteres, e a utilidade, para fins educacionais, de um horóscopo habilmente traçado, como guia para o temperamento pessoal da criança.

Parece provável que, na maioria dos casos, o momento exato e a maneira da morte de um homem não sejam decididos antes ou no seu nascimento.

Os astrólogos frequentemente afirmam que não podem prever a morte de um indivíduo, embora possam calcular que, em certo momento, influências maléficas serão fortes, de modo que o homem possa morrer então: se, contudo, ele não morrer nessa ocasião, sua vida continuará, até uma certa outra ocasião, quando aspectos malignos novamente o ameaçarem, e assim por diante.

É provável que essas incertezas representem pontos que ficam em aberto para decisão posterior, dependendo em grande parte das modificações introduzidas pela ação do homem, durante sua vida, e pelo uso que ele faz de suas oportunidades.

Em todo caso, devemos evitar o erro de atribuir importância exagerada ao momento e à maneira da morte.

Podemos estar certos de que Aqueles, que estão encarregados de tais assuntos, possuem uma apreciação muito mais verdadeira dos valores relativos e consideram o progresso do ego em questão como a única questão de importância.

Enquanto tratamos do assunto da morte, pode-se mencionar que a objeção fundamental ao matar é que isso interfere no curso da evolução.

Matar um homem é cortá-lo da oportunidade que ele de outra forma teria tido naquele corpo.

Ele, é claro, terá outro corpo mais tarde, mas foi atrasado, e trabalho adicional foi dado aos agentes do carma para encontrar outro lugar para sua evolução.

É obviamente muito mais grave matar um homem do que um animal, porque o homem tem de desenvolver uma personalidade inteiramente nova, enquanto o animal retorna à alma-grupo, da qual outra encarnação é uma questão comparativamente fácil, mas mesmo essa menor quantidade de carma não deveria ser gerada impensadamente ou desnecessariamente.

Para um Ego avançado, todos os estágios iniciais da infância são extremamente enfadonhos.

Às vezes, uma pessoa realmente avançada evita tudo isso, pedindo a outra pessoa que lhe dê um corpo adulto, um sacrifício que qualquer um de seus discípulos ficaria sempre encantado em fazer por ele.

Esse método, contudo, também tem seus inconvenientes.

Todo corpo tem suas próprias pequenas peculiaridades e hábitos, que não podem ser facilmente mudados, de modo que deve, até certo ponto, ser um mau ajuste para outro ego.

No caso em questão, o homem teria retido seus antigos corpos mental e astral, que são, naturalmente, contrapartes de seu corpo físico anterior.

Adaptar esses corpos ao novo corpo físico, gerado por outra pessoa, pode evidentemente ser, muitas vezes, um trabalho muito difícil.

Ademais, se o novo corpo físico for o de um bebê, essa adaptação pode ser feita gradualmente; mas, se for um corpo adulto, ela precisa ser feita imediatamente, o que implica uma tensão decididamente desagradável.

Em *O Duplo Etérico*, p. 67, explicou-se como o novo corpo físico é gradualmente construído segundo o molde fornecido pelo duplo etérico, sendo este duplo etérico construído antecipadamente para o ego que está por vir por um elemental, que é uma forma-pensamento conjunta dos quatro Devarajas.

Esse elemental assume o controle do corpo desde o início, mas, algum tempo antes de ocorrer o nascimento físico, o ego também entra em contato com sua futura habitação e, a partir desse momento, as duas forças atuam lado a lado.

Às vezes, as características que o elemental é instruído a impor são poucas em número e, consequentemente, ele pode se retirar em idade relativamente precoce, deixando o ego em pleno controle do corpo.

Em outros casos, em que as limitações são de tal natureza que se faz necessário bastante tempo para seu desenvolvimento, ele pode manter sua posição até o corpo completar sete anos.

Na maioria dos casos, porém, o trabalho efetivamente realizado pelo ego sobre os novos veículos, até o ponto em que o elemental se retira, é insignificante.

Ele está certamente em conexão com o corpo, mas geralmente lhe dá pouca atenção, preferindo esperar até que este alcance um estágio em que seja mais responsivo aos seus esforços.

Durante o período embrionário, enquanto o corpo físico está sendo construído a partir da substância da mãe, o ego paira sobre a mãe, mas pouco pode fazer para moldar o corpo.

O embrião é inconsciente de seu futuro, consciente apenas, de modo vago, do fluxo da vida materna, impressionado pelas esperanças e temores, pensamentos e desejos maternos.

Nada do ego pode afetá-lo, exceto uma influência débil que chega através do átomo físico permanente, e ele não compartilha — porque não pode responder — os pensamentos de amplo alcance, as emoções aspirantes do ego, tal como expressas por este em seu corpo causal.

Durante os anos em que o ego está lentamente entrando em pleno contato com os novos veículos, ele está, em seu próprio plano, vivendo sua própria vida mais ampla e mais rica.

Seu contato com o novo corpo físico manifesta-se como o crescimento da consciência cerebral.

Os egos diferem muito no interesse que dedicam aos seus veículos físicos: alguns pairam sobre eles ansiosamente desde o início e dão-se a muito trabalho com eles, enquanto outros são quase inteiramente descuidados em relação a todo o assunto.

O caso do Adepto é muito diferente.

Como não há karma maligno a ser expiado, nenhum elemental artificial está em ação, e o próprio ego está no controle exclusivo do desenvolvimento do corpo desde o começo, encontrando-se limitado apenas pela hereditariedade.

Isso permite que um instrumento muito mais refinado e delicado seja produzido: mas também envolve mais trabalho para o ego e ocupa, por alguns anos, uma considerável quantidade de seu tempo e energia.

Consequentemente, por esta razão, e sem dúvida por outras também, um Adepto não deseja repetir o processo mais vezes do que o estritamente necessário, e Ele portanto faz seu corpo físico durar o máximo possível.

Enquanto nossos corpos envelhecem e morrem, por várias razões, por fraqueza herdada, doença, acidente, autoindulgência, preocupação e excesso de trabalho, no caso do Adepto nenhuma dessas causas está presente, embora devamos, é claro, lembrar que Seu corpo é apto para o trabalho e capaz de resistência, imensuravelmente além daqueles dos homens comuns.

No caso do homem comum, parece haver pouca continuidade de aparência pessoal de vida para vida, embora casos de forte semelhança tenham sido encontrados.

Como o corpo físico é, até certo ponto, uma expressão do ego, e o ego permanece o mesmo, deve haver alguns casos em que ele se expressa em formas semelhantes.

Mas, como regra, características raciais, familiares e outras sobrepõem-se a essa tendência.

Quando um indivíduo está tão avançado que a personalidade e o ego estão unificados, a personalidade tende a ter impressas sobre si as características da forma glorificada no corpo causal, que, é claro, é relativamente permanente.

Quando o homem é um Adepto, todo o seu karma está expiado; o corpo físico é a apresentação mais próxima possível daquela forma glorificada.

Os Mestres, portanto, permanecerão reconhecíveis através de qualquer número de encarnações, de modo que não se esperaria ver muita diferença em Seus corpos, mesmo que Eles pudessem ser de outra raça.

Protótipos de como os corpos serão na sétima Raça já foram vistos, e são descritos como transcendentemente belos.

Frequentemente se tem dado ênfase ao período de sete anos, em conexão com a descida do ego para tomar posse plena do corpo físico.

Para isso há uma razão física.

No embrião humano, há um certo conjunto de células que não passa, como outras células, pelo processo de subdivisão.

Esse conjunto de células abre caminho até a parte superior do embrião, mas não se subdivide: quando a criança nasce, elas ainda estão separadas e permanecem separadas por um período considerável na vida pós-natal.

Mudanças, no entanto, ocorrem dentro das células, e elas emitem ramificações.

Essas ramificações, após algum tempo, encontram-se, sendo as paredes divisórias intermediárias absorvidas, de modo que as células ficam completamente intercomunicantes: assim se constrói um canal.

O processo ocupa cerca de sete anos, até que uma rede razoável se forme, tornando-se cada vez mais complicada posteriormente.

Fisiologistas e psicólogos apontam que, até que essa rede complexa esteja formada, a criança não pode raciocinar em grande medida, e não se deve submetê-la a nenhum processo mental de raciocínio complicado, que lhe imponha tensão excessiva.

A ciência materialista afirma que, com o crescimento dessa rede, o poder de raciocínio cresce.

O ocultista explicaria o fenômeno dizendo que, à medida que o mecanismo físico se aperfeiçoa, o poder de raciocínio, que já existe no ego, é capaz de se manifestar.

O ego tem de esperar até que o cérebro esteja pronto para que ele entre em contato íntimo com ele e o permeie.

Foi afirmado acima que, durante a descida do ego ao renascimento, são atraídos, em torno dos átomos permanentes, materiais para a construção dos novos corpos mental e astral.

Se a criança pequena for deixada inteiramente por conta própria, a ação automática do átomo permanente astral tenderá a produzir para ela um corpo astral precisamente semelhante ao que teve na última vida.

Não há, no entanto, razão alguma para que todos esses materiais sejam utilizados, e, se a criança for tratada com sabedoria e guiada com razoabilidade, ela será encorajada a desenvolver ao máximo todos os germes do bem que trouxe de sua vida anterior, enquanto os germes do mal serão deixados adormecidos.

Se isso for feito, esses germes malignos gradualmente atrofiarão e se desprenderão dele, e o ego desenvolverá dentro de si as virtudes opostas, e então ele estará livre, por todas as suas vidas futuras, das qualidades malignas que esses germes indicavam.

Pais e professores podem ajudá-lo a alcançar essa consumação desejável, não tanto por quaisquer fatos definidos que lhe ensinem, mas pelo encorajamento que lhe dão, pelo tratamento racional e bondoso que uniformemente lhe dispensam e, acima de tudo, pela quantidade de afeto que lhe dedicam.

Em *O Corpo Astral* e *O Corpo Mental*, nos capítulos sobre Renascimento, já enfatizamos enormemente os imensos serviços que podem — e devem — ser prestados a um ego por aqueles que são responsáveis por sua criação e treinamento, de modo que é desnecessário repetir aqui o que foi dito nesses livros.

Podemos, no entanto, acrescentar que aquele que, em vez de despertar amor e boas qualidades em seus pupilos, desperta neles qualidades malignas, como medo, engano e afins, está dificultando o progresso dos egos envolvidos e, assim, causando-lhes um dano positivo e sério.

O mau uso de tal oportunidade envolve uma queda terrível para o homem.

Em alguns casos, por exemplo, a crueldade dessa natureza pode resultar em insanidade, histeria ou neurastenia.

Em outros casos, resulta em uma descida cataclísmica na escala social, como um brâmane renascendo como pária, como resultado de crueldade para com crianças.

Pelo mesmo princípio, um homem que, tendo riqueza e poder, usa sua posição para oprimir seus empregados, gera carma muito ruim.

O único aspecto da questão que diz respeito aos agentes do carma é que o homem em tal posição tem em suas mãos a oportunidade de ser uma influência benéfica na vida de várias pessoas.

Ele negligencia ou abusa de tal oportunidade por sua própria conta e risco.

Continua na Seção 2 do Corpo Causal [capítulo 24 e seguintes]

Voltar ao Topo desta Página Voltar aos Nossos Documentos On-line

Voltar à Nossa Página Principal

A revista *The Light Bearer*, publicada pela Associação Teosófica Canadense, é emitida quatro vezes por ano ($16,00 em Fundos Canadenses para remessas no Canadá; cópia de amostra enviada mediante solicitação para endereços canadenses.

Envie uma nota para: enquirers@theosophical.ca para aproveitar esta oferta ou saber sobre a filiação à Sociedade, que custa $20,00 anuais e inclui a revista.

Uma publicação da

Associação Teosófica Canadense (uma associação regional da Sociedade Teosófica em Adyar)

Nash Road, Caixa Postal 108,

Courtice, On. Canadá L1E 1S

e-mail: enquirers@theosophical.ca

site: www.theosophical.ca

O CORPO CAUSAL E O EGO Por Arthur E. Powell

PARTE 2 DE

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

DESCRIÇÃO GERAL

O CAMPO DE EVOLUÇÃO

A EMANAÇÃO DAS MÔNADAS

A FORMAÇÃO DOS CINCO PLANOS

OS REINOS DE VIDA

A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS: TRÍADE SUPERIOR

A LIGAÇÃO DOS ÁTOMOS INFERIORES: TRÍADE INFERIOR AS HIERARQUIAS CRIATIVAS

ALMAS-GRUPO

ALMAS-GRUPO MINERAIS

ALMAS-GRUPO VEGETAIS

ALMAS-GRUPO ANIMAIS

INDIVIDUALIZAÇÃO: MECANISMO E PROPÓSITO INDIVIDUALIZAÇÃO: MÉTODOS E GRAUS FUNÇÕES DO CORPO CAUSAL

COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DO CORPO CAUSAL PENSAMENTO CAUSAL

DESENVOLVIMENTO E FACULDADES DO CORPO CAUSAL VIDA APÓS A MORTE: O QUINTO CÉU

O SEXTO CÉU

O SÉTIMO CÉU

TRISHNA: A CAUSA DA REENCARNAÇÃO ÁTOMOS PERMANENTES E O MECANISMO DA REENCARNAÇÃO

O que se segue está nesta seção II, que vem a seguir.

O EGO E A REENCARNAÇÃO

O EGO E SEU "INVESTIMENTO"

O EGO E A PERSONALIDADE

O EGO NA PERSONALIDADE

O EGO E A PERSONALIDADE: AUXÍLIOS SACRAMENTAIS MEMÓRIA DE VIDAS PASSADAS

O EGO EM SEU PRÓPRIO PLANO INICIAÇÃO

CONSCIÊNCIA BÚDICA

O EGO E A MÔNADA

AS SEGUNDAS E MAIS ALTAS INICIAÇÕES CONCLUSÃO

CAPÍTULO XXIV O EGO E A REENCARNAÇÃO

(Página 163) Chegamos agora a tratar mais especificamente da atitude que o ego assume em relação à sua encarnação em uma personalidade.

Uma vez que o método designado para a evolução das qualidades latentes do ego é por meio de impactos externos, é claramente necessário que o ego desça o suficiente para poder encontrar tais impactos que possam afetá-lo.

O método para alcançar esse resultado é, como sabemos, o da reencarnação, o ego projetando parte de si mesmo nos planos inferiores em prol da experiência a ser ali adquirida, e então retirando-se novamente para dentro de si, trazendo consigo os resultados de seu esforço.

Não se deve pensar, contudo, que o ego faça qualquer movimento no espaço.

É antes que ele se esforça para focar sua consciência em um nível mais baixo, para obter uma expressão através de uma variedade mais densa de matéria.

Essa projeção de parte de si mesmo na encarnação tem sido frequentemente comparada a um investimento.

O ego espera, se tudo correr bem, recuperar não apenas todo o seu capital investido, mas também uma considerável quantia de juros, e ele geralmente obtém isso.

Mas, como acontece com outros investimentos, ocasionalmente há perda em vez de ganho; pois é possível que alguma porção daquilo que ele deposita possa se tornar tão enredada com a matéria inferior que seja impossível reclamá-la inteiramente. Com esse aspecto de "investimento" da reencarnação, trataremos em detalhe no nosso próximo capítulo.

O estudante já terá percebido plenamente, a esta altura, que cada estágio da descida do ego na encarnação (página 164) significa submissão à limitação: consequentemente, nenhuma expressão do ego em qualquer dos planos inferiores pode jamais ser uma expressão perfeita.

É meramente uma indicação de suas qualidades, assim como uma pintura é uma representação, numa superfície bidimensional, de uma cena tridimensional.

Exatamente da mesma forma, a verdadeira qualidade, tal como existe no ego, não pode ser expressa em matéria de qualquer nível inferior.

As vibrações da matéria inferior são demasiadamente surdas e lentas para representá-la; a corda não está suficientemente tensa para permitir que responda à nota que ressoa do alto.

Pode, no entanto, ser afinada para corresponder a ela numa oitava inferior, como a voz de um homem cantando em uníssono com a de um menino, expressando o mesmo som, tão aproximadamente quanto as capacidades do organismo inferior permitem.

Não é possível, em linguagem física, expressar exatamente essa questão da descida do ego; mas até que sejamos capazes de elevar nossa própria consciência a esses níveis e ver exatamente o que ocorre, a melhor impressão que podemos ter disso é talvez a ideia do ego colocando para baixo parte de si mesmo, como uma língua de fogo, nos planos de matéria mais grosseira que a sua.

O ego, pertencendo como pertence a um plano superior, é algo muito maior e mais grandioso do que qualquer manifestação dele possa ser. Sua relação com suas personalidades é a de uma dimensão com outra — a de um quadrado com uma linha, ou de um cubo com um quadrado.

Nenhum número de quadrados poderia jamais formar um cubo, porque o quadrado tem apenas duas dimensões, enquanto o cubo tem três.

Assim, nenhum número de expressões em qualquer plano inferior pode jamais esgotar a plenitude do ego. Mesmo que ele pudesse assumir mil personalidades, ainda assim não poderia expressar suficientemente tudo o que é. O máximo que ele pode esperar é que a personalidade não contenha nada que não seja intencionado pelo ego — que a personalidade expresse tanto do ego quanto possa ser expresso neste mundo inferior.

Embora o ego possa ter apenas um corpo físico, pois essa é a lei, ele pode animar qualquer número de formas-pensamento que os amigos que o amam possam fazer dele, e ele fica extremamente satisfeito em ter essas oportunidades adicionais de se manifestar, pois é capaz, através dessas formas-pensamento, de desenvolver qualidades em si mesmo.

(Página 165) Assim como na consciência física um homem pode estar simultaneamente consciente de muitos contatos físicos, bem como de emoções e de pensamentos, sem qualquer confusão, assim também o ego pode estar simultaneamente consciente e ativo através tanto de sua própria personalidade quanto de qualquer número de formas-pensamento que seus amigos possam fazer dele.

O homem sábio reconhece, portanto, que o homem verdadeiro é o ego, não a personalidade, ou o corpo físico, e vê que é somente a vida do ego que realmente importa, e que tudo o que está relacionado ao corpo deve ser inquestionavelmente subordinado a esses interesses superiores.

Ele reconhece que esta vida terrena lhe é dada para fins de progresso, e que esse progresso é a única coisa importante.

O propósito real da vida é o desdobramento de seus poderes como ego, o desenvolvimento de seu caráter.

Ele reconhece que esse desenvolvimento está em suas próprias mãos, e que quanto mais cedo for aperfeiçoado, mais feliz e mais útil ele será.

Além disso, ele logo aprende pela experiência que nada pode ser realmente bom para ele, como ego, ou para qualquer um, que não seja bom para todos: com o tempo, ele aprende assim a esquecer-se completamente de si mesmo, e a perguntar apenas o que será melhor para a humanidade como um todo.

O desenvolvimento do ego é, portanto, o objetivo de todo o processo de descida à matéria: o ego assume véus de matéria precisamente porque através deles ele é capaz de receber vibrações às quais pode responder, para que suas faculdades latentes possam assim ser desdobradas.

Todo o objetivo do ego em se colocar para baixo é que ele possa se tornar mais definido, que todos os seus sentimentos vagamente belos possam cristalizar-se em uma resolução definida de agir.

Todas as suas encarnações formam um processo por meio do qual ele pode ganhar precisão e definição.

(Página 166) Portanto, a especialização é o seu caminho de avanço.

Ele desce a cada raça ou sub-raça a fim de adquirir as qualidades para cujo aperfeiçoamento essa sub-raça está trabalhando.

O fragmento do ego que é colocado para baixo é altamente especializado.

Quando uma certa qualidade é desenvolvida, o ego a absorve em si mesmo no devido tempo, e ele faz isso repetidamente.

A personalidade espalha algo de sua realização especial sobre o todo, quando é retirada para o ego, de modo que o ego se torna um pouco menos vago do que antes.

Em A Chave para a Teosofia, (páginas 183-184), H.P. Blavatsky descreve o objetivo da reencarnação em linguagem vívida: "Tente imaginar um 'Espírito', um ser celestial, quer o chamemos por um nome ou outro, divino em sua natureza essencial, mas ainda não puro o suficiente para ser uno com o TODO, e que, para alcançar isso, deve purificar sua natureza a tal ponto que finalmente atinja sua meta.

Ele pode fazê-lo passando individual e pessoalmente, isto é, espiritual e fisicamente, por toda experiência e sentimento que exista no universo múltiplo ou diferenciado.

Ele tem, portanto, após ter adquirido tal experiência nos reinos inferiores, e tendo ascendido cada vez mais alto a cada degrau da escada do ser, de passar por toda experiência nos planos humanos.

Em sua essência mesma, ele é Pensamento e é, portanto, chamado em sua pluralidade de 'Manasaputra', 'os Filhos da Mente [universal]'. Esse 'Pensamento' individualizado é o que nós, teosofistas, chamamos de verdadeiro Ego humano, a entidade pensante aprisionada em um invólucro de carne e ossos.

Este é certamente uma entidade espiritual, não matéria [isto é, não matéria como a conhecemos no plano do universo objetivo], e tais entidades são os Egos encarnantes que informam o agregado de matéria animal chamado humanidade, e cujos nomes são Manasa ou mentes".

O estudante deve notar que o termo Manasaputra, que significa literalmente os "Filhos da Mente", é usado na citação acima em um sentido especial.

O termo é amplo e abrange muitos graus de inteligências, desde os próprios "Filhos da Chama" até as entidades que individualizaram a Cadeia Lunar e tiveram sua primeira encarnação puramente humana na Cadeia Terrestre.

(Página 167) Muitas símiles e metáforas têm sido empregadas de tempos em tempos para ilustrar a relação entre o ego e suas personalidades, ou encarnações.

Assim, cada encarnação tem sido comparada a um dia de escola.

Pela manhã de cada nova vida, o ego retoma suas lições, no ponto em que as deixou na noite anterior.

O tempo gasto pelo aluno para se qualificar é deixado inteiramente a seu próprio critério e energia.

O aluno sábio percebe que a vida escolar não é um fim em si mesma, mas meramente uma preparação para um futuro mais glorioso e muito mais amplo.

Ele coopera inteligentemente com seus Mestres e se dedica ao máximo de trabalho que lhe é possível, a fim de que, tão cedo quanto possa, atinja a maioridade e entre em seu reino como um ego glorificado.

O mergulho do ego no mundo físico, por breves fragmentos de vida mortal, foi comparado ao mergulho de uma ave no mar em busca de um peixe.

As personalidades são também como as folhas que uma árvore produz; elas absorvem material do exterior, transformam-no em substância útil e o enviam à árvore como seiva, pela qual a árvore é nutrida.

Então as folhas, tendo cumprido sua estação, murcham e caem, para serem, no devido tempo, sucedidas por uma nova safra de folhas.

Assim como um mergulhador pode lançar-se às profundezas do oceano para buscar uma pérola, o ego mergulha nas profundezas do oceano da vida para buscar a pérola da experiência; mas não permanece ali por muito tempo, pois aquele não é o seu elemento.

Ele se eleva novamente, para a sua própria atmosfera, e sacode de si o elemento mais denso, que deixa para trás.

Portanto, é verdadeiramente dito que a Alma que escapou da terra retornou ao seu próprio lugar, pois seu lar é a "terra dos Deuses" e, na terra, ela é uma exilada e uma prisioneira.

O ego pode ser considerado um trabalhador que sai para o campo, labutando sob a chuva e o sol, no frio e no calor, retornando para casa à noite.

Mas o trabalhador é também o proprietário, e todos os resultados do seu trabalho enchem (Página 168) os seus próprios celeiros e enriquecem o seu próprio depósito.

Cada personalidade é a parte imediatamente ativa da individualidade, representando-a no mundo inferior.

Não há injustiça na sorte que cabe à personalidade, porque o ego semeou o karma no passado, e o ego deve colhê-lo. O trabalhador que semeou a semente deve fazer a colheita, ainda que as roupas com as quais trabalhou como semeador possam ter-se gasto durante o intervalo entre a semeadura e a colheita.

Aquele que colhe é o mesmo que semeia, e, se semeou pouca semente ou semente mal escolhida, será ele quem encontrará uma colheita pobre quando, como ceifador, voltar ao campo.

O ego foi descrito como movendo-se na eternidade como um pêndulo entre os períodos de vida terrestre e vida póstuma.

As horas da vida póstuma, para quem verdadeiramente compreende, são a única realidade.

Muitas vezes, o ego realmente inicia seu ciclo de vida pessoal com a entrada no mundo celestial e presta atenção mínima à personalidade durante seu período de coleta de materiais.

Como vimos, no ciclo de encarnação, o período passado no devachan, que, para todos exceto os muito primitivos, é de duração enorme comparado aos intervalos passados na Terra, pode ser justamente chamado de estado normal.

Uma razão adicional para considerar este o estado normal, e a vida terrestre o anormal, é que no devachan o homem está muito mais próximo da fonte de sua vida Divina.

O ego pode ser considerado o ator, e suas numerosas e diferentes encarnações, os papéis do ator.

Como um ator, o ego é obrigado a representar muitos desses papéis, que muitas vezes lhe são desagradáveis: mas, como uma abelha que coleta mel de cada flor, o ego coleta apenas o néctar das qualidades e da consciência mortais, de cada personalidade terrestre na qual precisa revestir-se, até que por fim una todas essas qualidades em uma só, e se torne um ser perfeito, às vezes denominado Dhyan Chohan.

(Página 169) Em A Voz do Silêncio, as personalidades são mencionadas como "sombras": o candidato à iniciação é exortado assim: "Tem perseverança como aquele que sempre perdura.

Tuas sombras vivem e desaparecem; aquilo que em ti viverá para sempre, aquilo que em ti sabe, pois é conhecimento, não é de vida fugaz; é o homem que foi, que é, e que será, para quem a hora nunca soará."

Assim, através dos tempos, o ego, o Pensador Imortal, trabalha pacientemente em sua tarefa de conduzir o homem-animal para cima, até que ele se torne apto a unir-se ao Divino.

De qualquer vida ele pode obter apenas um mero fragmento para sua obra, mas sobre esse modelo ligeiramente aperfeiçoado será moldado o próximo homem, cada encarnação mostrando algum avanço, embora nos estágios iniciais possa ser quase imperceptível.

Lentamente se realiza a tarefa de diminuir o animal, de aumentar o humano.

Em certo estágio desse progresso, as personalidades começam a tornar-se translúcidas, a responder às vibrações do Pensador, e a pressentir vagamente que são algo mais do que vidas isoladas, que estão ligadas a algo permanente e imortal.

Elas podem não reconhecer plenamente seu objetivo: mas começam a vibrar e estremecer sob o toque do ego.

A partir daí, o progresso torna-se mais rápido, o ritmo de desenvolvimento aumentando enormemente nos estágios posteriores.

O acima são apenas analogias, úteis talvez, mas grosseiras, pois é questão de extrema dificuldade expressar a relação do ego com a personalidade.

No geral, talvez a melhor maneira de colocá-la seja dizer que a personalidade é um fragmento do ego, uma pequenina parte dele que se expressa sob sérias dificuldades.

Quando encontramos outra pessoa no plano físico, não estaria longe da verdade dizer que conhecemos a milésima parte do homem real; além disso, a parte que vemos é a pior parte.

Mesmo que sejamos capazes de olhar para o corpo causal de outro homem, vemos apenas uma manifestação do ego em seu próprio plano, e ainda estamos longe de ver o homem verdadeiro.

Considerando o ego como o homem real, e olhando para ele em seu próprio plano, vemo-lo de fato como um ser glorioso.

A única maneira pela qual, aqui embaixo, podemos formar uma concepção (página 170) do que ele realmente é, é pensarmos nele como algum anjo esplêndido.

Mas a expressão desse belo ser no plano físico pode ficar muito aquém de tudo isso: de fato, assim deve ser: primeiro, porque é apenas um minúsculo fragmento; segundo, porque é tão tolhido por suas condições.

Se um homem coloca o dedo num buraco na parede, ou num pequeno tubo de metal, de modo que não possa sequer dobrar o dedo, é óbvio que ele só poderia expressar muito pouco de si mesmo através desse dedo.

Muito semelhante a isso é o destino daquele fragmento do ego que é colocado neste denso corpo.

Podemos levar a analogia um pouco mais longe, supondo que o dedo tenha uma considerável quantidade de consciência própria, de modo que, isolado como está do resto do corpo, ele temporariamente se esquece de que é meramente uma parte do corpo inteiro.

Esquecendo a liberdade da vida mais ampla, ele tenta se adaptar ao buraco, doura suas paredes e o torna um buraco agradável adquirindo dinheiro, propriedade, fama e assim por diante, sem perceber que só começa realmente a viver quando se retira completamente do buraco e se reconhece como parte do corpo.

Por mais tosca que seja a imagem, ela pode ainda dar alguma ideia da relação da personalidade com o ego.

Outras analogias, mais pitorescas, são encontradas em certos mitos antigos.

Assim, Narciso era um jovem de grande beleza, que se apaixonou por sua própria imagem refletida na água, e foi tão atraído por ela que caiu dentro e se afogou, sendo depois transformado pelos deuses numa flor e preso à terra.

Isso, naturalmente, refere-se ao ego olhando para baixo, sobre as águas do plano astral e do mundo inferior, refletindo-se na personalidade, identificando-se com essa personalidade, apaixonando-se por sua imagem e sendo ligado à terra.

Assim também Prosérpina, enquanto colhia o narciso, foi capturada e levada por Desejo ao submundo; e, embora tenha sido resgatada do cativeiro completo pelos esforços de sua mãe, ainda assim, depois disso, (Página 171) teve de passar sua vida metade no mundo inferior e metade no superior: isto é, em parte na encarnação material e em parte fora dela.

Outro antigo ensinamento de mistérios era o do Minotauro, que significava a natureza inferior no homem — a personalidade que é metade homem e metade animal.

Este foi finalmente morto por Teseu, que tipifica o eu superior, ou a individualidade, que vem gradualmente crescendo e acumulando força, até que, por fim, pode empunhar a espada de seu Pai Divino, o Espírito.

Guiado através do labirinto da ilusão, que constitui esses planos inferiores, pelo fio do conhecimento oculto dado a ele por Ariadne [que representa a intuição], o eu superior é habilitado a matar o inferior e a escapar em segurança da teia da ilusão.

Contudo, ainda resta para ele o perigo de que, desenvolvendo orgulho intelectual, possa negligenciar a intuição, assim como Teseu negligenciou Ariadne, e assim falhar por um tempo em realizar suas mais elevadas possibilidades.

É abundantemente claro que uma visão da reencarnação pode ser obtida, em perspectiva adequada, somente se a considerarmos do ponto de vista do ego.

Cada movimento do ego em direção aos planos inferiores é um vasto arco circular.

A visão limitada da personalidade tende a tomar um pequeno fragmento do arco inferior do círculo e a considerá-lo como uma linha reta, atribuindo importância indevida ao seu começo e fim, enquanto o verdadeiro ponto de inflexão do círculo escapa inteiramente a ela.

Do ponto de vista do ego, durante a parte inicial desse pequeno fragmento de existência no plano físico, que chamamos de vida, a força centrífuga do ego ainda é forte: no meio dela, em casos comuns, essa força se exaure, e o grande movimento centrípeto começa.

No entanto, não há mudança súbita ou violenta, pois isto não é um ângulo, mas ainda parte da curva do mesmo círculo — correspondendo exatamente ao momento do afélio no curso de um planeta em sua órbita.

No entanto, é o verdadeiro ponto de virada daquele pequeno ciclo de evolução, embora, para nós, não seja marcado de forma alguma.

(Página 172) No antigo esquema de vida indiano, era marcado como o fim do período *grihasta* ou "chefe de família" da existência terrena do homem.

Naquele sistema antigo, um homem passava os primeiros vinte e um anos de sua vida em educação, e os vinte e um seguintes cumprindo seu dever como chefe de família e cabeça da casa.

Mas então, tendo atingido a meia-idade, ele abandonava por completo seus cuidados mundanos, renunciava à sua casa e propriedade nas mãos de seu filho, e se retirava com sua esposa para uma pequena cabana próxima, onde dedicava os próximos vinte e um anos ao descanso, ao convívio espiritual e à meditação.

Depois disso vinha o quarto estágio, de perfeito isolamento e contemplação na selva, se assim o desejasse. Em tudo isso, o meio da vida era o verdadeiro ponto de virada, e é evidente que é um ponto muito mais importante do que o nascimento físico ou a morte, pois marca o limite da energia de saída do ego, a mudança, por assim dizer, de sua exalação para sua inalação.

A partir desse ponto, não deveria haver nada além de um constante recolhimento interior de toda a força do homem, e sua atenção deveria ser cada vez mais retirada das meras coisas terrenas e concentrada naquelas dos planos superiores.

Tais considerações não podem deixar de nos impressionar sobre quão extremamente mal adaptadas ao progresso real são as condições da vida europeia moderna.

Neste arco de evolução, o ponto em que o homem abandona seu corpo físico não é um ponto especialmente importante: de forma alguma tão importante, na verdade, quanto a mudança seguinte, sua morte no plano astral, e seu nascimento no mundo celestial, ou, expresso de outra forma, a transferência de sua consciência da matéria astral para a mental, no curso do recolhimento constante mencionado.

Como foi mencionado no Capítulo XIII, todo o curso do movimento descendente para a matéria é chamado na Índia de *pravritti marga*, literalmente o caminho da busca do exteriorizar-se; o *nivritti marga* é o caminho do retorno, do recolhimento, da renúncia.

Esses termos são relativos e podem ser aplicados a todo o curso da (Página 173) evolução do ego, a uma encarnação individual em uma personalidade, etc.

No *pravritti marga*, no qual se encontra a vasta maioria dos homens, os desejos são necessários e úteis, sendo esses os motivos que o impelem à atividade.

No *nivritti marga*, o desejo deve cessar.

O que era desejo no *privritti marga* torna-se vontade no *nivritti marga*: da mesma forma, o pensamento, alerta, volúvel, mutável, torna-se razão; o trabalho, a atividade, a ação inquieta, torna-se por sua vez sacrifício, sendo assim quebrada a sua força de ligação.

CAPÍTULO XXV

O EGO E SEU "INVESTIMENTO"

(Página 174) Chegamos agora ao estudo do assunto da reencarnação, considerando a emissão, pelo ego, de uma personalidade como um "investimento" feito pelo ego.

Essa analogia do "investimento" não é mera figura de linguagem, mas tem um lado definido e material. Quando o ego, em seu corpo causal, toma para si, adicionalmente, um corpo mental e um astral, a operação envolve o efetivo entrelaçamento de uma porção da matéria de seu corpo causal com matéria daqueles tipos astrais e mentais inferiores.

Esse "rebaixamento" de uma porção de si mesmo é, portanto, estreitamente análogo a um investimento.

Como em todos os investimentos, o ego espera obter de volta mais do que aplica: há, contudo, um risco, um risco de decepção, uma possibilidade de que ele perca algo do que investe: de fato, sob circunstâncias muito excepcionais, pode até haver uma perda total que o deixa, não absolutamente falido, mas sem capital disponível.

Elaborando essa analogia, podemos lembrar-nos de que o corpo causal consiste de matéria dos primeiro, segundo e terceiro subplanos do plano mental.

De longe, a maior porção dele pertence ao primeiro subplano: uma porção menor pertence ao segundo subplano, e ainda menos ao terceiro.

Para a vasta maioria dos homens, não há ainda atividade além do mais baixo desses três tipos, e mesmo essa é geralmente parcial.

É, portanto, apenas alguma matéria causal do tipo mais baixo que pode ser rebaixada aos níveis inferiores, e apenas uma pequena fração mesmo dessa parte pode ser entrelaçada com matéria mental e astral.

Consequentemente, apenas uma porção muito pequena do ego está em atividade com referência à personalidade.

(Página 175) De fato, com pessoas não evoluídas, provavelmente não mais do que um centésimo da matéria do terceiro subplano está ativo.

Com estudantes ocultistas, um pouco da matéria do segundo subplano está geralmente também em atividade.

Estudantes mais avançados têm grande parte desse subplano em atividade, e no estágio abaixo do de um Arhat, cerca de metade do ego está ativa.

O ego, estando ainda meio adormecido, tem um controle muito fraco e imperfeito daquilo que ele rebaixa.

Mas, à medida que seu corpo físico cresce, e seus corpos astral e mental também se desenvolvem, a matéria causal entrelaçada com eles é despertada pelas vibrações vigorosas que a alcançam através deles.

A fração-de-uma-fração, que está plenamente entrelaçada, dá vida e vigor, e um senso de individualidade, a esses veículos, e eles, por sua vez, reagem fortemente sobre ela, e a despertam para uma percepção aguçada da vida.

Essa percepção aguçada da vida é, naturalmente, exatamente o que ela necessita, o próprio objetivo para o qual foi colocada; e é o anseio por essa percepção aguçada que é a trishna, com a qual já tratamos em um capítulo anterior.

Mas, precisamente porque essa pequena fração teve essas experiências, e é, portanto, muito mais desperta do que o restante do ego, ela pode, com frequência, ser tão intensificada a ponto de julgar-se o todo, e esquecer por um tempo sua relação com seu "Pai Celestial". Ela pode, temporariamente, identificar-se com a matéria através da qual deveria estar trabalhando, e pode resistir à influência daquela outra porção que foi colocada, mas não entrelaçada — aquela que forma o elo com a grande massa do ego em seu próprio plano.

O Diagrama XXVI pode servir para tornar este assunto um pouco mais claro.

O corpo causal é aqui mostrado como aproximadamente a forma de um cálice em corte.

Aquela porção do ego que é despertada no terceiro subplano causal é ela própria dividida em três partes, que chamaremos de [a], [b] e [c]. [a] é uma parte muito pequena do ego, e permanece em seu próprio plano: [b] é uma pequena parte de [a], é colocada, (página 176) mas permanece não entrelaçada com a matéria dos planos inferiores: atua como um elo entre [a] e [c]; [c], por sua vez, é uma pequena parte de [b], e está completamente entrelaçada com a matéria inferior dos corpos mental e astral.

[a] podemos pensar como o corpo de um homem; [b] como seu braço estendido; [c] como a mão que agarra, ou talvez, antes, as pontas dos dedos que estão imersas na matéria.

Temos aqui um arranjo muito delicadamente equilibrado, que pode ser afetado de várias maneiras.

A intenção é que a mão [c] agarre firmemente e guie a matéria com a qual está entrelaçada, sendo plenamente dirigida o tempo todo pelo corpo [a] através do braço [b]. Sob circunstâncias favoráveis, força adicional, e mesmo matéria adicional, podem ser derramadas do DIAGRAMA XXVI—O Corpo Causal como corpo [a] através do braço

um Cálice [b] para a mão [c], de modo que o

controle possa tornar-se cada vez

mais perfeito.

A mão [c] pode crescer em tamanho e em força, e quanto mais o fizer, melhor, desde que a comunicação através do braço [b] seja mantida livremente aberta, e o corpo [a] retenha o controle.

Pois o próprio entrelaçamento da matéria causal, que constitui a mão [c], desperta-a para uma atividade aguçada, e uma precisão de resposta às mais sutis gradações de vibração, que ela não poderia obter de nenhuma outra forma; e isso, quando transmitido através do braço [b] ao corpo [a], significa o desenvolvimento do próprio ego.

Infelizmente, o curso dos acontecimentos nem sempre segue o plano ideal de trabalho indicado acima.

Quando o controle do corpo [a] é débil, às vezes acontece que a mão [c] se torna tão completamente enredada na matéria inferior que, como foi dito, ela realmente se identifica (página 177) com essa matéria inferior, esquece por um tempo sua elevada condição, e pensa de si mesma como sendo o ego inteiro.

Se a matéria for do plano mental inferior, então teremos um homem que é totalmente materialista.

Ele pode ser talvez intensamente intelectual, mas não espiritual; pode muito provavelmente ser intolerante com a espiritualidade, e bastante incapaz de compreendê-la ou apreciá-la. Ele pode provavelmente chamar a si mesmo de prático, objetivo, sem sentimentalismo, enquanto na realidade é duro como a mó inferior; e, por causa dessa dureza, sua vida, do ponto de vista do ego, é um fracasso, e ele não está fazendo nenhum progresso espiritual.

Se, por outro lado, a matéria na qual ele está tão fatalmente enredado for astral, ele será, no plano físico, alguém que pensa apenas na própria gratificação, que é totalmente impiedoso na busca de algum objeto que deseja ardentemente, um homem inteiramente sem princípios, e de egoísmo brutal. Tal homem vive em suas paixões, assim como o homem enredado na matéria mental vive em sua mente.

Casos como esses foram chamados de "almas perdidas", embora não estejam irremediavelmente perdidas.

H.P. Blavatsky diz de tais homens: "Há, no entanto, ainda esperança para uma pessoa que perdeu sua Alma Superior através de seus vícios, enquanto ainda está no corpo.

Ela pode ainda ser redimida e levada a voltar-se contra sua natureza material.

Pois ou um intenso sentimento de arrependimento, ou um único apelo sincero ao Ego que fugiu, ou, melhor de tudo, um esforço ativo para emendar os próprios caminhos, pode trazer o Ego Superior de volta.

O fio de conexão não está totalmente rompido," — [Doutrina Secreta, ||! 527].

Ao retornarmos à nossa analogia do investimento, notamos que, ao fazer seu investimento, o ego espera não apenas recuperar a mão [c], mas também que ela seja melhorada tanto em qualidade quanto em quantidade.

Sua qualidade deve ser melhor, porque deve estar muito mais desperta e capaz de resposta instantânea e precisa a uma gama muito mais variada de vibrações do que antes.

(Página 178) Essa capacidade, a mão [c], quando reabsorvida, necessariamente comunica ao corpo [a], embora, é claro, o reservatório de energia que produziu uma onda tão poderosa na mão (c) será capaz de criar uma ondulação, quando distribuído por toda a substância do corpo [a].

Devemos lembrar aqui que, embora os veículos possam responder e expressar pensamentos e emoções malignas, e embora sua excitação sob tais vibrações possa produzir perturbação na matéria causal entrelaçada [c], ainda assim é totalmente impossível para [c] reproduzir essas vibrações por si mesma, ou comunicá-las ao braço [b] ou ao corpo [a], simplesmente porque a matéria dos três níveis mentais superiores não pode vibrar na taxa do plano mais baixo, assim como a corda de um violino afinada em determinado tom não pode ser feita para produzir uma nota mais grave do que esse tom.

A mão [c] também deve ser aumentada em quantidade, porque o corpo causal, como todos os outros veículos, está constantemente mudando sua matéria, e, quando exercício especial é dado a certa parte dele, essa parte cresce em tamanho e se torna mais forte, exatamente como um músculo físico faz quando é usado.

Cada vida terrena é uma oportunidade, cuidadosamente calculada, para tal desenvolvimento em qualidade e quantidade como é mais necessário ao ego; o fracasso em usar essa oportunidade significa o transtorno e o atraso de outra encarnação semelhante, e sofrimentos provavelmente agravados pelo carma adicional incorrido.

Contra o incremento, que o ego tem o direito de esperar de cada encarnação, devemos compensar certa quantidade de perda que, nos estágios iniciais, é dificilmente evitável.

Para ser eficaz, o entrelaçamento com a matéria inferior deve ser muito íntimo, e verifica-se que, quando assim é, dificilmente é possível recuperar cada partícula, especialmente da conexão com o corpo astral.

Quando chega o momento da separação do corpo astral, é quase sempre uma sombra e não uma mera casca — [vide O Corpo Astral, páginas 170-171] que é deixada para trás (página 179) no plano astral; e essa própria distinção significa que parte do material causal é perdida.

Exceto no caso de uma vida excepcionalmente má, no entanto, essa quantidade deve ser muito menor do que a ganha pelo crescimento, de modo que deve haver, no todo, um lucro na transação.

O Diagrama XXVII-A ilustra este caso, que pode ser considerado o estado normal das coisas.

[Nota sobre o diagrama:]

Quando, portanto, chega o momento de o ego novamente colocar parte de si mesmo em encarnação, ele não estende, nem pode estender, novamente o velho braço [b] e a velha mão [c], pois eles foram absorvidos por ele e se tornaram parte dele, assim como uma xícara de água despejada em um balde torna-se parte da água no balde, e não pode ser separada dela.

O estudante não deve permitir que a analogia do braço e da mão o induza a pensar no braço [b] e na mão [c] como apêndices permanentes do ego.

Durante um período de vida, eles podem se separar, mas no final de cada período de vida, eles se retraem.

A. Caso Normal.

B. Caso Anormal, [referente ao corpo astral e ao] Diagrama XXVII.—O Ego e Seu Investimento (I) e o resultado da experiência é distribuído, por assim dizer, através de toda a massa de sua substância.

Qualquer matéria corante — simbolizando as qualidades desenvolvidas pela experiência — que estivesse presente na xícara é distribuída, embora em tom mais pálido, por todo o balde de água.

O plano é, portanto, exatamente paralelo ao que já estudamos no caso das almas-grupo (página 180), exceto que uma alma-grupo pode estender muitos tentáculos simultaneamente, enquanto o ego emite apenas um de cada vez.

Em cada encarnação, portanto, a personalidade é obviamente bastante diferente das que a precederam, embora, é claro, o ego por trás dela permaneça o mesmo.

No caso de homens, como os descritos acima, homens vivendo inteiramente em suas paixões ou em suas mentes, não haveria ganho, nem em qualidade nem em quantidade, pois as vibrações não seriam tais que pudessem ser armazenadas no corpo causal.

E, por outro lado, como o enredamento foi tão forte, certamente haveria perda considerável quando a separação ocorresse.

Nos casos em que a mão [c] se afirmou contra o braço [b] e o pressionou de volta em direção ao corpo [a], o braço [b] tornou-se atenuado e quase paralisado, sua força e substância sendo retiradas para o corpo, enquanto a mão [c] estabeleceu-se por si mesma e realiza, por conta própria, movimentos bruscos e espasmódicos, que não são controlados pelo cérebro.

Se a separação pudesse tornar-se perfeita, corresponderia a uma amputação no pulso; mas isso raramente ocorre durante a existência física, embora apenas o suficiente de comunicação permaneça para manter a personalidade viva.

O Diagrama XXVII-B ilustra o caso que temos descrito.

Tal caso não é desesperador, pois mesmo no último momento nova vida pode ser derramada através do braço paralisado, se um esforço suficientemente forte for feito, e assim o ego pode ser habilitado a recuperar alguma proporção da mão [c], assim como já recuperou a maior parte do braço [b]. No entanto, tal vida foi desperdiçada, pois, mesmo que o homem apenas consiga escapar de uma perda séria, em todo caso nada foi ganho, e muito tempo foi dissipado.

Sc :c| Wea 7 | abot

PLANE ‘Se

A catástrofe mais desastrosa que pode ocorrer a um ego é aquela em que a personalidade captura a parte do ego que é depositada e realmente a faz romper-se.

Tais casos são extremamente raros, mas já aconteceram.

"CORPO (Página 181) Desta vez, a mão [c], em vez de repelir o braço [b], e gradualmente impulsionando-o de volta para o corpo [a], absorve o braço [b] e o desprende do corpo [a]. O Diagrama XXVIII-C ilustra tal caso.

Isso só poderia ser realizado por persistência determinada em

Ce ee es

mal deliberado, em suma, por magia negra.

Continuando a analogia, isso equivale a uma amputação no ombro, ou à perda pelo ego de quase todo o seu capital disponível.

Felizmente para ele, ele não pode perder tudo, porque o braço [b] e a mão [c] juntos são apenas uma pequena proporção do corpo [a], e atrás de [a] está a grande porção não desenvolvida do ego, no primeiro e segundo sub-planos mentais.

Felizmente, um homem, por mais incrivelmente tolo ou perverso que seja, não pode arruinar-se completamente, pois não pode trazer à atividade aquela parte superior do corpo causal, até que tenha alcançado um nível em que tal maldade seja inconcebível.

Há certos homens que deliberadamente se colocam em oposição à natureza e, em vez de trabalharem pela unidade, para a qual toda a força do universo está pressionando, rebaixam cada faculdade que possuem para fins puramente egoístas.

Eles passam suas vidas lutando pela separatividade e, por muito tempo, a alcançam: diz-se que a sensação de estar totalmente só no espaço é o destino mais terrível que pode jamais sobrevir a um homem.

Esse extraordinário desenvolvimento do egoísmo é, (Página 182) naturalmente, a característica do mago negro, e é apenas entre suas fileiras que se podem encontrar homens em perigo desse destino terrível.

Por mais numerosas e repugnantes que sejam suas variedades, todos podem ser classificados em uma ou outra de duas grandes divisões.

Ambas as classes usam as artes ocultas que possuem para fins egoístas, mas esses fins diferem.

No tipo mais comum e menos formidável, o objetivo perseguido é a gratificação do desejo sensual de alguma espécie: naturalmente, o resultado de tal vida é centrar a energia do homem em seu corpo astral.

Tendo conseguido matar em si mesmo todo sentimento altruísta ou afetuoso, toda centelha de impulso superior, nada resta senão um monstro impiedoso e implacável de luxúria, que se encontra após a morte nem capaz nem desejoso de se elevar acima das subdivisões mais baixas do plano astral.

Todo o pouco de mente que possui está absolutamente nas garras do desejo, e, quando a luta ocorre, o ego não pode recuperar nada dela e, em consequência, encontra-se seriamente enfraquecido.

Por enquanto, ele se cortou da corrente da evolução e, assim, até que possa retornar à encarnação, ele permanece — ou assim lhe parece — fora dessa evolução, na condição de avichi, o sem-ondas.

Mesmo quando retorna à encarnação, não pode ser entre aqueles que conheceu antes, pois não lhe resta capital disponível suficiente para proporcionar a animação de uma mente e um corpo em seu nível anterior.

Ele deve agora, portanto, contentar-se em ocupar veículos de um tipo muito menos evoluído, pertencentes a alguma raça anterior.

Ele assim se lançou muito para trás na evolução e deve escalar novamente muitos degraus da escada.

Ele provavelmente nascerá como um selvagem, mas muito provavelmente será um chefe entre eles, pois ainda terá algum intelecto.

Foi dito que ele pode até se lançar tão para trás que talvez não consiga encontrar no mundo, em sua condição atual, qualquer tipo de corpo humano suficientemente baixo para a manifestação que agora requer, de modo que possa ficar incapacitado de participar do Esquema de evolução, e portanto talvez tenha que esperar, em uma espécie de estado de animação suspensa, pelo início de outro.

Enquanto isso, a personalidade amputada, tendo rompido o "fio de prata que a liga ao Mestre", é, naturalmente, não mais uma entidade evolutiva permanente, mas permanece cheia de vida vigorosa e totalmente maligna, inteiramente sem remorso ou responsabilidade.

Como está destinada a se desintegrar em meio às desagradáveis circunstâncias da "oitava esfera", tenta manter algum tipo de existência no plano físico o maior tempo possível.

O único meio de prolongar sua existência nefasta é o vampirismo de algum tipo: quando isso falha, sabe-se que ela se apodera de qualquer corpo disponível, expulsando o legítimo dono.

O corpo escolhido poderia muito provavelmente ser o de uma criança, tanto porque se poderia esperar que durasse mais, quanto porque um ego que ainda não tivesse realmente se firmado poderia ser mais facilmente desapossado.

Apesar de seus esforços frenéticos, seu poder parece falhar rapidamente, e diz-se que não há nenhum caso registrado de que ela tenha conseguido roubar um segundo corpo com sucesso, depois que seu primeiro roubo se desgasta.

A criatura é um demônio do tipo mais terrível, um monstro para o qual não há lugar permanente no Esquema de evolução ao qual pertencemos.

Sua tendência natural, portanto, é afastar-se dessa evolução e ser atraída para aquele esgoto astral conhecido como a "oitava esfera", porque o que passa para ela fica fora do círculo de nossos sete mundos, ou globos, e não pode retornar à sua evolução.

Lá, cercada por relíquias repugnantes de toda a vileza concentrada das eras passadas, queimando sempre de desejo, mas sem possibilidade de satisfação, essa monstruosidade decai lentamente, sendo sua matéria mental e causal finalmente libertada.

Tal matéria nunca mais se unirá ao ego do qual se arrancou, mas será distribuída entre a outra matéria do plano, para entrar gradualmente em novas combinações, e assim ser posta em melhores usos.

Tais entidades são, como já foi dito, (Página 184) extremamente raras: e, além disso, só têm poder de se apoderar daqueles que possuem em sua natureza defeitos pronunciados de tipo semelhante.

O outro tipo de mago negro, de aparência exterior mais respeitável, é, no entanto, realmente ainda mais perigoso, porque mais poderoso.

Este é o homem que, em vez de se entregar inteiramente à sensualidade, coloca diante de si o objetivo de um egoísmo mais refinado, mas não menos inescrupuloso.

Seu objetivo é a aquisição de poder oculto mais elevado e mais amplo, mas ainda assim sempre a ser usado para sua própria gratificação e avanço, para promover sua própria ambição, ou satisfazer sua própria vingança.

Para conseguir isso, ele adota o mais rígido ascetismo no que diz respeito aos meros desejos carnais, e elimina as partículas mais grosseiras de seu corpo astral, com tanta perseverança quanto o faz o pupilo da Grande Fraternidade Branca.

Mas, embora seja apenas um tipo menos material de desejo com o qual ele permitirá que sua mente se envolva, o centro de sua energia não deixa de estar inteiramente em sua personalidade.

Quando, portanto, a separação, ao final da vida astral, ocorre, o ego é incapaz de recuperar qualquer parte do seu investimento.

Para este homem, o resultado é, portanto, quase o mesmo que no caso anterior, exceto que ele permanecerá em contato com a personalidade por muito mais tempo, e compartilhará até certo ponto suas experiências, na medida em que for possível a um ego compartilhá-las.

O destino dessa personalidade, no entanto, é muito diferente.

O invólucro astral comparativamente tênue não é forte o suficiente para mantê-la por qualquer período de tempo no plano astral, e, no entanto, ela perdeu completamente o contato com o mundo celestial, que deveria ter sido seu habitat.

Pois todo o esforço da vida do homem foi para matar tais pensamentos que naturalmente encontram seu resultado nesse nível.

Seu único empenho foi opor-se à evolução natural, separar-se do grande todo, e guerrear contra ele; e, no que diz respeito à personalidade, ele teve sucesso.

Ela está cortada da luz e da vida do sistema solar: (Página 185) tudo o que lhe resta é o senso de isolamento absoluto, de estar sozinha no universo.

Assim, neste raro caso, a personalidade perdida compartilha praticamente o destino do ego do qual está em processo de se desligar.

Mas, no caso do ego, tal experiência é apenas temporária, embora possa durar o que chamaríamos de um tempo muito longo, e o seu fim será a reencarnação e uma nova oportunidade.

Para a personalidade, no entanto, o fim é a desintegração — o fim invariável, é claro, daquilo que se cortou de sua fonte.

Em um caso deste tipo, envolvendo a perda de uma personalidade inteira, o ego não pratica o mal intencionalmente.

Ele deixou a personalidade sair do controle, e por isso é responsável.

Ele é, portanto, responsável por fraqueza, e não por mal direto.

Embora o ego tenha recuado terrivelmente, ele ainda prossegue: provavelmente não imediatamente, porque parece ficar atordoado a princípio.

Após tal experiência, um ego seria sempre peculiar.

Ele ficaria insatisfeito e teria recordações de algo mais elevado e maior do que agora poderia alcançar.

É uma condição temível, mas ainda assim o ego tem de arcar com o karma disso e perceber que ele próprio o atraiu sobre si.

Relata-se que existe outra possibilidade ainda mais remota.

Assim como a mão [c] pode absorver o braço [b] e revoltar-se contra o corpo [a], estabelecendo-se por conta própria e rompendo-se completamente, é (ou pelo menos foi no passado) apenas possível que a doença da separatividade e do egoísmo possa infectar também o corpo [a].

Mesmo que seja então absorvido pelo crescimento monstruoso do mal, e possa ser arrancado da porção não desenvolvida do ego, de modo que o próprio corpo causal possa ser endurecido e levado embora, em vez de apenas a personalidade.

O Diagrama XXVIII-D ilustra este caso.

Esta classe de caso corresponderia, não a uma amputação, mas a uma destruição inteira do corpo.

Tal ego não poderia reencarnar na raça humana; (Página 186) embora seja um ego, cairia nas profundezas da vida animal e precisaria de pelo menos um período inteiro de Cadeia para recuperar o status que havia perdido.

Isto, embora teoricamente possível, é praticamente quase inconcebível.

Notar-se-á, no entanto, que mesmo neste caso a parte não desenvolvida do ego permanece como veículo da mônada.

Embora algumas escrituras antigas falem de homens que regressam ao reino animal, não há evidência direta de tais casos.

Existem outros casos em que o homem pode entrar em contato com a consciência animal e sofrer terrivelmente através dela [vide O Corpo Astral, p. 142], mas reencarnar como animal não é possível agora, seja o que tenha sido possível num passado distante.

Podemos aqui fazer uma ligeira digressão, a fim de explicar como é que, mesmo em casos como os descritos acima, uma perda verdadeiramente séria não é coisa fácil.

Devido ao fato de que bons pensamentos e emoções atuam nos tipos mais elevados de matéria, e que a matéria mais sutil é muito mais facilmente movida do que a matéria mais grosseira, segue-se que uma dada quantidade de força gasta em bons pensamentos ou sentimentos produz talvez cem vezes mais efeito do que exatamente a mesma quantidade de força enviada para a matéria mais grosseira.

Se não fosse assim, é óbvio que o homem comum não progrediria absolutamente nada.

Se um homem lança uma certa quantidade de energia em alguma qualidade maligna, ela tem de se expressar através da matéria astral mais inferior e mais pesada; e, embora qualquer tipo de matéria astral seja extremamente sutil em comparação com qualquer coisa no plano físico, ainda assim, comparada com a matéria mais elevada do seu próprio plano, ela é tão grosseira quanto o chumbo no plano físico, quando comparado com o éter mais sutil.

Se, portanto, um homem exercesse exatamente a mesma quantidade de força na direção do bem, ela teria de se mover através de matéria muito mais sutil dos subplanos superiores, e produziria, como foi dito, pelo menos cem vezes mais efeito, ou, (página 187) se compararmos o mais inferior com o mais elevado, provavelmente mais de mil vezes mais.

Embora tenhamos provavelmente o direito de supor que 90 por cento do pensamento e do sentimento do homem não desenvolvido seja centrado em si mesmo, mesmo que não seja realmente egoísta, ainda assim, se 10 por cento disso for espiritual e altruísta, o homem já deve estar se elevando um pouco acima da média.

De fato, se essas proporções produzissem resultados proporcionais, a vasta maioria da humanidade daria nove passos para trás para cada um para a frente, e teríamos uma retrogradação tão rápida que algumas encarnações nos depositariam no reino animal, do qual evoluímos.

Felizmente para nós, porém, o efeito dos 10 por cento de força, dirigida para fins bons, supera enormemente o dos 90 por cento, dedicados a propósitos egoístas, e assim, no conjunto, tal homem faz um avanço apreciável de vida para vida.

Um homem que consegue demonstrar até mesmo 1 por cento de bem dá um ligeiro avanço, portanto será facilmente compreendido que um homem cujo saldo se equilibra exatamente, de modo que não há nem avanço nem retrocesso, deve ter vivido uma vida distintamente má; enquanto para obter uma descida real na evolução, uma pessoa deve ser um vilão excepcionalmente consistente.

Além dessas considerações, temos de ter em mente que o próprio Logos, por Seu irresistível poder, está firmemente impulsionando todo o sistema para frente e para cima, e que, por mais lenta que essa progressão cíclica possa nos parecer, é um fato que não pode ser negligenciado, pois seu efeito é que um homem que equilibra com precisão seu bem e seu mal retorna, não à mesma posição real, mas à mesma posição relativa, e portanto até ele fez algum ligeiro avanço e está, por assim dizer, numa posição um pouco melhor do que aquela que ele realmente mereceu e construiu para si mesmo.

Fica assim claro que, se alguém é tolo o bastante para querer realmente retroceder contra a correnteza, terá de trabalhar arduamente e de forma decidida em direção ao mal.

Não há medo de "escorregar para trás". Essa é uma das antigas ilusões que (Página 189) permanece desde os tempos da crença no "diabo" ortodoxo, que era tão mais forte que a Divindade que tudo no mundo trabalhava a seu favor.

O fato é que exatamente o oposto é o caso, e tudo ao redor de um homem é calculado para auxiliá-lo, se apenas ele compreender isso.

CAPÍTULO XXVI

O EGO E A PERSONALIDADE

(Página 189) Em O Corpo Mental, examinamos a relação entre a personalidade e o ego, principalmente do ponto de vista da personalidade.

Agora é necessário estudar mais profundamente a relação entre o ego e a personalidade, desta vez do ponto de vista do ego.

Recapitulemos os fatos principais sobre a constituição do homem como Mônada, Ego e Personalidade.

O fragmento da Vida Divina, que conhecemos como Mônada, manifesta-se no plano do Atma como o espírito tríplice [vide Diagrama XII, p. 36].

Desses três aspectos, um, o próprio espírito, permanece em seu próprio plano, o do Atma.

O segundo, o da intuição, ou razão pura, como às vezes é chamado, desce um estágio e se expressa através da matéria do plano do Budi.

O terceiro aspecto, o da inteligência, desce dois planos e se expressa através da matéria do plano mental superior.

Esta expressão da Mônada, nos planos de Atma, Buddhi e manas, é o ego, ou individualidade.

O ego se expressa nos planos inferiores como uma personalidade, que também é tripla em sua manifestação e é, além disso, um reflexo fiel da disposição do ego.

Mas, como outros reflexos, ele se inverte.

A inteligência, ou manas superior, reflete-se no manas inferior.

A razão pura, ou Buddhi, reflete-se no corpo astral: e, de um modo muito mais difícil de compreender, o espírito de Atma

reflete-se no plano físico.

Há sempre um elo ou linha de comunicação (página 190) entre o eu superior, ou ego, e o eu inferior, ou personalidade.

Este elo é conhecido como antahkarana.

Esta palavra sânscrita significa o órgão interno, ou instrumento interno.

H.P. Blavatsky falou dele como o elo, canal ou ponte entre o manas superior e o kama-manas durante a encarnação.

Falando de alguém que pode unir o kama-manas ao manas superior, através do manas inferior, ela se refere ao manas inferior, quando puro e livre de kama, como o antahkarana.

O antahkarana pode ser considerado como o braço estendido, entre a pequena parte do ego que está desperta e a parte colocada abaixo, a mão.

Quando os dois estão perfeitamente unidos, i.e., quando o ego e a personalidade estão perfeitamente em sintonia e unidos, então o tênue fio do antahkarana deixa de existir.

Sua destruição implica que o ego não precisa mais de um instrumento, mas atua diretamente sobre a personalidade: quando uma única vontade opera o ego e a personalidade, então não há mais necessidade de antahkarana.

O termo antahkarana, ou agência interna, é usado também em outro sentido, para denotar a totalidade do eu superior triplo, ou ego, porque este é o canal ou ponte entre a Mônada e o eu inferior.

Em seus estágios iniciais, a evolução do homem consiste na abertura deste antahkarana, ou linha de comunicação, para que o ego possa, cada vez mais, afirmar-se através dele e, finalmente, dominar inteiramente a personalidade, de modo que esta não tenha pensamento ou vontade separados, mas possa ser meramente, como deveria ser, uma expressão do ego nos planos inferiores, tanto quanto, é claro, as limitações dos planos inferiores permitirem.

O elo que liga o eu inferior ao eu superior é frequentemente descrito como um fio — um fio de prata, como convém a um emblema de pureza.

O coração é o centro no corpo para a tríade superior, Atma, buddhi, manas, de modo que, quando a consciência está centrada no coração, durante a meditação, ela fica mais suscetível à influência do eu superior, ou ego.

A cabeça é a sede do homem psico-intelectual; ela tem suas várias funções em sete cavidades, incluindo o (Página 191) corpo pituitário e a glândula pineal.

Aquele que, na concentração, pode levar sua consciência do cérebro ao coração deveria ser capaz de unir kama-manas ao manas superior, através do manas inferior, que, quando puro e livre de kama, é o antahkarana.

Ele estará então em posição de captar algumas das inspirações da tríade superior.

O homem absolutamente destreinado praticamente não tem comunicação com o ego; o Iniciado, por outro lado, tem comunicação plena.

Consequentemente, encontramos, como é de se esperar, homens em todos os estágios entre esses dois extremos.

O estudante, a esta altura, terá percebido a enorme importância de reconhecer a existência dessa conexão entre o eu superior e o inferior, e de fazer tudo o que puder para fortalecer esse vínculo, de modo que o ego e a personalidade possam gradualmente vir a funcionar como uma única entidade.

Ajudá-lo nessa tarefa pode, talvez, ser considerado o grande motivo desta série de quatro livros, que explicam a constituição do homem e os diversos corpos através dos quais ele funciona.

Ao nos esforçarmos, de muitas maneiras e por muitos meios, para apreciar e compreender a grande diferença entre os pontos de vista da personalidade e do ego, devemos sempre ter em mente, como foi repetidamente dito, que há apenas uma consciência; contudo, muitas vezes sentimos claramente duas, e somos levados a nos perguntar se o ego está inteiramente dissociado do corpo físico.

Devemos, no entanto, compreender que há apenas uma consciência, sendo a diferença aparente causada pelas limitações dos vários veículos.

Não devemos, portanto, imaginar que existam duas entidades no homem.

Nunca há um eu inferior como ser separado, mas, como vimos, o ego coloca uma pequena porção de si mesmo na personalidade, a fim de experimentar as vibrações dos planos inferiores.

A identidade fundamental entre o manas superior e o inferior deve ser mantida constantemente em mente.

Por conveniência, distinguimos entre eles; mas a diferença é de atividade funcional, não de natureza.

(Página 192) O manas inferior é uno com o manas superior, da mesma forma que o raio é uno com o sol.

O diminuto fragmento do ego, que é colocado na personalidade, é o ponto de consciência que os clarividentes podem ver movendo-se no homem.

Segundo um sistema de simbologia, ele é

visto como "o homem dourado do tamanho de um polegar", que habita o coração.

Outros, no entanto, o veem antes sob a forma de uma estrela, uma estrela brilhante de luz.

Um homem pode manter sua Estrela de Consciência onde quiser; isto é, em qualquer um dos sete chacras ou centros principais do corpo.

Qual destes é o mais natural para um homem depende em grande parte do seu tipo ou "raio", e provavelmente também da sua raça e sub-raça.

Os homens da Quinta Raça Raiz quase sempre mantêm essa consciência no cérebro, no centro dependente do corpo pituitário.

Há, no entanto, homens de outras raças para os quais é mais natural mantê-la habitualmente no coração, na garganta ou no plexo solar.

A Estrela de Consciência é, assim, a representante do ego nos planos inferiores, e, como se manifesta através dos veículos inferiores, nós a chamamos de personalidade, o homem como é conhecido por seus amigos aqui embaixo.

Embora, como vimos, o ego seja apenas um fragmento da Mônada, ele é, contudo, completo como ego em seu corpo causal, mesmo quando seus poderes estão por desenvolver; enquanto na personalidade há apenas um toque de sua vida.

Além disso, enquanto no caso do homem comum a consciência do ego em seu próprio plano é apenas parcial e vaga, ainda assim, na medida em que é ativa, está sempre do lado do bem, porque deseja aquilo que é favorável à sua própria evolução como alma.

Na verdade, o desejo imutável do ego é o progresso, o desdobramento do eu superior e a harmonização dos veículos inferiores como seus instrumentos.

Quaisquer daqueles pensamentos que chamamos de maus são impossíveis para o ego; pois, no ego, na medida em que qualquer qualidade é desenvolvida, ela é pura.

Se, por exemplo, a afeição está ali, (Página 193) ela é totalmente isenta de ciúme, inveja ou egoísmo.

É um espelho do amor divino, na medida em que o ego pode reproduzi-lo em seu nível.

Além disso, o ego jamais tende a errar.

Ele, aparentemente, não se engana acerca de coisa alguma; mas que ele é ignorante de certos assuntos é bastante claro, pois o próprio propósito da encarnação é remover essa ignorância.

Mas, como vimos, o fragmento do ego, que foi colocado na matéria inferior, torna-se tão aguda e vividamente consciente nessa matéria, que pensa e age como se fosse um ser separado; esquece que pertence à consciência menos desenvolvida, mas muito mais ampla, do ego, e se estabelece nos negócios da vida por conta própria, tentando ir como quer, em vez de como o ego deseja.

Além disso, o ego, com todos os seus poderes poderosos, é muito menos preciso do que a mente inferior, e a personalidade, valorizando acima de tudo os poderes discriminativos da mente inferior que se destina a desenvolver, muitas vezes acaba por desprezar o eu muito mais elevado, porém mais vago, e adquire o hábito de pensar em si mesma como um ego independente.

Podemos notar aqui que, ao longo de todo o curso de nossa evolução, há sempre o perigo de um homem se identificar com aquele ponto, ou com aquele veículo, no qual ele está mais plenamente consciente.

Daí, como vimos, às vezes parece que o fragmento trabalha contra o todo; mas o homem instruído recusa-se a ser iludido e alcança, através da consciência aguda e alerta do fragmento, a verdadeira consciência por trás, que ainda é tão pouco desenvolvida.

Isso é o que o Sr. Sinnett chamou de "dar lealdade ao eu superior".

Já vimos que, na natureza das coisas, não pode haver mal no corpo causal, ou no ego.

Mas onde quer que haja uma lacuna no corpo causal, há a possibilidade de que os veículos inferiores possam incorrer em algum tipo de ação maligna.

Assim, por exemplo, o elemental astral pode tomar posse do homem e precipitá-lo (página 194) na prática de um crime.

Nesse caso, o ego não está suficientemente desperto para intervir e impedir a ação, ou talvez não compreenda que a paixão ou a ganância do corpo astral possa forçar o eu inferior a cometer o crime.

O mal, portanto, não vem do Eu Superior: ele vem de uma *falta* no Eu Superior: porque, se o ego fosse mais desenvolvido, ele deteria o homem à beira do pensamento maligno, e o crime não seria cometido.

Nos homens comuns, o ego não tem muito domínio sobre a personalidade, nem uma concepção clara de seu propósito ao enviá-la; e, como vimos, a pequena parte que nos encontra na personalidade passa a ter maneiras e opiniões próprias.

Está se desenvolvendo pela experiência que adquire, e esta é transmitida ao ego; mas, juntamente com esse desenvolvimento real, geralmente acumula muita coisa que dificilmente merece esse nome.

Adquire conhecimento, mas também preconceitos, que não são realmente conhecimento algum.

Não se torna inteiramente livre desses preconceitos — preconceitos, note-se, de conhecimento, de sentimento e de ação — até que o homem alcance o Adeptado.

Gradualmente, descobre que essas coisas são preconceitos e progride através deles; mas tem sempre uma grande quantidade de limitações, das quais o ego é inteiramente livre.

Para auxiliar o ego a controlar seus veículos e a ajudá-lo a utilizá-los para seus próprios propósitos, muito pode ser feito pelos pais e professores, durante a infância e a meninice.

Pois faz uma enorme diferença quando os germes bons, em vez dos maus, nos corpos da criança, são despertados primeiro.

Se, por meio de cuidado extremo antes do nascimento e por vários anos depois dele, os pais conseguirem despertar apenas as boas tendências, então o ego naturalmente achará fácil expressar-se ao longo dessas linhas, e um hábito decidido se estabelecerá nessa direção.

Então, quando uma excitação má vier, encontrará um forte impulso na direção do bem, que se esforça em vão para superá-la.

Da mesma forma, se as tendências más tiverem sido despertadas primeiro, (página 195) então as excitações para o que é bom terão de lutar contra a predisposição para o mal.

Nesse caso, há na personalidade um gosto pelo mal, uma prontidão para recebê-lo e entregar-se a ele. No outro caso, porém, há uma forte aversão natural ao mal, o que torna o trabalho do ego muito mais fácil.

No homem comum, há uma tensão perpétua entre os corpos astral e mental, e também nenhum desses corpos está minimamente em sintonia com o ego, ou preparado para agir como seu veículo.

O que é necessário é a purificação da personalidade, e também o canal entre ela e o ego deve ser aberto e alargado.

Até que isso seja feito, a personalidade vê tudo e todos a partir de seu próprio ponto de vista muito limitado.

O ego não pode ver o que realmente está acontecendo; ele percebe apenas a imagem distorcida da personalidade, que é como uma câmera, com uma lente defeituosa, que distorce os raios de luz, e uma placa falha, que torna o resultado borrado, indistinto e desigual.

Portanto, no caso da maioria das pessoas, o ego não pode derivar satisfação alguma da personalidade, até que esteja no mundo celestial.

O próprio ego conhece o verdadeiro do falso: ele reconhece a verdade quando a vê, e rejeita o falso.

Mas, geralmente, quando ele lança um olhar para baixo, para a personalidade, encontra uma confusão tão louca de formas-pensamento inconsequentes, que não consegue distinguir nada definido.

Ele se afasta em desespero e decide esperar pela quietude do mundo celestial, antes de tentar recolher os fragmentos de verdade dessa caos indecoroso.

Sob condições mais pacíficas do devachan, à medida que as emoções e pensamentos da vida física recente surgem um a um, e se apresentam à luz vívida daquele mundo, eles são examinados com visão clara, a escória é lançada fora, e o tesouro é guardado.

O discípulo deve, naturalmente, tentar provocar essa condição, ainda no corpo físico, purificando a personalidade e harmonizando-a com o ego ou alma.

(Página 196)

Embora o ego seja, sem dúvida, apenas muito parcialmente expresso por seu corpo físico, seria impreciso falar dele como dissociado desse corpo.

Se imaginarmos o ego como um corpo sólido, e o plano físico como uma superfície, então, se o sólido for colocado sobre a superfície, obviamente a figura plana, representando o contato do sólido com a superfície, seria uma expressão excessivamente parcial do sólido.

Além disso, se os vários lados do sólido fossem colocados sobre a superfície sucessivamente, poderíamos obter impressões que difeririam consideravelmente umas das outras.

Todas elas seriam imperfeitas e parciais, porque em todos os casos o sólido teria uma extensão em uma direção inteiramente diferente, que de modo algum poderia ser expressa na superfície plana.

No caso de um homem comum, obteremos um simbolismo quase exato dos fatos se supusermos que o sólido é consciente, apenas na medida em que está em contato com a superfície.

No entanto, os resultados obtidos, através da expressão, de tal consciência, ineririam no sólido considerado como um todo, e estariam presentes em qualquer expressão posterior dele, mesmo que esta pudesse diferir consideravelmente das expressões anteriores.

Quando o ego ainda é subdesenvolvido, ele não pode responder a mais do que muito poucas das vibrações extremamente sutis do plano mental superior, de modo que elas passam através dele praticamente sem afetá-lo.

No início, ele precisa de vibrações poderosas e comparativamente grosseiras para ser afetado: como estas não existem em seu próprio plano, ele tem que se colocar em níveis mais baixos para encontrá-las.

Portanto, a consciência plena chega a ele, no início, apenas no mais baixo e denso de seus veículos, com sua atenção focada por muito tempo no plano físico; de modo que, embora esse plano seja muito inferior ao seu e ofereça muito menos espaço para atividade, ainda assim, nesses estágios iniciais, ele se sente muito mais vivo quando trabalha ali.

À medida que sua consciência aumenta e amplia seu escopo, ele gradualmente começa a trabalhar cada vez mais em matéria (página 197) um estágio acima, ou seja, em matéria astral.

Em um estágio muito posterior, quando ele alcançou um trabalho claro na matéria astral, ele começa a ser capaz de se expressar também através da matéria de seu corpo mental.

Ainda mais tarde, o fim de seu esforço atual é alcançado quando ele trabalha tão plena e claramente na matéria do corpo causal no plano mental superior quanto faz agora no plano físico.

Quando um ego se torna suficientemente desenvolvido para ficar sob a influência direta de um Mestre, a quantidade dessa influência, que pode ser transmitida à personalidade, depende da conexão entre essa personalidade e o ego, que é muito diferente em cada caso: há, de fato, uma variedade infinita na vida humana.

À medida que a força espiritual irradia sobre o ego, algo dela deve fluir sempre para a personalidade, porque o inferior está ligado ao superior, assim como a mão está ligada ao corpo pelo braço.

Mas a personalidade só pode receber aquilo que se tornou capaz de receber.

Há também outro fator importante que entra em operação.

O Mestre frequentemente atua sobre as qualidades no ego que estão muito obscurecidas na personalidade, de modo que, nesse caso, muito pouco desce para a personalidade.

Assim como apenas aquelas experiências da personalidade podem ser transmitidas ao ego, que são compatíveis com a natureza e os interesses do ego, também apenas aqueles impulsos, aos quais a personalidade pode responder, podem se expressar nela.

Devemos também ter em mente que, enquanto o ego tende a excluir o material e receber o espiritual, a tendência geral da personalidade - pelo menos nos estágios iniciais - é excluir o espiritual e receber o material.

Um clarividente pode às vezes ver essas influências em ação.

Assim, em um certo dia, ele pode notar uma característica da personalidade muito intensificada, sem razão externa aparente.

A causa frequentemente se encontra no que está ocorrendo em algum nível superior — a estimulação dessa qualidade no ego.

Um homem pode se encontrar, por (Página 198) exemplo, transbordando de afeto ou devoção, e totalmente incapaz de explicar o porquê no plano físico.

A causa geralmente é a estimulação do ego ou, por outro lado, pode ser que o ego esteja tomando um interesse especial pela personalidade durante esse período.

A relação entre um pupilo e seu Mestre não é de modo algum diferente daquela entre a personalidade e o ego.

Assim como se pode considerar que o ego deposita um pequeno fragmento de si mesmo na personalidade, e se expressa — ainda que imperfeitamente — através dessa personalidade, da mesma maneira o pupilo não meramente representa o Mestre, mas é o Mestre em um sentido muito real, porém o Mestre sob limitações tremendas; essas limitações consistem não apenas nas condições dos próprios planos inferiores, mas também, é claro, na personalidade do pupilo, que está longe de ser transcendida.

Além disso, mesmo que o ego do pupilo tivesse obtido controle perfeito de seus veículos inferiores, ainda haveria a diferença entre o tamanho do ego do pupilo e o do ego do Mestre, porque o pupilo é naturalmente um ego menor do que o Mestre a quem segue e, portanto, só pode ser um representante incompleto d'Ele.

Meditação é um método de atrair a atenção do ego: deve-se, no entanto, ter em mente que, na prática da meditação, em vez de tentar interromper o ego e atraí-lo para baixo, até a personalidade, devemos nos esforçar para alcançá-lo em sua atividade superior.

A influência superior é certamente invocada pela meditação, que é sempre eficaz, mesmo que no plano físico as coisas possam parecer muito monótonas e inteiramente sem entusiasmo.

A sensação de monotonia na personalidade pode, de fato, ser devida à elevação do ego em direção ao alto, e à sua consequente negligência em enviar energia para a personalidade.

A meditação e o estudo de assuntos espirituais nesta vida terrena indubitavelmente fazem uma grande diferença na vida do ego: pois a meditação, feita conscienciosamente (Página 199), abre o canal entre a personalidade e o ego, e o mantém aberto.

Deve-se, no entanto, ter em mente que a meditação física não é diretamente para o ego, mas para o treinamento dos vários veículos para serem um canal para o ego.

De fato, durante a meditação física, o ego considera a personalidade quase como em qualquer outro momento — ele geralmente é ligeiramente desdenhoso.

No entanto, a força que desce é sempre a do ego, mas como é apenas uma pequena parte, tende a dar uma concepção unilateral das coisas.

A pessoa comum, que não levou os assuntos espirituais a sério, tem um fio de conexão entre a personalidade e o ego: na verdade, esse canal é muitas vezes tão estreito que às vezes parece estar quase obstruído. Em alguma ocasião especial — como, por exemplo, a da "conversão" — a força pode irromper novamente.

Para pessoas mais desenvolvidas, há um fluxo constante, em certa medida, entre o ego e a personalidade.

Essas considerações devem nos fazer perceber que não é de modo algum sempre preciso julgar o ego por sua manifestação na personalidade.

Assim, por exemplo, um ego de tipo intensamente atraente pode fazer mais exibição, no plano físico, do que outro de desenvolvimento muito superior, cuja energia acontece de estar concentrada quase exclusivamente nos níveis causal ou búdico.

Portanto, pessoas que julgam meramente pelas aparências do plano físico estão frequentemente completamente erradas em sua estimativa do desenvolvimento relativo dos outros.

Cada uma das descidas sucessivas do ego aos planos inferiores é uma limitação tão indescritível que o homem, que encontramos aqui embaixo no plano físico, é na melhor das hipóteses um fragmento de um fragmento, e como expressão do homem real é tão inadequado que não nos fornece nada que se assemelhe, mesmo remotamente, a uma concepção do que esse homem será no final de sua evolução.

Até que se possa ver o ego, não se tem concepção de quão grande ele realmente é, quão infinitamente mais sábio e mais forte do que a entidade encarnada.

Todos, na realidade, (Página 200) são muito melhores do que jamais parecem ser. O maior santo nunca pode expressar plenamente seu ego; nesse plano superior, ele é um santo ainda maior do que jamais pode ser aqui embaixo.

Mas, magnífico como é, ele ainda é, se assim podemos dizer, vago em sua magnificência.

Há realmente três maneiras pelas quais o ego pode ser desenvolvido e pode influenciar a vida.

[1] O caminho do cientista e do filósofo: estes desenvolvem não apenas a mente inferior, mas também a superior, de modo que uma grande parte do seu pensamento mais abstrato e abrangente desce à sua consciência.

Para tais pessoas, o desenvolvimento da consciência búdica virá mais tarde.

[2] O método de usar as emoções superiores, como afeição, devoção ou simpatia, e assim despertar o princípio búdico em grande medida, sem desenvolver especialmente o corpo causal intermediário.

No entanto, o corpo causal será afetado, pois todo desenvolvimento búdico reage de forma muito poderosa sobre o corpo causal.

Essas pessoas não estão necessariamente desenvolvendo um veículo búdico no qual possam viver permanentemente: mas o uso das emoções superiores inquestionavelmente evoca vibrações na matéria búdica.

Daí há uma agitação no ainda não formado veículo búdico, de modo que muitas de suas vibrações descem e pairam sobre o corpo astral.

Assim, o homem pode receber uma quantidade considerável de influência do plano búdico antes que o veículo esteja plenamente desenvolvido.

[3] O método mais obscuro em que a vontade é posta em atividade, reagindo o corpo físico de alguma forma sobre a matéria átmica.

Muito pouco se sabe sobre como isso opera.

O método da maioria dos estudantes é através da devoção e da viva simpatia pelos seus semelhantes.

Um ego razoavelmente avançado pode às vezes ser bastante descuidado com o seu corpo, porque tudo o que é depositado na personalidade significa tanto tirado do ego, e ele pode, portanto, ressentir tal dispêndio de força.

Um ego pode ser um tanto impaciente e retirar-se um pouco da personalidade: em tais casos, contudo, (Página 201) haveria sempre um fluxo entre o ego e a personalidade, o que não é possível no homem comum.

No homem comum, o fragmento do ego é, por assim dizer, depositado e deixado a cuidar de si mesmo, embora não esteja completamente cortado.

No estágio mais avançado mencionado, contudo, há uma comunicação constante entre os dois ao longo do canal.

O ego pode, portanto, retirar-se sempre que escolher e deixar para trás uma representação muito pobre do homem real.

Assim, vemos que as relações entre o eu inferior e o eu superior variam muito em diferentes pessoas e em diferentes estágios de desenvolvimento.

Um ego ocupado com suas próprias atividades no seu próprio plano pode esquecer por um tempo de dar à sua personalidade a devida atenção, assim como até um homem bom e atencioso pode ocasionalmente fazê-lo.

sob alguma pressão especial de negócios, esquece seu cavalo ou seu cão.

Às vezes, quando isso acontece, a personalidade lhe recorda sua existência tropeçando em alguma tolice, que causa sofrimento sério.

Pode-se notar que, às vezes, após a conclusão de um trabalho especial, que exigiu a cooperação do ego em grande medida — como, por exemplo, palestrar para um grande público — o ego retira sua energia e deixa a personalidade apenas com o suficiente para sentir-se bastante desanimada.

Por um tempo, ele admitiu que havia alguma importância no trabalho e, portanto, derramou um pouco mais de si mesmo, mas depois deixa a infeliz personalidade sentindo-se bastante deprimida.

Devemos sempre lembrar que o ego coloca na personalidade apenas uma parte muito pequena de si mesmo: e como essa parte constantemente se enreda nos interesses que, por serem tão parciais, muitas vezes seguem linhas diferentes das atividades gerais do próprio ego, o ego não presta atenção particular à vida inferior da personalidade, a menos que algo bastante incomum aconteça com ela.

Na vida física do homem comum do mundo (página 202) há pouco interesse para o ego, e é apenas de vez em quando que algo de real importância ocorre, que pode por um momento atrair sua atenção, de modo que ele extrai dela tudo o que vale a pena tomar.

O homem comum vive em fragmentos; mais da metade do tempo ele não está desperto para a vida real e superior de modo algum.

Se um homem se queixa de que seu ego presta muito pouca atenção a ele, que pergunte a si mesmo quanta atenção ele tem dado ao seu ego.

Quantas vezes, por exemplo, em um dado dia, ele sequer pensou no

ego?

Se ele deseja atrair a atenção do ego, deve tornar a personalidade útil a ele.

Assim que começa a dedicar a maior parte de seus pensamentos às coisas superiores — em outras palavras, assim que realmente começa a viver — o ego provavelmente passará a prestar um pouco mais de atenção a ele.

O ego está bem ciente de que certas partes necessárias de sua evolução só podem ser alcançadas através de sua personalidade, em seus corpos mental, astral e físico.

Ele sabe, portanto, que deve, em algum momento, cuidar dela, deve tomá-la em mãos e trazê-la sob seu controle.

Mas podemos compreender bem que a tarefa pode muitas vezes parecer pouco atraente, que uma dada personalidade pode parecer tudo menos atraente ou esperançosa.

Se observarmos muitas das personalidades ao nosso redor, seus corpos físicos repletos de drogas e venenos, seus corpos astrais exalando ganância e sensualidade, e seus corpos mentais sem outros interesses além de ganhar dinheiro e, talvez, de "esportes" das variedades mais grosseiras, não é difícil perceber por que um ego, contemplando-os de sua altura elevada, poderia decidir adiar seu esforço sério para outra encarnação, na esperança de que o próximo conjunto de veículos possa ser mais receptivo à influência do que aqueles sobre os quais seu olhar horrorizado agora repousa.

Podemos imaginar que ele possa dizer a si mesmo: "Não posso fazer nada com isso; vou arriscar minha chance de conseguir algo melhor da próxima vez; dificilmente será pior, e, entretanto, tenho negócios muito mais importantes a tratar aqui em cima".

Um estado de coisas semelhante não raramente ocorre (página 203) nos estágios iniciais de uma nova encarnação.

Como já vimos, desde o nascimento da criança o ego paira sobre ela e, em alguns casos, começa a tentar influenciar seu desenvolvimento enquanto ela ainda é muito jovem.

Mas, como regra geral, ele dá pouca atenção a ela até por volta dos sete anos de idade, época em que o trabalho do elemental cármico já deveria estar praticamente concluído.

Mas as crianças diferem tão amplamente que não é surpreendente constatar que a relação entre os egos e as personalidades envolvidas também difere amplamente.

Algumas personalidades infantis são rápidas e receptivas; outras são obtusas e voluntariosas.

Quando a obtusidade e a falta de receptividade são proeminentes, o ego frequentemente retira seu interesse ativo por um tempo, esperando que, à medida que o corpo infantil cresça, ele possa se tornar mais inteligente ou mais receptivo.

Para nós, tal decisão pode parecer imprudente, porque, se o ego negligencia sua personalidade atual, é improvável que a próxima seja uma melhoria em relação a ela; e se ele permite que o corpo infantil se desenvolva sem sua influência, as qualidades indesejáveis que foram manifestadas podem muito bem se fortalecer, em vez de desaparecerem.

Mas dificilmente estamos em posição de julgar, pois nosso conhecimento do problema é tão imperfeito, e não podemos ver nada dos negócios superiores aos quais o ego está se dedicando.

A partir disso, percebe-se como é impossível julgar, com qualquer precisão, a posição evolutiva de qualquer pessoa que vemos no plano físico.

Em um caso, causas cármicas podem ter produzido uma personalidade muito justa, tendo por trás dela um ego de avanço apenas moderado. Em outro caso, essas causas podem ter dado origem a uma personalidade inferior ou defeituosa, pertencente a um ego comparativamente avançado.

Quando o ego decide voltar toda a força de sua energia sobre a personalidade, a mudança que ele pode produzir é muito grande.

Ninguém que não tenha investigado pessoalmente o assunto pode imaginar quão maravilhosa, quão rápida, quão radical pode ser tal mudança, quando as condições são favoráveis — isto é, quando o ego é (Página 204) razoavelmente forte, e a personalidade não é incurável e viciosa — especialmente quando um esforço determinado é feito pela personalidade, de seu lado, para tornar-se uma expressão perfeita do ego, e tornar-se atraente para ele.

Para compreender como isso pode ser, é, naturalmente, necessário olhar para a questão simultaneamente de dois pontos de vista.

A maioria de nós aqui é muito enfaticamente personalidade, e pensa e age exclusivamente como tal; contudo, sabemos o tempo todo que, na realidade, somos egos, e aqueles de nós que, por muitos anos de meditação, nos tornamos mais sensíveis a influências mais sutis, frequentemente estamos conscientes da intervenção do eu superior.

Quanto mais pudermos criar o hábito de nos identificarmos com o ego, mais clara e sensatamente veremos os problemas da vida.

Mas, na medida em que nos sentimos como personalidades, é obviamente nosso dever, e nosso interesse, abrir-nos ao ego, elevar-nos em direção a ele, e persistentemente estabelecer dentro de nós mesmos tais vibrações que lhe sejam úteis.

Ao menos devemos ter certeza de que não ficamos no caminho do ego, de que sempre fazemos o nosso melhor por ele, segundo nossas luzes.

Uma vez que o egoísmo é a intensificação da personalidade, o primeiro passo deve ser livrar-nos desse vício.

Em seguida, a mente deve ser mantida repleta de pensamentos elevados; pois, se está continuamente ocupada com assuntos inferiores — mesmo que esses assuntos inferiores possam ser bastante estimáveis à sua maneira — o ego não pode prontamente usá-la como canal de expressão.

Quando o ego faz um esforço experimental, quando ele coloca, por assim dizer, um dedo explicativo, deve ser recebido com entusiasmo, e suas ordens devem ser imediatamente obedecidas, para que ele possa cada vez mais tomar posse da mente, e assim entrar em sua herança, no que diz respeito aos planos inferiores.

A personalidade deve, por assim dizer, colocar-se de lado e deixar que o ego, o "guerreiro", lute nela.

Ao assim proceder, contudo, a personalidade deve cuidar (página 205) para que seja devotada à obra, e não à sua parcela ou parte pessoal nela. Deve cuidar para que, num ímpeto de personalidade, lembre-se o tempo todo de que é o ego que está trabalhando nela.

Embora a vagueza do ego, a menos que fosse desenvolvido, possa talvez impedi-lo de indicar uma linha específica de trabalho, ainda assim, quando a personalidade, sendo mais definida, encontra a obra, o ego pode e de fato se derrama nela, e a capacita a realizá-la de maneira muito melhor e com um estado de espírito inteiramente mais elevado do que a personalidade poderia alcançar sem auxílio.

"Mas se tu [a personalidade] não o [o ego] procurares, se o ignorares, então não há salvaguarda para ti.

Tua mente se confundirá, teu coração se tornará incerto, e na poeira do campo de batalha tua visão e teus sentidos falharão, e não distinguirás teus amigos de teus inimigos". [Luz no Caminho] Isto é o que acontece quando a personalidade não busca a orientação superior do ego.

Este é um passo necessário a ser dado, mas pelo homem que pretende firmar seus pés no Caminho que conduz à Iniciação, pois, na Iniciação, o inferior e o superior tornam-se um, ou melhor, o menor é absorvido pelo maior, de modo que nada deve restar na personalidade que não seja uma representação do ego, sendo o inferior meramente uma expressão do superior.

Com isso, contudo, trataremos mais amplamente no Capítulo XXXI, que trata especificamente da Iniciação.

É óbvio, portanto, que a personalidade deve esforçar-se por averiguar o que o ego deseja e proporcionar-lhe as oportunidades que ele quer.

O estudo das coisas internas, como mencionado, e a vivência da vida espiritual despertam o ego e atraem sua atenção.

Para dar um exemplo: suponha que você tenha um ego cujo principal método de manifestação seja a afeição.

Essa qualidade é o que ele quer exibir por meio de sua personalidade: consequentemente, se a personalidade tenta sentir forte afeição e faz disso uma especialidade, o ego prontamente derramará mais de si mesmo na personalidade, (página 206) porque encontra nela exatamente o que deseja.

No selvagem, o eu expressa-se em todos os tipos de emoções e paixões das quais o ego não poderia possivelmente aprovar, mas, no homem desenvolvido, não há emoções senão aquelas que ele escolhe ter.

Em vez de ser influenciado pelas emoções e levado de roldão, ele simplesmente as seleciona.

Ele diria, por exemplo: "O amor é uma coisa boa: permitir-me-ei sentir amor.

A devoção é uma coisa boa: permitir-me-ei sentir devoção.

A simpatia é bela: permitir-me-ei sentir simpatia.

"Isso ele faz com os olhos abertos, intencionalmente.

As emoções estão assim sob o domínio da mente, e essa mente é uma expressão do corpo causal, de modo que o homem está se aproximando muito da condição de completa unidade do eu superior e do eu inferior.

A conexão entre o ego e o corpo mental é da maior importância, e todo esforço deve ser feito para mantê-la ativa e viva.

Pois o ego é a força por trás, que faz uso das qualidades e poderes da personalidade.

Para que possamos pensar em qualquer coisa, devemos lembrá-la; para que possamos lembrá-la, devemos ter prestado atenção a ela; e o prestar atenção é a descida do ego em seus veículos para olhar através deles.

Muitos homens com um corpo mental refinado e um bom cérebro fazem pouco uso deles, porque prestam pouca atenção à vida — isto é, porque o ego está colocando pouco de si mesmo nesses planos inferiores, e assim os veículos são deixados a agir descontroladamente à sua própria vontade.

O remédio para isso já foi declarado: é dar ao ego as condições que ele requer, quando não haverá razão para reclamar de sua resposta.

Parece que as experiências reais da personalidade não podem ser transmitidas ao ego: mas a essência delas pode ser passada a ele.

O ego pouco se importa com detalhes, mas deseja a essência das experiências.

Sendo assim, é evidente (página 207) que o homem comum tem em sua vida muito pouco que apele ao ego.

O sistema de entregar os resultados do trabalho inferior, mas não as experiências detalhadas, prossegue o tempo todo até que o Adeptado seja alcançado.

O estudante fará bem em seguir o conselho dado em A Luz no Caminho: vigie o ego, e deixe-o lutar através de você: mas ao mesmo tempo lembre-se, sempre, de que você é o ego.

Portanto, identifique-se com ele, e faça o inferior ceder lugar ao superior.

Mesmo que você caia muitas vezes, não há razão para se desanimar, pois até o fracasso é, até certo ponto, sucesso, já que pelo fracasso aprendemos, e assim estamos mais sábios para enfrentar o próximo problema.

Não se espera que invariavelmente tenhamos sucesso, mas apenas que sempre façamos o nosso melhor.

Além disso, devemos lembrar que o ego se associou à personalidade porque tem uma fome, ou sede [Trishna], por experiência vívida.

À medida que se desenvolve, a fome diminui pouco a pouco e, às vezes, quando está avançado e se tornou mais sensível aos deleites e atividades do seu próprio plano, ele vai ao outro extremo de negligenciar a sua personalidade, presa como está nas garras do carma, imersa em condições que agora estão cheias de tristeza ou tédio para o ego, porque ele sente que as superou.

Essa diminuição da sede ocorreu à medida que ele desenvolveu a sua personalidade.

Quando ele obteve plena consciência no plano astral, o físico começou a parecer monótono em comparação; ao alcançar o mundo mental inferior, achou o astral escuro e sombrio; e todos os quatro níveis inferiores perderam a sua atração quando ele começou a desfrutar da vida ainda mais vívida e luminosa do corpo causal.

Como já foi apontado, é necessário ter sempre em mente que a consciência é una: é, portanto, um grande equívoco conceber o ego, ou eu superior, como algo "acima", algo essencialmente estranho a nós mesmos e, consequentemente, difícil de alcançar.

(Página 208) Frequentemente falamos do "esforço tremendo" necessário para alcançar o eu superior; outras vezes, da inspiração, etc., que vem do eu superior para nós, cá embaixo.

Em todos esses casos, cometemos o erro fundamental de nos identificarmos com aquilo que não somos, em vez daquilo que fundamentalmente somos.

A primeira condição para a realização espiritual é a certeza, além de qualquer dúvida, de que somos o ego ou eu superior; a segunda condição é que tenhamos plena confiança em nossos próprios poderes como ego e a coragem de usá-los livremente.

Portanto, em vez de considerarmos a consciência da personalidade como usual e normal, deveríamos nos acostumar a considerá-la anormal e não natural, e a vida do ego como a nossa verdadeira vida, da qual, por esforço contínuo, nos mantemos afastados.

Essa atitude em relação aos vários corpos deve ser adotada na vida prática.

Assim, o corpo físico não deve ser permitido a funcionar por conta própria, mas deve ser deliberada e conscientemente treinado para obedecer às ordens do ego.

Dessa forma será realizado o que os filósofos herméticos chamavam de "regeneração" do corpo.

Esta é uma mudança real que, quando realizada, rompe para sempre o domínio do corpo físico sobre a consciência, tornando-o, em vez disso, um instrumento para o uso do ego.

Uma mudança semelhante deve ser realizada com relação ao corpo astral.

Em vez de permitir que o mundo das emoções o influencie e determine sua atividade, o próprio ego deve decidir e determinar quais emoções irá entreter, quais sentimentos permitirá irradiar de seu corpo astral.

Assim, a consciência do ego se desvencilha do corpo astral, e esse corpo torna-se subserviente aos desejos do ego.

Talvez o mais essencial de tudo seja o controle do corpo mental, porque o pensamento é a manifestação da suprema Energia Criativa.

Nunca devemos permitir que imagens-pensamento sejam incitadas de fora: (Página 209) em vez disso, quando imagens-pensamento são criadas, devem sê-lo pela ação deliberada e autoconsciente do próprio ego.

Grande perigo reside na imaginação indisciplinada.

Não fosse pela imaginação, os objetos externos de desejo não teriam poder sobre nós. O ego deve, portanto, adquirir pleno controle sobre a imaginação e permitir que ela exerça sua função apenas nas direções que ele determinar.

A imaginação descontrolada atua também como um poderoso fator na minação e no enfraquecimento da vontade.

Muitas vezes, após alguma resolução ter sido tomada, permite-se que a imaginação brinque com os aspectos desagradáveis daquilo que se decidiu fazer, até que, eventualmente, isso se torne tão desagradável que a ideia de realizá-lo é abandonada por completo.

Shakespeare proferiu uma profunda verdade psicológica ao fazer Hamlet dizer: "a cor nativa da resolução é adoecida pela pálida aparência do pensamento."

O remédio para esse hábito infeliz é óbvio: a vontade e a atenção devem ser irrevogavelmente concentradas, não nas dificuldades ou desagrados que imaginamos nos confrontar, mas na tarefa que deve ser realizada.

"Fortalecei-nos com afirmações constantes", disse Emerson.

Prosseguindo um pouco mais na análise, devemos abandonar a ideia generalizada de que a vontade faz as coisas, de que realizamos algo por um esforço da vontade.

Fazer e realizar não é função da vontade, mas de um aspecto bastante diferente do ego: a atividade criativa.

A vontade é o Governante, o Rei que diz "isto será feito", mas que não vai e faz as coisas Ele mesmo.

Psicologicamente falando, a vontade é o poder de manter a consciência focada em uma única coisa e excluir tudo o mais.

Em si mesma, é perfeitamente serena, quieta e imóvel, sendo, como foi dito, apenas o poder de manter uma coisa e excluir todo o resto.

É quase impossível fixar os limites do poder da vontade humana quando devidamente dirigida.

Ela é tão ( Página 210 ) muito mais abrangente do que o homem comum jamais supõe, que os resultados, obtidos por seu meio, parecem-lhe surpreendentes e sobrenaturais.

Um estudo de seus poderes leva gradualmente a perceber o que significava a afirmação de que, se a fé fosse suficiente, ela poderia remover montanhas e lançá-las ao mar; e mesmo essa descrição oriental parece pouco exagerada quando se examinam instâncias autenticadas do que foi alcançado por esse maravilhoso poder.

Talvez o fator mais importante no uso bem-sucedido da vontade seja a confiança perfeita, que, naturalmente, pode ser adquirida de várias maneiras, conforme o tipo de pessoa envolvida.

Assim que o homem percebe que existe o mundo interior e espiritual do ego, que é de importância enormemente maior em todos os sentidos do que o externo, ele pode muito bem adotar a atitude de um ator, que representa seu papel no mundo apenas por causa da verdadeira vida interior.

Um ator assume vários papéis em diferentes momentos, assim como voltamos em outras encarnações e usamos outros tipos de corpos.

Mas o tempo todo o ator tem sua vida real como homem e como artista também, e, porque tem essa vida própria, ele quer representar bem seu papel, na vida temporária do palco.

Da mesma forma, devemos desejar fazer bem, em nossa vida temporária aqui, por causa da grande realidade por trás, da qual ela é um fragmento muito pequeno.

Se isso for claramente percebido, veremos qual é a importância relativa desta vida exterior: que seu único valor para nós é que representemos bem nosso papel, seja qual for esse papel. Que tipo de papel é, e o que nos acontece nesta existência simulada — essas coisas importam pouco.

Pode ser o ofício de um ator passar por todos os tipos de tristezas e dificuldades fingidas; mas estas não o incomodam em nada.

Ele pode, por exemplo, ter que ser morto toda noite em um duelo; o que importa a morte fingida para ele? A única coisa que lhe concerne é que ele se saia bem.

Portanto, não deve ser difícil perceber que o (página 211) mundo ao nosso redor é um mundo ilusório, e que realmente não importa quais experiências possam nos sobrevir. Todas as coisas que acontecem às pessoas vindas de fora são resultado de seu karma.

As causas foram estabelecidas há muito tempo, em outras vidas, e não podem agora ser alteradas.

Portanto, é inútil preocupar-se com as coisas que acontecem: elas devem ser suportadas filosoficamente.

A maneira como são suportadas molda o caráter para o futuro, e essa é a única coisa importante.

Deve-se usar o karma para desenvolver coragem, resistência e várias outras boas qualidades, e então descartá-lo da mente.

Assim, o divino Self que tateia, se esforça e luta torna-se, conforme a evolução prossegue, o verdadeiro Governante, o Governante Interior Imortal.

Um homem que compreende que ele próprio é esse Governante Imortal, assentado dentro de seus veículos de expressão autocriados, adquire um senso de dignidade e poder que se torna cada vez mais forte e mais imperativo sobre a natureza inferior.

O conhecimento da verdade nos torna livres.

O Governante Interior pode ainda ser dificultado pelas próprias formas que moldou para sua autoexpressão, mas, conhecendo-se como o Governante, pode trabalhar firmemente para trazer seu reino à completa subjugação.

Ele sabe que veio ao mundo com um propósito definido, para tornar-se apto a ser um cooperador da Vontade Suprema, e pode fazer e sofrer tudo o que for necessário para esse fim.

Ele se sabe divino, e que sua autorrealização é apenas uma questão de tempo.

Interiormente, a divindade é sentida, embora exteriormente ainda não seja expressa; sua tarefa é tornar-se em manifestação o que ele é em essência.

Ele é rei de jure, ainda não de facto.

Assim como um Príncipe, nascido para uma coroa, submete-se pacientemente à disciplina que o está habilitando a usá-la, assim a Vontade soberana em nós está evoluindo para a idade em que os poderes reais passarão para seu domínio, e pode, portanto, submeter-se pacientemente à disciplina necessária da vida.

Uma visão correta da relação entre o ego e suas personalidades sucessivas deveria bastar para esclarecer os (página 212) mal-entendidos que surgiram a respeito dos ensinamentos do Senhor Buda.

O Buda pregou constantemente contra a ideia, evidentemente prevalecente em Sua época, da continuação da personalidade.

Mas, embora ensinasse que nada de tudo aquilo com que os homens geralmente se identificam dura para sempre, Ele fez declarações inequívocas sobre as vidas sucessivas dos homens.

Ele deu exemplos de vidas anteriores e comparou as encarnações sucessivas a dias que alguém possa ter passado nesta ou naquela aldeia.

No entanto, a Igreja do Sul do Budismo agora ensina que apenas o karma persiste, não um ego;

como se o homem, em uma vida, gerasse uma certa quantidade de karma e então morresse, e nada restasse dele, mas outra pessoa nascesse e tivesse de arcar com o karma que aquela pessoa não criou.

Com curiosa falta de lógica, porém, apesar do ensinamento formal em contrário, persiste uma crença prática na existência continuada do indivíduo, porque, por exemplo, os monges budistas falam em alcançar o nirvana e reconhecem que isso levará muitas vidas.

O significado real desse ensinamento do Buda reside na grande ênfase que Ele deu à parte externa e temporária do homem, que não perdura, e na implicação de que as partes do homem que não são temporárias ou externas sobrevivem como o ego duradouro, o homem real.

Seu ensinamento, no entanto, foi ainda mais profundo do que isso.

Há uma passagem no Shri Vakya Sudha que adverte o aspirante de que, ao repetir a grande fórmula "Eu sou Aquilo", ele deve ter cuidado com o que quer dizer com "Eu". Explica-se que o indivíduo separado deve ser compreendido como tríplice, e que é a união com Brahman apenas do mais elevado desses três que é proclamada por "Tu és Aquilo" e ditos semelhantes.

Já vimos abundantemente que a personalidade não é o "eu": e mesmo o "você" em mim não é o "eu": o "eu" é algo indistinguível (Página 213) do Ser universal, no qual o múltiplo e o Uno são um.

O ensinamento do Senhor Buda nega a permanência do "você", que os homens chamam de "eu".

Muita sabedoria está frequentemente encerrada na etimologia.

Assim, a própria palavra "persona" é composta das duas palavras latinas *per* e *sona* e, portanto, significa "aquilo através do qual o som vem" — isto é, a máscara usada pelo ator romano para indicar o papel que ele por acaso estava representando naquele momento.

Assim, falamos muito apropriadamente do grupo de veículos inferiores temporários, que um ego assume quando desce à encarnação, como sua "personalidade".

Quase igualmente instrutivas são as palavras *indivíduo* e *individualidade*, que são altamente apropriadas quando aplicadas ao ego.

Pois *indivíduo* significa aquilo que não é divisível sem perda de identidade: subsistindo como um; e *individualidade* é definida como existência separada e distinta.

Indo um passo adiante, a palavra *exist* deriva de *ex*, fora, e *sistere*, fazer estar de pé.

Assim, o ego ou individualidade é feito para se destacar [do Mônada], e se manifesta através da máscara da personalidade.

O Diagrama XXIX é uma tentativa de ilustrar um aspecto da relação do MÔNADA entre o ego e suas personalidades sucessivas.

Vemos no diagrama, primeiro, o Mônada derivando sua vida do Não-Manifesto, e projetando abaixo de si seu ego, com suas características tríplices ou aspectos do EGO.

O ego, por sua vez, projeta (Página 214) de si mesmo para os planos inferiores uma série de personalidades sucessivas.

Estas são mostradas no desenho como gradualmente se alargando, à medida que se desenvolvem, até que, eventualmente, a última personalidade é equilátera, sendo plena e simetricamente desenvolvida, expressando assim, tão plenamente quanto suas limitações inerentes permitem, a natureza e os poderes do ego.

PERSONALIDADES — À medida que as pessoas se desenvolvem, a consciência pessoal pode ser unificada com a vida do ego — tanto quanto isso é possível — e então há apenas uma consciência: mesmo na consciência pessoal haverá a consciência do ego, que saberá tudo o que está acontecendo. Mas, como já foi dito, com muitas pessoas, nos dias de hoje, há frequentemente considerável oposição entre a personalidade e o ego.

Um homem que conseguiu elevar sua consciência ao nível do corpo causal, e assim unificar a consciência dos eus inferior e superior, da personalidade com a individualidade ou ego, tem, naturalmente, a consciência do ego à sua disposição durante toda a sua vida física.

Isso não será de modo algum afetado pela morte do corpo físico, nem mesmo pelas segunda e terceira mortes, nas quais ele deixa para trás os corpos astral e mental, respectivamente.

Sua consciência, de fato, reside no ego o tempo todo, e atua através de qualquer veículo que ele possa estar usando em um dado momento.

Para ele, toda a série de suas encarnações é apenas uma longa vida: o que chamamos de encarnação é, para ele, um dia nessa vida.

Ao longo de toda a sua evolução humana, sua consciência está plenamente ativa.

A propósito, podemos notar que ele está gerando karma tanto em um período quanto em outro; e embora sua condição em qualquer momento dado seja o resultado das causas que ele colocou em movimento no passado, não há instante em que ele não esteja modificando suas condições pelo exercício do pensamento e da vontade.

Embora esta consideração se aplique a todos os homens, é claro que aquele que possui a consciência do ego está em posição de modificar seu karma mais deliberadamente, e com ( Página 215 ) efeito mais calculado, do que aquele que não alcançou a consciência contínua do ego.

H.P. Blavatsky fala do Eu Superior como o "grande Mestre", embora ela esteja aqui usando o termo Mestre em um sentido incomum, diferente daquele em que é mais empregado hoje.

É, ela diz, o equivalente de Avalokiteshvara, e o mesmo que Adi-Buddha para os ocultistas budistas, Atma para os brâmanes, e Christos para os antigos gnósticos.

CAPÍTULO XXVII

O EGO NA PERSONALIDADE

( Página 216 ) Há uma série de maneiras pelas quais a atividade do ego pode ser mais especificamente observada operando através da consciência da personalidade.

Em primeiro lugar, como já foi apontado mais de uma vez, qualquer coisa má ou egoísta não pode, pelo próprio mecanismo dos planos superiores, afetar o ego, e podemos portanto dizer que ele não tem nada a ver com isso. Apenas pensamentos e sentimentos altruístas podem afetar o ego: todos os pensamentos e sentimentos inferiores afetam os átomos permanentes, não o ego: e como vimos, correspondendo a eles encontramos lacunas no corpo causal, não cores "más".

O ego está preocupado apenas com sentimentos e pensamentos puramente altruístas.

A maioria das pessoas está consciente de momentos em que são preenchidas com inspiração esplêndida e exaltação, com devoção ardente e alegria.

Esses momentos, é claro, são precisamente aqueles em que o ego consegue imprimir-se na consciência inferior; mas aquilo que é então sentido é, na realidade, ali o tempo todo, embora a personalidade nem sempre esteja consciente disso. O aspirante deve esforçar-se para perceber, tanto pela razão quanto pela fé, que isso está sempre ali, e então parecerá como se ele realmente o sentisse, mesmo nos momentos em que o vínculo é imperfeito, e quando ele não o sente na consciência pessoal.

Além disso, é evidente que, enquanto a mente responde aos apelos dos planos físico, astral e mental inferior, é improvável que ouça a mensagem que o ego tenta transmitir à personalidade a partir de seus próprios planos superiores.

Um impulso emocional pertencente ao plano astral é, por vezes, confundido com verdadeira aspiração espiritual (Página 217), porque o que acontece no veículo búdico, se trazido à personalidade, reflete-se no corpo astral.

Um exemplo clássico desse fenômeno encontra-se nas reuniões de reavivamento religioso.

Tais grandes comoções emocionais, embora por vezes benéficas, são em muitos casos prejudiciais, tendendo a desequilibrar as pessoas mentalmente.

Duas regras simples, porém excelentes, podem ser dadas para diferenciar uma verdadeira intuição de mero impulso.

Primeira: se o assunto for deixado de lado por um tempo e "dormir-se sobre ele", um impulso provavelmente desaparecerá; uma intuição genuína permanecerá tão forte quanto antes.

Segunda: a verdadeira intuição está sempre ligada a algo altruísta; se houver qualquer toque de egoísmo, pode-se ter certeza de que é apenas um impulso astral, e não uma verdadeira intuição búdica.

A influência do ego é frequentemente sentida em ocasiões em que parece saber-se, por convicção interior, que uma coisa é verdadeira, sem ser capaz de raciocinar sobre ela.

O ego sabe, e tem boas razões para seu conhecimento; mas às vezes não consegue imprimir suas razões no cérebro físico, embora o simples fato de que ele sabe consiga atravessar.

Assim, quando uma nova verdade nos é apresentada, sabemos de imediato se podemos aceitá-la ou não.

Isso não é superstição, mas uma intensa convicção interior.

Superficialmente, pode parecer que se abandona a razão em favor da intuição; mas então deve-se lembrar que buddhi, que traduzimos como "intuição", é conhecida na Índia como "razão pura". É a razão do ego, de um tipo superior àquela que temos nos planos inferiores.

Mais especificamente, podemos dizer que manas dá inspiração; buddhi dá intuição quanto ao certo e ao errado; Atma é a consciência diretora, ordenando que o homem siga aquilo que sabe ser o melhor, muitas vezes quando a mente tenta inventar alguma desculpa para agir de outro modo.

Novamente, as manifestações do gênio não passam do apego momentâneo do cérebro pela ampla (Página 218) consciência do ego, forçando-o a uma percepção, a uma força de apreensão e a uma amplitude de visão que causam seu nobre alcance.

Esta grande consciência é o Self real, o homem real.

Muitas coisas que vemos ao nosso redor, ou que nos acontecem, são indícios dessa consciência maior, sussurros, ainda mal articulados, mas com toda a promessa do futuro, que vêm da terra do nosso nascimento, do mundo ao qual verdadeiramente pertencemos.

São a voz do espírito vivo, não nascido, imortal, antigo, perpétuo, constante.

São a voz do Deus interior, falando no corpo do homem.

A vida nos ensina de duas maneiras: pela instrução que o mundo nos dá, e pela intuição, o funcionamento do eu interior.

À medida que os homens se desenvolvem, sua intuição aumenta, e eles não dependem tanto quanto antes da instrução que o mundo oferece.

Isso é outra maneira de dizer que o homem que usa seus poderes interiores pode aprender muito mais com uma pequena experiência do que outros homens podem aprender com uma grande quantidade.

Devido à atividade de sua inteligência inata, o homem desenvolvido é capaz de ver o grande significado até mesmo das coisas pequenas; mas a mente não desenvolvida é cheia de curiosidade.

Ela é ávida por novidades, porque, não sendo boa em pensar, logo esgota o significado óbvio das coisas comuns.

Essa mente é a que anseia por milagres em conexão com sua experiência religiosa, pois é cega para os inúmeros milagres que a cercam o tempo todo.

O que chamamos de ditames da consciência vêm de cima e representam geralmente o conhecimento do ego sobre o assunto.

Mas aqui uma palavra de cautela é necessária.

O próprio ego é, por enquanto, apenas parcialmente desenvolvido.

Seu conhecimento sobre qualquer assunto dado pode ser bastante pequeno, ou mesmo impreciso, e ele só pode raciocinar a partir das informações que tem diante de si.

Por causa disso, a consciência de um homem frequentemente o desencaminha, pois um ego que é jovem e sabe pouco pode ainda ser capaz de imprimir sua vontade sobre a personalidade.

Mas, como regra geral, o ego não desenvolvido também é subdesenvolvido em seu poder de se imprimir (Página 219) sobre seus veículos inferiores; e talvez isso seja até bom.

Às vezes, porém, como foi dito, um ego que carece de desenvolvimento em tolerância e amplo conhecimento pode ainda ter uma vontade suficientemente forte para imprimir em seu cérebro físico ordens que mostram que ele é um ego muito jovem e não compreende.

Portanto, quando a consciência parece ditar algo que é claramente contrário às grandes leis de misericórdia, verdade e justiça [como, possivelmente, foi o caso de alguns inquisidores], o homem deve pensar cuidadosamente se a regra universal não é algo maior do que a aplicação particular que parece conflitar com ela. O intelecto deve ser sempre usado de tal maneira que seja um instrumento do ego, e não um obstáculo no caminho de seu desenvolvimento.

Um exemplo curioso da maneira como um ego pode se manifestar à personalidade é o descrito em *The Mental Body*, p. 280. Certa oradora, ao pronunciar uma frase de uma palestra, habitualmente vê a frase seguinte materializar-se de fato no ar diante de si, sob três formas diferentes, das quais ela conscientemente seleciona aquela que julga ser a melhor.

Isto é evidentemente obra do ego, embora seja um pouco difícil entender por que ele adota esse método de comunicação, em vez de ele próprio selecionar a forma que considera melhor e imprimir apenas essa forma na consciência pessoal.

Aquilo que é conhecido pelos místicos como a "Voz do Silêncio" difere para pessoas em diferentes estágios.

A voz do silêncio para qualquer um é aquilo que provém da parte de si que está acima do que sua consciência pode alcançar e, naturalmente, isso muda à medida que sua evolução progride.

Para aqueles que ainda trabalham com a personalidade, a voz do ego é a voz do silêncio, mas quando alguém dominou inteiramente a personalidade e a tornou una com o ego, de modo que o ego possa trabalhar perfeitamente através dela, é a voz do Atma — o espírito triplo no plano nirvânico.

Quando isso é (Página 220) alcançado, ainda haverá uma voz do silêncio — a do Monad.

Quando o homem identifica o ego e o Monad e atinge o Adeptado, ele ainda encontrará uma voz do silêncio descendo até ele do alto, mas então será a voz, talvez, de um dos Ministros da Divindade, um dos Logos Planetários.

Talvez para Ele, por sua vez, seja a voz do próprio Logos Solar.

A "Voz do Silêncio", portanto, de qualquer nível que venha, é sempre essencialmente divina.

O ego trabalha no corpo físico através das duas grandes divisões do sistema nervoso — o simpático e o cérebro-espinhal.

O sistema simpático está conectado principalmente com o corpo astral; o sistema cerebrospinal, com o corpo mental, estando este sistema cada vez mais sob a influência do ego à medida que ele avança em poder intelectual.

À medida que o sistema cerebrospinal se desenvolvia, o ego transferia para o sistema simpático cada vez mais partes de sua consciência, definitivamente estabelecidas, para as quais não precisava mais voltar sua atenção, a fim de mantê-las em funcionamento.

É possível, pelos métodos do Hatha Yoga, por exemplo, que o ego restabeleça controle direto sobre porções do sistema simpático; fazê-lo, no entanto, obviamente não é um passo à frente, mas um passo atrás na evolução.

O estudante deve recordar que o ego está sempre se esforçando para ascender, tentando livrar-se dos planos inferiores, esforçando-se para lançar fora os fardos que impedem sua escalada.

Ele não quer ser incomodado, por exemplo, com o cuidado das funções vitais do corpo, e dá atenção à maquinaria apenas quando algo sai errado.

Como dito anteriormente, todos esses funcionamentos são recuperáveis, mas não vale a pena fazê-lo. Ao contrário, quanto mais pudermos entregar a esse automatismo, melhor; pois quanto menos tivermos de utilizar a consciência desperta para as coisas que se repetem constantemente, mais teremos para trabalhar nas coisas que realmente necessitam de atenção (página 221) e que são provavelmente muito mais importantes, pelo menos do ponto de vista do ego.

Ocasionalmente, um homem pode ser dominado por uma "ideia fixa", resultando isso em alguns casos em loucura e, em outros, na devoção ou determinação inabalável do santo ou do mártir.

Essas duas classes de casos têm origens psicológicas diversas, que podemos agora estudar.

Uma ideia fixa que é loucura é uma ideia que o ego entregou ao sistema simpático, de modo que ela se tornou parte do "subconsciente". Pode ser um estado de espírito ou noção passado, que o ego já superou; ou um fato esquecido, reafirmando-se subitamente, desacompanhado de seu contexto adequado; ou a conexão de duas ideias incongruentes; e assim por diante.

Há inúmeras dessas ideias, com as quais o ego teve de lidar no passado e que ele não expulsou inteiramente do mecanismo da consciência, de modo que elas ali permaneceram, embora o próprio ego já as tenha superado.

Enquanto qualquer parte do mecanismo da consciência puder responder a elas, por tanto tempo essas ideias podem emergir acima do horizonte, ou "limiar", da consciência.

Quando tal ideia surge, como surge, sem razão, sem racionalidade, com o ímpeto e a onda e a força apaixonada do passado, ela subjuga o mecanismo mais sutil que o ego evoluiu para seus propósitos superiores.

Pois ideias, como aquelas que estamos considerando, são mais fortes no plano físico do que aquelas que chamamos de ideias mentais comuns, porque, sendo suas vibrações mais lentas e mais grosseiras, produzem mais resultado na matéria mais densa.

É muito mais fácil afetar o corpo físico, por exemplo, pela onda de uma emoção bárbara, do que pelo raciocínio sutil de um filósofo.

Podemos afirmar, então, que a ideia fixa do louco é geralmente uma ideia que deixou seu traço no sistema simpático, e que, durante alguma perturbação ou enfraquecimento do sistema cerebrospinal, é capaz de se afirmar na consciência.

Ela surge de baixo.

( Página 222 )

A ideia fixa do santo ou mártir, por outro lado, é uma coisa muito diferente.

Esta desce do próprio ego, que se esforça por imprimir no cérebro físico sua própria emoção mais elevada, seu próprio conhecimento mais amplo.

O ego, que pode ver mais longe nos planos superiores do que pode no invólucro físico, tenta imprimir nesse invólucro físico sua própria vontade, seu próprio desejo pelo mais alto e mais nobre.

Ela vem com poder todo-dominador; não pode aprovar-se à razão, pois o cérebro ainda não está pronto para raciocinar nessas linhas de conhecimento superior e de visão e intuição mais profundas; mas desce, com a força do ego sobre um corpo preparado para ela, e assim se afirma como o poder dominante, guiando o homem à ação heroica, ao martírio, à santidade.

Tais ideias fixas vêm, não, como na classe anterior, de baixo, mas de cima; não do subconsciente, mas do superconsciente.

Como foi dito em O Corpo Mental, p. 279, não precisamos recuar diante do fato de que há frequentemente uma instabilidade psicológica associada ao gênio, como expresso no ditado de que o gênio é parente da loucura, e na afirmação de Lombroso e outros de que muitos dos santos eram neuropatas.

Quanto mais delicado o mecanismo, mais facilmente pode ser sobrecarregado ou desengrenado; daí que às vezes é verdade que a própria instabilidade do gênio ou do santo é a própria condição da inspiração, não estando o cérebro normal ainda suficientemente desenvolvido, nem sendo suficientemente delicado, para responder às ondas sutis que provêm da consciência superior.

Assim, aqueles impulsos, que chamamos de impulsos do gênio, descem do superconsciente, do reino do próprio ego.

Não apenas essas inspirações da consciência superior às vezes causam instabilidade cerebral, mas, como é bem sabido, são frequentemente acompanhadas de grande irregularidade na conduta moral.

A razão para isso é interessante e importante.

Quando qualquer força desce, de um plano superior a um plano inferior, (Página 223) ela está sujeita a transmutação no veículo no qual adentra.

De acordo com a natureza do veículo será a transmutação da força, uma porção da força sendo transformada pelo veículo, no qual ela atua,

na forma de energia à qual esse veículo mais prontamente se presta.

Daí, por exemplo, se um organismo tiver uma tendência à excitação sexual, o fluxo descendente da força do gênio aumentará imensamente a força da sexualidade, por aquela parte que é transmitida em vitalidade.

Podemos notar aqui, como exemplo do funcionamento desse princípio, que na Terceira Raça, o fluxo descendente da vida espiritual, nos canais do homem animal, aumentou tão enormemente seus poderes animais, que foi necessário que os Filhos da Mente viessem em sua assistência, ou a humanidade teria mergulhado nas mais vis excessos animais, a própria força da vida espiritual aumentando a profundidade do mergulho na degradação.

A lição a ser aprendida aqui é claramente que, antes de convidarmos o influxo das forças superiores, é de suma importância primeiro purificar a natureza inferior.

Como o Buda ensinou, a primeira regra é: "Cessai de fazer o mal".

Nas palavras de A Voz do Silêncio: "Cuidado, não ponhas o pé ainda manchado no degrau mais baixo da escada.

Ai daquele que ousa poluir um degrau com pés enlameados.

A lama fétida e viscosa secará, tornar-se-á tenaz, e então colará seus pés ao lugar; e como um pássaro preso na cal pegajosa do astuto passarinheiro, ele será detido de todo progresso ulterior.

Seus vícios tomarão forma e o arrastarão para baixo."

Seus pecados erguerão suas vozes como o riso e o soluço do chacal após o pôr do sol; seus pensamentos se tornarão um exército e o levarão cativo como escravo.

"Mata teus desejos, Lanoo, torna teus vícios impotentes, antes que o primeiro passo seja dado na jornada solene.

"Estrangula teus pecados e faze-os mudos para sempre, antes de levantares um pé para subir a escada.

"Silencia teus pensamentos e fixa toda a tua atenção em teu Mestre, a quem ainda não vês, mas a quem sentes."

(Página 224) O estudante dificilmente precisará que lhe digam que um dos significados de "teu Mestre" é o seu próprio ego.

Um homem no Caminho deve fazer seu trabalho completamente.

No limiar, os erros podem ser facilmente corrigidos.

Mas, a menos que o discípulo se livre inteiramente, por exemplo, do desejo de poder, nos estágios iniciais de seu aprendizado espiritual, ele se tornará cada vez mais forte.

Se ele não o eliminar pela raiz onde está baseado nos planos físico, astral e mental, mas permitir que se enraíze no plano espiritual do ego, achará muito difícil erradicá-lo.

A ambição assim estabelecida no corpo causal é levada de vida em vida.

Portanto, o pupilo deve acautelar-se para não permitir que a ambição espiritual toque o corpo causal, e assim construa nele elementos de separatividade, que cada vez mais envolvem a vida.

Um homem que é gênio em alguma linha pode muitas vezes achar fácil aplicar tremenda concentração à sua linha particular de trabalho; mas, quando ele relaxa disso, sua vida comum pode muito bem estar ainda cheia de redemoinhos em seus corpos mental e astral.

Tais redemoinhos podem e constantemente se cristalizam em preconceitos permanentes, e produzem verdadeiras congestões de matéria que se assemelham muito a verrugas no corpo mental [ver The Mental Body, p. 31]. Isso, naturalmente, não é o que se requer: o estudante de ocultismo visa nada menos que a destruição completa dos redemoinhos, de modo a desembaraçar a mente inferior e torná-la o servo calmo e obediente do eu superior em todos os momentos.

Durante o sono do corpo físico, embora o ego deixe o corpo, ele sempre mantém uma conexão estreita com ele, de modo que, em circunstâncias ordinárias, ele seria rapidamente chamado de volta a ele por qualquer tentativa que pudesse ser feita contra ele, por exemplo, para obsidiá-lo.

Embora existam várias causas bastante diferentes para o sonambulismo [vide O Corpo Astral, p. 90-91], há alguns casos em que parece que o ego é capaz de agir mais diretamente sobre seu corpo físico durante a ausência dos veículos mental e astral intermediários — (página 225) — casos em que o homem é capaz, durante o sono, de escrever poesia ou pintar quadros que estariam muito além de suas faculdades quando desperto.

O ego frequentemente imprime suas ideias na personalidade durante os sonhos, utilizando conjuntos de símbolos, dos quais cada ego possui seu próprio sistema, embora algumas formas pareçam gerais nos sonhos.

Assim, diz-se que sonhar com água significa algum tipo de perturbação, embora não pareça haver qualquer conexão real entre os dois.

Mas, mesmo que não haja conexão real, um ego — ou, aliás, alguma outra entidade que deseje comunicar-se — pode usar o símbolo, meramente porque é compreendido pela personalidade, e, por meio dele, advertir a personalidade de alguma desgraça iminente.

Sonhos proféticos devem ser atribuídos exclusivamente à ação do ego, que ou prevê por si mesmo, ou é informado de algum evento futuro, para o qual deseja preparar sua consciência inferior.

Isso pode ser de qualquer grau de clareza e precisão, conforme o poder do ego de assimilá-lo por si mesmo e, tendo feito isso, de imprimi-lo em seu cérebro desperto.

Às vezes o evento é de momento sério, como morte ou desastre, de modo que o motivo do ego, ao tentar imprimi-lo, é óbvio.

Em outras ocasiões, contudo, o fato previsto é aparentemente sem importância, de modo que é difícil compreender por que o ego se daria ao trabalho. Mas em tais casos, deve-se ter em mente que o fato lembrado pode ser meramente um detalhe trivial de uma visão muito maior, cujo restante não chegou ao cérebro físico.

Histórias de tais sonhos proféticos são, naturalmente, bastante comuns.

Várias podem ser encontradas em Dreams, de C.W. Leadbeater, p. 52 e seguintes.

Para trazer, ao cérebro físico, impressões do ego, é óbvio que o cérebro deve estar calmo.

Tudo o que vem do corpo causal deve passar pelos corpos mental e astral e, se algum destes estiver perturbado, reflete-se imperfeitamente, assim como a menor ondulação na superfície de um lago desfaz e distorce as imagens nele refletidas. É necessário (página 226) também erradicar absolutamente todos os preconceitos; caso contrário, eles produzirão o efeito de um vidro colorido, tingindo tudo o que é visto através deles e, assim, dando uma impressão falsa.

Se um homem deve ouvir a "voz mansa e delicada" com certeza e precisão, ele deve estar em silêncio: o homem exterior deve permanecer inabalável diante de todas as coisas externas, tanto pelo clamor das grandes ondas da vida que se lançam contra ele, quanto pelo murmúrio sutil das ondulações mais suaves.

Ele deve aprender a estar muito quieto, a não ter desejos nem aversões.

Exceto em raras ocasiões, quando ela é excepcionalmente forte, é somente quando os desejos e aversões pessoais cessaram de existir, quando a voz do mundo exterior não pode mais comandá-lo, que um homem pode ouvir a voz interior que deveria ser seu guia infalível.

CAPÍTULO XXVIII

O EGO E A PERSONALIDADE: AUXÍLIOS SACRAMENTAIS

(Página 227) Os sacramentos da religião cristã, e também as cerimônias da Maçonaria, têm uma relação tão íntima com a relação entre o ego e a personalidade que justificam a dedicação de um capítulo separado à consideração deste importante aspecto de nosso assunto.

Consideraremos primeiro os sacramentos do cristianismo, tal como são celebrados na Igreja Católica Liberal.

A Igreja Cristã propõe-se a receber a alma ou ego, assim que ele entra em seu novo conjunto de corpos, oferecendo-lhe boas-vindas e assistência: isso é realizado através da cerimônia do batismo.

Como não é viável alcançar o próprio ego, seus veículos são tratados no plano físico.

Como vimos, o que o ego mais precisa é colocar em ordem seu novo conjunto de veículos, para que possa trabalhar através deles.

Vindo, como vem, carregado com os resultados de suas vidas passadas, ele traz dentro de si sementes de boas qualidades e também sementes de más qualidades.

Essas sementes do mal têm sido frequentemente chamadas de "pecado original" e, de forma bastante equivocada, conectadas à ação lendária de Adão e Eva.

É obviamente de grande importância para a criança que tudo o que for possível seja feito para eliminar os germes do mal e encorajar os do bem: é com esse fim que o sacramento do batismo é especialmente concebido.

A água usada é magnetizada, com especial atenção ao efeito de suas vibrações sobre os veículos superiores, de modo que todos os germes das boas qualidades, nos corpos astral e mental ainda informes da criança, possam receber um forte estímulo, enquanto, ao mesmo tempo, os germes do mal possam ser isolados e amortecidos.

( Página 228 ) A cerimônia tem também outro aspecto: o de consagrar e separar os novos veículos para a verdadeira expressão da alma interior, e, quando é devida e inteligentemente realizada, não há dúvida de que seu efeito é poderoso, podendo influenciar toda a vida futura da criança.

A cerimônia batismal traz uma nova força em atividade, do lado do ego, a fim de influenciar seus veículos na direção correta.

Subjacente à crença de que, no batismo, um anjo da guarda é dado à criança, está o fato de que uma nova forma-pensamento, ou elemental artificial, é construída, a qual é preenchida pela força divina e também animada por uma espécie superior de espírito da natureza, conhecido como silfo.

Este permanece com a criança como um fator a favor do bem, de modo que, para todos os efeitos, é um anjo da guarda.

Incidentalmente, por meio desse trabalho, o silfo torna-se individualizado e cresce de silfo a serafim, através de sua associação com uma forma-pensamento, permeada pela vida e pelo pensamento do próprio Cabeça da Igreja.

O sacramento do batismo não pode alterar a disposição do homem, mas pode tornar seus veículos um pouco mais fáceis de administrar.

Não transforma subitamente um demônio em anjo, nem um homem muito mau em bom, mas certamente dá ao homem uma chance melhor.

Isso é o que se pretende fazer, e esse é o limite de seu poder.

Além disso, e mais especificamente, a cerimônia batismal destina-se a abrir os chakras, ou centros de força, e a fazê-los girar muito mais rapidamente.

Quando isso foi feito [para detalhes, o estudante é remetido a A Ciência dos Sacramentos], e a forma-pensamento do "anjo da guarda" foi construída, a infusão da força espiritual tríplice ocorre no próprio batismo em si, através do meio da água consagrada.

À medida que os nomes da Trindade são invocados, a força flui inquestionavelmente das Três Pessoas do próprio Deus Solar, embora nos alcance através dos estágios intermediários do Cristo, que é o Cabeça da Igreja, ( Página 229 ) e do sacerdote ordenado.

O pensamento que preenche a forma-pensamento do anjo da guarda é, na verdade, realmente o do próprio Cristo.

O batismo é destinado principalmente a crianças de tenra idade, e a sua administração na infância não pode ser totalmente suprida pelo batismo na vida posterior.

Este adulto já verificou há muito tempo, necessariamente, a questão dos seus veículos por si mesmo, e as suas correntes fluem de maneira muito semelhante à que o batismo teria feito com que fluíssem; mas geralmente se verá que os "cantos" não são limpos, grande parte da aura parece não vivificada, e há uma grande quantidade de matéria indeterminada, com a qual nada está sendo feito; ela tem, portanto, uma tendência a sair da circulação geral, a assentar e formar um depósito, e assim gradualmente a obstruir a maquinaria e interferir no seu funcionamento eficiente.

O batismo na infância evita grande parte desse resultado desagradável.

No caso de pessoas mais velhas, é dado um tipo diferente de sílfo, uma entidade mais experiente no mundo, capaz de se desenvolver em uma inteligência mais aguçada.

Há algo de meio cínico nele: ele tem paciência incansável, mas não parece esperar muito, enquanto o anjo do bebê é otimista — mais vago, talvez, do que o outro, mas cheio de amor e esperança, e de planos para o futuro.

Ainda assim, uma influência salutar e benéfica é exercida pelo batismo de adultos; a unção com o sagrado crisma não deixa de ter a sua utilidade, na purificação do portal pelo qual o homem entra e sai do seu corpo durante o sono, e mesmo na confecção do escudo, diante e atrás, é boa, especialmente para aqueles que são jovens e solteiros.

No sacramento da Confirmação, o bispo pronuncia uma bênção preliminar, que se destina

a ampliar a conexão entre o ego e os seus veículos, a fim de preparar o caminho para o que está por vir.

Poderíamos dizer que o objetivo é esticar tanto a alma quanto os veículos até a sua capacidade máxima, para que possam receber mais da efusão Divina. (Página 230)

Ao fazer o sinal da cruz, nos lugares apropriados, o bispo derrama no candidato um poder, que é definitivamente o da Terceira Pessoa da Trindade.

Este vem em três ondas, e atua nos três níveis, sobre os princípios do candidato.

O poder divino irrompe através do ego do bispo, na mente superior do candidato: então ele empurra para cima, no Buddhi, e finalmente pressiona para cima, no Atma.

Em cada caso, é através do aspecto da Terceira Pessoa de cada um desses princípios que o trabalho é realizado.

Alguns candidatos são, naturalmente, muito mais suscetíveis ao processo de abertura do que outros.

Sobre alguns, o efeito produzido é enorme e duradouro; no caso de outros, é frequentemente apenas ligeiro, porque, até agora, aquilo que deve ser despertado é tão pouco desenvolvido que mal é capaz de qualquer resposta.

Quando o despertar, na medida do possível, foi alcançado, vem o que pode ser chamado de preenchimento e selamento de Atma, buddhi e manas.

O efeito sobre Atma é refletido no duplo etérico, na medida em que o desenvolvimento permite; o efeito sobre buddhi é reproduzido no corpo astral; e o efeito sobre o manas superior é espelhado no corpo mental.

A intenção da Confirmação é, portanto, fortalecer os elos em toda a extensão, para provocar uma conexão mais estreita entre o ego e a personalidade, e também entre o ego e a mônada.

O resultado não é meramente temporário; a abertura das conexões cria um canal mais amplo, através do qual um fluxo constante pode ser mantido.

A Confirmação arma e equipa um menino ou menina para a vida, e torna mais fácil para o ego agir sobre e através de seus veículos.

Passando às Ordens Menores, vemos que o Clérigo tem a intenção de visar o controle de seu corpo físico; o Porteiro, de purificar e controlar seu corpo astral; o Leitor deve aprender a manejar as forças de sua mente; a ordenação do Exorcista é direcionada ao corpo causal, e tem a intenção de desenvolver a vontade, e dar ao ego um controle mais pleno dos veículos inferiores.

O grau de Acólito (Página 231) tem a intenção de ajudar o homem a acelerar sua intuição, a faculdade búddhica.

Nesta série de diagramas, os seguintes símbolos são empregados:--

Princípio dormente ou latente

Ligeiramente despertado

Parcialmente despertado e brilhante.

Despertado e brilhante.

Primeiro grau de conexão com o Cristo.

Segunda e mais forte conexão.

Conexão mais plena com o Cristo.

Conexão com o Logos.

Diagrama XXX.—Símbolos usados nos Diagramas XXXI-XXXV.

(Página 232) No Diagrama XXXI, ilustramos a condição de um leigo inteligente e culto.

O homem verdadeiro, a Mônada, é mostrado em seu próprio plano, o de Anupadaka.

Ele expressa, ou manifesta a si mesmo, em seus três aspectos no plano de Atma: estes chamaremos de Atma [1], Atma [2] e Atma [3], e marcamos nos diagramas como A1, A2 e A3, respectivamente.

Desses três aspectos, o primeiro [A1] permanece no plano de Atma; o segundo desce, ou move-se para fora, até o plano de buddhi, onde o chamaremos de Buddhi [1], marcando-o como B1. O terceiro desce ou move-se através dos dois planos e se mostra no mundo mental superior como Manas, ou M: este aspecto, também, à medida que desce ou se move através do plano de Buddhi, o chamaremos de Buddhi [2] ou B2.

DIAGRAMA XXXI.—Os Princípios de um "Leigo Inteligente e Culto".

Essas três manifestações externas ou inferiores, A1, B1 e M, tomadas em conjunto, constituem, como sabemos, a alma ou ego, em seu corpo causal, como indicado no diagrama pela linha pontilhada que as envolve.

Assim vemos que, além dos princípios de Atma, buddhi e manas, expressos no ego como A1, B1 e M, há também, ainda latente e não desenvolvido, outro aspecto de Buddhi [B2], e dois aspectos de Atma [A1 e A2], perfazendo três aspectos adicionais ainda a serem trazidos da latência e desenvolvidos em atividade.

Agora, no próprio Cristo, o Homem Perfeito, esses princípios também existem, exatamente na mesma ordem: mas em Seu caso, eles estão, é claro, plenamente desenvolvidos e, além disso, misticamente unidos à segunda Pessoa da Trindade.

Um dos dons conferidos pela ordenação é a ligação de certos desses princípios, no ordenando, (página 233) com os princípios correspondentes do Cristo, de modo que um canal definido é formado, pelo qual força espiritual e sabedoria fluem, até o limite máximo da receptividade do ordenando.

A Ordenação ao grau de Subdiácono não confere poderes, mas auxilia na preparação do caminho para a Ordenação ao grau de Diácono, o mais baixo das três Ordens Maiores.

O bispo, portanto, tenta suavemente alargar a conexão [o antahkarana, ver p.190] entre o ego e os veículos inferiores do Subdiácono [ver Diagrama XXXII-A].

Na Ordenação de um diácono, a ligação entre o ego e seus veículos é alargada, para se tornar um canal, e também o manas superior [M] é ligado ao princípio correspondente do Cristo.

Em alguns casos, buddhi [B1] pode também ser despertado e feito a brilhar levemente, estabelecendo assim uma tênue linha de conexão entre ele e o manas superior.

Esses efeitos são indicados no Diagrama XXXII-B.

DIAGRAMA XXXII.—Os Princípios de um Subdiácono e Diácono. Essa abertura do canal é um afastamento tão grande...

vida comum que só pode ser feito por etapas, e o primeiro passo em direção a ele, na Ordenação de um diácono, pode ser considerado praticamente uma operação cirúrgica psíquica.

A influência tríplice, da qual um bispo é tão especialmente o guardião '[como veremos em breve], é fortemente chamada à manifestação e derramada, de modo que, ao atuar sobre os princípios correspondentes do ordenando, os agita em vibração simpática; eles se tornam, portanto, pelo menos por um tempo, enormemente mais ativos e receptivos do que nunca.

Ao concluir a cerimônia de ordenação, o bispo faz uma cruz final, cujo propósito expresso é engrossar as paredes do vínculo muito expandido entre o ego e a personalidade, endurecê-las (página 234) e mantê-las mais firmemente em sua nova forma.

É como se uma espécie de arcabouço fosse erguido internamente, um revestimento para impedir que o canal alargado se contraia.

O estabelecimento do vínculo entre o diácono e o Cristo capacita o manas superior do Cristo a influenciar o do diácono e a agitá-lo em atividade benéfica.

Escusado será dizer que não se segue necessariamente que assim o afetará; isso depende do diácono.

Ao menos o caminho está aberto, a comunicação está estabelecida, e cabe a ele fazer dela o que puder.

No caso do sacerdote, a conexão é levada um estágio adiante, e vários desenvolvimentos importantes ocorrem.

Na primeira imposição das mãos, Atma.

e buddhi no sacerdote [A1, B1 e M] são feitos para brilhar com fervor indescritível, por vibração simpática, em harmonia com a luz ofuscante dos princípios correspondentes no Cristo.

O brilho é geralmente leve em Atma., mas mais acentuado em buddhi.

O influxo irrompe no Atma., buddhi e manas do ordenando, através dos princípios correspondentes do próprio bispo.

Além disso, uma linha entre Atma.

e buddhi é estabelecida, enquanto aquela já existente entre buddhi e manas superior é intensificada.

O canal entre o manas superior e os veículos inferiores também é alargado [ver Diagrama-XXXIII-C].

Na segunda imposição das mãos, o princípio até então latente de buddhi [B2] é chamado à atividade e vinculado ao do Cristo, enquanto o vínculo entre ele e o manas superior é fortalecido.

O vínculo entre o próprio Atma., buddhi e manas do sacerdote [A1, B1 e M] é aberto ainda mais, para permitir o fluxo de mais força [ver Diagrama XXXIII-D].

Assim, o sacerdote torna-se, em um sentido muito real, um posto avançado da consciência do Cristo, de modo que ele se torna "Seu homem" — o "pároco", de fato, palavra que significa o mesmo que a pessoa [ver p. 213] que representa o Cristo em uma determinada paróquia.

Na ordenação do sacerdote, seu ego é mais ( Página 235 ) definitivamente despertado, para que ele possa agir diretamente sobre outros egos no nível do corpo causal.

É, de fato, essa relação que lhe confere o poder de corrigir a distorção, causada pelo desvio do caminho do reto, que, na terminologia eclesiástica, é conhecido como o poder de "remir o pecado".

A unção das mãos do sacerdote, com óleo dos catecúmenos, que é construtiva em seus efeitos, é uma separação delas para o propósito de seu ofício e uma modelagem delas para a transmissão do poder do Cristo.

A mão do sacerdote é, assim, um instrumento especializado que pode transmitir uma bênção.

A unção traz as forças de abertura a incidir sobre as mãos e as reveste de poder, pelo qual, ao longo das linhas que são feitas na unção, a influência pode jorrar.

O processo é algo como a magnetização do aço: a unção opera de modo que as forças possam passar através das mãos e, ao mesmo tempo, tempera as mãos, para que possam suportar as forças e transmitir o poder com segurança.

C. Primeira D. Segunda E..' Ideal imposição imposição Sacerdote.

O bispo faz uma de Mãos.

de Mãos, cruz, que se destina a arranjar a

DIAGRAMA XXXIII.—Os Princípios distribuição, da força de um Sacerdote.

que se precipita pela linha diagonal entre Atma.[1], Buddhi[1] e Manas, e uma segunda cruz que arranja a dispensação da força que flui de Buddhi[2].

O desenvolvimento de um sacerdote ideal é possível a um homem de grande determinação, que por anos trabalha no fortalecimento das conexões entre seus próprios princípios e os do Cristo.

Ele pode intensificar o vínculo feito com Buddhi[2] e Manas, e pode despertar para ação vigorosa Atma.[1] e Buddhi[1], tornando-se assim um canal de poder extraordinário [ver Diagrama XXXIIIE].

Na consagração de um bispo, quando as ( Página 236 ) palavras reais de consagração são ditas, uma conexão é feita entre Buddhi[2] e Atma.

[3], e os canais entre Buddhi[2] e Manas, e os princípios correspondentes do Cristo, são enormemente alargados [ver Diagrama, XXXIV-F.

Assim, através de Atma.

[3]- Buddhi está diretamente ligado ao Espírito Triplo do Cristo, de modo que a bênção desse nível flui através dele, pois esses Três Aspectos são, naturalmente, verdadeiramente um: daí a razão de o bispo benzer o povo com um sinal triplo da cruz, em vez de um único, como faz o sacerdote.

O sacerdote faz descer sua bênção através de seus próprios princípios, Atma[1], Buddhi[1] e Manas, e a emite através de seu corpo causal.

O bispo, sendo mais plenamente desenvolvido, é capaz de deixar o poder brilhar através de si de modo mais imediato e, portanto, muito mais fortemente.

No caso do bispo, uma linha inteiramente nova também é aberta, ligando o Buddhi[1] do bispo diretamente ao do Cristo, e dando-lhe assim a potencialidade de um desenvolvimento muito

F. Conse- G. Unção H. Ideal — além de nossa

gração.

da Cabeça.

Bispo.

imaginação. É essa maravilhosa força crística

DIAGRAMA XXXIV.—Os Princípios que o capacita a

de um Bispo.

transmitir seus poderes a outros.

Em seguida, o caminho é aberto para que a influência do surpreendente desenvolvimento de Buddhi, que acaba de se tornar possível, desça para os veículos mental e astral.

Na unção da cabeça do bispo com crisma, o poder de reflexão do espírito triplo nos veículos inferiores é intensificado, o espírito triplo Atma[1], Atma[2] e Atma[3] resplandecendo, e o caminho sendo desobstruído, descendo até o cérebro físico, para o fluxo das novas forças [ver Diagrama XXXIV-G].

As três linhas que conectam Atma[3], Buddhi[2] e Manas [ver Diagrama XXXIV] indicam que um bispo pode atrair (página 237) para o corpo causal, e assim irradiar em bênção, o tríplice poder do Espírito Triplo.

A ação da crisma tende na direção de transformar o centro de força no topo da cabeça — o brahmarandra chakram — que na maioria dos homens é uma depressão em forma de pires, em um cone de rotação rápida, projetando-se para cima a partir da cabeça.

A unção das mãos do bispo com crisma organiza o mecanismo da distribuição dos três tipos de força, dos Três Aspectos da Trindade.

A linha direta de comunicação entre Buddhi e o corpo astral é plenamente aberta, de modo que, se e quando esse Buddhi, ou intuição, for desenvolvido, possa fluir imediatamente para o que se destina a ser sua expressão na vida física.

O desenvolvimento do bispo ideal é possível àquele que aproveita todas as oportunidades.

Todos os seus princípios tornam-se canais responsivos ao poder do Cristo, e ele se torna um verdadeiro sol de energia espiritual e bênção.

Esta etapa é indicada no Diagrama XXXIV-H].

O Homem Perfeito não está apenas ligado ao Cristo e ao seu próprio Eu Superior, a Mônada, mas torna-se cada vez mais uma epifania do Logos ou Divindade, que trouxe à existência o sistema solar.

Ele se torna o Mestre, para Quem a encarnação não é mais necessária.

O Diagrama XXXV indica esta etapa.

Outra provisão na religião cristã é o poder da Absolvição, investido nos sacerdotes.

Como isso afeta as relações entre os vários corpos do homem, podemos considerá-lo utilmente aqui, brevemente.

Os corpos do homem não são, naturalmente, separados no espaço, mas interpenetrantes.

Vistos de baixo, porém, dão a impressão de estarem unidos por inúmeros fios finos ou linhas de fogo.

Toda ação que milita contra a evolução coloca uma tensão desigual sobre essas torções e as embaraça.

Quando um homem erra gravemente, a confusão torna-se tal que a comunicação entre os corpos superiores e inferiores fica seriamente impedida; ele não é mais o seu verdadeiro eu, (Página 238) e apenas o lado inferior do caráter consegue manifestar-se plenamente.

Embora as forças naturais venham a desfazer a distorção a seu tempo, a Igreja provê para que o trabalho seja feito mais rapidamente, pois o poder de desembaraçar esse emaranhado na matéria superior é um daqueles poderes especificamente conferidos ao sacerdote na ordenação.

A cooperação do próprio homem é, naturalmente, também necessária: pois, "se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça."

O efeito da "absolvição" é estritamente limitado à correção da distorção acima descrita.

Ela reabre certos canais, que foram em grande parte fechados pelo pensamento ou ação maligna; mas de modo algum neutraliza as consequências físicas de — — —] dessa ação, nem elimina a necessidade de restituição, onde o erro foi cometido.

A — = "1 ação do sacerdote desembaraça o emaranhado etérico, astral e

MANAS SUPERIOR mental,

MANAS INFERIOR| produzido pelo erro

DIAGRAMA AXXV—O Homem Perfeito.

ação, ou melhor, pela

atitude mental que tornou possível essa ação; mas não alivia de modo algum o homem da penalidade cármica de sua ação.

Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer: porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Um outro item de informação, a respeito do trabalho do sacerdote na Santa Eucaristia, pode ser mencionado.

Ao fazer as três cruzes, em "abençoai, aprovai e ratificai", sobre as oferendas, o sacerdote empurra seu "tubo" através da matéria etérica, astral e mental inferior, respectivamente, e as duas cruzes feitas separadamente sobre a hóstia e o cálice conduzem o mesmo tubo, agora em dois ramos, através do mental superior até o plano acima.

(Página 239) Ao fazer isso, ele deve usar as forças de seu próprio corpo causal, elevando seu pensamento para o nível mais alto possível.

Voltando agora à Maçonaria, descobrimos que os três Oficiais Principais representam Atma, Buddhi e Manas no homem, e que os três Oficiais Assistentes representam a mente inferior, a natureza emocional ou o corpo astral, e o duplo etérico: o O.G. ou Tyler representa o corpo físico.

Como neste livro estamos preocupados principalmente com o corpo causal, podemos notar especialmente que a mente superior é representada pelo J.W.

Nos devas, espíritos da natureza e elementais associados ao J.W., predomina um matiz dourado.

Quando o R.W.M. cria, recebe e constitui o candidato como um E.A.F., os três toques do f...s... transmitem diferentes aspectos do poder, correspondendo aos três Aspectos da Trindade, o primeiro transmitindo força ao cérebro, o segundo amor ao coração, e o terceiro capacidade executiva ao braço direito.

O efeito geral desse derramamento de força é alargar um pouco o canal de comunicação entre o ego e a personalidade do candidato.

O grau de E.A.F. corresponde ao subdiácono no sistema cristão.

Em um ponto semelhante na cerimônia do Segundo Grau, há um alargamento mais decidido do vínculo entre o ego e a personalidade, de modo que ele se abre como um canal definido para o derramamento de força.

Esse canal o candidato pode utilizar com efeito marcante, se ele se dispuser a trabalhar sobre ele e através dele.

Neste Grau, há um certo paralelo entre a Elevação de um F.C. e a ordenação eclesiástica ao diaconato.

Ao mesmo tempo, um vínculo é feito entre o candidato e o H.O.A. T.F., nas Lojas onde Ele é reconhecido.

Como no caso do alargamento da consciência, o vínculo que é feito é para o candidato utilizar como lhe aprouver.

Pode ser de grande benefício para ele; pode mudar toda a sua vida e habilitá-lo a (Página 240) progredir rapidamente pelo caminho que conduz à Iniciação.

Ou, por outro lado, se ele o negligenciar por completo, isso poderá fazer muito pouca diferença para ele.

A prova do M.M. pelo esquadro e pelo compasso indica que um M.M. pode ser testado e conhecido pelo fato de que tanto o eu superior quanto o eu inferior estão em perfeito funcionamento, operando juntos e em harmonia.

O M.M. é simbólico do Iniciado do quarto grau, o Arhat.

Nesse estágio de realização, na senda oculta, a batalha contra a quaternidade inferior está praticamente encerrada, e esta se tornou um instrumento obediente nas mãos da tríade superior, que está desperta e ativa em todas as suas três partes.

O M.M. tem de encontrar a p... sobre o c...: em outras palavras, é ao encontrar em si mesmo esse Eu mais profundo, que é a Mônada, para além até mesmo da tríade superior, que o M.M. descobrirá por fim o supremo segredo da vida, e então encontrará, em verdade, por sua própria experiência viva, que ele é, e sempre foi, uno com Deus.

Nos Graus anteriores, a consciência do candidato tinha de ser elevada do q... ao c..., isto é, do quadrilátero ao triângulo, do eu inferior ao eu superior.

Mas agora, como M.M., ela tem de ser elevada do triângulo ao ponto — como é claramente indicado pelo V.M. — do eu superior à Mônada.

A Mônada está agora começando a exercer sua vontade no eu superior, assim como antes o eu superior exercia sua vontade no inferior.

O t... s representa a ação dessa Mônada, ao girar sobre um pino central, e emite uma linha de seu próprio corpo enquanto tece a teia da vida, assim como uma aranha tece sua teia a partir do próprio corpo.

O p... marca essa senda escolhida, ou raio da Mônada, a linha de vida e trabalho que o Arhat deve descobrir, e na qual deve se especializar, a fim de progredir rapidamente.

E o c... representa mais uma vez o triângulo, os poderes do espírito tríplice, que ele deve usar em seu trabalho.

As correntes de força etérica, que fluem através e (Página 241) ao redor da espinha de todo ser humano, são estimuladas à atividade, na Maçonaria, a fim de que a evolução do candidato seja acelerada.

Essa estimulação é aplicada no momento em que o V.M. cria, recebe e constitui.

No Primeiro Grau, ela afeta Ida, o aspecto feminino da força, tornando assim mais fácil para o candidato controlar a paixão e a emoção.

No Segundo Grau, é Pingala, ou o aspecto masculino, que é fortalecido, a fim de facilitar o controle da mente.

No Terceiro Grau, a própria energia central, Sushumna, é despertada, abrindo assim o caminho para o espírito puro do alto.

É por subir por este canal de Sushumna que um yogi deixa seu corpo físico à vontade, de tal maneira que ele pode manter plena consciência nos planos superiores e trazer de volta ao seu cérebro físico uma memória clara de suas experiências.

Ida é de cor carmesim, Pingala é amarela e Sushumna é azul-escura.

A estimulação desses nervos e das forças que fluem através deles é apenas uma pequena parte do benefício conferido pelo M.R.M., quando ele empunha a espada no momento da admissão.

A ampliação da conexão entre a individualidade e a personalidade já foi mencionada, assim como a formação de um vínculo entre certos princípios do candidato e os veículos correspondentes do M.A.S.T.F. As mudanças induzidas são de natureza semelhante às descritas na p. 233 e seguintes, mas de caráter menos pronunciado.

Embora esses efeitos sejam reais, inconfundíveis e universais, seu resultado na vida espiritual do candidato depende, naturalmente, dele mesmo.

O A.A. deveria, como personalidade, estar empregado em organizar sua vida física para um uso superior; mas, ao mesmo tempo, como ego, deveria estar desenvolvendo inteligência ativa em seu corpo causal, exatamente como faz o pupilo de um Mestre que se prepara para a Iniciação.

Da mesma forma, o C.F. está organizando sua vida emocional (página 242), enquanto desenvolve o amor intuitivo em seu corpo búdico.

O M.M., ao organizar sua vida mental aqui embaixo, deveria, como ego, estar fortalecendo sua vontade espiritual, ou Atma.

CAPÍTULO XXIX

MEMÓRIA DE VIDAS PASSADAS

(Página 243) Um olhar para o Diagrama XXV na p. 147 deveria ser suficiente para indicar a razão mecânica pela qual o cérebro físico de um homem normalmente não pode lembrar de suas vidas passadas.

Pois é óbvio que o corpo físico não pode ter nem memória, nem registro, de uma encarnação passada na qual não participou.

Precisamente a mesma consideração se aplica aos seus corpos astral e mental, uma vez que todos esses veículos são novos para cada encarnação.

Vemos assim que, como o corpo causal é o único que persiste de uma encarnação para outra,

o nível mais baixo em que podemos esperar obter informações realmente confiáveis sobre vidas passadas é o do corpo causal, pois nada abaixo dele pode nos fornecer evidência de primeira mão.

Nessas vidas passadas, o ego em seu corpo causal esteve presente — ou melhor, uma certa pequena parte dele esteve presente — e, portanto, ele é uma testemunha real.

Todos os veículos inferiores, não sendo testemunhas, só podem relatar o que recebem do ego.

Consequentemente, quando consideramos quão imperfeita é a comunicação entre o ego e a personalidade no homem comum, veremos imediatamente quão inteiramente não confiável esse testemunho de segunda, terceira ou quarta mão provavelmente é.

Embora às vezes se possa obter dos corpos astral e mental imagens isoladas de eventos na vida passada de um homem, não podemos obter um relato sequencial e coerente dela; e mesmo essas imagens são apenas reflexos do corpo causal, e provavelmente reflexos muito débeis e turvos, que ocasionalmente encontram caminho até a consciência inferior.

Fica assim abundantemente claro que, para ler com precisão vidas passadas, é necessário antes de tudo (página 244) desenvolver as faculdades do corpo causal.

A coisa, no entanto, poderia ser feita em níveis mais baixos, pela psicometrização dos átomos permanentes, mas, como isso seria uma façanha muito mais difícil do que o desdobramento dos sentidos do corpo causal, não é nada provável que seja tentada com sucesso.

Incluindo o método recém-mencionado, há quatro métodos de ler vidas passadas:---

[1] Psicometrização dos átomos permanentes.

[2] Tomar a própria memória do ego sobre o que aconteceu.

[3] Psicometrizar o ego, ou melhor, seu corpo causal, e ver por nós mesmos as experiências pelas quais ele passou.

Este método é mais seguro que o [2], porque mesmo um ego, tendo visto as coisas através de uma personalidade passada, pode ter impressões imperfeitas ou preconceituosas delas.

[4] Usar as faculdades búdicas, tornando-nos completamente um com o ego sob investigação, e ler suas experiências como se fossem nossas — isto é, de dentro, em vez de fora.

Este método obviamente exige um desenvolvimento muito mais elevado.

Os métodos [3] e [4] foram empregados por aqueles que prepararam a série de encarnações, que foram publicadas durante os últimos anos em The Theosophist, algumas delas tendo sido também produzidas em forma de livro.

Os investigadores tinham também a vantagem da cooperação inteligente do ego, cujas encarnações foram descritas.

A presença física do sujeito, cujas vidas estão sendo lidas, é uma vantagem, mas não uma necessidade.

Ele é útil, desde que possa manter seus veículos perfeitamente calmos, mas, se ficar excitado, estraga tudo.

O ambiente não é especialmente importante, mas o silêncio é essencial, porque, para que as impressões sejam trazidas com clareza, o cérebro físico deve estar calmo.

É necessário também erradicar absolutamente todos os preconceitos; caso contrário, eles produzirão o efeito de

vidro colorido, colorindo tudo o que é visto através deles, e assim dando uma impressão falsa.

( Página 245 )

Podemos dizer que há duas fontes de erro possíveis: [1] parcialidade pessoal; [2] visões limitadas.

Em vista do fato de que há diferenças fundamentais de temperamento, estas não podem deixar de colorir as visões tomadas de outros planos.

Todo aquele abaixo do nível de um Adepto certamente será influenciado dessa maneira em alguma medida.

O homem do mundo magnifica detalhes sem importância e omite as coisas importantes, por ter o hábito de fazer isso na vida diária.

Por outro lado, um homem que inicia a Senda pode, em seu entusiasmo, perder por um tempo seu contato com a vida humana comum, da qual emergiu.

Mas, mesmo assim, ele tem a vantagem, pois aqueles que veem o interior das coisas estão mais próximos da verdade do que aqueles que veem apenas o exterior.

A fim de minimizar esse tipo de erro, é costume que pessoas de tipos radicalmente diferentes trabalhem juntas nessas investigações.

O segundo perigo que mencionamos é o de uma visão limitada, de tomar uma parte pelo todo.

Assim, pode-se ter uma visão de uma pequena porção de uma dada comunidade e aplicá-la à comunidade inteira, i. e., pode-se cair no erro comum de generalizar com base insuficiente de observação.

Há, no entanto, uma aura geral de um tempo ou de um país, que geralmente previne grandes enganos desse tipo.

Um vidente, que não foi treinado para sentir essa aura geral, muitas vezes não tem consciência dela e pode assim cair em muitos erros.

Observação continuada por longo tempo mostra que todos os videntes não treinados são às vezes confiáveis e às vezes não confiáveis, e aqueles que os consultam correm, portanto, o risco de serem enganados.

Ao examinar vidas passadas, é mais seguro manter a plena consciência física, de modo a poder anotar tudo enquanto se observa, do que deixar o corpo físico durante as observações e confiar à memória a sua reprodução.

Este último plano, no entanto, deve ser adotado quando o estudante, embora capaz de usar o corpo causal, só pode fazê-lo enquanto o corpo físico está adormecido. (Página 246)

A identificação dos egos é às vezes difícil, porque os egos naturalmente mudam consideravelmente no curso de alguns milhares de anos. Alguns investigadores sentem uma intuição quanto à identidade de um ego particular e, embora tal intuição possa muitas vezes estar certa, certamente também pode às vezes estar errada. O método mais seguro, porém mais trabalhoso, de identificação é passar os registros rapidamente em revista e rastrear o ego em questão através deles, até que ele seja encontrado nos dias atuais.

Em alguns casos, os egos de pessoas comuns são instantaneamente reconhecíveis, mesmo após milhares de anos: isso não fala particularmente bem das pessoas em questão, porque significa que elas fizeram pouco progresso. Tentar reconhecer, vinte mil anos atrás, alguém que se conhece nos dias atuais é um tanto como encontrar, quando adulto, alguém que se conheceu há muito tempo quando criança. Às vezes o reconhecimento é possível, às vezes a mudança foi grande demais.

Aqueles que desde então se tornaram Mestres da Sabedoria são frequentemente instantaneamente reconhecíveis, mesmo milhares de anos atrás, mas isso por uma razão diferente. Pois, quando os veículos inferiores já estão plenamente em harmonia com o ego, eles se formam à semelhança do Augoeides e, assim, mudam pouco de vida para vida. Da mesma forma, quando o próprio ego se torna um reflexo perfeito da Mônada, ele também muda pouco, embora cresça gradualmente: portanto, é prontamente reconhecível.

Como a natureza dos Registros Akáshicos já foi descrita em O Corpo Mental, apenas alguns dos pontos mais imediatamente relevantes serão mencionados aqui. Ao examinar uma vida passada, o caminho mais fácil é deixar o registro passar em sua velocidade natural: mas, como isso significaria um dia de trabalho para verificar os eventos de cada dia, é claramente impraticável, exceto por curtos períodos. É, no entanto, possível acelerar ou retardar a passagem dos eventos em qualquer grau necessário, de modo que um período de milhares de anos possa ser percorrido rapidamente, (Página 247) ou qualquer quadro particular possa ser mantido pelo tempo que se desejar.

O que se descreve como o desenrolar do registro é, na realidade, não um movimento do registro, mas da consciência do vidente.

Mas a impressão que isso causa é exatamente como se o próprio registro fosse desenrolado.

Pode-se dizer que os registros jazem uns sobre os outros em camadas, os mais recentes no topo e os mais antigos atrás.

Contudo, até essa comparação é enganosa, porque sugere a ideia de espessura, ao passo que os registros não ocupam mais espaço do que o reflexo na superfície de um espelho.

A consciência não se move realmente no espaço, mas antes veste sobre si mesma, como uma espécie de manto, uma ou outra das camadas do registro e, ao fazê-lo, encontra-se no meio da ação da história.

O método para chegar às datas foi descrito em O Corpo Mental, página 242.

Em geral, é um pouco mais fácil ler as vidas para frente do que para trás, porque nesse caso trabalhamos com o fluxo natural do tempo, em vez de contra ele.

As línguas empregadas são quase sempre ininteligíveis para o investigador, mas, como os pensamentos por trás das palavras se apresentam abertos diante dele, isso pouco importa.

Em várias ocasiões, investigadores copiaram inscrições públicas que não conseguiam entender e, posteriormente, as fizeram traduzir no plano físico por alguém familiarizado com a língua antiga.

Os registros não devem ser pensados como inerentes originalmente a qualquer tipo de matéria, embora nela se reflitam. Para lê-los, não é necessário entrar em contato direto com qualquer agrupamento particular de matéria, pois podem ser lidos a qualquer distância, uma vez estabelecida a conexão.

Não obstante, é verdade que cada átomo contém o registro, ou talvez possua o poder de colocar um clarividente em sintonia com o registro, de tudo o que já (página 248) aconteceu ao seu alcance. É, de fato, devido a esse fenômeno que a psicometria é possível.

Mas a isso está ligada uma limitação muito curiosa, na medida em que o psicômetra vê, por meio dela, apenas o que teria visto se estivesse no lugar de onde o objeto psicometrizado foi retirado.

Por exemplo, se um homem psicometriza uma pedrinha que esteve deitada por eras num vale, verá apenas o que passou durante essas eras naquele vale.

Sua visão será limitada pelas colinas ao redor, exatamente como se ele tivesse permanecido por todas essas eras onde a pedra jazia e tivesse testemunhado todas essas coisas.

Existe, no entanto, uma extensão do poder psicométrico, pela qual um homem pode ver os pensamentos e sentimentos dos atores de seu drama, bem como seus corpos físicos.

Há também outra extensão pela qual, tendo primeiramente se estabelecido naquele vale, ele pode torná-lo a base de operações posteriores, e assim transpor as colinas ao redor e ver o que está além delas, e também o que ali aconteceu desde que a pedra foi removida, e até mesmo o que ocorreu antes de ela, de alguma maneira, ali chegar.

Mas o homem que pode fazer tudo isso em breve será capaz de dispensar a pedra por completo.

Ao usar os sentidos do corpo causal, vê-se que todo objeto está lançando imagens do passado.

Já vimos que, à medida que as faculdades internas são desenvolvidas, a vida torna-se contínua.

Não apenas a consciência do ego pode ser alcançada, mas é possível viajar de volta, até mesmo à alma-grupo animal, e olhar através de olhos animais para o mundo que então existia.

Diz-se que a diferença de perspectiva é tão grande que torna a descrição impossível.

Sem essa consciência contínua, não há memória detalhada do passado, nem mesmo dos fatos mais importantes.

Há, no entanto, este fato: tudo o que conhecemos no passado, quase certamente reconheceremos e aceitaremos instantaneamente, tão logo nos seja novamente apresentado no presente.

(Página 249)

Portanto, embora se possa apreciar intelectualmente a verdade da reencarnação, a prova real só pode ser obtida no corpo causal, onde o ego tem ciência de seu passado.

Quando um homem, usando a consciência de seu corpo causal, tem sempre consigo a memória de todas as suas vidas passadas, ele é, naturalmente, capaz de dirigir conscientemente as várias manifestações inferiores de si mesmo em todos os pontos de seu progresso.

Durante os estágios em que o homem ainda não é plenamente capaz disso, o ego pode, não obstante, imprimir seu propósito em seus átomos permanentes, de modo que esse propósito seja transportado de vida em vida.

O conhecimento disso não nascerá inerente no homem, como parte de seu cabedal, por assim dizer, mas no momento em que vier diante dele, sob qualquer forma, em sua próxima encarnação, ele imediatamente reconhecerá sua verdade, a agarrará e agirá de acordo.

No caso de um renascimento muito rápido, a possibilidade de recuperar a memória da encarnação passada é consideravelmente aumentada.

O Diagrama XXV, p.147, deve tornar o mecanismo dessa possibilidade fácil de compreender.

Houve um grande número de átomos e moléculas, nos antigos corpos mental e astral, que preservaram certa afinidade com a unidade mental e o átomo permanente astral e, consequentemente, boa parte do material antigo pode ser utilizada na construção dos novos corpos mental e astral.

Com sua assistência, é claro que a memória da última encarnação deveria ser mais facilmente alcançada do que nos casos em que houve um longo intervalo entre vidas, e os materiais antigos foram todos dissipados e espalhados pelos diversos planos.

Ainda não compreendemos as leis que regem o poder de imprimir o conhecimento detalhado de uma vida no cérebro físico da próxima.

As evidências atualmente disponíveis parecem mostrar que os detalhes geralmente são esquecidos, mas que os princípios amplos aparecem à nova mente como evidentes por si mesmos.

É uma experiência comum, ao ouvir uma verdade (Página 250) pela primeira vez, sentir que já a conhecíamos antes, embora nunca tenhamos conseguido formulá-la em palavras.

Em outros casos, mal existe esse grau de memória: ainda assim, quando a nova verdade é apresentada, ela é instantaneamente reconhecida como verdadeira.

Supondo a veracidade da tradição, até o próprio Buda, que encarnou com a intenção definida de ajudar o mundo, não sabia claramente de Sua missão após ter entrado em Seu novo corpo, mas recuperou o conhecimento pleno somente após anos de busca. Sem dúvida, Ele poderia ter sabido desde o início, se assim tivesse escolhido, mas não escolheu, submetendo-Se antes ao que parece ser o destino comum.

Por outro lado, pode ser que o Buda não tenha assumido o corpo do Príncipe Sidarta desde o nascimento, mas apenas quando este desmaiou, após as longas austeridades dos seis anos de busca pela verdade.

Se assim for, não haveria memória, porque a entidade no corpo não era o Buda, mas outra pessoa.

Em qualquer caso, porém, podemos ter certeza de que o ego, que é o homem verdadeiro, sempre sabe o que uma vez aprendeu: mas nem sempre consegue imprimi-lo em seu novo cérebro sem a ajuda de uma sugestão externa.

Parece ser uma regra invariável que aquele que aceitou a verdade oculta em uma vida sempre entra em contato com ela na próxima, e assim revive sua memória adormecida.

Podemos dizer, talvez, que a oportunidade de assim recuperar a verdade é o karma direto de ter aceitado e de ter tentado sinceramente viver de acordo com ela na encarnação anterior.

CAPÍTULO XXX

O EGO EM SEU PRÓPRIO PLANO

( Página 251 ) Chegamos agora a considerar o ego como uma entidade consciente em seu próprio plano, ou seja, no mundo mental superior ou causal, bem distante das expressões parciais de si mesmo nos planos inferiores.

Desde o momento em que o ego se separa de sua alma-grupo e inicia sua existência separada como ser humano, ele é uma entidade consciente: mas a consciência é de natureza excessivamente vaga.

As forças do mundo mental superior passam através dele praticamente sem afetá-lo, porque ele ainda não pode responder a mais do que pouquíssimas dessas vibrações extremamente sutis.

A única sensação física à qual essa condição é de algum modo comparável é aquela que ocasionalmente chega a algumas pessoas, no momento de despertar pela manhã.

Há um estado, intermediário entre o dormir e o velar, no qual o homem está beatificamente consciente de que existe e, no entanto, não está consciente de quaisquer objetos ao redor, nem é capaz de qualquer movimento.

De fato, às vezes ele sabe que qualquer movimento quebraria o encanto da felicidade e o traria de volta ao mundo comum de vigília, e assim ele se esforça para permanecer imóvel o maior tempo possível.

Essa condição, que é uma consciência de existência e de intensa bem-aventurança, assemelha-se muito à do ego do homem comum no plano mental superior.

Como vimos anteriormente, ele está inteiramente centrado ali, apenas pelo curto período que intervém entre o fim de uma vida no devachan e o início de sua próxima descida à encarnação.

Durante esse curto período, ele obtém um vislumbre fugaz de seu passado e de seu futuro, um lampejo de retrospecto e prospecto, e por muitas eras esses vislumbres são seus únicos momentos de pleno despertar: e, ( Página 252 ) após esse despertar momentâneo, ele adormece novamente.

Como vimos, é seu desejo por uma manifestação mais perfeita, seu desejo de sentir-se mais plenamente vivo, que o impele ao esforço da encarnação.

Uma estrofe do Livro de Dzyan afirma que "Aqueles que receberam apenas uma centelha permaneceram destituídos de conhecimento: a centelha ardeu fracamente"; H.P. Blavatsky então explica que "aqueles que receberam apenas uma centelha constituem a humanidade média, que tem de adquirir sua intelectualidade durante a presente evolução manvântara." [Doutrina Secreta, II, 177]. No caso da maioria dos homens, a centelha ainda está fumegando, e muitas eras se passarão antes que seu lento aumento a leve ao estágio de chama firme e brilhante.

O corpo causal do homem comum tem, portanto, até agora, quase nenhuma consciência de qualquer coisa externa a si mesmo, em seu próprio plano.

A imensa maioria dos egos está apenas sonhadoramente semiconsciente, embora poucos estejam agora na condição de meros filmes incolores.

A maioria ainda não é suficientemente definida, mesmo na consciência que possui, para compreender o propósito ou as leis da evolução em que está engajada.

Embora o ego comum ainda esteja em condição sonolenta, ele é, durante a vida física, capaz, até certo ponto, de uma vigilante meditação sobre a personalidade, e de um pequeno esforço.

O ego médio em seu corpo causal pode ser comparado ao pintinho dentro do ovo, sendo o pintinho totalmente inconsciente da fonte do calor, que, no entanto, estimula seu crescimento.

Quando um ego atinge o estágio em que rompe sua casca e se torna capaz de algum tipo de resposta, todo o processo assume uma forma diferente e é enormemente acelerado.

O processo de despertar é grandemente auxiliado pelos Mestres de Sabedoria, que derramam sua força espiritual como luz solar, inundando todo o plano e afetando, até certo ponto, tudo dentro de seu raio de ação.

Como mencionado no Capítulo XXI, mesmo as almas-grupo dos (página 253) animais no plano mental inferior são grandemente afetadas e assistidas por essa influência.

É no plano mental que grande parte do trabalho mais importante dos Mestres é realizada: isso é especialmente o caso no plano causal, onde a individualidade, ou ego, pode ser diretamente influenciada.

É deste plano que Eles derramam as mais grandiosas influências espirituais sobre o mundo do pensamento: dele, Eles impulsionam grandes e benéficos movimentos de todos os tipos.

Aqui, novamente, grande parte da força espiritual derramada pelo glorioso autossacrifício dos Nirmanakayas é distribuída.

Aqui também o ensino direto é dado àqueles discípulos que são suficientemente avançados para recebê-lo dessa maneira, uma vez que pode ser transmitido muito mais prontamente e completamente aqui do que nos planos inferiores.

Com um homem desenvolvido, o ego está plenamente desperto.

Com o tempo, o ego descobre que há muitas coisas que pode fazer e, quando isso acontece, pode elevar-se a uma condição em que tem uma vida definida em seu próprio plano, embora em muitos casos seja, mesmo então, apenas sonhadora.

O ego da pessoa comum, como vimos, tem antes uma consciência ou vida vegetal, e parece estar apenas vagamente ciente de outros egos.

Mas, à medida que o ego se torna suficientemente desenvolvido, ele não só pode ajudar outros egos, mas vive uma vida própria entre seus pares, entre os grandes Arupadevas, entre todos os tipos de esplêndidos Anjos ou Devas.

O jovem ego está provavelmente apenas pouco desperto, ainda, para toda aquela vida gloriosa, assim como um bebê de colo pouco sabe dos interesses do mundo ao seu redor; mas, à medida que sua consciência gradualmente se desdobra, ele desperta para toda essa magnificência e se torna fascinado por sua vivacidade e beleza.

Tal ego desenvolvido desfruta da companhia de todos os intelectos mais brilhantes que o mundo já produziu, incluindo, como foi dito, o reino Deva ou angélico, bem como o humano.

A vida do ego em seu próprio plano é gloriosa além de qualquer concepção possível à personalidade.

Se alguém pudesse imaginar uma existência na companhia dos grandes homens do mundo – artistas, poetas, (página 254) cientistas, e até os próprios Mestres – e acrescentar a tudo isso um entendimento inatingível aqui embaixo – então apenas começaria a ter alguma ideia da vida do ego.

A personalidade não saberia, é claro, o que o ego faz, a menos que a personalidade e o ego tenham sido unificados.

Assim, o ego pode conhecer o Mestre, enquanto a personalidade não o conhece.

O ego deve ter estado plenamente consciente e ativo em seu próprio plano por um longo tempo antes que qualquer conhecimento dessa existência possa chegar à sua vida física.

Essa consciência do ego não deve ser confundida com a consciência que vem da unificação dos selves superior e inferior, mencionada no Capítulo XXVI.

Quando a unificação foi alcançada, a consciência do homem reside no ego o tempo todo, e a partir do ego ela atua através de qualquer veículo que ele porventura esteja usando.

Mas, no caso de um homem que ainda não alcançou essa união, a consciência do ego em seu próprio plano entra em atividade apenas quando ele não está mais impedido por quaisquer veículos inferiores, e existe somente até ele se colocar de volta na encarnação; pois assim que ele assume um corpo inferior, sua consciência pode se manifestar por enquanto apenas através desse corpo.

O plano causal é o verdadeiro e relativamente permanente lar do ego, pois aqui ele está livre das limitações da personalidade e é simplesmente ele mesmo, a entidade reencarnante.

Embora sua consciência possa ser obscura, sonhadoramente desatenta e quase desperta, sua visão é verdadeira, por mais limitada que seja. Não apenas ele está livre das ilusões da personalidade e do meio refrator do eu inferior, mas o próprio pensamento não assume mais as mesmas formas limitadas que assume nos níveis abaixo do causal.

Em parte da literatura mais antiga, há afirmações que parecem implicar que o ego superior não necessita de evolução, sendo já perfeito e divino em seu próprio plano.

Quaisquer que sejam tais expressões, qualquer que seja a terminologia empregada, devem ser tomadas como aplicáveis apenas ao Atma, o verdadeiro "deus" interior do homem, (página 255) que está certamente muito além da necessidade de qualquer tipo de evolução da qual possamos ter conhecimento.

Novamente, H.P. Blavatsky afirma que Manas, ou o ego superior, como "parte da Mente Universal, é incondicionalmente onisciente em seu próprio plano": o significado, naturalmente, é que isso só ocorre quando ele desenvolveu plenamente a autoconsciência, por suas experiências evolutivas, e "é o veículo de todo o conhecimento do passado, do presente e do futuro".

O ego reencarnante, sem dúvida, evolui, como é perfeitamente evidente para aqueles que possuem visão causal.

No início, ele tem muito pouco poder ativo em qualquer plano, e seu propósito é tornar-se plenamente ativo em todos os planos, até mesmo no físico.

Um ego que está desperto e é verdadeiramente vivo em seu próprio plano é um objeto glorioso, dando-nos pela primeira vez alguma ideia do que o homem está destinado a ser. Tais egos desenvolvidos ainda são separados, mas intelectualmente realizam plenamente sua unidade interior, pois veem uns aos outros como são e não podem mais errar ou deixar de compreender.

Não é fácil explicar, em palavras físicas, as diferenças que existem entre os egos, uma vez que todos eles são, em muitos aspectos, muito maiores do que qualquer coisa a que estamos acostumados aqui embaixo.

Algum tênue reflexo da impressão produzida pelo contato com eles pode ser transmitido ao dizer que um ego avançado lembra um embaixador digno, imponente e cortês, cheio de sabedoria e bondade, enquanto o homem menos desenvolvido tem mais o tipo do escudeiro rural, franco e cordial.

Um ego que já está no Caminho e se aproxima do Adeptado tem muito em comum com os grandes Anjos e irradia influências espirituais de prodigioso poder.

Não é de admirar, portanto, que o ego se lance energicamente ao turbilhão de intensa atividade em seu próprio plano, e que isso lhe pareça imensamente mais importante e interessante do que as débeis e distantes lutas de uma personalidade acanhada e semiformada, velada na densa obscuridade do mundo inferior. (Página 256)

Um ego foi descrito, por uma pessoa que o viu como um jovem radiante, como um Apolo grego esculpido em mármore reluzente, e ainda assim imaterial, tendo a inspiração como sua nota-chave.

Outro ego apareceu algo semelhante à escultura de Deméter no Museu Britânico, uma figura digna, serena e pacífica, como que meditando sobre o mundo que ajudava a nutrir e proteger.

Assim, cada ego tem sua própria aparência radiantemente bela, expressando sua missão ou gênio particular.

Entre tais seres, os pensamentos não mais tomam forma e flutuam como fazem nos níveis inferiores, mas passam como relâmpagos de um para outro.

Aqui estamos face a face com o corpo duradouro do ego, um corpo mais antigo que as colinas, uma expressão real da Glória Divina que sempre repousa por trás dele, e através dele brilha cada vez mais no gradual desdobramento de seus poderes.

Aqui não lidamos mais com formas exteriores, mas vemos as coisas em si mesmas, a realidade que jaz por trás da expressão imperfeita.

Aqui causa e efeito são um, claramente visíveis em sua unidade, como os dois lados da mesma moeda.

Aqui deixamos o concreto pelo abstrato; não temos mais a multiplicidade de formas, mas a ideia que jaz por trás de todas essas formas.

O ego, em seu próprio plano, é capaz de perceber com instantaneidade absoluta, sem, é claro, o uso de nervos: daí surge uma certa classe de sonho, em que um homem é despertado do sono por um som físico ou toque.

No ínfimo espaço de tempo entre o impacto e o despertar do homem, o ego frequentemente compõe uma espécie de drama, ou série de cenas, conduzindo e culminando no evento que desperta o corpo físico.

Esse hábito, contudo, parece ser peculiar ao ego que, no que diz respeito à espiritualidade, ainda é comparativamente subdesenvolvido.

À medida que o ego se desenvolve e passa a compreender sua posição e suas responsabilidades, ele se eleva acima desses graciosos folguedos de sua infância.

Parece que, assim como o homem primitivo lança todo fenômeno natural na forma de um mito, assim também o ego primitivo dramatiza todo evento que chega ao seu conhecimento.

( Página 257 ) Mas o homem que alcançou a plena consciência encontra-se tão inteiramente ocupado no trabalho dos planos superiores que não dedica energia alguma a tais assuntos e, portanto, não sonha mais dessa maneira.

O uso de símbolos parece ser uma característica do ego, quando fora do corpo durante o sono: isto é, aquilo que no mundo físico seria uma ideia, exigindo muitas palavras para ser expressa, é perfeitamente transmitido ao ego por uma única imagem simbólica.

Quando tal pensamento é lembrado no cérebro físico, a menos que sua chave seja recordada, é provável que haja confusão.

As atividades do ego em seu próprio plano às vezes dão origem, assim, a outra classe de sonhos; mas há, é claro, muitas outras causas de sonhos [vide O Corpo Astral, página 93].

O ego em seu próprio plano usa abstrações, assim como nós, no plano físico, lidamos com fatos concretos.

Em seu plano, a essência de tudo está disponível; ele não está mais preocupado com detalhes: não precisa mais discorrer sobre um assunto ou esforçar-se para explicá-lo. Ele capta a essência ou a ideia de um assunto e a move como um todo, como se move uma peça ao jogar xadrez.

Seu mundo é um mundo de realidades, onde não apenas o engano é impossível, mas também impensável.

Ele não lida mais com emoções, ideias ou concepções, mas com a coisa em si.

É impossível expressar em palavras o tráfego comum entre homens em corpos causais plenamente desenvolvidos.

O que aqui embaixo seria um sistema de filosofia, necessitando de muitos volumes para ser explicado, é ali um único objeto definido — um pensamento que pode ser lançado como se lança uma carta sobre uma mesa.

Uma ópera ou um oratório, que aqui exigiria uma orquestra completa por muitas horas na execução, é ali um único acorde poderoso.

Os métodos de toda uma escola de pintura são condensados em uma única ideia magnífica.

E ideias como essas são as fichas intelectuais usadas pelos egos em seu intercâmbio uns com os outros.

Neste plano, como dissemos anteriormente, ( Página 258 ) o ego tem plenamente desenrolado diante de si todas as vidas que viveu neste globo, os registros vivos reais do passado.

Ele vê suas vidas como um vasto todo, do qual seus descidos à encarnação foram apenas os dias passageiros.

Ele vê as causas kármicas que o tornaram o que é: vê o karma que ainda está diante dele, a ser trabalhado antes que "a longa e triste contagem seja encerrada", e assim percebe, com certeza infalível, seu lugar exato na evolução.

Aqui ele percebe o grande esquema da evolução, e qual é a vontade Divina para ele.

Ao lidar com assuntos em seu próprio plano, e aqueles abaixo dele, todas as ideias do ego são ideias completas, devidamente arredondadas e perfeitas.

Além disso, qualquer coisa incompleta seria para ele insatisfatória, de fato, dificilmente seria considerada uma ideia.

Para ele, uma causa inclui seu efeito e, portanto, na visão mais ampla que ele é capaz de ter, a justiça poética é sempre feita, e nenhuma história pode terminar mal.

Essas características dele refletem-se até certo ponto em seus veículos inferiores, e nós as encontramos aparecendo em nós mesmos de várias maneiras.

Assim, as crianças sempre exigem que os contos de fadas terminem bem, que a virtude seja recompensada e que o vício seja vencido; e todas as pessoas ingênuas e de mente sã sentem um desejo semelhante.

Aqueles que clamam por um realismo maligno são precisamente aqueles cujas visões da vida se tornaram doentias e não naturais, porque, em sua filosofia míope, eles nunca podem ver o todo de qualquer incidente, mas apenas o fragmento dele que se mostra em uma encarnação, e geralmente apenas a mais mera casca externa mesmo disso.

Na Quarta Raça-Raiz, que se preocupa principalmente com o desenvolvimento do corpo astral e suas emoções, essa característica de arredondar histórias e exagerar é frequentemente muito marcante: isso é claramente visto, por exemplo, nas antigas histórias celtas.

O desejo por precisão científica e verdade é comparativamente um desenvolvimento recente, e pertence mais especificamente à Quinta Raça-Raiz, que se preocupa principalmente (Página 259) com o desenvolvimento da mente e do corpo mental.

As pessoas da Quinta Raça exigem assim, primeiro, que uma coisa seja verdadeira; caso contrário, ela tem pouco interesse para elas: as raças antigas, por outro lado, exigem antes de tudo que ela seja agradável, e recusam-se a ser limitadas em sua apreciação por qualquer consideração como se a coisa já tivesse se materializado, ou pudesse algum dia se materializar, no plano físico.

O desejo por precisão é, portanto, a manifestação de outra qualidade do ego, de seu poder de ver verdadeiramente, de ver uma coisa como ela é, como um todo e não apenas em parte.

Compreendendo isso, devemos claramente incentivar e insistir na qualidade da precisão, e manter nosso registro dos fatos distinto de nossos pensamentos e desejos com relação a esses fatos.

Contudo, ao cultivar a veracidade, não há necessidade de extinguir o romance.

É necessário ser preciso: não é necessário ser um Gradgrind.

Não precisamos perder de vista a beleza e o romance que estão por trás das coisas, meramente porque adquirimos um conhecimento científico de detalhes, muitos dos quais podem ser áridos e superficiais.

Assim, o açúcar não deixa de ser doce e agradável ao paladar porque aprendemos que sua fórmula química é C₁₂H₂₂O₁₁.

A medida de tempo e espaço do ego é tão inteiramente diferente daquela que usamos na vida de vigília, que do nosso ponto de vista parece que nem tempo nem espaço existem para ele.

Eventos que, no plano físico, ocorrem em sucessão, aparecem no plano mental como ocorrendo simultaneamente, e no mesmo ponto.

Esse é, pelo menos, o efeito sobre a consciência do ego, embora pareça provável que a simultaneidade absoluta seja um atributo de um plano ainda mais elevado, e que a sensação dela no plano mental seja simplesmente o resultado de uma sucessão tão rápida que os espaços infinitesimais de tempo são indistinguíveis, assim como o olho recebe a impressão de um anel contínuo de fogo, se um bastão com uma das pontas acesa for girado rapidamente.

A razão para isso, é claro, é que (Página 260) o olho humano não é capaz de distinguir, como separadas, impressões semelhantes que se seguem umas às outras em intervalos de menos de cerca de um décimo de segundo.

Exemplos particulares do que podemos chamar de velocidade imensa, na qual a consciência do ego opera em seu próprio plano, podem ser encontrados em Sonhos, de C.W. Leadbeater, páginas 36-40, onde uma série de sonhos dependentes desse fenômeno é narrada e explicada.

Um resultado que decorre do método supernormal de medição do tempo do ego é que, em certo grau, a previsão é possível para ele.

Se ele souber como lê-los, o presente, o passado e, até certo ponto, o futuro estão abertos diante dele.

Ele, sem dúvida, assim prevê ocasionalmente eventos que serão de interesse ou importância para a personalidade inferior, e faz esforços mais ou menos bem-sucedidos para impressioná-los nela.

O homem, sem dúvida, possui livre-arbítrio: portanto, a previsão é possível apenas até certo ponto.

No caso do homem comum, é provavelmente possível em grande medida, uma vez que o homem não desenvolveu vontade própria digna de menção, sendo, consequentemente, em grande parte, criatura das circunstâncias.

Seu karma o coloca em meio a certas circunstâncias, e a ação destas sobre ele é de tal modo o fator mais importante em sua história, que seu curso futuro pode ser previsto com quase certeza matemática.

Quando consideramos o vasto número de eventos que podem ser pouco afetados pela ação humana, e também as complexas e amplas relações das causas com seus efeitos, não deveria nos parecer surpreendente que, no plano onde o resultado de todas as causas atualmente em ação é visível, uma grande parte do futuro possa ser predita com considerável precisão, mesmo em seus detalhes.

Que isso possa ser feito, tem sido provado repetidamente, não apenas por sonhos proféticos, mas pela segunda visão dos montanheses escoceses, e pelas predições de clarividentes; e é sobre a previsão dos efeitos, a partir das causas já existentes, que o esquema da astrologia se baseia em grande parte.

( Página 261 )

Quando, no entanto, lidamos com um homem desenvolvido, então a profecia nos falha, pois ele não é mais criatura das circunstâncias, mas, em grande medida, seu senhor.

Os principais eventos de sua vida podem certamente ser arranjados antecipadamente pelo seu karma passado; mas a maneira como ele permitirá que estes o afetem, o método pelo qual lidará com eles, e talvez triunfe sobre eles — estes são seus, e não podem ser previstos, exceto como probabilidades.

Tais ações suas, por sua vez, tornam-se causas, e assim são produzidas, em sua vida, cadeias de efeitos que não foram previstas no arranjo original e, portanto, não poderiam ter sido preditas com qualquer exatidão.

Podemos dizer, portanto, que o curso do homem comum não desenvolvido, que praticamente não tem vontade própria digna de menção, pode muitas vezes ser previsto com clareza suficiente; mas, quando o ego corajosamente toma seu futuro em suas próprias mãos, a previsão exata torna-se impossível.

Um ego, que seja de algum modo desenvolvido, meditará em seu próprio nível, não necessariamente sincronizando tal meditação com qualquer meditação que a personalidade possa estar realizando.

O yoga de um ego razoavelmente bem desenvolvido é tentar elevar sua consciência, primeiro ao plano búdico, e então através de seus vários estágios.

Isso ele faz, sem referência ao que a personalidade possa estar fazendo naquele momento.

Tal ego provavelmente também enviaria um pouco de si mesmo para a meditação pessoal, embora suas próprias meditações sejam muito diferentes.

Deve-se sempre lembrar que o ego não é apenas manas ou mente, mas a Tríade espiritual de Atma-Buddhi-Manas.

No nosso atual estágio de consciência, o ego repousa no corpo causal no plano mental superior, mas, à medida que se desenvolve, sua consciência será centrada no plano búdico: mais tarde ainda, quando alcançar o Adeptado, será centrada no plano de Atma.

Mas não se deve supor que, quando ocorre esse desenvolvimento posterior, o manas seja de alguma forma perdido.

Pois, ( Página 262 ) quando o ego se eleva ao plano búdico, ele eleva o manas consigo, para aquela expressão de manas que sempre existiu no plano búdico, mas que não foi plenamente vivificada até agora.

Da mesma forma, quando ele se eleva ao plano de Atma, manas e buddhi existem dentro dele, tão plenamente como sempre, de modo que agora o espírito tríplice está em plena manifestação, em seu próprio plano, em todos os três aspectos.

O espírito é, portanto, verdadeiramente sétuplo, pois é tríplice em seu próprio plano, o de Atma, dual no búdico, e único no mental, sendo a unidade que é sua síntese o que perfaz sete.

Assim, embora ele se eleve ao superior, ele retém a definitude no inferior.

O que foi declarado como a descrição mais clara e melhor da trindade humana, Atma-Buddhi-Manas, encontra-se em A Chave para a Teosofia, de H.P. Blavatsky:---

O EU SUPERIOR é Atma, o raio inseparável do UNO e ÚNICO SELF.

É o Deus acima, mais do que dentro de nós. Feliz o homem que consegue saturar seu Ego interior com Ele.

O EGO divino ESPIRITUAL é a alma espiritual, ou Buddhi, em estreita união com Manas, o princípio mental, sem o qual não é Ego algum, mas apenas o veículo átmico.

O EGO INTERIOR OU SUPERIOR é Manas, o quinto princípio, assim chamado, independentemente de Buddhi.

O princípio mental é o Ego Espiritual apenas quando fundido em um com Buddhi...... É a individualidade permanente, ou o Ego reencarnante [A Chave para a Teosofia, páginas 175-176.]

Assim que um ego se torna ao menos parcialmente consciente de seus arredores e de outros egos, ele leva uma vida, e tem interesses e atividades, em seu próprio plano.

Mas mesmo então devemos lembrar, como vimos em capítulos anteriores, que ele coloca na personalidade apenas uma parte muito pequena de si mesmo, e que essa parte constantemente se envolve em interesses que, por serem tão parciais, frequentemente seguem linhas diferentes (página 263) das atividades gerais do próprio ego, que consequentemente não presta atenção particular à vida inferior da personalidade, a menos que algo bastante incomum lhe aconteça.

Quando esse estágio é alcançado, o ego geralmente passa a estar sob a influência de um Mestre.

Na verdade, frequentemente sua primeira consciência clara de algo fora de si mesmo é o seu contato com esse Mestre.

O tremendo poder da influência do Mestre o magnetiza, atrai suas vibrações para harmonia com as suas próprias, e multiplica muitas vezes a taxa de seu desenvolvimento.

Ela incide sobre ele como a luz do sol sobre uma flor, e ele evolui rapidamente sob sua influência.

É por isso que, enquanto os estágios anteriores de progresso são tão lentos a ponto de serem quase imperceptíveis, quando o Mestre volta Sua atenção para o homem, o desenvolve e desperta sua própria vontade para participar da obra, a velocidade de seu avanço aumenta em progressão geométrica.

Nos capítulos sobre devachan, vimos que um ego, muito amado por muitas pessoas, pode ter parte em muitos céus simultaneamente, animando as imagens-pensamento que seus amigos fazem dele.

Essas imagens são, naturalmente, de grande benefício evolutivo para o ego em questão, proporcionando-lhe oportunidades adicionais de desenvolver qualidades, tais como, por exemplo, a afeição.

Isso é claramente o resultado direto e a recompensa dessas qualidades amáveis, que atraem para o homem a consideração afetuosa de tantos de seus semelhantes.

Ocasionalmente, a ação de tal força sobre o ego de um amigo sobrevivente pode manifestar-se até mesmo na personalidade desse amigo no plano físico.

Pois, embora a ação seja sobre o ego, através da imagem-pensamento especial, ainda assim a personalidade do amigo sobrevivente é uma manifestação desse mesmo ego, e, se o ego for consideravelmente modificado, é pelo menos possível que essa modificação se mostre na manifestação física neste plano inferior.

É óbvio, no entanto, que há duas limitações possíveis para a perfeição do intercâmbio entre o ego em questão e aqueles que fazem imagens dele.

(Página 264) Primeiro, a imagem pode ser parcial e imperfeita, de modo que muitas das qualidades superiores do ego podem não estar representadas e, portanto, podem ser incapazes de se manifestar através dela.

Em segundo lugar, é bem possível que o ego não seja, na realidade, por assim dizer, tão bom quanto a imagem que dele foi feita, de modo que ele seja incapaz de preenchê-la completamente.

Isso, no entanto, é improvável de ocorrer e só poderia acontecer quando um objeto bastante indigno tivesse sido imprudentemente idolatrado.

Esses aspectos da questão, porém, foram plenamente tratados em O Corpo Mental, páginas 197-198.

Quanto mais desenvolvido é o ego, mais plenamente ele é capaz de se expressar através das imagens-pensamento, tornando-se estas expressões cada vez mais completas de si mesmo.

Quando ele alcança o nível de um Mestre, emprega-as conscientemente como um meio de ajudar e instruir seus discípulos.

Para auxiliar o estudante a obter uma compreensão totalmente clara do mecanismo e dos resultados das imagens-pensamento no devachan, os Diagramas XXXVI e XXXVII são anexados.

Diagrama XXXVI.—Um Ego e suas Imagens-Pensamento no Devachan.

O Diagrama XXXVI ilustra um ego X, em seu corpo mental x, no devachan, cercado pelas imagens-pensamento a', b', c', d', e' e f' de seus seis amigos A, B, C, D, E e F, respectivamente.

Desses, A e F também estão no devachan, em seus respectivos corpos mentais a e f; B e E estão no plano astral, em seus respectivos corpos astrais b e e; C e D ainda estão "vivos" no mundo físico, em seus corpos físicos c e d.

O diagrama mostra que as imagens-pensamento, feitas por X, de seus seis amigos, são animadas e, portanto, diretamente conectadas aos egos A, B, C, D, E e F, não às expressões pessoais (Página 265) desses egos, quer essas expressões pessoais estejam nos planos físico, astral ou mental.

Também fica claro no diagrama que as personalidades a, b, c, etc., nada podem saber do que está acontecendo através das imagens-pensamento a', b', c', etc., exceto através de seus próprios egos A, B, C, etc..

O Diagrama XXXVII ilustra quatro egos A, B, C e D, todos amigos mútuos, estando A, B e C no devachan, enquanto D ainda está em seu corpo físico.

Cada um de A, B e C faz uma imagem-pensamento de cada um de seus três amigos, sendo essas imagens animadas pelos respectivos egos.

A, B e C possuem cada um três expressões de si mesmos: uma através de seus próprios corpos mentais, e duas através das imagens-pensamento no devachan do

DIAGRAMA XXXVII.—Egos nos outros.

Devachan.

D, por outro lado, possui quatro expressões de si mesmo: uma através de sua própria personalidade física, e três outras através das imagens-pensamento que seus três amigos fizeram dele.

A compreensão da maneira pela qual um ego pode aparecer simultaneamente nas imagens devachânicas de várias pessoas [assim como, naturalmente, outros fenômenos do mundo do ego] mostra que, para ir de um lugar a outro, não é necessário viajar para o ego.

Em O Corpo Mental [página 236], descrevemos o acorde de um homem e explicamos como esse acorde é usado para encontrar um homem, onde quer que ele esteja nos três mundos. Esse acorde consiste em sua própria nota,

( Página 266 ) e naquelas dos três veículos inferiores — mental, astral e físico.

Se o homem não possui nenhum desses veículos inferiores no momento, o mesmo mecanismo se aplica, pois o corpo causal tem sempre ligada a si a unidade mental, e os átomos permanentes astral e físico, sendo estes bastante suficientes para emitir o som distintivo.

A combinação de sons que produz o acorde de um homem é seu verdadeiro nome oculto.

Isso não deve ser confundido com o nome oculto do Augoeides, que é o acorde dos três princípios do

ego, produzido pelas vibrações dos átomos de Atma, buddhi e manas, e pela Mônada por trás deles.

CAPÍTULO XXXI — INICIAÇÃO

( Página 267 ) Em O Corpo Astral e O Corpo Mental, o assunto do Discipulado foi tratado, na medida em que concerne aos corpos astral e mental do discípulo, ou pupilo, de um Mestre.

Será agora desejável recapitular brevemente os fatos principais concernentes aos estágios de Provação, Aceitação e Filiação, porque, em cada um deles, o corpo causal também é afetado em algum grau: então passaremos a descrever, na medida em que o ego, em seu corpo causal, está concernido, o grande passo da Iniciação, que é a culminação do Discipulado.

No estágio de Provação, o Mestre faz uma imagem viva do pupilo, moldando, a partir de matéria mental, astral e etérica, uma contraparte exata dos corpos causal, mental, astral e etérico do neófito, e mantém essa imagem à mão, para que possa observá-la periodicamente.

Essa imagem é colocada em rapport magnético com o próprio homem, de modo que toda modificação de pensamento ou sentimento, nos veículos do homem, seja fielmente reproduzida na imagem.

O Mestre é, portanto, capaz de acompanhar o progresso do discípulo e avaliar quando ele estará pronto para dar o próximo passo.

Quando o discípulo é Aceito, o Mestre dissolve as "imagens vivas", porque elas não são mais necessárias.

A consciência do discípulo é então unida à de seu Mestre, de tal maneira que tudo o que o discípulo sente ou pensa está dentro dos corpos astral e mental de seu Mestre.

Se e quando necessário, o Mestre pode erguer uma barreira e, assim, por um tempo, isolar a consciência do discípulo de Sua própria consciência.

No estágio de Filialidade, o vínculo com o Mestre é tal que não apenas a mente inferior, mas também o ego no corpo causal do discípulo, está envolvido dentro do (Página 268) do Mestre, e o Mestre não pode mais lançar um véu para isolar o discípulo.

Embora esses estágios naturalmente ajudem muito na preparação de um homem para receber a primeira grande Iniciação, ainda assim, tecnicamente falando, eles nada têm a ver com a Iniciação, ou com os passos no Caminho, que pertencem a uma categoria inteiramente diferente.

Provação, Aceitação e Filialidade representam a relação do discípulo com seu próprio Mestre: as Iniciações, por outro lado, são sinais de sua relação com a Grande Fraternidade Branca e com seu augusto Chefe.

Estritamente falando, portanto, a Grande Fraternidade Branca nada tem a ver com as relações entre o Mestre e Seu discípulo; isso é um assunto exclusivamente para a consideração privada do próprio Mestre.

Sempre que o Mestre considera que o discípulo está apto para a primeira Iniciação, Ele notifica esse fato e o apresenta para ela, e a Fraternidade pergunta apenas se ele está pronto para a Iniciação, e não qual é a relação entre ele e qualquer Mestre.

Ao mesmo tempo, é verdade que um candidato à Iniciação deve ser proposto e apoiado por dois dos membros superiores da Fraternidade, e é certo que o Mestre não proporia um homem para as provas da Iniciação a menos que tivesse, com relação a ele, a certeza de sua aptidão, que só poderia vir de uma identificação tão íntima com sua consciência como aquela de que falamos.

Já foi mencionado [ver Capítulo XIII, página 80] que, na existência de um homem, há três grandes estágios que superam em importância todos os outros: são:--

I-INDIVIDUALIZAÇÃO, quando o homem inicia sua carreira como ego humano

I] A PRIMEIRA INICIAÇÃO: quando o homem se torna membro da Grande Irmandade Branca. II] A QUINTA INICIAÇÃO: quando ele deixa o reino humano e entra no estágio super-humano: esta é a meta que se coloca diante de toda a humanidade.

Diz-se que um homem que tomou a Primeira Iniciação (Página 269) "entra na corrente". As palavras usadas ao admitir o candidato à Irmandade incluem esta declaração: "Você agora está seguro para sempre; você entrou na corrente; que você logo alcance a margem mais distante". O cristão o chama de homem que está "salvo" ou "seguro". O significado é que ele tem certeza de continuar, nesta presente corrente de evolução, que certamente não ficará para trás no "dia do juízo", ou na "grande separação" na próxima [quinta] Ronda, como uma criança na escola que é demasiado atrasada para continuar com o resto de sua classe.

A importância da Iniciação não reside na exaltação do indivíduo, mas no fato de que ele agora se tornou definitivamente uno com uma grande Ordem, a "Comunhão dos Santos", como é chamada na terminologia cristã.

O candidato agora se tornou mais do que homem individual, porque é uma unidade em uma força tremenda.

A Irmandade não é apenas um corpo de homens, cada um dos quais tem seus próprios deveres a cumprir; é também uma unidade estupenda - um instrumento flexível nas mãos do Senhor do Mundo, uma arma poderosa que Ele pode manejar.

Nenhuma unidade em todo o esquema perde a menor fração de sua individualidade, mas ele acrescentou a ela algo mil vezes maior.

Quando um ego é Iniciado — o estudante notará que é o ego que é iniciado, não a personalidade — ele se torna parte da organização mais íntima do mundo, uno com o grande mar de consciência da Grande Irmandade Branca.

Por muito tempo, o novo Iniciado não será capaz de compreender tudo o que essa união implica, e ele deve penetrar profundamente nos santuários antes de poder perceber quão íntimo é o vínculo, e quão grande é a consciência do próprio Rei, o Senhor do Mundo, da qual todos os Irmãos, até certo ponto, compartilham com Ele.

É incompreensível e inexprimível aqui embaixo; metafísico e sutil, está além das palavras, mas, no entanto, uma realidade gloriosa, real a tal ponto que, quando começamos a compreendê-la, tudo o mais parece irreal.

(Página 270)

Vimos anteriormente [vide The Mental Body, página 302] que o discípulo aceito pode colocar seu pensamento ao lado do de seu Mestre; assim também o Iniciado pode colocar seu pensamento ao lado do da Fraternidade, e absorver em si mesmo tanto dessa tremenda consciência quanto ele, em seu nível, é capaz de responder.

No ponto da grande cerimônia em que a Estrela de Iniciação aparece, uma linha de luz deslumbrante se estende da Estrela ao coração do Iniciador, e dEle ao coração do candidato. Sob a influência desse magnetismo tremendo, a pequena Estrela de Prata da Consciência, que representa a Mônada, no candidato, incha em brilho radiante, até preencher seu corpo causal, e por um momento maravilhoso a Mônada e o ego são um, assim como serão permanentemente um quando a Adeptia for alcançada.

Nesta ocasião, a Mônada se identifica por um tempo com a fração de si mesma que é o ego, e é ele, a Mônada, quem faz os votos.

O efeito da Iniciação sobre o corpo astral já foi descrito em The Astral Body, página 254.

Tão maravilhosa é a expansão da consciência do Iniciado, que é muito apropriado falar da mudança como um novo nascimento. Ele começa a levar uma nova vida "como uma criancinha", a vida do Cristo; o Cristo, a consciência búdica ou intuicional, nasce em seu coração.

Ele agora também tem o poder de dar a bênção da Fraternidade, uma força tremenda e avassaladora, que ele pode dar ou enviar a qualquer um, conforme julgar mais apropriado e útil. O poder da Fraternidade fluirá através dele tanto quanto ele permitir que flua. Cabe a ele usar o poder, e lembrar que ele tem toda a responsabilidade de direcioná-lo, para qualquer propósito que escolher.

A bênção dada pelo Oficiante na Iniciação significa: "Eu te abençoo; eu derramo minha força e bênção em você; veja que você, por sua vez, derrame constantemente essa bênção sobre os outros".

Se o Iniciado possuir a qualificação de Shradda - confiança perfeita (página 271) em seu Mestre e na Fraternidade, e a certeza absoluta de que, porque ele é um com Eles, todas as coisas são possíveis para ele - ele pode atravessar o mundo como um verdadeiro Anjo de luz, espalhando alegria e bênção ao seu redor.

Antes da Iniciação, o pupilo provavelmente já se praticou no desenvolvimento da consciência búdica, de modo que geralmente já teve experiência nesse nível.

Mas, se não o tiver, então, na Iniciação, sua primeira experiência ocorre.

No entanto, na Iniciação, o homem não atinge a plena consciência búdica, nem desenvolve, de modo algum, um veículo búdico nesse momento.

Mas, tendo em vista o fato de que alguns dos ensinamentos que devem ser dados no nível búdico não poderiam, de outra forma, ser compreendidos, parece ser necessário um certo desenvolvimento dos veículos búdicos.

Quando a consciência é elevada ao veículo búdico, algo muito notável acontece ao corpo causal: ele desaparece, e o Iniciado não é compelido a reassumi-lo jamais; mas, naturalmente, isso não pode ser feito até que todo o karma dos planos inferiores seja exaurido.

Pois um homem não está livre dos resultados vinculantes, nos planos inferiores, até que seja perfeitamente impessoal nesses planos.

Se um homem, ao ajudar outro, sente perfeitamente a unidade com ele, então obtém o resultado de sua ação apenas no plano búdico, e não em nenhum dos planos inferiores.

Outro fator interessante a ter em mente é que há sempre um karma geral, pertencente a uma ordem ou a uma nação, e que cada indivíduo é, até certo ponto, responsável pela ação do todo.

Assim, por exemplo, um sacerdote tem certa responsabilidade por tudo o que o sacerdócio coletivo faz, mesmo que ele pessoalmente não o aprove.

É o mero ato de focar-se no veículo búdico que faz o corpo causal desaparecer.

Tão logo, porém, a consciência é trazida novamente para baixo, ao plano mental superior, o corpo causal reaparece.

(Página 272) Não é o mesmo que era antes, porque as partículas foram dissipadas, mas parece, em todos os aspectos, exatamente o mesmo corpo.

No plano búdico, o fio mais fino que podemos conceber representa o homem comum.

Assim que ele pensa regularmente em assuntos superiores e volta sua atenção para eles, o fio começa a engrossar.

Torna-se cada vez mais como um cabo, e mais tarde aparece como um funil, porque, como parece à visão clarividente, ele se alarga acima e desce até o corpo causal.

Mais tarde, o corpo causal é ampliado pela irrupção de forças, e o funil torna-se muito maior, alargando-se tanto na base quanto no topo.

Na Primeira Iniciação [para muitos, porém, essa experiência vem antes disso], o homem, como vimos, abandona o corpo causal e mergulha no plano búdico.

Quando isso ocorre, o funil se molda em uma esfera.

Nesse nível, há, é claro, mais dimensões, de modo que o fenômeno não pode ser totalmente descrito, mas é assim que aparece para aquele que é capaz de vê-lo.

Em vista do que foi dito acima, isto é, que não há compulsão para reformar o corpo causal, segue-se que o tempo que resta ao Iniciado, antes de alcançar o nível do Adeptado, não precisa envolver de modo algum uma descida ao plano físico, e portanto ele pode não passar pelo que normalmente entendemos por encarnações.

No entanto, na grande maioria dos casos, encarnações no plano físico são assumidas, porque o homem tem trabalho a fazer, nesse plano, para a Grande Fraternidade.

A consciência búdica dá a alguém a realização da Consciência Una, penetrando tudo—a Consciência Una de Deus, de fato.

Tal realização dá uma sensação de máxima segurança e confiança, o mais tremendo impulso e estímulo imaginável.

Contudo, a princípio pode ser alarmante, porque um homem pode sentir que estava se perdendo.

Isso, é claro, não é o caso.

O Cristo disse: "Aquele que perder a sua vida por Minha causa, achá-la-á". O Cristo representa o princípio búdico (Página 273) e está dizendo: "Aquele que, por Minha causa—isto é, para o desenvolvimento do Cristo dentro de si—puser de lado o veículo causal, no qual tem vivido por tanto tempo, encontrar-se-á, encontrará a vida muito mais grandiosa e superior". Fazer isso exige alguma coragem, e é uma experiência surpreendente a primeira vez que alguém está inteiramente no veículo búdico e descobre que o corpo causal, no qual se tem apoiado por milhares de anos, desapareceu.

Mas, quando a experiência vem, o homem saberá com absoluta certeza que o Self é uno.

A ideia não pode ser transmitida, mas será conhecida quando experimentada, e nada jamais abalará essa certeza.

Quando a consciência búdica impressiona plenamente o cérebro físico, ela dá um valor tão novo aos fatores da vida que um homem não olha mais para uma pessoa ou objeto, mas é essa pessoa ou objeto.

Ele é capaz de reconhecer os motivos dos outros como seus próprios motivos, mesmo que compreenda perfeitamente que outra parte de si mesmo, possuindo mais conhecimento, ou um ponto de vista diferente, possa agir de maneira bastante distinta.

Não se deve, contudo, supor que quando um homem entra na subdivisão mais baixa do plano búdico ele esteja imediatamente plenamente consciente de sua unidade com tudo o que vive.

Essa perfeição dos sentidos só vem como resultado de muito esforço e dificuldade, quando ele alcançou a subdivisão mais elevada do plano búdico.

Passo a passo, subplano por subplano, o aspirante deve conquistar seu caminho por si mesmo,

pois, mesmo nesse nível, esforço e dedicação ainda são necessários, se se deseja progredir.

Esse trabalho de desenvolver-se em subplano após subplano agora se apresenta diante do candidato.

Ele está agora definitivamente no Caminho da Santidade e é descrito no sistema budista como Sotapatti ou Sohan, "aquele que entrou na corrente"; entre os hindus, é chamado de Parivrajaka, que significa o "peregrino", aquele que não sente mais que qualquer lugar nos três mundos inferiores seja sua morada ou refúgio.

O assunto da consciência búdica será considerado de forma um pouco mais completa no próximo capítulo.

(Página 274)

Três fatores, todos interdependentes, estão envolvidos na aptidão de um homem para a Primeira Iniciação.

Primeiro: ele deve possuir uma quantidade suficiente das bem conhecidas "Qualificações" [vide The Mental Body, página 294]. Segundo: o ego deve ter treinado tão bem seus veículos inferiores que ele possa funcionar perfeitamente através deles, quando assim o desejar; expresso de outra forma, ele deve ter efetuado o que se chama a junção dos eus inferior e superior.

Terceiro: ele deve ser forte o bastante para suportar a grande tensão envolvida, que se estende até mesmo ao corpo físico.

Todos os Iniciados, no entanto, não são de modo algum iguais em desenvolvimento, assim como nem todos os homens que obtêm o grau de Mestre em Artes são iguais em conhecimento.

Embora haja um certo grau de realização exigido para a Iniciação, alguns podem ter alcançado muito mais do que o mínimo requerido em certas direções.

Portanto, por razões semelhantes, pode haver variação considerável no intervalo entre Iniciações.

Um homem que acabou de receber a Primeira Iniciação pode, no entanto, possuir uma parcela considerável das qualificações para a Segunda; portanto, para ele, o intervalo entre as duas pode ser excepcionalmente curto.

Por outro lado, um candidato que tivesse apenas força suficiente em todas as direções para passar pela Primeira teria que desenvolver lentamente dentro de si todas as faculdades e conhecimentos adicionais necessários para a Segunda, de modo que seu intervalo provavelmente seria longo.

A Iniciação tem o efeito de alterar a "polaridade" dos veículos mental e causal do homem, de modo que ele possa ser utilizado como outros não podem, por mais altamente desenvolvidos que estes sejam em outras linhas.

Comparando a Primeira com a Quinta Iniciação, vimos que na Primeira o eu superior e o inferior devem ser unificados, de modo que nada mais haja senão o ego atuando na personalidade: na Quinta, nada deve haver no ego que não seja aprovado ou inspirado pela Mônada.

Sempre que a Mônada toca nossas vidas aqui embaixo, ela vem como um deus do alto.

Em todos os casos de Iniciação, ela (Página 275) fulgura para baixo e, por um momento, torna-se una com o ego, assim como a Mônada e o ego serão permanentemente unos quando o Adeptado for alcançado.

Em certos outros momentos importantes e críticos, a Mônada fulgura para baixo, como no caso mencionado em As Vidas de Alcyone, quando Alcyone fez um voto ao Senhor Buda.

Assim, na Primeira Iniciação, a personalidade deixa de ter vontade própria — exceto quando se esquece — e vive apenas para servir ao superior.

O ego agora está ativo através da personalidade nos planos inferiores e começa a perceber a existência da Mônada e a viver de acordo com a sua vontade.

A própria Mônada determinou o caminho para a evolução do ego; e ela não pode escolher outro, porque está tornando-se a si mesma, obtendo libertação do cativeiro até mesmo dos planos superiores.

Outra maneira de expressar essa verdade é dizer que, assim como o homem no Caminho Probatório tem de aprender a livrar-se de tudo aquilo que chamamos de personalidade, assim também o Iniciado deve livrar-se de sua individualidade, do ego reencarnante, para que, ao final do Caminho, sua vida esteja inteiramente sob a direção da Mônada.

A individualidade, ou ego, é algo muito maravilhoso — complexo, extraordinariamente belo e admiravelmente adaptado ao seu ambiente, um ser glorioso, de fato.

A ideia do eu separado está enraizada em nós e é parte do próprio ego, que é a única coisa permanente em nós, até onde sabemos.

Nos estágios iniciais, essa ideia do eu separado teve de ser desenvolvida e fortalecida, sendo, na verdade, a fonte de nossa força no passado.

Mas, não obstante, essa "erva daninha gigante" tem de ser eliminada em um momento ou outro.

Os fortes podem arrancá-la de si mesmos no início de seu desenvolvimento.

Os fracos devem esperar e deixá-la continuar crescendo enquanto desenvolvem força suficiente para eliminá-la.

Para eles, isso é infeliz, porque quanto mais tempo ela é permitida persistir, mais intimamente se entrelaça com a natureza do homem.

Portanto, todos os sistemas de ensino oculto concordam em aconselhar os estudantes a tentarem, desde o início, livrar-se da ( Página 276 ) ilusão da separatividade.

O homem tem de aprender que, por trás da própria individualidade, está a Mônada; essa lhe parecerá o verdadeiro Eu, quando ele tiver deixado de lado a individualidade.

Além disso, com o tempo, ele aprenderá a perceber por si mesmo que até mesmo a Mônada é apenas uma centelha na Chama Eterna.

Somente quando o eu inferior, ou personalidade, se torna puro de qualquer sopro de paixão, quando o manas inferior se liberta do kama, é que o "resplandecente" pode impressioná-lo. H.P. Blavatsky escreve: "É quando a trindade — Atma-Buddhi-Manas — em antecipação da reunião triunfante final para além dos portões da morte corpórea, se torna por alguns segundos uma unidade, que o candidato é permitido, no momento da iniciação, contemplar seu eu futuro.

Assim lemos no Desatir persa sobre o 'resplandecente'; nos filósofos gregos iniciados, sobre o Augoeides — a 'visão bendita que resplandece por si mesma, residente na luz pura'; em Porfírio, que Plotino foi unido ao seu 'deus' seis vezes durante sua vida, e assim por diante." [Isis sem Véu, II, páginas 114-115].

Essa "trindade" tornada unidade é o "Cristo" de todos os místicos.

Quando, na iniciação final, o candidato foi estendido sobre o chão, ou a pedra do altar, e assim tipificou a crucificação da carne, ou da natureza inferior, e quando dessa "morte" ele "ressuscitou" como o conquistador triunfante sobre o pecado e a morte, então, no momento supremo, ele vê diante de si a presença gloriosa e se torna "um com Cristo", é ele próprio o Cristo.

Doravante, ele pode viver no corpo, mas este se tornou seu instrumento obediente; ele está unido ao seu verdadeiro Eu, Manas tornado uno com Atma-Buddhi, e, através da personalidade que habita, ele exerce seus plenos poderes, como uma inteligência espiritual imortal.

Enquanto ele lutava nas armadilhas da natureza inferior, Cristo, o ego espiritual, era crucificado diariamente nele; mas, no adepto pleno, o Cristo ressuscitou triunfante, senhor de si mesmo e da natureza.

A longa peregrinação do manas terminou, o ciclo de necessidade foi ( Página 277 ) percorrido, a roda do renascimento cessa de girar, o Filho do Homem foi aperfeiçoado pelo sofrimento.

Até que esse ponto seja alcançado, "o Cristo" é o objeto de aspiração.

O "raio" luta sempre para retornar à sua fonte, o manas inferior aspira sempre a tornar-se novamente uno com o superior.

É este contínuo anseio por reunião que se reveste de oração, de inspiração, de "busca de Deus". "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo", exclama o cristão ardente.

Este clamor é o inextinguível impulso ascendente do eu inferior para o superior.

Quer a pessoa ore ao Buda, a Vishnu, a Cristo, à Virgem, ao Pai, isso é, naturalmente, meramente uma questão de dialeto, não de fato essencial.

Em todos, o Manas unido a Atma-Buddhi é o objeto real, variadamente chamado de homem ideal, Deus pessoal, o Deus-Homem, Deus Encarnado, o Verbo feito carne, o Cristo que deve "nascer em" cada um, com Quem o crente deve tornar-se uno.

Quando uma vez o homem entra no Caminho e converge todas as suas energias para ele, sua taxa de progresso é enormemente acelerada.

Seu progresso não será por progressão aritmética, i.e., na razão 2,4,6,8 etc., nem por progressão geométrica, i.e., na razão 2,4,8,16, etc., mas por potências, na razão 2,4,16,256, etc. Este fato deve proporcionar grande encorajamento ao estudante sério.

CAPÍTULO XXXII

CONSCIÊNCIA BÚDICA

(Página 278) Em vista do fato de que a Primeira Iniciação envolve experimentar a consciência búdica, é desejável ampliar o que foi dito no capítulo precedente a respeito da natureza da consciência no plano búdico.

O estudante dificilmente precisará ser informado de que toda descrição da consciência búdica é necessária e essencialmente deficiente.

É impossível em palavras físicas dar mais do que a mais leve sugestão do que é a consciência superior, pois o cérebro físico é incapaz de apreender a realidade.

Já é difícil o bastante formar uma concepção mesmo dos fenômenos do plano astral, havendo quatro dimensões no mundo astral.

No mundo búdico há nada menos que seis dimensões, de modo que as dificuldades são evidentemente enormemente aumentadas.

Há um diagrama engenhoso [pelo qual o presente escritor é devedor ao desconhecido desenhista], reproduzido como Diagrama XXXVIII, na p. 279, que ilustra graficamente a diferença fundamental entre o plano búdico e todos os planos abaixo dele.

Vê-se que o diagrama consiste em um número de pontas ou raios que se sobrepõem em um certo ponto.

Esse ponto de sobreposição é o começo do plano búdico.

As pontas dos raios representam a consciência física dos homens: elas são separadas e distintas umas das outras.

Subindo pelos raios em direção ao centro, vemos que a consciência astral é um pouco mais ampla, de modo que as consciências dos homens separados se aproximam um pouco mais umas das outras.

A consciência mental inferior aproxima-se ainda mais umas das outras, enquanto as consciências mentais superiores, no seu nível mais elevado (página 279), encontram-se no ponto onde a consciência búdica começa.

Ver-se-á agora que a consciência búdica de cada "homem" individual e separado sobrepõe-se à das outras consciências separadas de cada lado dele.

Esta é uma ilustração gráfica do aspecto de "sobreposição" da consciência búdica, onde se experimenta um senso de união com os outros.

À medida que a consciência se eleva ainda mais para os planos superiores, ver-se-á que ela se sobrepõe cada vez mais às que estão de cada lado, até que, finalmente, quando o "centro" é alcançado, há praticamente uma fusão completa da consciência.

No entanto, cada raio separado ainda existe e tem sua própria direção. Olhando para fora, em direção aos mundos inferiores, cada consciência olha em uma direção diferente: é um aspecto da única consciência central.

Olhando para dentro, por outro lado, essas consciências divergentes convergem e tornam-se uma com a outra.

O senso de união é característico do plano búdico.

Neste plano, todas as limitações começam a cair, e a consciência (página 280) do homem expande-se até que ele percebe, não mais apenas em teoria, que a consciência de seus semelhantes está incluída na sua própria, e ele sente, conhece e experimenta, com uma perfeição absoluta de simpatia, tudo o que há neles, porque isso é, na realidade, uma parte de si mesmo.

DIAGRAMA XXXVIII — Unidade na Diversidade

Neste plano, um homem conhece, não por mera apreciação intelectual, mas por experiência definida, o fato de que a humanidade é uma irmandade, por causa da unidade espiritual que subjaz a tudo isso.

Embora ele ainda seja ele mesmo, e sua própria consciência seja sua, ela se alargou em uma simpatia tão perfeita com a consciência dos outros que ele percebe que é verdadeiramente apenas parte de um todo poderoso.

Como um ser que, de pé no sol, imbuído de sua luz e derramando-a, não sentiria diferença entre raio e raio, mas a derramaria por um tão prontamente e facilmente quanto por outro, assim um homem no plano búdico sente a fraternidade e se derrama em qualquer um que precise de sua ajuda.

Ele vê todos os seres como a si mesmo e sente que tudo o que possui é tanto deles quanto seu; em muitos casos, mais deles do que seu, porque a necessidade deles é maior, sendo menor a sua força.

Assim como o elemento predominante no corpo causal é o conhecimento e, em última instância, a sabedoria, o elemento predominante da consciência no corpo búdico é a bem-aventurança e o amor.

A serenidade da sabedoria marca um, enquanto a mais terna compaixão flui inexaurivelmente do outro.

Por isso o corpo búdico é chamado pelos vedantinos de Anandamayakosha, ou envoltório de bem-aventurança.

Esta é "a casa não feita por mãos, eterna nos céus", da qual falou São Paulo, o Iniciado cristão.

Ele elevou a caridade, o amor puro, acima de todas as outras virtudes, porque somente por ela pode o homem na terra contribuir para aquela morada gloriosa.

Por razão semelhante, a separatividade é chamada de "grande heresia" pelos budistas, e a "união" ou yoga é a meta do hindu.

Um homem egoísta não poderia funcionar no plano búdico (página 281), pois a essência desse plano é a simpatia e a compreensão perfeita, que excluem o egoísmo.

Há uma estreita conexão entre o corpo astral e o búdico, sendo o astral, de certas maneiras, um reflexo do búdico.

Mas não se deve, portanto, supor que um homem possa saltar da consciência astral para a búdica, sem desenvolver os veículos intermediários.

Embora, nos mais elevados níveis do plano búdico, um homem se torne uno com todos os outros, não devemos, portanto, presumir que ele sinta igualmente por todos.

Não há, de fato, razão para supor que algum dia sentiremos de modo absolutamente igual por todos.

Pois até o Senhor Buda teve Seu discípulo favorito, Ananda, e o Cristo considerou São João, o Amado, de maneira diferente dos demais.

O que é verdadeiro é que, no devido tempo, os homens amarão a cada um tanto quanto agora amam seus mais próximos e queridos, mas, nessa época, terão desenvolvido, para esses mais próximos e queridos, um tipo de amor do qual agora não têm concepção alguma.

Não há separação no plano búdico.

Nesse plano, como foi dito, as consciências não se fundem necessariamente de imediato no nível mais baixo, mas gradualmente se alargam cada vez mais até que, quando o nível mais alto é alcançado, o homem se encontra conscientemente uno com a humanidade.

Esse é o nível mais baixo em que a separatividade é absolutamente inexistente; em sua plenitude, a unidade consciente com tudo pertence ao plano átmico ou nirvânico.

Para cada ego que possa alcançar esse estado de consciência, pareceria que ele absorveu ou incluiu todos os outros; ele percebe que todos são facetas de uma Consciência maior; ele chegou, de fato, à realização da fórmula antiga: "Tu és Isso".

Deve-se lembrar que, enquanto a consciência búdica leva o homem à união com tudo o que é glorioso e maravilhoso nos outros, à união, de fato, com os próprios Mestres, ela também, e necessariamente, o leva à harmonia com o vicioso e o criminoso.

Seus sentimentos devem ser experimentados, (página 282) bem como a glória e o esplendor da vida superior.

Quando a separatividade é abandonada e a unidade é realizada, o homem descobre que está imerso na Vida Divina, e que a atitude de amor é a única que ele pode adotar para com qualquer um de seus semelhantes, sejam eles elevados ou humildes.

Um ego, enquanto vive no corpo causal, já reconhece a Consciência Divina em tudo; quando olha para outro ego, sua consciência salta, por assim dizer, para reconhecer o Divino nele.

Mas, no plano búdico, ela não mais salta para saudá-lo de fora, pois já está entronizada em seu coração.

Ele é essa consciência, e ela é dele.

Não há mais o "você" e o "eu", pois ambos são um—facetas de algo que os transcende e, no entanto, os inclui a ambos.

Não se trata apenas de compreendermos outro homem, mas de sentirmos que estamos agindo através dele, e apreciamos seus motivos como se fossem nossos próprios motivos, mesmo que, como foi dito no capítulo anterior, possamos compreender perfeitamente que outra parte de nós mesmos, possuindo mais conhecimento, ou um ponto de vista diferente, poderia agir de maneira bastante distinta.

O senso de propriedade pessoal em qualidades e ideias é inteiramente perdido, porque vemos que essas coisas são verdadeiramente comuns a todos, pois fazem parte da grande realidade que está igualmente por trás de tudo.

Portanto, o orgulho pessoal no desenvolvimento individual torna-se uma impossibilidade absoluta, pois vemos agora que o desenvolvimento pessoal é apenas como o crescimento de uma folha, entre os milhares de folhas de uma árvore, e que o fato importante não é o tamanho ou a forma daquela folha em particular, mas sua relação com a árvore como um todo; pois é somente da árvore como um todo que podemos realmente predicar crescimento permanente.

Deixamos completamente de culpar os outros por suas diferenças em relação a nós mesmos; em vez disso, simplesmente as notamos como outras manifestações de nossa própria atividade, pois agora vemos razões que antes nos estavam ocultas. Até o homem mau é visto como parte de nós mesmos (página 283), uma parte fraca; portanto, nosso desejo não é culpá-lo, mas ajudá-lo, derramando força nessa parte fraca de nós mesmos, para que todo o corpo da humanidade seja vigoroso e saudável.

Assim, quando um homem ascende ao plano búdico, ele pode obter a experiência dos outros; portanto, não é necessário que cada ego passe por toda experiência como um indivíduo separado.

Se ele não quisesse sentir o sofrimento de outro, poderia se retirar; mas ele escolheria senti-lo, porque quer ajudar.

Ele envolve em sua própria consciência aquele que está sofrendo, e embora o sofredor nada saiba desse envolvimento, isso, até certo ponto, aliviará seus sofrimentos.

No plano búdico há uma faculdade totalmente nova, que nada tem em comum com as faculdades dos planos inferiores.

Pois um homem reconhece os objetos por um método inteiramente diferente, no qual as vibrações externas não desempenham papel algum.

O objeto se torna parte de si mesmo, e ele o estuda de dentro, em vez de fora.

Com tal método de apreensão, é claro que muitos objetos familiares se tornam inteiramente irreconhecíveis.

Até a visão astral permite que se vejam os objetos de todos os lados ao mesmo tempo, bem como de cima e de baixo; acrescentando a isso a complicação adicional de que todo o interior do corpo está disposto diante de nós, como se cada partícula fosse colocada separadamente sobre uma mesa; acrescentando ainda o fato de que, enquanto olhamos para essas partículas, estamos ao mesmo tempo dentro de cada partícula, e olhando através dela, é evidente que se torna impossível traçar qualquer semelhança com o objeto que conhecíamos no mundo físico.

Enquanto a intuição do corpo causal reconhece o externo, a intuição do búdico reconhece o interno.

A intuição intelectual permite que alguém perceba uma coisa fora de si mesmo: com a intuição búdica, vê-se uma coisa de dentro.

Assim, se, ao trabalhar no corpo causal, quisermos compreender outra pessoa, a fim de ajudá-la, voltamos nossa consciência para o seu corpo causal e (Página 284) estudamos suas peculiaridades; elas são bem marcadas e claramente visíveis, mas são sempre vistas de fora.

Se, desejando o mesmo conhecimento, elevarmos nossa consciência ao nível búdico, encontraremos a consciência do outro homem como parte de nós mesmos.

Encontramos um ponto de consciência que o representa — poderíamos chamá-lo de um buraco em vez de um ponto.

Podemos derramar-nos por esse buraco e entrar em sua consciência, em qualquer nível inferior que desejarmos, e portanto ver tudo precisamente como ele vê — de dentro dele, em vez de fora.

Compreender-se-á facilmente o quanto isso se presta à perfeita compreensão e simpatia.

Contudo, como foi dito, em todo esse estranho avanço não há senso de perda da individualidade, mesmo havendo uma perda total do senso de separatividade.

Embora isso possa parecer um paradoxo, é verdadeiro.

O homem lembra-se de tudo o que está para trás dele.

Ele é ele mesmo o mesmo homem que fez esta ou aquela ação no passado distante.

Ele não está de modo algum mudado, exceto que agora é muito mais do que era então e sente que inclui dentro de si muitas outras manifestações também.

Se, aqui e agora, cem de nós pudéssemos simultaneamente elevar nossa consciência ao mundo búdico, seríamos todos uma só consciência, mas para cada homem essa consciência pareceria ser a sua própria, absolutamente inalterada, exceto que agora incluía também todos os outros.

A visão búdica revela uma pessoa, não como um recinto, mas como uma Estrela irradiando em todas as direções: os raios dessa estrela atravessam a consciência do observador, de modo que ela é sentida como parte de si mesmo, e contudo não perfeitamente assim. Todos os observadores concordam que é impossível, exceto por uma série de contradições, descrever o estado de consciência búdico.

O poder de identificação é adquirido, não apenas com relação à consciência das pessoas, mas com relação a tudo o mais, no plano búdico.

Tudo é aprendido, como foi dito, de dentro, em vez de fora.

Aquilo que estamos examinando tornou-se uma (Página 285) parte de nós mesmos; examinamo-lo como uma espécie de sintoma em nós mesmos.

Essa característica obviamente constitui uma diferença fundamental.

Antes que possa ser alcançada, deve-se adquirir total abnegação, porque enquanto houver algo pessoal no ponto de vista do discípulo, ele não pode fazer qualquer progresso com a consciência búdica, que depende da supressão da personalidade.

H.P. Blavatsky afirma que: "Buddhi é a faculdade de conhecer, o canal através do qual o conhecimento divino alcança o Ego, o discernimento do bem e do mal, também a consciência divina, e a Alma espiritual, que é o veículo de Atma" [A Doutrina Secreta, I, p. 2]. É frequentemente falado como o princípio do discernimento espiritual.

No sistema de Yoga, turiya, um estado elevado de transe, está relacionado à consciência búdica, assim como sushupti está relacionado à consciência mental, svapna ao astral, e jagrat ao físico.

Esses termos, no entanto, são usados também com outros significados, sendo relativos em vez de absolutos, vide O Corpo Mental, p. 146.

Nos Seis Estágios da Mente, dados em O Corpo Mental, p. 146, o de niruddha, ou Autocontrolado, corresponde à atividade no plano búdico.

No corpo físico, o prana amarelo que entra no chakram do coração ou centro de força representa o princípio de buddhi.

Embora no nível búdico um homem ainda tenha um corpo definido, sua consciência parece igualmente presente em vasto número de outros corpos.

A teia da vida, que é construída de matéria búdica, é estendida de modo que inclui essas outras pessoas, de modo que, em vez de muitas pequenas teias separadas, há uma vasta teia, que as envolve todas em uma vida comum.

Muitos desses outros podem, naturalmente, estar completamente inconscientes dessa mudança, e para eles sua própria pequena parte privada da teia ainda parecerá tão separada quanto sempre—ou assim pareceria se soubessem algo sobre a teia da vida.

Então, deste ponto de vista (página 286), e neste nível, parece que toda a humanidade está ligada por fios dourados, e forma uma unidade complexa, não mais um homem, mas o homem em abstrato.

No plano búdico, de alguma maneira que é naturalmente bastante incompreensível para o cérebro físico, passado, presente e futuro existem todos simultaneamente.

Tampouco um homem, neste plano, está mais sujeito a limitações de espaço como as conhecemos no plano físico.

Portanto, ao ler os Registros Akáshicos, [vide The Mental Body, p.238] ele não precisa mais, como no plano mental, passar uma série de eventos em revista, porque, como foi dito, passado, presente e futuro estão simultaneamente presentes para ele.

Com a consciência plenamente desenvolvida no plano búdico, portanto, a previsão perfeita é possível, embora, é claro, o homem possa não — na verdade, não poderá — trazer todo o resultado plenamente para dentro de sua consciência inferior.

No entanto, uma grande dose de clarividência está obviamente ao seu alcance, sempre que ele escolher exercê-la; e mesmo quando não a está exercendo, frequentes lampejos de conhecimento prévio chegam à sua vida comum, de modo que ele frequentemente tem uma intuição instantânea de como as coisas se desenrolarão, mesmo antes de seu início.

A extensão do plano búdico é tão grande que o que pode ser chamado de corpos búdicos dos diferentes planetas de nossa cadeia se encontram uns aos outros, de modo que há um único corpo búdico para toda a cadeia.

Portanto, é possível para um homem, em seu corpo búdico, passar de um desses planetas a outro.

Podemos notar aqui que um átomo de matéria búdica contém 49 à 3ª potência, ou 117.649 "bolhas em koilon".

Um homem que consegue elevar sua consciência ao nível atômico do plano búdico encontra-se tão absolutamente em união com todos os outros homens que, se deseja encontrar outro homem, basta projetar-se ao longo da linha dessa outra pessoa para encontrá-lo.

O seguinte pode ser tomado como um exemplo do funcionamento da consciência búdica.

Toda beleza, seja de forma ou de cor, seja na natureza ou (Página 287) no corpo humano, nas altas realizações da arte ou no mais humilde utensílio doméstico, é apenas uma expressão da Beleza Una; e, portanto, na mais humilde coisa que é bela, toda a beleza está implicitamente contida, e assim, através dela, toda a beleza pode ser realizada, e Aquele Que Ele Próprio é a Beleza pode ser alcançado.

Para compreender isso plenamente, é necessária a consciência búdica, mas mesmo em níveis muito mais baixos a ideia pode ser útil e frutífera.

Como um Mestre o expressou: "Não vedes que há apenas Um Amor, assim como há apenas Uma Beleza? Tudo o que é belo, em qualquer plano, o é porque faz parte dessa Beleza, e, se for recuado suficientemente longe, sua conexão se tornará manifesta.

Toda Beleza é de Deus, assim como todo Amor é de Deus; e através dessas Suas Qualidades, os puros de coração podem sempre alcançá-Lo".

O pleno desenvolvimento do veículo búdico, no entanto, pertence ao estágio do Arhat, embora aqueles que ainda estão longe desse nível possam obter, de várias maneiras, toques da consciência búdica.

Buddhi, no espírito humano, é a Razão pura e compassiva, que é o Aspecto Sabedoria, o Cristo no homem.

No curso normal da evolução, a consciência búdica será gradualmente desdobrada na sexta sub-raça da Quinta Raça Raiz, e ainda mais na própria Sexta Raça Raiz.

Pode-se traçar a chegada da sexta sub-raça nas pessoas dispersas encontradas na quinta sub-raça, nas quais a ternura é a marca do poder.

É um espírito sintetizador que caracteriza a sexta sub-raça; seus membros são capazes de unir diversidade de opinião e de caráter, de reunir ao seu redor os elementos mais díspares, e fundi-los em um todo comum, tendo a capacidade de absorver em si mesmos as diversidades, e enviá-las novamente como unidades, utilizando as mais diferentes capacidades, encontrando cada uma o seu lugar, e soldando todas juntas em um todo forte.

A compaixão é fortemente marcada; é aquela qualidade que é imediatamente afetada pela presença da fraqueza, respondendo ( Página 288 ) a ela com paciência, com ternura e com proteção.

O senso de unidade e compaixão será uma força e um poder que será usado para o serviço, sendo a medida da força a medida da responsabilidade e do dever.

CAPÍTULO-XXXIII-

O EGO E A MÔNADA

( Página 289 ) No capítulo III, estudamos a Emanação das Mônadas e consideramos brevemente a natureza geral das Mônadas.

No capítulo sobre Iniciação, tratamos dos efeitos que a Iniciação produz na relação entre a Mônada e o ego.

Agora será apropriado considerar as informações adicionais disponíveis sobre a relação entre o ego e a Mônada, e também tratar um pouco mais plenamente da natureza da própria Mônada, e sua atitude em relação às suas manifestações nos mundos inferiores.

Voltando primeiro à natureza da própria Mônada, somos confrontados com a dificuldade de que nenhuma observação direta da Mônada, em seu próprio plano, é atualmente possível para nossos investigadores.

O plano em que reside o Mônada — o plano Anupadaka — está atualmente além do alcance de nossos investigadores clarividentes; o mais alto que esses investigadores podem realmente conhecer do homem, por observação direta, é a manifestação do Mônada como o Espírito Tríplice no plano de Átma. Mesmo nesse estágio, ele é incompreensível: pois seus três aspectos são bastante distintos e aparentemente separados, e, no entanto, todos são fundamentalmente um e o mesmo.

Embora ninguém abaixo do grau de Adepto possa ver o Mônada, o Arhat pode conhecer sua existência.

Pois, no plano de Átma, a manifestação tríplice pode ser percebida, e os raios que compõem essa manifestação tríplice obviamente convergem à medida que se elevam ao ponto mais alto.

Pode-se, portanto, ver que eles devem se tornar um, embora a unidade real esteja fora da vista.

Já nos referimos [ver p. 124] à (Página 290) possibilidade de focar a consciência no nível mais elevado do corpo causal, olhando ao longo da linha que une o ego e o Mônada e, por meio dessa visão, realizando a identidade com a Divindade.

Talvez a maneira menos enganosa pela qual possamos imaginar para nós mesmos a verdadeira natureza do Mônada seja pensar nele como parte de Deus — uma parte, no entanto, Daquilo que não pode ser dividido.

Embora, infelizmente, isso seja um paradoxo para o intelecto finito, encerra uma verdade eterna que está muito além de nossa compreensão.

Pois cada Mônada é literalmente uma parte de Deus, aparentemente temporariamente separada d'Ele, enquanto está encerrado nos véus da matéria, embora na verdade nunca esteja, por um só momento, realmente separado.

Ele nunca pode estar apartado de Deus, pois a própria matéria em que se vela é também uma manifestação do Divino.

Embora a matéria nos pareça má, porque nos pesa, obstrui nossas faculdades e nos retém no caminho, isso é apenas porque ainda não aprendemos a controlá-la, porque não percebemos que ela também é divina em sua essência, porque não há nada senão Deus.

É um erro pensar no Mônada como algo muito distante.

Pois o Mônada está muito próximo de nós, é o nosso EU, a própria raiz de nosso ser, a única e verdadeira realidade.

Oculto, não manifestado, envolto em silêncio e escuridão embora esteja, nossa consciência é a manifestação limitada desse EU, o Deus manifestado em nossos corpos, que são suas vestes.

A Mônada tem sido descrita de várias maneiras como o Homem Eterno: um fragmento da Vida de Deus: um Filho de Deus, feito à Sua imagem: uma centelha no Fogo Divino: o "Deus oculto" como era conhecido pelos egípcios: ele é o Deus dentro de nós, nosso Deus pessoal: nosso Eu verdadeiro: um fragmento do Eterno: o "eu" real e único permanente no homem.

As Mônadas também foram descritas como centros de força no Logos.

Em vez de falar de Mônadas humanas, talvez fosse mais preciso falar de "a Mônada manifestando-se no reino humano", embora tal precisão pedante (página 291) pudesse ser ainda mais desconcertante.

H.P. Blavatsky escreveu: "A Mônada Espiritual é una, universal, ilimitada e impartível, cujos raios, no entanto, formam o que nós, em nossa ignorância, chamamos de 'Mônadas individuais' dos homens". [A Doutrina Secreta, I, 200].

Como o Catecismo Oculto o expressa: -

"Eu sinto uma Chama, ó Gurudeva; eu vejo inúmeras centelhas não destacadas queimando nela."

Tu dizes bem.

E agora olha ao redor e dentro de ti mesmo.

Essa luz que arde dentro de ti, sentes tu que ela é de alguma forma diferente da luz que brilha em teus irmãos homens?

"Ela não é de forma alguma diferente, embora o prisioneiro esteja mantido em cativeiro pelo Karma, e embora suas vestes iludam os ignorantes a dizerem, 'tua alma' e 'minha alma'." [A Doutrina Secreta, I, 145]

Para tomar uma analogia do plano físico, reconhecemos que a eletricidade é una em todo o mundo; e embora possa estar ativa nesta ou naquela máquina, o dono de nenhuma máquina pode reivindicá-la como distintivamente sua eletricidade.

Assim também a Mônada é una em toda parte, embora se manifeste em diferentes direções, através de seres humanos aparentemente separados e diferentes.

Mas, apesar de ter a mesma fonte e a mesma natureza fundamental, cada Mônada possui, no entanto, uma individualidade muito distinta própria: em sua manifestação no plano de Atma, como uma luz tríplice de glória ofuscante, mesmo nesse estágio, cada Mônada possui certas qualidades que a tornam distinta de qualquer outra Mônada.

A Consciência da Mônada em seu próprio plano é completa: ela compartilha o conhecimento divino em seu próprio mundo.

Mas, no mundo inferior, ela é, para todos os efeitos, inconsciente: ela não pode de forma alguma tocar os planos inferiores da vida, sendo a matéria ali de um caráter que não é suscetível às suas influências.

Aquele que esteve em união com tudo ao seu redor, se mergulhado em matéria mais densa, encontrar-se-ia em isolamento extremo, como no espaço vazio, inconsciente de todos os impactos e contatos da matéria. (Página 292)

No entanto, tudo está nele, em virtude da Vida Una que ele compartilha: mas isso precisa ser trazido à tona; daí falamos em despertar a consciência latente para a vida.

Literalmente, tudo está na Mônada, todo o conhecimento divino; mas trazer isso à tona, para que em qualquer plano de matéria ele possa conhecer, é toda a obra da evolução.

Daí a razão de sua jornada evolutiva, descendo e novamente subindo, é para o propósito de adquirir essa consciência, de subjugar a matéria completamente como um veículo, até que em cada plano ele responda às vibrações de matéria similar externa, e seja capaz de trazer à tona estados de consciência, que respondam a essas impressões externas, e assim tornar possível para ele estar consciente delas.

Geo. S. Arundale dá um relato interessante sobre o aparecimento e a evolução das Mônadas.

Olhando para o mundo, ele escreve, ele vê nosso Senhor o Sol expresso em inúmeros sóis.

Cada Mônada é um sol em miniatura, o Sol Divino lançando sóis cintilantes, carregados com todos os Seus atributos. O processo de evolução começa, e essas centelhas irrompem em cor; arco-íris com corações solares, ou centros.

Todo átomo de luz é um átomo de Divindade inconsciente, lenta mas seguramente cumprindo a vontade do Sol de que se desdobre em Divindade autoconsciente.

Todo átomo é um Sol inconsciente, e se tornará um Sol autoconsciente.

Quando a manifestação começa, a Mônada é "lançada para baixo na matéria", para impulsionar e forçar a evolução [ver A Doutrina Secreta, II, 115]: é a mola mestra de toda evolução, a força impulsora na raiz de todas as coisas.

Isso explica aquela pressão misteriosa, que tanto intriga a ciência ortodoxa, sobre por que as coisas avançam: sobre qual é a força que faz a evolução: sobre o que dá origem a toda a variedade que encontramos neste mundo, e a sempre presente "tendência à variação".

A Mônada sabe desde o início qual é seu objetivo (Página 293) na evolução, e ela apreende a tendência geral dela. Mas, até que aquela porção dela, que se expressa no ego, tenha alcançado um estágio bastante elevado, ela dificilmente está consciente dos detalhes aqui embaixo, ou, de qualquer forma, ela toma pouco interesse neles.

Nessa fase, ele parece não conhecer outras Mônadas, mas repousa em bem-aventurança indescritível, sem qualquer consciência ativa de seus arredores.

O propósito, então, da descida da Mônada na matéria é que, por meio dessa descida, ela possa obter definição e precisão no detalhe material.

Para esse fim, como vimos nos capítulos anteriores deste livro, um átomo de cada um dos planos de Atma, Budhi e Manas é ligado à Mônada: a distinção desses átomos confere uma precisão que não existia na consciência da Mônada em seu próprio plano.

Mas, pode-se perguntar, se a Mônada é da essência da divindade no início e retorna à divindade ao final de sua longa peregrinação, se a Mônada é toda-sábia e toda-boa, quando ela inicia sua jornada através da matéria, por que é necessário que ela passe por toda essa evolução, incluindo, como inclui, muito sofrimento e dor, simplesmente para retornar à sua fonte no final?

A questão baseia-se em um equívoco dos fatos.

Quando aquilo que chamamos de Mônada humana emanou do Divino, não era, na realidade, uma Mônada humana, muito menos uma Mônada toda-sábia e toda-boa: ela retorna, eventualmente, na forma de milhares de milhões de poderosos Adeptos, cada um capaz de, por si mesmo, desenvolver-se em um Logos.

Assim como um homem que não sabe nadar, lançado em águas profundas, a princípio fica desamparado, mas eventualmente aprende a nadar e a mover-se livremente na água, assim é a Mônada.

Ao final de sua peregrinação de imersão na matéria, ela estará livre do Sistema Solar, capaz de funcionar em qualquer parte dele, de criar à vontade, de mover-se a seu prazer.

Todo poder que ela desdobra através da matéria mais densa, ela retém para sempre sob todas as condições: o implícito tornou-se explícito, o potencial tornou-se atual.

É sua própria Vontade de (Página 294) viver em todas as esferas, e não apenas em uma, que a atrai para a manifestação.

Pois não havia individualização desenvolvida na Mônada no início: era simplesmente uma massa de essência mônadica.

A diferença entre sua condição ao emanar e ao retornar é exatamente como aquela entre uma grande massa de matéria nebulosa brilhante e o sistema solar que eventualmente se formou a partir dela. A nebulosa é bela, sem dúvida, mas vaga e, em certo sentido, inútil.

O sol formado a partir dela por lenta evolução derrama vida, calor e luz sobre muitos mundos e seus habitantes.

Ou podemos tomar outra analogia.

O corpo humano é composto de inúmeros milhões de minúsculas partículas, e algumas delas são constantemente expelidas dele. Suponhamos que fosse possível que cada uma dessas partículas passasse por algum tipo de evolução, por meio da qual, com o tempo, se tornasse um ser humano; não diríamos que, por ter sido, em certo sentido, humana no início dessa evolução, ela portanto nada tivesse ganho ao chegar ao fim.

Assim, a essência mônadica surge como um mero derramamento de força, ainda que seja força Divina.

O aparecimento e o curso evolutivo da Mônada podem ser comparados ao aparecimento do longo dia de Brahma, do Saguna-Brahman Sachchidananda, a Triplicidade Divina.

Esse surgimento na manifestação cósmica nós o reproduzimos, em nosso sistema solar, pelo Logos Solar, e novamente pela Mônada, que é um fragmento do Logos.

Quando a evolução humana está concluída, ele se reúne novamente, e a evolução super-humana começa.

Assim temos o longo balanço da vida em desdobramento, do nirvânico de volta ao nirvânico, com toda a evolução humana situada entre esses dois.

Ela se completa com a Iniciação do Jivanmukta, o Mestre, onde a evolução super-humana começa.

Embora a Mônada, em seu próprio mundo, seja praticamente sem limitações, pelo menos no que concerne ao nosso sistema solar, (Página 295) ainda assim, em cada estágio de sua descida à matéria, ela não apenas se vela cada vez mais profundamente na ilusão, mas também perde efetivamente seus poderes.

Se, no início de sua evolução, podemos supor a Mônada capaz de se mover e de ver, em um número infinito daquelas direções no espaço que chamamos de dimensões, então, a cada passo descendente, ela corta uma delas, até que, para a consciência do cérebro físico, apenas três delas restem.

Assim, pela involução na matéria, a Mônada é privada do conhecimento de tudo, exceto de uma parte mínima dos mundos que a cercam.

Além disso, mesmo o que lhe resta é visto apenas imperfeitamente.

Para aqueles que conseguem se treinar para apreciar mais de três dimensões, existe um excelente método disponível para chegar a algum tipo de compreensão de como é a consciência nos planos superiores ao físico, e o que ela envolve: embora, ao mesmo tempo, tal método de abordagem traga à tona a desesperança de esperar compreender plenamente a Mônada, que está elevada por muitos planos e dimensões acima do ponto a partir do qual tentamos contemplá-la.

Todos os sacrifícios e limitações, causados pela descida à matéria, podem ser corretamente descritos como algo que exige sofrimento.

Mas assim que o ego compreende plenamente a situação, eles são empreendidos com alegria: o ego não tem a perfeição da Mônada, e por isso não compreende plenamente de início: ele precisa aprender.

Assim, a tremenda limitação em cada descida adicional à matéria é um fato inevitável, de modo que há tanto de sofrimento inseparável da manifestação.

Temos de aceitar essa limitação como um meio para um fim, como parte do Esquema Divino.

Há dois sentidos nos quais toda vida manifestada é dolorosa, a menos que o homem saiba como vivê-la. Um deles é, até certo ponto, inevitável, mas o outro é um erro completo e é facilmente evitável.

Como vimos, para a Mônada, que é o verdadeiro Espírito do homem, toda vida manifestada é uma dor, justamente por ser uma limitação: uma limitação que nós, em nosso cérebro físico (página 296), não podemos de modo algum conceber, porque não temos ideia da gloriosa liberdade da vida superior.

É nesse sentido que sempre se disse que o Cristo — a Segunda Pessoa da Trindade — Se oferece como Sacrifício, quando desce à matéria.

Sem dúvida, é um sacrifício, porque é uma limitação inexprimivelmente grande, pois Lhe exclui todos os gloriosos poderes que Lhe pertencem, em Seu próprio nível.

O mesmo é verdadeiro para a Mônada do homem; sem dúvida, ele faz um grande sacrifício, quando se coloca em conexão com a matéria inferior, quando paira sobre ela através das longas eras de seu desenvolvimento até o nível humano, quando deposita um minúsculo fragmento de si mesmo, uma ponta de dedo, por assim dizer, e com isso faz um ego, ou alma individual.

O segundo tipo de dor, que é possível evitar inteiramente, deve-se ao "desejo", usando essa palavra no sentido amplo para incluir todos os desejos por coisas inferiores, como anseio por poder, dinheiro, posição, e assim por diante.

Todos esses desejos causam necessariamente perturbação e sofrimento: portanto, deste ponto de vista, o que mais é necessário para o progresso é a serenidade.

Daí temos as duas primeiras das Quatro Nobres Verdades que o Senhor Buda ensinou: a Existência do Sofrimento e a Causa do Sofrimento.

Passando agora a considerar, mais especificamente, o ego em sua relação com a Mônada, devemos perceber que o processo de individualização, por meio do qual o ego vem a existir, não ocorre no plano espiritual, mas que Atma-Buddhi, visto através de Manas, parece compartilhar da individualidade de Manas.

Mesmo o ego não é o verdadeiro homem eterno: pois o ego teve um começo — ele veio à existência no momento da individualização: e tudo o que tem um começo também deve ter um fim.

Portanto, mesmo o ego, que perdura desde a emergência do reino animal, também é impermanente.

A Mônada, e somente a Mônada, é o único homem real e permanente.

Podemos considerar o ego como uma manifestação da Mônada no plano mental superior: mas devemos

( Página 297 ) compreender que ele está infinitamente longe de ser uma manifestação perfeita.

Cada descida de plano a plano significa muito mais do que um mero velamento do Espírito: significa também uma diminuição real na quantidade de Espírito expressa.

Embora falar do Espírito em termos de quantidade seja impreciso e enganoso, ainda assim, se uma tentativa deve ser feita para expressar esses assuntos superiores em palavras humanas, tais incongruências não podem ser totalmente evitadas.

O mais próximo que podemos chegar, no cérebro físico, a uma concepção do que acontece à Mônada, quando ela se envolve na matéria, é dizer que apenas parte dela pode ser mostrada, e mesmo essa parte deve ser mostrada em três aspectos separados, em vez da gloriosa totalidade que ela realmente é em seu próprio mundo.

Assim, quando o segundo aspecto do espírito tríplice desce um estágio e se manifesta como buddhi ou intuição, não é a totalidade desse aspecto que assim se manifesta, mas apenas uma fração dele. Da mesma forma, quando o terceiro aspecto desce dois planos e se manifesta como intelecto, é apenas uma fração de uma fração do que o aspecto intelecto da Mônada realmente é. Portanto, o ego não é uma manifestação velada da Mônada, mas uma representação velada de uma fração mínima da Mônada.

Seguindo a máxima antiga, "como acima, assim abaixo", assim como o ego está para a Mônada, a personalidade está para o ego.

Quando chegamos à personalidade, a fragmentação já foi levada tão longe que a parte que somos capazes de ver não guarda proporção apreciável com a realidade da qual, no entanto, é a única representação possível para nós. E, contudo, com esse fragmento irremediavelmente inadequado, esforçamo-nos por compreender o todo.

Nossa dificuldade em tentar compreender a Mônada é da mesma natureza, mas muito maior em grau, do que aquela que encontramos quando tentamos realmente apreender a ideia do ego.

O Diagrama XXXIX é uma tentativa, por mais inadequada que seja, de representar graficamente a relação entre a Mônada, o ego e a personalidade.

A Mônada tem sido comparada com a chama; o ego ou espírito triplo com o fogo; e a personalidade com o combustível.

A correspondência entre a Mônada em sua relação com o ego, e o ego em sua relação com a personalidade, merece uma ampliação um pouco maior.

Assim como o ego é triplo, também o é a Mônada: os três constituintes da Mônada existem nos três primeiros planos do nosso Sistema, a saber, os planos Adi, Anupadaka e Átmico.

No plano átmico, a Mônada assume uma manifestação, que chamamos de Mônada em sua vestimenta átmica, ou às vezes de Atma triplo, ou espírito triplo.

Isto é para a Mônada o que o corpo causal é para o ego.

Assim como o ego assume três corpos inferiores [mental, astral e físico], o primeiro dos quais [o mental] está na parte inferior de seu próprio plano, e o mais baixo [o físico] dois planos abaixo, assim também a Mônada — considerando-a agora como o Atma triplo ou espírito — assume três manifestações inferiores [Atma, buddhi-manas], a primeira das quais está na parte inferior de seu próprio plano, e as duas mais baixas dois planos abaixo desse.

Vê-se, portanto, que o corpo causal está para a Mônada assim como o corpo físico está para o ego.

Se pensarmos no ego como a alma do corpo físico, podemos considerar a Mônada como a alma do ego, por sua vez.

Pois, assim como o corpo causal retira, da personalidade, tudo o que seja de natureza a auxiliar seu crescimento, (página 299) assim o corpo causal, através de seu lado interno ou superior, transmite, ao terceiro aspecto do Atma, a essência de todas as experiências que nele possam ter entrado. O que é assim vertido no aspecto manásico do Atma torna-o capaz de agir sem o corpo causal, isto é, sem um veículo permanente que o limite. Isso lança luz sobre o fenômeno do perecimento do corpo causal, ou individualidade, com o qual já tratamos no Capítulo XXXI.

FONTE DIVINA MÔNADA

MÔNADA . 7 EGO : | y ’ ' a 'ae | !

TRÍPLICE Pal 9 5, TRÍADE 60 os a ales 3 | {CORPO MISAL p yd ATMA if | Omenta sor a | | BUDDHI tty | O astra son Pa | ]

Fob tl QA | MANAS “ () CORPO FÍSICO

DIAGRAMA XL,—Relações Monádicas e Egoicas.

O Diagrama XL é uma tentativa de ilustrar essas correspondências e relações algo complexas.

Toda a tríade superior, atma-buddhi-manas, pode também ser considerada como o buddhi da tríade ainda mais inclusiva de Mônada, Ego e Personalidade.

Esse buddhi maior é tríplice — vontade, sabedoria e atividade — e seu terceiro aspecto, Kriyashakti, entra em operação no corpo, no devido curso, para despertar seus órgãos e libertar seus poderes latentes.

A afirmação, em Luz no Caminho, de que o "guerreiro" no homem é "eterno e seguro", pode ser tomada como relativamente verdadeira quanto ao ego em relação ao eu inferior e absolutamente verdadeira quanto à Mônada em relação ao ego.

O ego, como vimos, pode cometer erros em um estágio anterior, mas é muito menos provável que o faça do que a personalidade.

A Mônada, por outro lado, não comete erros, embora seu conhecimento das condições aqui embaixo possa ser algo vago.

Mas seu instinto deve estar do lado do certo, pois ele é divino.

Nem o ego nem a Mônada têm ainda conhecimento exato, porque sua evolução não está completa.

Eles são para nós como guias, e não se pode (página 300) fazer outra coisa senão segui-los.

Mas mesmo como guias, eles próprios estão em desenvolvimento.

Podemos notar aqui que as triplas manifestações da Mônada são aquilo que o Cristianismo chama de "três pessoas em um só Deus", ensinando, no Credo Atanasiano, que os homens devem adorar "um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, sem confundir as pessoas nem dividir a substância" — isto é, nunca confundir a obra e a função das três manifestações separadas, cada uma em seu próprio plano, e, no entanto, nunca esquecer por um momento a unidade eterna da "substância", aquilo que vive por trás de todas igualmente, no plano mais elevado, onde essas três são uma.

Tais considerações não são meramente de valor teórico, mas têm também alguma relevância prática para a vida.

Embora não possamos apreender o significado completo de tal ensinamento, devemos ao menos saber que existem essas três linhas de força e, ainda assim, que toda a força é uma e a mesma.

Sem saber isso, não podemos apreender o método pelo qual nosso mundo veio à existência, nem podemos compreender o homem, a quem "Deus fez à Sua própria imagem", e que, portanto, é também três e, no entanto, um — Atma-Buddhi-Manas, e, no entanto, um só Espírito.

Podemos considerar as três partes do Eu Superior como três aspectos de uma grande consciência ou mente.

São todas elas três modos de cognição.

Atma não é o Self, mas é essa consciência conhecendo o Self.

Buddhi é essa consciência, conhecendo a vida nas formas, por sua própria percepção direta.

Manas é a mesma consciência olhando para o mundo dos objetos.

Kama-Manas é uma porção do último, imersa nesse mundo e por ele afetada. O verdadeiro self é a Mônada, cuja vida é algo maior que a consciência, que é a vida dessa mente completa, o Eu Superior.

A mesma verdade pode ser expressa de uma forma ligeiramente diferente — de fato, de muitas formas.

Atma, Buddhi e Manas no homem refletem em suas menores esferas as características da grande Trindade.

Atma é a consciência do self, e também a vontade, que dá (Página 301) autodireção.

Manas, no outro polo, é a consciência do mundo, e seu poder de pensamento realiza todo o nosso trabalho, mesmo aquele que é efetuado através das mãos.

Mas Buddhi, entre os dois, é a própria essência da consciência, da subjetividade.

Além desse membro intermediário, de caráter tríplice, está a Mônada no homem, representante d'Ele, Parabrahman, o estado de seu verdadeiro e absoluto nirvana, além da consciência.

O Atma é o estado de seu falso e relativo nirvana, do plano nirvânico ou átmico, sua última ilusão, que persiste entre a Quarta [Iniciação de Arhat] e a Quinta [Iniciação de Adepto].

Assim como a Mônada está acima da trindade da consciência, os corpos pessoais estão fora ou abaixo dela — eles são conhecidos apenas em reflexo no manas.

Podemos talvez presumir — embora aqui estejamos indo muito além do conhecimento atual — que, quando tivermos finalmente e plenamente realizado que a Mônada é o homem verdadeiro, encontraremos, além disso novamente, uma extensão ainda mais distante e mais gloriosa.

Descobriremos que a Centelha nunca foi separada do Fogo, mas que, assim como o ego está por trás da personalidade, assim como a Mônada está por trás do ego, um Anjo Planetário está por trás da Mônada, e a própria Divindade Solar está por trás do Anjo Planetário.

Talvez, ainda mais além, possa ser que, de alguma maneira infinitamente superior, e portanto atualmente totalmente incompreensível, uma Divindade maior esteja por trás da Divindade Solar, e mesmo atrás disso, através de muitos estágios, deve repousar o Supremo sobre tudo.

Mas aqui até o pensamento nos falha, e o silêncio é a única reverência verdadeira.

No homem comum, a Mônada está, é claro, pouco em contato com o ego e a personalidade inferior, embora ambos sejam, de alguma forma, expressões dela. Assim como é evolução para a personalidade aprender a expressar o ego mais plenamente, também é evolução para o ego aprender a expressar a Mônada mais plenamente.

E assim como o ego, com o tempo, aprende a controlar e dominar a personalidade, a Mônada, por sua vez, aprende a dominar o ego.

( Página 302 ) O Diagrama XLI é uma ilustração

MÔNADA aproximada da relação entre Mônada, Ego e Personalidade, e os estágios pelos quais esses três gradualmente se

EGO aproximam cada vez mais do contato entre si.

PERSONALIDADE No lado esquerdo do DIAGRAMA XLI.—Mônada, Ego e Personalidade (II) diagrama, vemos o ego representado como muito pequeno: ele é apenas um ego bebê: completo, mas pequeno e subdesenvolvido: a personalidade também é esbelta, indicando sua condição primitiva.

À medida que a evolução prossegue, a personalidade gradualmente se alarga, até que eventualmente se torna equilátera, indicando que está bem desenvolvida, completa, simétrica.

Além disso, observa-se que o vínculo entre a personalidade e o ego, a princípio muito estreito, alargou-se até se tornar quase tão amplo quanto a largura total da personalidade.

Enquanto isso tem ocorrido, ao mesmo tempo, o ego tem crescido constantemente em tamanho, e o canal entre ele e a Mônada também tem aumentado constantemente em largura.

Assim, no lado direito do diagrama, temos um canal forte e largo entre a Mônada e o Ego, estando o próprio Ego plenamente desenvolvido, exercendo, através de um vínculo largo e bem desenvolvido, controle total sobre uma personalidade simetricamente desenvolvida.

Finalmente, chegará o tempo em que, assim como a personalidade e o ego se tornaram um, a Mônada e o ego também se tornarão um.

Esta é a unificação do ego com a Mônada, e quando isso é alcançado, o homem atingiu (Página 303) o objetivo de sua descida na matéria, ele se tornou o Super-homem, o Adepto.

~~

lh — 7 = JA ane WW

: Ss wy a 2 == = S My WS

= Zo. iS = =

i =

Diagrama XLII.—Mônada, Ego e Personalidade: "At-one-ment".

Diagrama XLII - Mônada, Ego e Personalidade: "At-one-ment".

Este diagrama é uma tentativa de indicar:-

1. O alinhamento completo, ou unificação de Mônada, Ego e Personalidade.

2. O consequente centro único de consciência.

3. A vida única fluindo através de todos os três.

4. A limitação imposta às manifestações da vida única pelas barreiras-contorno da Personalidade, Ego e Mônada.

5. O fato de que Personalidade, Ego e até mesmo Mônada são apenas véus mayávicos ou ilusórios impostos sobre a Vida Divina.

6. O fato de que a Vida Única em si é ilimitada e universal, como indicado pela circularidade da aura de radiação, transcendendo assim suas expressões através da Mônada, Ego e Personalidade.

"Com uma porção de Mim Eu manifesto, mas permaneço".

O Diagrama XLII ilustra esta consumação.

Aqui vemos a Mônada, o Ego e a Personalidade em perfeito alinhamento, verdadeiramente um "at-one-ment". A mesma vida permeia todas as três de suas manifestações, mas a personalidade, devido ao seu tamanho e à sua constituição, é capaz de expressar menos da vida única do que o ego é capaz de fazer, e o ego, por sua vez, por razões semelhantes, é capaz de expressar menos do que pode a Mônada.

Mesmo a Mônada não pode confinar, conter ou expressar a totalidade da vida divina que irradia de e além daquele véu, por mais tênue que seja, de matéria separativa - que o torna um ser distinto.

Quando essa consumação é alcançada, somente então, pela primeira vez, a entidade entra na (página 304) sua vida real, pois todo esse estupendo processo de evolução é apenas uma preparação para essa verdadeira vida do espírito, que começa somente quando o homem se torna mais que homem.

A humanidade é a classe final da escola-mundial, e, quando um homem passa além dela, ele entra na vida do Espírito glorificado, a vida do Cristo.

Essa vida tem uma glória e um esplendor além de toda comparação e de toda compreensão, mas a sua conquista por cada um de nós é uma certeza absoluta, da qual não podemos escapar, mesmo se quiséssemos.

Se agirmos egoisticamente, se nos colocarmos contra a corrente da evolução, podemos atrasar nosso progresso, mas não podemos, em última instância, impedi-lo.

Há, portanto, uma correspondência muito estreita entre a relação da Mônada com o ego e a do ego com a personalidade.

Assim como o ego é, por longas eras, a força que dá alma à personalidade, chega também um tempo em que o próprio ego se torna um veículo, animado pela Mônada, agora plenamente ativa e desperta.

Todas as múltiplas experiências do ego, todas as esplêndidas qualidades nele desenvolvidas, tudo isso passa para a própria Mônada e encontra ali uma realização vastamente mais plena do que o próprio ego poderia ter-lhes dado.

Surge a questão: será que a Mônada, no caso do homem comum, alguma vez faz algo que afete, ou possa afetar, sua personalidade aqui embaixo? Tal interferência parece ser extremamente incomum.

O ego está tentando, em nome da Mônada, obter controle perfeito da personalidade e usá-la como um instrumento, mas, como esse objetivo ainda não foi plenamente alcançado, a Mônada pode muito bem sentir que o tempo ainda não chegou para ela intervir de seu próprio nível e trazer toda a sua força para agir, quando aquilo que já está em ação é mais do que suficientemente forte para o propósito requerido.

Mas, quando o ego já está começando a ter sucesso em seu esforço para gerir seus veículos inferiores, então a Mônada às vezes intervém.

No curso da investigação de alguns milhares de seres humanos, vestígios de tal intervenção foram encontrados apenas em poucos.

O exemplo mais proeminente é o (página 305) dado na vigésima nona vida de Alcyone, quando ele se comprometeu com o Senhor Buda a dedicar-se, em vidas futuras, à conquista da Budidade, a fim de ajudar a humanidade.

Sendo esta uma promessa para o futuro distante, era óbvio que a personalidade, através da qual foi dada, de modo algum poderia cumpri-la. A investigação revelou que até mesmo o ego, embora cheio de entusiasmo pela ideia, estava sendo impelido por uma força mais poderosa vinda de dentro, à qual ele não poderia ter resistido, mesmo que o desejasse. Seguindo a pista ainda mais adiante, descobriu-se que a força impelente emanava inconfundivelmente da Mônada.

Ele decidira, e registrou sua decisão.

Sua vontade, atuando através do ego, claramente não terá dificuldade em trazer todas as personalidades futuras em harmonia com sua grande intenção.

Outros exemplos do mesmo fenômeno foram encontrados.

Certas Mônadas já haviam respondido ao chamado das Autoridades superiores e haviam decidido que suas personalidades representativas deveriam auxiliar no trabalho da Sexta Raça Raiz na Califórnia, daqui a algumas centenas de anos.

Por causa dessa decisão, nada que essas personalidades pudessem fazer durante o tempo intermediário poderia possivelmente interferir na execução dessa decisão.

A força compulsória não vem, portanto, de fora, mas de dentro, do próprio homem real.

Quando a Mônada decidiu, a coisa será feita, e é bom para a personalidade ceder graciosa e prontamente, reconhecendo a voz do alto e cooperando com alegria.

Se ela não fizer isso, então acumulará para si muito sofrimento inútil.

É sempre o próprio homem quem está fazendo essa coisa;

e ele, na personalidade, tem que perceber que o ego é ele mesmo, e ele tem, por enquanto, que aceitar como certo que a Mônada é ainda mais ele mesmo — a expressão final e mais grandiosa dele.

O que é conhecido como a grande Companhia dos Servidores oferece outro exemplo; os Servidores são um tipo à parte, ao qual as Mônadas parecem estar ligadas ab initio, por mais (Página 306) que possa levar para que o tipo seja expresso na consciência externa.

Em certo sentido, é uma espécie de predestinação, tendo a Mônada tomado a resolução.

[Para um relato mais detalhado dos Servidores, ver artigo intitulado The Servers, de C.W. Leadbeater, em The Theosophist, setembro de 1913.]

Considerando a consideração geral de que, num universo perfeitamente ordenado, não há lugar para o acaso, parece provável que o próprio modo de individualização, a partir do reino animal, tenha sido de alguma forma predeterminado, seja para o Mônada, seja por ele mesmo, com vistas à preparação para qualquer porção da grande obra que ele tenha de empreender no futuro.

Pois chegará um tempo em que todos seremos parte do grande Homem Celestial: não de modo algum como um mito ou símbolo poético, mas como um fato vívido e real, que certos investigadores já viram por si mesmos.

Esse corpo celestial tem muitos membros; cada um desses membros tem sua própria função a cumprir, e as células vivas que hão de formar parte deles necessitam de experiências amplamente diversas para se prepararem.

Bem pode ser que, desde a aurora da evolução, as partes tenham sido escolhidas, que cada Mônada tenha sua linha de evolução destinada, e que sua liberdade de ação se relacione principalmente com a velocidade com que ele se moverá ao longo dessa linha.

Na Celebração da Santa Eucaristia, há uma boa dose de simbolismo relacionado ao Mônada, ao Ego e à Personalidade.

Falando brevemente, primeiro, das Três Pessoas da Trindade, a Hóstia tipifica Deus Pai e também representa a Divindade, inteira e indivisível; o Vinho representa Deus Filho, cuja vida é derramada no cálice da forma material; a Água representa Deus Espírito Santo, o Espírito que pairou sobre a face das águas e que, ao mesmo tempo, é Ele próprio simbolizado pela água.

Falando, em seguida, da Divindade no homem, a Hóstia significa o Mônada, a totalidade, a causa invisível de tudo: a patena significa o Tríplice Atma ou Espírito, por meio do qual o Mônada atua sobre a matéria; o Vinho indica (página 307) a individualidade, derramada no cálice do corpo causal; a Água representa a personalidade, que com ele está tão intimamente misturada.

Passando ao efeito da Comunhão sobre o comungante, a força da Hóstia é essencialmente mônadica e atua poderosamente sobre tudo aquilo que, dentro do homem, representa a ação direta do Mônada; a força do Cálice é mais a do ego; o Vinho tem uma força muito poderosa nos níveis astrais superiores, e a Água emite até vibrações etéricas.

Quando o sacerdote faz as três cruzes com a Hóstia sobre o Cálice, ele quer fortemente que a influência da Hóstia seja a de Deus Pai.

Moxan, o nível Mônada, deve descer ao ego em sua tríplice manifestação de Atma, Buddhi e Manas: e então, ao fazer as duas cruzes entre o Cálice e o seu próprio peito, ele atrai essa influência para os seus próprios corpos mental e astral, para que através dele ela possa irradiar sobre o seu povo.

CÁLICE Matéria Vivificada.

Causa Bopy plenamente sobre o seu povo.

VINHO Deus o Filho.

Inpivipvauiry ÁGUA Deus o Espírito Santo Parsoxaurry | isto simboliza os estágios anteriores da evolução, quando o Fantasma.

Mônada paira sobre as suas manifestações inferiores, incubando (Página 308) sobre elas, agindo sobre elas, mas nunca as tocando.

Assim, o sacerdote sustém a Hóstia acima do Cálice, mas nunca toca uma na outra até que o tempo designado tenha chegado.

Quando o sacerdote deixa cair o fragmento da Hóstia no Cálice, ele significa com isso a descida de um raio da Mônada no ego.

Diagrama XLIII.

~O Simbolismo da Santa Eucaristia

Para facilitar a memorização deste sistema de símbolos, o Diagrama XLIII é anexado.

CAPÍTULO XXXIV

AS SEGUNDA E SUPERIORES INICIAÇÕES

(Página 309) Cada estágio do Caminho propriamente dito é dividido em quatro passos:--

O primeiro é o seu Maggo, ou via, durante o qual o estudante se esforça para lançar fora os grilhões.

O segundo é o seu Phala, literalmente fruto ou resultado, quando o homem descobre que os resultados dos seus esforços se manifestam cada vez mais.

O terceiro é o seu Bhavagga, ou consumação, o período em que, tendo o resultado culminado, ele é capaz de cumprir satisfatoriamente o trabalho pertencente ao passo sobre o qual agora se firma.

O quarto é o seu Gotrabhu, que significa o tempo em que ele chegou a um estado adequado para receber a próxima Iniciação.

Isto significa completa e inteira liberdade dos grilhões do seu estágio no Caminho.

O primeiro dos três grilhões, ou Samyojana, que devem ser lançados fora, antes que o candidato possa tomar a Segunda Iniciação, é Sakkayaaitthi, a ilusão do eu.

Esta é a consciência do "eu-sou-eu" que, como conectada com a personalidade, não é nada além de uma ilusão, e deve ser eliminada no primeiro passo do verdadeiro Caminho ascendente.

Mas lançar fora o grilhão completamente significa ainda mais do que isto, pois envolve a realização do fato de que a individualidade também é, em verdade, una com o Todo, que ela portanto nunca pode ter interesses opostos aos dos seus irmãos, e que ela está mais verdadeiramente progredindo quando mais assiste ao progresso dos outros.

O segundo grilhão é Vichikichcha, a dúvida ou incerteza.

O candidato deve chegar à certeza da convicção, fundada na experimentação individual, ou no raciocínio matemático.

Ele crê, não ( Página 310 ) porque lhe disseram, mas porque os fatos são agora evidentes por si mesmos.

Este é o único método de resolver a dúvida conhecido pelo ocultismo.

O terceiro grilhão é Silabbataparamasa, ou superstição.

Isso inclui todos os tipos de crença irracional e equivocada, e toda dependência de ritos e cerimônias exteriores para purificar o coração.

O homem deve perceber que dentro de si mesmo a libertação deve ser buscada, e que, por mais valiosos que sejam os auxílios, como cerimônias, etc., para desenvolver a vontade, a sabedoria e o amor, eles nunca podem tomar o lugar daquele esforço pessoal pelo qual somente ele pode alcançar.

O conhecimento da permanência espiritual do verdadeiro eu traz a confiança na própria força espiritual, e assim dissipa a superstição.

A consciência búdica está diretamente relacionada a esses três grilhões, pois todos eles são dissipados por essa consciência.

Reconhecendo a unidade, o homem não pode ter ilusão de separatividade.

Vendo por si mesmo as grandes leis da vida em operação, ele não pode mais duvidar.

Ele vê todos os caminhos que conduzem à única Bem-aventurança, e que todos os caminhos são bons, de modo que não pode mais apegar-se à superstição de que qualquer forma de crença seja necessária para aquele que atingiu esse nível.

A Segunda Iniciação ocorre no mundo mental inferior, de modo que o candidato deve ter desenvolvido o poder de funcionar livremente em seu corpo mental.

Esta Iniciação dá continuidade rápida ao desenvolvimento do corpo mental, e nesse ponto ou próximo a ele, o pupilo aprende a usar o mayavirupa [vide O Corpo Mental, p. 169].

Na Segunda Iniciação, a Chave do Conhecimento é dada, derramando o Iniciador, de Seus próprios corpos mental e causal, raios de poder que, incidindo sobre os corpos mental e causal do Iniciado, estimulam a um crescimento súbito e esplêndido os germes de poderes similares ali existentes.

Como se um botão, estimulado pelos raios do sol, subitamente irrompesse em todo o esplendor da flor desabrochada, assim os corpos mental e causal subitamente desdobram os poderes latentes neles, ( Página 311 ) expandindo-se em beleza radiante.

Através deles, agora expandidos, o búdhi ou intuição pode atuar livremente, sendo assim libertada a grande nova força para trabalhar.

O período após a Segunda Iniciação é, em muitos aspectos, o mais perigoso de todo o Caminho: é nesse estágio que, se houver qualquer fraqueza no caráter de um candidato, ela o descobrirá.

Em quase todos os casos, o perigo vem através do orgulho.

Ele é indicado na narrativa do Evangelho pela tentação no deserto.

Assim como a Primeira Iniciação corresponde a um novo nascimento, a Segunda Iniciação pode ser comparada ao batismo do Espírito Santo e do Fogo, pois é o poder da Terceira Pessoa da Trindade que é derramado naquele momento, no que pode ser descrito, ainda que inadequadamente, como uma torrente de fogo.

O homem neste estágio é conhecido pelos budistas como Sakadagamin, o homem que retorna apenas uma vez, significando que ele deveria necessitar de apenas mais uma encarnação antes de atingir o Arhatship, a Quarta Iniciação.

O nome hindu para este passo é o Kitichaka, o homem que constrói uma cabana, aquele que alcançou um lugar de paz.

Neste estágio, nenhum grilhão adicional é removido, mas é geralmente um período de considerável avanço psíquico e intelectual.

O homem deve ter a consciência astral sob seu comando durante a vida física desperta e, durante o sono, o mundo celestial estará aberto diante dele.

Quando a Terceira Iniciação é superada, o homem torna-se o Anagamin, que significa literalmente "aquele que não retorna", pois espera-se dele que atinja a próxima Iniciação na mesma encarnação.

O nome hindu para este estágio é o Hamsa, que significa um cisne, mas a palavra também é considerada uma forma da frase So-Ham, "Eu sou Aquilo". Há também uma tradição de que o cisne é capaz de separar o leite da água, e o Sábio é igualmente capaz de perceber o verdadeiro valor, para os seres vivos, do fenômeno da vida.

Esta Iniciação é tipificada, no simbolismo cristão, (Página 312) pela Transfiguração do Cristo.

Ele subiu a um alto monte, à parte, e foi transfigurado diante de Seus discípulos: "o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz", "tão brancas como a neve, como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear". Essa descrição sugere o Augoeides, o homem glorificado, e é uma imagem precisa do que ocorre nesta Iniciação, pois, assim como a Segunda Iniciação está principalmente relacionada ao avivamento do corpo mental inferior, neste estágio o corpo causal é especialmente desenvolvido.

O ego é aproximado mais intimamente do contato com a Mônada, sendo assim transfigurado em verdade.

Até a personalidade é afetada por essa maravilhosa efusão.

O eu superior e o eu inferior tornaram-se um na Primeira Iniciação, e essa unidade nunca se perde, mas o desenvolvimento do eu superior, que agora ocorre, jamais pode ser medido nos mundos inferiores da forma, embora os dois sejam um na maior extensão possível.

Neste estágio, o homem é levado perante o Rei Espiritual do Mundo, o Chefe da Hierarquia Oculta, que, neste passo, ou confere a iniciação pessoalmente, ou delega um de Seus Discípulos, os três Senhores da Chama, para fazê-lo. Neste último caso, o homem é apresentado ao rei logo após a Iniciação ter ocorrido.

Assim, o "Cristo" é levado à presença de Seu "Pai"; o búdico no Iniciado é elevado, até se tornar uno com sua origem no plano nirvânico, e uma união muito maravilhosa entre o primeiro e o segundo princípios no homem é assim efetuada.

O Anagamin desfruta, enquanto percorre o ciclo de seu trabalho diário, de todas as esplêndidas possibilidades dadas pela plena posse das faculdades do plano mental superior, e durante o sono do corpo, ele adentra o plano búdico.

Neste estágio, ele deve lançar fora quaisquer restos remanescentes do quarto e quinto grilhões — o apego ao gozo da sensação, tipificado pelo amor terreno, e toda possibilidade de ira ou ódio.

Ele deve tornar-se livre da possibilidade de ser escravizado de ( Página 313 ) qualquer maneira por coisas externas.

Ele deve elevar-se acima de todas as considerações ligadas à mera personalidade daqueles ao seu redor, reconhecendo que a afeição que floresce no Caminho é uma afeição entre egos.

Portanto, ela é forte e permanente, sem medo de diminuição ou flutuação, pois é aquele "perfeito amor que lança fora o medo".

A Quarta Iniciação é conhecida como a do Arhat, que significa o digno, o capaz, o venerável ou perfeito.

Os hindus chamam o Arhat de Paramahamsa, aquele acima e além do Hamsa.

No sistema cristão, a Quarta Iniciação é indicada pelo sofrimento no Jardim do Getsêmani, a Crucificação e a Ressurreição do Cristo.

Esta Iniciação difere das outras por ter o duplo aspecto de sofrimento e vitória; por isso, uma série de eventos foi empregada para representá-la. O tipo de sofrimento que acompanha a Iniciação elimina quaisquer débitos kármicos que ainda possam estar no caminho do Iniciado.

A paciência e a alegria com que ele os suporta têm grande valor no fortalecimento de seu caráter e ajudam a determinar a extensão de sua utilidade na obra que se lhe apresenta.

O Iniciado tem de experimentar por um momento a condição chamada Avichi, que significa "sem ondas", aquilo que é sem vibração.

O homem permanece absolutamente só no espaço e sente-se separado de toda a vida, até mesmo da do Logos; é, sem dúvida, a experiência mais horripilante que é possível a qualquer ser humano ter.

Parece ter dois resultados:

[1] que o candidato possa ser capaz de simpatizar com aqueles para quem Avichi vem como resultado de suas ações; e—

[2] que ele aprenda a permanecer separado de tudo o que é externo, e teste e realize sua própria certeza absoluta de que é uno com o Logos, e que qualquer sentimento de solidão deve ser apenas uma ilusão.

Avichi para o mago negro corresponde ao nirvana para o Adepto Branco.

Ambos os tipos de homens, antítese um do outro, são yogis, e cada um obtém o ( Página 314 ) resultado da lei que seguiu.

Um alcança o kaivalyam — realização da unicidade, isolamento completo — de Avichi, o outro o kaivalyam do Nirvana.

Para o Arhat, ainda no corpo físico, a consciência do plano búdico é sua, sendo este o seu lar normal.

Na verdade, estar no nível do Arhat envolve o poder de usar plenamente o veículo búdico.

Quando o Arhat se eleva ao plano búdico, não se deve supor que manas seja de qualquer forma perdido.

Pois ele eleva manas consigo para aquela expressão de manas que sempre existiu no plano búdico, mas que não foi plenamente vivificada até agora.

Ele permanece ainda tríplice, mas em vez de estar nos três planos, está agora em dois, com atma desenvolvido em seu próprio plano, buddhi em seu próprio plano, e manas nivelado com buddhi, elevado à intuição.

Então ele descarta o corpo causal, porque não tem mais necessidade dele. Quando deseja descer novamente e manifestar-se no plano mental, tem de criar um novo corpo causal, mas, caso contrário, não precisa de um.

Da mesma forma, numa etapa posterior, o buddhi e o intelecto glorificado serão elevados ao plano átmico, e o espírito tríplice será plenamente vivificado.

Então as três manifestações convergirão em uma só.

Esse é um poder ao alcance do Adepto, porque, como veremos no devido curso, Ele unifica a Mônada e o ego, assim como o discípulo tenta unir o ego à personalidade.

Essa elevação do manas superior do corpo causal, de modo que fique no plano búdico lado a lado com o buddhi, é o aspecto ou condição do ego que H. P. Blavatsky chamou de ego espiritual, que é o buddhi mais o aspecto manásico do Uno, que foi elevado ao buddhi quando o veículo causal foi descartado.

Esse estado — o do Arhat — é chamado pelos místicos cristãos de iluminação espiritual, do Cristo no homem.

H. P. Blavatsky também tem uma classificação em que fala de quatro divisões da mente: (Página 315)

[1] Manas — taijasi, o manas resplandecente ou iluminado, que é realmente o buddhi, ou pelo menos aquele estado do homem em que seu manas se fundiu no buddhi, não tendo vontade própria separada.

[2] Manas propriamente dito, o manas superior, a mente pensante abstrata.

[3] Antahkarana, o elo, canal ou ponte entre o manas superior e o kama-manas durante a encarnação.

[4] Kama-manas que, nesta teoria, é a personalidade.

Quando o Arhat deixa o corpo físico no sono ou em transe, ele passa imediatamente para a glória inefável do plano nirvânico.

Seu esforço diário é agora alcançar cada vez mais alto no plano nirvânico, pelos cinco subplanos inferiores nos quais o ego humano tem seu ser.

Ele tem vários planos abertos para si e pode focar sua consciência em qualquer nível específico que escolher, embora haja sempre um pano de fundo da consciência búdica e nirvânica.

Mesmo no nível átmico, há um invólucro de algum tipo para o Espírito, pois em um sentido parece como se fosse um átomo, e ainda em outro parece ser o plano inteiro.

O homem sente como se estivesse em toda parte, mas pudesse focar em qualquer lugar dentro de si mesmo, e onde quer que por um momento a efusão de força diminua, isso é para ele um corpo.

O Arhat tem de trabalhar no descarte dos cinco restantes dos dez grandes grilhões, que são:—

[6] Ruparaga — desejo pela beleza da forma, ou pela existência física numa forma, incluindo até mesmo aquela no mundo celestial.

[7] Aruparaga — desejo pela vida sem forma.

[8] Mano—orgulho.

[9] Uddhachcha - agitação ou irritabilidade, a possibilidade de ser perturbado por qualquer coisa.

[10] Avijja - ignorância.

A Iniciação do Arhat pode ser considerada como um ponto intermediário entre a Primeira e a Quinta Iniciações.

Na primeira metade do Caminho - da Primeira à (Página 316) Quarta Iniciação - o homem está ocupado em libertar-se daquelas limitações pessoais, da ilusão do "isto". Na segunda metade, ele se empenha em libertar-se da ilusão do "tu". Costuma-se dizer que sete vidas são ocupadas, no caso médio, em tempos normais, entre a Primeira e a Quarta Iniciações, e também sete vidas entre a Quarta e a Quinta.

Mas esses números são passíveis de grande redução ou aumento.

Na maioria dos casos, o período real não é muito grande, pois geralmente as vidas são tomadas em sucessão imediata, sem interlúdios no mundo celestial.

O Arhat, cujo ego está funcionando perfeitamente no corpo causal, não precisa encarnar novamente em um corpo físico e passar pelo cansativo ciclo de nascimento e morte, que é tão desagradável - pelo menos do ponto de vista do próprio ego.

Ele deve, no entanto, descer até o plano astral.

Enquanto está no corpo astral, ele pode, a qualquer momento que escolher, desfrutar da consciência nirvânica.

Se ele está no corpo físico, só pode alcançar essa consciência nirvânica quando deixa o corpo no sono ou em transe, como já explicado acima.

Consciência nirvânica significa consciência em qualquer lugar do sistema solar.

A Quinta Iniciação faz de um homem um Mestre, um Adepto, um Super-homem.

Os budistas O chamam de Asekha - literalmente, o não-discípulo - porque Ele não tem mais nada a aprender e esgotou as possibilidades dos reinos humanos da natureza.

Os hindus falam d'Ele como o Jivanmukhta, uma vida liberada, um ser livre, porque Sua vontade é una com a Vontade Universal, a daquele Uno sem segundo.

Ele permanece sempre na luz do Nirvana, mesmo em Sua consciência desperta, caso Ele escolha permanecer na Terra em um corpo físico.

Quando fora disso, Ele se eleva ainda mais alto para o plano Mônadico, além não apenas de nossas palavras, mas de nosso pensamento.

Como a Doutrina Secreta o expressa: o Adepto "começa seu Samadhi no plano Átmico", sendo todos os planos abaixo do átmico um só para Ele.

( Página 317 ) Aman alcança o Adeptado quando eleva Sua consciência ordinária ao nível nirvânico: o fato que O diferencia e O torna um Adepto é que Ele unificou a Mônada com o ego.

E, uma vez que Ele se tornou uno com a Mônada, Ele já alcançou o nível da terceira ou mais baixa manifestação da Divindade ou Logos.

No simbolismo cristão, a Ascensão e a Descida do Espírito Santo representam a obtenção do Adeptado, pois o Adepto de fato ascende acima da humanidade, para além desta terra, embora, se Ele escolher, como fez o Cristo, Ele possa retornar para ensinar e ajudar.

Ao ascender, Ele se torna uno com o Espírito Santo, e invariavelmente a primeira coisa que Ele faz, com Seu novo poder, é derramá-lo sobre Seus discípulos, assim como o Cristo derramou línguas de fogo sobre as cabeças de Seus seguidores na Festa de Pentecostes.

Na Iniciação Asekha, o atma é visto como uma luz clara, uma estrela, e, quando se expande, na última

ruptura do muro, torna-se a luz infinita.

Antes disso, o Arhat pode sentir a paz subjacente do atma quando em estado meditativo, mas constantemente retorna à tristeza.

Mas quando um homem ascende ao plano átmico em plena consciência, e a consciência búdica se funde nisso, há apenas uma luz vista.

Isso é expresso em A Voz do Silêncio: "Os Três que habitam em glória e bem-aventurança inefável, agora no mundo de Maya perderam seus nomes.

Eles se tornaram uma estrela, o fogo que queima mas não escalda, esse fogo que é o Upadhi da chama."

Enquanto o homem estava no corpo causal, ele via os Três Sagrados separados, mas agora ele os vê como os três aspectos do atma tríplice.

Buddhi e manas, que eram "gêmeos sobre uma linha" na consciência búdica do estágio anterior, agora são um com atma, o fogo que é o veículo da chama mônadica.

Então diz o Mestre: "Onde está tua individualidade, Lanoo, onde o próprio Lanoo? É a centelha perdida no fogo, a gota dentro do oceano, o raio sempre presente tornado o Todo e a Radiação eterna".( Página 318 ) Aquele que era um discípulo agora é um Mestre.

Ele está no centro, e o atma tríplice irradia d'Ele.

O Adepto tem o poder de obter qualquer conhecimento que Ele queira, quase em um momento.

Ele pode fazer-Se uno com ele, e chegar ao núcleo dele instantaneamente, e então observar os detalhes circundantes conforme Ele possa precisar deles.

Em algum lugar no plano búdico ou nirvânico, Ele captaria a ideia que está por trás, por exemplo, de qualquer ciência particular ou departamento de conhecimento e tornar-Se-ia uno com ela.

Então, desse ponto de vista, Ele desceria aos detalhes que pudesse necessitar.

Um Mestre não parece precisar de todo o conhecimento armazenado em Seu cérebro, como nós, mas é capaz de voltar uma certa faculdade para qualquer coisa que seja necessária e, pelo uso dessa faculdade, ali mesmo, saber tudo a respeito. Ele não precisaria estudar um assunto, mas voltaria Seu olho que tudo vê para o assunto e, assim, de alguma forma, absorveria o conhecimento.

Esta pode ser a explicação para nos livrarmos da avidya — ignorância.

Com a faculdade búdica, como vimos, não é mais necessário coletar fatos de fora, mas mergulha-se na consciência de qualquer coisa, seja mineral, planta ou Deva, etc., e compreende-se de dentro.

H. P. Blavatsky assinalou que o corpo físico de um Mestre é um mero veículo.

Ele nada transmite, mas é simplesmente um ponto de contato com o plano físico, um corpo mantido como instrumento, necessário para o trabalho que Ele realiza, e abandonado quando termina.

A mesma consideração se aplica aos corpos astral e mental.

Os Mestres auxiliam, de inúmeras maneiras, o progresso da humanidade.

Da mais elevada esfera, Eles derramam sobre todo o mundo luz e vida, que podem ser captadas e assimiladas, tão livremente como a luz do sol, por todos aqueles que são suficientemente receptivos para recebê-las. Assim como o mundo físico vive pela vida de Deus, focada pelo sol, também o mundo espiritual vive dessa mesma Vida, focada pela Hierarquia Oculta.

(Página 319)

Certos Mestres estão especialmente ligados às religiões e as usam como reservatórios, nos quais Eles derramam energia espiritual, a ser distribuída aos fiéis de cada religião através dos devidamente designados "meios de graça".

Há também o grande trabalho intelectual, no qual os Mestres enviam pensamentos de elevado poder intelectual, para serem captados por homens de gênio, assimilados por eles e dados ao mundo.

Nesse nível, também, Eles enviam Seus desejos aos Seus discípulos, notificando-os das tarefas às quais deveriam dedicar as mãos.

No mundo mental inferior, os Mestres geram as formas-pensamento que influenciam a mente concreta e a guiam ao longo de linhas úteis de atividade neste mundo, e ensinam aqueles que vivem no mundo celestial.

No mundo intermediário, Eles realizam o trabalho de auxiliar os chamados mortos, geralmente dirigem e supervisionam o ensino dos pupilos mais jovens, e enviam ajuda em inúmeros casos de necessidade.

No mundo físico, Eles observam as tendências dos eventos, corrigem e neutralizam, tanto quanto a lei permite, as correntes malignas, constantemente equilibram as forças que trabalham a favor e contra a evolução, fortalecendo o bem e enfraquecendo o mal.

Eles também trabalham em conjunto com os Anjos e Devas das Nações, guiando as forças espirituais assim como os outros guiam as materiais.

Toda a terra está dividida em áreas especiais, cada uma sob a responsabilidade de um Mestre.

Essas áreas, consistindo em enormes países ou até continentes, correspondem de certa forma às "paróquias" na organização da Igreja.

Assim, pode-se dizer que um Adepto está encarregado da Europa: outro cuida da Índia: e assim por diante.

O Adepto tem todos os diferentes graus e formas de evolução a considerar — não apenas a humanidade, mas também o grande reino dos Anjos e Devas, as várias classes de espíritos da natureza, os animais, vegetais e minerais, os reinos elementais, e muitos outros dos quais nada ainda foi ouvido pela humanidade.

Uma grande parte do trabalho dos Adeptos reside em níveis muito além do físico, pois Eles estão engajados

( Página 320 ) em derramar seu próprio poder, e também a força do grande reservatório preenchido pelos Nirmankayas.

É o carma do mundo que ele tenha uma certa quantidade dessa força elevadora ao seu serviço; por causa disso, a humanidade está evoluindo como uma unidade, o fato da fraternidade permitindo que cada um faça muito mais progresso do que seria remotamente possível se estivesse inteiramente sozinho.

A Grande Fraternidade Branca irradia o suprimento de força do grande reservatório sobre todos os egos, sem exceção, no plano mental superior, dando assim a maior assistência possível ao desdobramento da vida interior.

Embora um Adepto possa irradiar Sua força sobre um número enorme de pessoas, frequentemente alcançando muitos milhões simultaneamente, contudo tal é a qualidade maravilhosa desse poder, que Ele derrama, que ele se adapta a cada um desses milhões, como se ele fosse o único objeto de sua influência, e parece como se o que, para nós, seria atenção plena, estivesse sendo dado àquele indivíduo.

Isso surge do fato de que a consciência nirvânica ou átmica do Mestre é uma espécie de ponto, que no entanto inclui todo o plano.

Ele pode trazer esse ponto através de vários planos e expandi-lo como uma espécie de bolha.

Na parte externa dessa imensa esfera estão todos os corpos causais, que Ele tenta afetar, e Ele, preenchendo a esfera, aparece como tudo em todos para cada indivíduo.

Dessa forma, Ele preenche com Sua vida os ideais de milhões de pessoas, e é para elas, respectivamente, o Cristo ideal, o Rama ideal, o Krishna ideal, um Anjo, ou talvez um guia espiritual.

Neste departamento de Seu trabalho, os Mestres frequentemente aproveitam ocasiões especiais e lugares onde existe algum forte centro magnético.

Onde algum homem santo viveu e morreu, ou onde alguma relíquia de tal pessoa cria uma atmosfera adequada, Eles aproveitam tais condições e fazem Sua própria força irradiar ao longo dos canais já (Página 321) preparados.

Quando uma vasta assembleia de peregrinos se reúne em atitude receptiva, novamente Eles aproveitam a ocasião, derramando Suas forças sobre as pessoas, através dos canais pelos quais foram ensinadas a esperar ajuda e bênção.

Outro exemplo dos métodos de trabalho dos Mestres no nível causal é oferecido no caso de talismãs, que um Mestre pode vincular ao Seu próprio corpo causal, de modo que sua influência perdure através dos tempos.

Isso foi feito com certos objetos físicos, enterrados em vários pontos de importância futura, por Apolônio de Tiana.

Tendo o Adepto se tornado uno com o Terceiro Aspecto do Logos, manifestando-se no plano do atma, Seu próximo passo é tornar-se uno com aquele Aspecto que é representado pelo Cristo no seio do Pai.

Mais tarde, pode-se presumir que Ele se aproximará cada vez mais da Divindade do sistema solar.

Quando a vida humana é completada, o Homem Perfeito geralmente abandona seus vários corpos materiais, mas Ele retém o poder de retomar qualquer um deles, caso precise deles no curso de Seu trabalho.

Na maioria dos casos, aquele que alcança esse nível não necessita mais de um corpo físico.

Ele não retém mais um corpo astral, um mental, ou mesmo um corpo causal, mas vive permanentemente em Seu nível mais elevado.

Dentre aqueles que alcançam o Adeptado, comparativamente poucos permanecem em nossa terra como membros da Hierarquia Oculta, como será explicado mais detalhadamente adiante.

Além da Quinta Iniciação ou Asekha, o Caminho superior se abre em sete grandes vias, entre as quais o Adepto deve fazer Sua escolha.

Estas sete são as seguintes:—

[I] Ele pode entrar na bem-aventurada onisciência e onipotência do Nirvana, com atividades muito além do nosso conhecimento, para se tornar, talvez, em algum mundo futuro, um Avatara, ou Encarnação Divina.

Isto é

às vezes chamado de "vestir a vestimenta Dharmakaya". O Dharmakaya não retém nada abaixo da Mônada, embora o que a vestimenta da Mônada possa ser em seu próprio plano não saibamos. (Página 322)

[II] Ele pode entrar no "Período Espiritual" — uma frase que abrange significados desconhecidos, entre eles, provavelmente, o de "vestir a vestimenta Sambhogakaya". Ele retém Sua manifestação como um espírito tríplice, e provavelmente pode descer e mostrar-Se em um Augoeides temporário.

[III] Ele pode tornar-se parte daquele tesouro de forças espirituais, do qual os Agentes do Logos se utilizam para Sua Obra, "vestindo a vestimenta Nirmanakaya". O Nirmanakaya parece preservar Seu Augoeides, isto é, Seu Corpo Causal, e mantém todos os Seus átomos permanentes, e portanto tem o poder de Se mostrar em qualquer nível que escolher.

Os Nirmanakayas são mencionados em A Voz do Silêncio como formando um Muro Protetor, que preserva o mundo de maior e muito mais vasta miséria e sofrimento.

[IV] Ele pode permanecer como membro da Hierarquia Oculta, que governa e guarda o mundo no qual Ele alcançou a perfeição.

[V] Ele pode passar para a próxima Cadeia, para auxiliar na construção de suas formas.

[VI] Ele pode entrar na esplêndida Evolução Angélica ou Dévica.

[VII] Ele pode doar-Se ao serviço imediato do Logos, para ser usado por Ele em qualquer parte do Sistema Solar: Seu Servidor e Mensageiro, que vive apenas para executar Sua vontade e realizar Sua obra em todo o Sistema que Ele governa.

Isto é chamado de juntar-se ao "Estado-Maior". Parece ser considerado um caminho muito árduo, talvez o maior sacrifício aberto ao Adepto, e é portanto visto como algo que confere grande distinção.

Um membro do Estado-Maior Geral não possui corpo físico, mas cria um para Si por meio de Kriyashakti — o "poder de criar" — a partir da matéria do globo para o qual é enviado.

O Estado-Maior contém Seres em níveis

muito diferentes, desde o Arhatismo para cima.

Acima da Iniciação do Adepto está a Sexta Iniciação, a de Chohan, palavra que significa (Página 323) "Senhor". A mesma palavra é usada também para os Chefes dos Raios Três a Sete.

O Raio ao qual um Adepto pertence afeta não apenas Sua aparência, mas também a obra que Ele tem de realizar.

A tabela seguinte expõe brevemente certos fatos referentes aos Raios:

Chohan Morya — Força — O Mestre Jupiter também está neste Raio e é o Guardião da Índia.

Ele é um grande estudante das ciências abstrusas, das quais a química e a astronomia são

as cascas exteriores.

Chohan Kuthumi: anteriormente Pitágoras (século VI a.C.); também foi o Mestre Jesus (Sh ean, 8. 3 — o veneziano Chohan). A Astrologia Esotérica está relacionada com este Raio.

Chohan Serapis — Beleza e Harmonia — Muitos artistas estão neste Raio.

Chohan Hilarion: anteriormente — Ciência: conhecimento detalhado.

Ambién (século IV).

Chohan Jesus: anteriormente — Bhakti ou Devoção — o Raio dos Místicos — Apolônio de Tiana (século I), e também Ramanujacharya (século XI).

Chohan Rakoczi: anteriormente — o Conde de St.Germain (século XVIII); Francis Bacon (século XVII); Roberto, o monge (século XVI); Hunyadi Janos (século XV); Christian Rosencreuz (século XIV); Roger Bacon (século XIII); Proclo, o Neoplatônico (século V); Santo Albano (século III).

Serviço Ordenado: Obras Cerimoniais através de

( Página 324 )Os seguintes são exemplos dos métodos que provavelmente serão empregados pelos representantes

dos diferentes Raios:----

O homem do Primeiro Raio alcançaria seu objetivo pela pura força de vontade irresistível, sem condescender em

empregar qualquer coisa na natureza de meios.

O homem do Segundo Raio também trabalharia pela força de vontade, mas com a plena compreensão dos vários

métodos possíveis, e a direção consciente de sua vontade para o canal do mais adequado.

O homem do Terceiro Raio usaria as forças do plano mental, observando muito cuidadosamente o tempo exato

em que as influências fossem mais favoráveis ao sucesso.

O homem do Quarto Raio empregaria as forças físicas mais sutis do éter.

O homem do Quinto Raio colocaria em movimento as correntes do que costumava ser chamado de luz astral.

O homem do Sexto Raio alcançaria seu resultado pela força de sua fé sincera em sua Divindade

particular, e na eficácia da oração a Ele.

O homem do Sétimo Raio usaria magia cerimonial elaborada, e provavelmente invocaria a ajuda de

espíritos não humanos, se possível.

Ao tentar a cura de doenças:--

O homem do Primeiro Raio simplesmente extrairia saúde e força da grande fonte da Vida Universal.

O homem do Segundo Raio compreenderia completamente a natureza da doença, e saberia precisamente

como exercer seu poder de vontade sobre ela da melhor maneira.

O homem do Terceiro Raio invocaria os Grandes Espíritos Planetários e escolheria um momento em que as influências astrológicas fossem benéficas para a aplicação de seus remédios.

O homem do Quarto Raio confiaria principalmente em meios físicos, como massagem.

O homem do Quinto Raio empregaria drogas.

O homem do Sexto Raio empregaria a cura pela fé. (Página 325)

O homem do Sétimo Raio usaria mantras, ou invocações mágicas.

Além da Iniciação de Chohan, nos Raios de Três a Sete, a mais alta Iniciação que pode ser tomada em nosso globo é a do Mahachohan: é possível, no entanto, ir mais longe no Primeiro e Segundo Raios, como é indicado na seguinte tabela de Iniciações, na qual se verá que a iniciação de Buda é possível no Segundo e Primeiro Raios, e que o Adepto pode ir ainda mais longe no Primeiro.

VIGIA SILENCIOSO SENHOR DO MUNDO PRATYEKA BUDDHA INICIAÇÕES© BUDDHA BU | 7 MANU IBODHISATTVA MAHACHOHAN NC ASEKHA AASEKHA '(ASEKHA ASEKHA ASEKHA |ASEKHA ASEKHA

a QUARTO QUINTO SÉTIMO RAY SEGUNDO RAY RAY RAY RAY RAY RAY a

O Governo Oculto está em três departamentos, governados por três oficiais, que não são meramente reflexos dos Três Aspectos do Logos, mas são de uma maneira muito real manifestações reais deles.

Estes três são [1] o Senhor do Mundo, que é uno com o Primeiro Aspecto, no plano Adi, e exerce a vontade divina na terra; [2] o Senhor Buda, que é uno com o Segundo Aspecto, que habita no plano Anupadaka, e envia a sabedoria divina para a humanidade; e [3] o Mahachohan, que é uno com o Terceiro Aspecto, que reside no plano nirvânico ou átmico, e (Página 326) exerce a Atividade divina - representando o Espírito Santo.

A seguinte tabela expõe esses fatos:----

O BUDA

DIAGRAMA XLIV.—Os Grandes Triângulos da Hierarquia

Neste grande Triângulo, o Senhor do Mundo e o Senhor Buda são diferentes do Mahachohan, estando engajados em trabalho que não desce ao plano físico, mas apenas ao nível do corpo búdico, no caso do Senhor Buda, e ao plano átmico, no caso do Senhor do Mundo.

No entanto, sem o trabalho deles, nada do que está em níveis mais baixos seria possível, então eles providenciam a transmissão de sua influência, mesmo ao plano mais baixo, através de seus representantes, o Manu e o Bodhisattva, respectivamente.

(Página 327)

O Manu e o Bodhisattva permanecem em paralelo com o Mahachohan, formando assim outro Triângulo, para administrar os poderes do Logos até o plano físico.

Esses dois triângulos são expressos no Diagrama XLIV.

CHOHAN

KUTHUM O CONDE JESUS HILÁRION SERÁPIS VENECIANO MORYA

ASEKHA

Diagrama XLV.—A Hierarquia Oculta.

A Hierarquia Oculta

As várias relações descritas acima estão resumidas no Diagrama XLV, que é reproduzido, com modificações muito ligeiras, de *The Masters and the Path*.

CAPÍTULO XXXV

CONCLUSÃO

( Página 328 ) Ao concluir esta série de quatro livros, tratando dos corpos etérico, astral, mental e causal do homem, juntamente com uma considerável massa de fenômenos dos vários planos aos quais esses corpos pertencem, pode ser útil lançar um olhar sobre todo o terreno que percorremos e extrair algumas conclusões gerais.

Voltando à importante questão da pesquisa clarividente, parece ser um fato, no momento presente, que o que podemos denominar clarividência objetiva é comparativamente raro.

Por clarividência objetiva, queremos dizer aquele tipo definido e definitivo de visão superior, ou apreensão, que objetiva as coisas que são percebidas; que, de fato, faz delas coisas objetivas, em seu próprio grau, como o são os fenômenos ordinários do plano físico.

Há, contudo, outro tipo de visão clara, que podemos denominar clarividência subjetiva.

Nesse tipo, há uma forma de percepção, talvez mais precisamente denominada apreensão, que não objetiva aquilo que está sendo observado, mas que antes o sente ou o conhece de maneira mais sutil e mais interior.

Que uma simples ilustração baste.

Enquanto relativamente poucas pessoas são capazes de ver auras, de modo que estas se tornem perfeitamente objetivas, muito mais parecem ser capazes de "sentir" auras, e de saber, sem realmente ver, quais são suas características gerais, tais como tamanho, qualidade, cor, e assim por diante.

Elas parecem ver, literalmente, com o "olho da mente".

Em ambos os casos de visão clara, o estudante sábio e experiente será extremamente cauteloso e prudente, e sempre adotará uma visão estritamente conservadora, seja daquilo que vê—ou pensa que vê—ou daquilo que ( Página 329 ) sente—ou pensa que sente.

Embora seja altamente tolo, e contrário a todos os cânones do método científico, ignorar ou desconsiderar severamente demais aquilo que é visto ou apreendido, é igualmente tolo, e certamente mais perigoso, aceitar precipitadamente, e sem cuidadosa corroboração, tudo o que é visto ou apreendido.

O estudante, ao adentrar o desconhecido, deve se esforçar para manter esse equilíbrio cuidadoso, entre cautela e precipitação, que somente conduz ao verdadeiro conhecimento e o mantém naquele "caminho do meio" que tantas vezes foi descrito como estreito como o fio de uma navalha.

Como mencionado em um volume anterior, ter tentado dar provas das afirmações feitas nestes livros teria sido, por muitas razões, completamente impossível, ou pelo menos impraticável.

Pois uma grande proporção do conteúdo destes volumes, prova intelectual rígida certamente não poderia ser dada, porque ela não está atualmente disponível.

Comparativamente poucas coisas — alguns diriam nenhuma coisa — podem ser provadas absolutamente: fatos, fenômenos, observações, afirmações, são uma coisa; prova desses fatos, etc., e, ainda mais, a capacidade de apreciar tal prova, são uma coisa totalmente diferente.

Os homens ainda não parecem ter sido capazes de conceber um sistema de provar se certas coisas são verdadeiras ou não são verdadeiras, um sistema tão confiável, digamos, como é um par de balanças para verificar os pesos dos objetos.

E, no entanto, entre todos os fenômenos da vida há muitas coisas, de importância suprema, sobre as quais o homem deve formar uma opinião, se ele há de viver como um ser racional, e direcionar sua vida verdadeiramente.

Ele não pode se dar ao luxo de esperar até que uma prova clara e inequívoca esteja disponível.

Fazer isso é incorrer no risco de rejeitar, meramente por causa de prova insuficiente, informações que, se verdadeiras, podem ser de imensurável importância e valor para ele.

Apenas uma atitude parece razoável e justa.

Devemos, como foi dito, decidir de uma forma ou de outra, mesmo quando a prova não está disponível.

Quando a prova intelectual é deficiente, é muitas vezes tão ( Página 3330 ) estúpido desacreditar, quanto acreditar.

Há uma superstição da descrença, assim como há uma superstição da crença: e é duvidoso de qual forma de superstição a raça humana atualmente mais sofre.

A prova hoje, talvez sempre, é uma questão individual para cada homem.

Existe uma teoria — e é uma teoria de modo algum desprovida de apoio por evidências e experiência — de que é possível a um homem treinar-se de tal forma que, quando um fato verdadeiro lhe é apresentado pela primeira vez, algo dentro dele salta para saudá-lo, e ele sabe que é verdadeiro.

Podemos chamar isso de intuição, ou de qualquer outro nome que escolhamos: tem muitos nomes: mas é um fenômeno que qualquer um pode observar e testar por si mesmo como um fenômeno verdadeiro.

Como Annie Besant disse: "À medida que o sentido superior em você, que reconhece a verdade à primeira vista, gradualmente se desdobra, você será capaz de absorver cada vez mais a verdade.

Então crescem em você uma profunda convicção interior, e quando uma verdade lhe é apresentada, você saberá que ela é verdadeira.

Esse sentido corresponde à visão no plano físico.

É a faculdade do buddhi, a razão pura". [Talks on the Path of Occultism, p. 210].

Assim, o homem sábio observa instâncias desse fenômeno em si mesmo e nos outros e, reconhecendo sua importância tremenda e de longo alcance, deliberadamente se põe a trabalhar para treinar e aperfeiçoar essa faculdade em si mesmo.

Obviamente, ela pode tornar-se de valor incalculável para ele, particularmente em sua vida psicológica e espiritual.

Por mais estranhas e extraordinárias, talvez até impossíveis, que muitas das afirmações feitas nestes quatro livros possam parecer a alguns leitores, seria certamente uma política mais sábia [visto que todas são feitas por investigadores sinceros e honestos] não rejeitá-las meramente porque não podem ser provadas, mas, se não despertarem um frêmito responsivo que as sinta como verdadeiras, deixá-las de lado por enquanto, "arquivá-las" para "referência futura". Ao passo que, se despertarem esse frêmito responsivo, que, naqueles que desenvolveram a faculdade acima referida, é frequentemente bastante inconfundível, (Página 331) podem ser aceitas, ao menos provisoriamente por enquanto, como provavelmente verdadeiras.

Cada vez mais estudantes de ocultismo estão descobrindo que, à medida que o tempo passa e eles desenvolvem seus próprios poderes interiores, são capazes de verificar por si mesmos muitas afirmações que, anos ou meses antes, haviam aceito dessa maneira, com base na autoridade de outros.

Tanto basta para a questão abstrusa e complicada da prova dos ensinamentos da Sabedoria Antiga, em sua roupagem de Teosofia moderna.

Voltando ao aspecto ético do que foi dito nestes quatro livros, o leitor sem dúvida terá observado que considerações morais e éticas, decorrentes do estudo da constituição oculta do homem, foram tocadas apenas ocasionalmente, e de forma bastante secundária.

Isso foi feito deliberadamente, tendo-se adotado o ponto de vista de que os fatos falam por si mesmos e apontam sua própria moral.

Se o homem é constituído como descrito, se ele possui corpos etérico, astral, mental e causal da natureza declarada, certamente não pode haver duas opiniões quanto ao modo como ele deveria, mesmo em seu próprio interesse, viver e conduzir suas relações com outros homens, e com o mundo em geral.

Se ele o faz ou não é, naturalmente, assunto inteiramente seu.

E agora algumas palavras dirigidas mais especificamente aos estudantes ocultistas, e ao método geral de abordagem dos assuntos tratados nestes quatro volumes.

A Sabedoria Antiga pode sem dúvida ser apresentada de muitas maneiras, maneiras totalmente diversas umas das outras.

Um mecânico a apresentaria de uma forma; um artista de maneira bastante outra; um cientista a descreveria de modo muito diferente daquele que um poeta ou um místico adotaria.

Conforme os tipos ou temperamentos dos homens, e suas qualificações e conhecimentos, assim serão suas apresentações das verdades eternas.

Portanto, pode haver perigo para um no método de apresentação de outro. Para ser bem específico, a apresentação adotada nestes livros, muitos diriam, é mecânica, até mesmo materialista.

Assim seja: mas, na natureza das coisas, (Página 332) deve haver um aspecto mecânico e um aspecto material de todo fenômeno, por mais espiritual que seja, pois não pode haver espírito sem matéria.

Mas o verdadeiro estudante ocultista se guardará contra encerrar-se em qualquer sistema mecânico rígido.

Embora sua mente "ordenada" possa deleitar-se em categorias e tabulações precisas de fatos, ele não deve permitir que estas se tornem uma prisão, com janelas gradeadas, limitando e restringindo suas visões apenas a certas direções estreitas.

Dissecação, análise, categorização são necessárias para o intelecto: mas são, afinal, apenas andaimes por meio dos quais a estrutura, completa em todas as suas partes, é erguida.

Além disso, como H.G. Wells afirmou admiravelmente: "estas coisas — número, definição, classe e forma abstrata — sustento eu, são meramente condições inevitáveis da atividade mental; condições lamentáveis antes que fatos essenciais."

"As pinças de nossas mentes são pinças desajeitadas e esmagam um pouco a verdade ao segurá-la". [First and Last Things, livro I, "Metaphysics", página 19].

A estrutura do conhecimento é um todo único, composto, é verdade, de suas múltiplas partes, porém maior do que a soma aritmética de todas as suas partes e, em sua totalidade, cumprindo uma função que nenhuma de suas partes, nem qualquer grupo de suas partes, pode realizar.

Assim também com o homem: podemos, para fins de estudo e compreensão, dividi-lo em Mônada, Ego e Personalidade, seus corpos em físico, etérico, astral, mental e causal: contudo, o homem em si não é nenhuma dessas coisas, nem mesmo todas elas juntas.

Essas são apenas meios através dos quais ele expressa porções, aspectos ou funções de si mesmo: mas ele próprio "permanece", uma entidade, um mistério, se a verdade for dita, diferente e maior do que todas essas categorias nas quais o dividimos.

C.W. Leadbeater [em The Science of the Sacraments, p. 547] oferece uma analogia que pode ser útil aqui.

Se uma corrente elétrica for feita para fluir ao redor de uma barra de ferro macio, através de uma bobina de fio de prata alemã, e dentro de um tubo preenchido com vapor de mercúrio, ela dará origem, respectivamente (Página 333), a magnetismo, calor e luz.

A corrente é a mesma, mas suas manifestações variam de acordo com a natureza da matéria através da qual ela atua.

Assim também com o homem: a corrente de vida que flui nele é dividida em diferentes variedades de manifestação, de acordo com os corpos através dos quais ela se expressa.

Estudamos os corpos por sua vez, e seus métodos de funcionamento: mas o homem em si, aquilo que resulta em consciência de vários tipos nos vários corpos, é o númeno por trás de todos esses fenômenos externos: e note-se, assim como a verdadeira natureza da eletricidade ainda escapa aos nossos cientistas, também o homem em si, em sua verdadeira natureza, ainda nos escapa.

Portanto, é bem concebível, até provável, que seria possível dar uma apresentação justa e completa, digamos somente do ponto de vista da consciência, em vez da forma, das verdades da Sabedoria Antiga, sem qualquer menção a atma, buddhi, manas, ou à multidão de outros termos técnicos com os quais estas páginas estão tão generosamente salpicadas.

O verdadeiro estudante, o genuíno amante da verdade, reconhecerá a verdade, não importa sob que disfarce, ou em que "jargão", para usar uma palavra desagradável — ela possa ser expressa, ou velada.

Mas que ele, acima de tudo, seja tolerante e bondoso: todos os caminhos levam a um único objetivo; que cada peregrino encontre e siga o seu próprio caminho, oferecendo boa vontade, amizade e gentileza, sem parcimônia e sem paternalismo, aos peregrinos que preferem outros caminhos.

Em vista do que foi dito acima, sobre os defeitos inerentes aos processos intelectuais e à categorização, o estudante deve, *a fortiori*, precaver-se contra depositar demasiada fé em diagramas, por mais úteis que estes possam ser para a mente laboriosa.

Que o estudante, por todos os meios, os empregue como andaimes, como escadas pelas quais ele sobe, mas que esteja em guarda para que não se tornem gaiolas que o aprisionem.

Eis um teste: se a sua compreensão for genuína e plena, a concepção sintética que ele gerou pertencerá a um mundo muito acima do mundo da forma ou do diagrama; mas no momento em que ele lançar a sua concepção na mente inferior e categorizadora (página 334), ela se projetará em inúmeras formas e contornos, variando conforme os materiais que ele seleciona, do seu acervo de conhecimento, para a expressão daquilo que, por sua própria natureza, é incapaz de ser aprisionado em qualquer gráfico, por mais engenhoso ou apropriado que seja.

Diagramas, como todas as formas de categorias, são servos admiráveis, mas mestres tirânicos.

É a esperança do compilador que os anos de trabalho que ele dedicou a estes volumes ajudem a trazer a muitos de seus leitores, ao menos, tanta clarificação de ideias e, acima de tudo, entusiasmo e amor cada vez mais profundo pela Brahma-Vidya, a nobre ciência, o conhecimento de Deus e do homem, quanto trouxeram ao próprio compilador.

Do conhecimento vem a compreensão; da compreensão vem aquela serenidade e paz que são tão imensuravelmente maiores do que todo conhecimento e toda compreensão.

"O valor do conhecimento", escreveu Annie Besant, "é testado pelo seu poder de purificar e enobrecer a vida, e todos os estudantes sinceros desejam aplicar o conhecimento teórico adquirido no seu estudo da Teosofia à evolução do seu próprio caráter e à ajuda ao seu próximo. A emoção que impele à vida reta é meio desperdiçada se a clara luz do intelecto não iluminar o caminho da conduta; pois, assim como o cego se desvia do caminho sem saber até cair numa vala, assim também o Ego, cego pela ignorância, desvia-se da estrada da vida reta até cair no poço da ação maligna."

Verdadeiramente, Avidya—a privação do conhecimento—é o primeiro passo da unidade para a separatividade, e somente à medida que diminui é que a separatividade se reduz, até que seu desaparecimento restaure a Paz Eterna.

DEVACHANICPLANE = ~—C.W.LEADBEATER 19022 DP  DREAMS = ~~ ~—~—~—~'C.W.LEADBEATER  1903' D

INNER LIFEVOL.I1 = = = = = = =  =~—s(C.W. LEADBEATER 1910 ILM  INTRODUCTION TO YOGA = A.BESANT — ss sd1908 YO  KARMA A BESANT 1897 KK  LIFEAFTERDEATH = ~=~— 6C.W. LEADBEATER (i917, LAD  INNERLIFEVOL.L = = (C.W.LEADBEATER 1910 ILE

IN THE OUTER COURT A. BESANT 1910 loc

HIDDEN SIDE OF THINGS VOL.

II C.W. LEADBEATER 1913 HS ll  HIDDEN SIDE OF THINGS VOL.I C.W. LEADBEATER 1913 H S|  HIDDEN LIFE IN FREEMASONRY C.W. LEADBEATER 1926 HLF

GODSINEXILE ===~=~=~=~=——CNJJ.VANDERLEEUW 1926 GE

EVOLUTION OF LIFE ANDFORM A. BESANT 1899 «ELF tCS™S  MAN&HISBODIES = ~~ ~A.BESANT  ~~~~~=~1900 OMB™  MAN VISIBLE & INVISIBLE ~~=C.W.LEADBEATER 1902 MMVI

MAN: WHENCE, HOW AND WHITHER BESANT/LEADBEATER 1913 MWHW  C.W. LEADBEATER

MASTERS ANDTHE PATH = =——t—sé«GCWW.

19225 MP  MONAD = ~~ (G.W.LEADBEATER 1920 M  NIRVANA = GS. ARUNDALE jis NC  OTHER SIDEOF DEATH = =~—sSm (C.W.LEADBEATER =-«41904 «= OSD  PEDIGREEOFMAN = ~~ |A.BESANT = ———ss1908 PM  REINCARNATION = ~~ |A.BESANT- = =———is1898— RO  SCIENCE OF THE SACRAMENTS —___C.W. LEADBEATER 1920 SOS  SELF ANDITSSHEATHS = =—SsA.

BESANT 1902 SS

SEVEN PRINCIPLES OF MAN A. BESANT 1904 SP

SOME GLIMPSES OF OCCULTISM C.W. LEADBEATER 1909 SGO

ale AL click al

TALKS WITHA CLASS BESANT fg ro rc - ——

ae eS eS  H THEOSOPHY = PHY

a & NEW PSYCHOLOGY A. BESANT 1909 909 — 8=@ ——— NP

Ir para o topo desta página  Voltar aos nossos Documentos On-line

Voltar à nossa Página Principal

A revista The Light Bearer, publicada pela Associação Teosófica Canadense, é emitida quatro vezes por ano ($16,00 em fundos canadenses para envios no Canadá; cópia de amostra enviada mediante solicitação para endereços canadenses.

Envie uma nota para:enquirers@theosophical.ca para aproveitar esta oferta ou descubra sobre a filiação à Sociedade, que custa $20,00 por ano e inclui a revista.

Este documento é uma publicação da

Associação Teosófica Canadense (uma associação regional da Sociedade Teosófica em Adyar)  1667 Nash Road, Box 108,

Courtice, On. Canadá L1E 1S

e-mail:enquirers@theosophical.ca

site: www.theosophical.ca